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Israel estabelece laços com Emirados e suspende anexação da Cisjordânia



14/08/2020 | 07:06


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 13, que Israel estabelecerá "a normalização total das relações" com os Emirados Árabes Unidos e que renunciará, por enquanto, aos planos de anexar o território ocupado da Cisjordânia para se concentrar em melhorar seus laços com o restante dos países árabes.

Israel não tinha, até agora, relações diplomáticas com países do Golfo Pérsico e os recentes anúncios de anexação de parte da Cisjordânia eram encarados como um empecilho para a regularização dos laços entre os países, apesar da ameaça comum que ambos sofrem, que é o aumento da influência regional do Irã.

A Autoridade Palestina convocou para consultas seu embaixador em Abu Dhabi, em protesto pela medida. Os palestinos também pediram uma reunião de emergência da Liga Árabe. Em um comunicado, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, rejeitou o acordo trilateral e disse que ele representava uma traição a "Jerusalém, a Al-Aqsa e à causa palestina".

Desde os anos 90, israelenses e palestinos mantiveram várias negociações para tentar alcançar um acordo de paz. Entre os principais pontos de atrito está o fato de Israel rejeitar o retorno dos refugiados palestinos e o debate sobre a cidade sagrada de Jerusalém. Os palestinos desejam o lado oriental como a capital de seu futuro Estado, mas Israel considera toda Jerusalém sua capital - status não reconhecido pela ONU.

Esse será o terceiro acordo de Israel estabelecendo relações diplomáticas com um país árabe desde a declaração de independência de Israel, em 1948. O Egito assinou um acordo de paz com Israel em 1979 e a Jordânia em 1994.

O governo jordaniano afirmou que o acordo diplomático entre Israel e os Emirados somente trará a paz para a região se for um incentivo "para acabar com a ocupação israelense dos territórios palestinos" e se levar à criação de um Estado independente para eles nas terras que Israel ocupou em 1967.

Um assessor especial do Parlamento do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, disse no Twitter que a medida "assegurará os crimes sionistas". "O comportamento de Abu Dhabi não tem justificativa, virou as costas à causa palestina. (É) Um erro de estratégia", tuitou o ex-vice-chanceler iraniano.

Israel vinha tentando se aproximar de vários países do Golfo Pérsico, incluindo uma cooperação com os Emirados Árabes Unidos por causa da pandemia do novo coronavírus.

Netanyahu declarou, no ano passado, que Israel já não era considerado inimigo pela maioria dos países árabes, mas sim "um aliado" indispensável contra o Irã. Recentemente houve uma aproximação maior entre os países, com sinalização de uma aproximação - um avião da Emirates com ajuda para o combate à covid-19 aterrissou em Tel-Aviv, em maio, e Netanyahu visitou Omã pela primeira vez no começo do ano.

O analista político Aaron David Miller, que participou em várias negociações entre israelenses e palestinos patrocinadas pelos EUA, elogiou o acordo. "Netanyahu, Emirados Árabes Unidos e o governo Trump transformaram uma necessidade numa vantagem e numa vitória para os três. Os Emirados dizem que impediram a anexação, os EUA também e conseguem um grande avanço, e Netanyahu consegue uma enorme vantagem e liberta-se da armadilha da anexação", escreveu Miller em sua conta no Twitter.

Cisjordânia

"Como resultado deste avanço diplomático e a pedido do presidente Trump, com o apoio dos Emirados Árabes Unidos, Israel suspenderá a declaração de soberania sobre as áreas delineadas no Plano de Paz e concentrará seus esforços agora na expansão dos laços com outros países no mundo árabe e muçulmano", afirma o comunicado divulgado pela Casa Branca, descrito como uma declaração conjunta de Israel, Emirados Árabes Unidos e EUA.

O príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Bin Zayad, confirmou que Israel concordou em suspender os planos de anexação da Cisjordânia. Já o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, comparou o acordo aos tratados de paz firmados por Israel há décadas com o Egito e a Jordânia. "O acordo de normalização de hoje entre Israel e os Emirados tem potencial semelhante e a promessa de um dia melhor para toda a região", disse.

Em uma declaração emitida na Casa Branca, Trump disse que Israel e os Emirados Árabes Unidos assinarão uma série de acordos bilaterais. Segundo o comunicado, as delegações de Israel e dos Emirados Árabes Unidos vão se reunir nas próximas semanas para assinar acordos sobre investimentos, turismo, voos diretos entre os países, segurança, telecomunicações, tecnologia, energia, saúde, cultura, ambiente e até o estabelecimento de embaixadas recíprocas. Israel também trabalhará para expandir suas relações com países árabes da região.

O assessor da Casa Branca e genro de Trump, Jared Kushner, disse ontem que há "muitas possibilidades" que Israel e outro país árabe assinem um novo acordo diplomático nos próximos três meses, antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nas quais o republicano disputa a reeleição.

O candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Bide, qualificou o acordo como um "histórico passo" para reduzir as tensões no Oriente Médio e elogiou a coragem dos Emirados Árabes. O compromisso também foi saudado por vários países, entre eles Bahrein, Egito e Reino Unido. Ainda ontem, o prédio da prefeitura de Tel Aviv foi iluminado com as cores da bandeira dos Emirados Árabes. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Israel estabelece laços com Emirados e suspende anexação da Cisjordânia


14/08/2020 | 07:06


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira, 13, que Israel estabelecerá "a normalização total das relações" com os Emirados Árabes Unidos e que renunciará, por enquanto, aos planos de anexar o território ocupado da Cisjordânia para se concentrar em melhorar seus laços com o restante dos países árabes.

Israel não tinha, até agora, relações diplomáticas com países do Golfo Pérsico e os recentes anúncios de anexação de parte da Cisjordânia eram encarados como um empecilho para a regularização dos laços entre os países, apesar da ameaça comum que ambos sofrem, que é o aumento da influência regional do Irã.

A Autoridade Palestina convocou para consultas seu embaixador em Abu Dhabi, em protesto pela medida. Os palestinos também pediram uma reunião de emergência da Liga Árabe. Em um comunicado, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, rejeitou o acordo trilateral e disse que ele representava uma traição a "Jerusalém, a Al-Aqsa e à causa palestina".

Desde os anos 90, israelenses e palestinos mantiveram várias negociações para tentar alcançar um acordo de paz. Entre os principais pontos de atrito está o fato de Israel rejeitar o retorno dos refugiados palestinos e o debate sobre a cidade sagrada de Jerusalém. Os palestinos desejam o lado oriental como a capital de seu futuro Estado, mas Israel considera toda Jerusalém sua capital - status não reconhecido pela ONU.

Esse será o terceiro acordo de Israel estabelecendo relações diplomáticas com um país árabe desde a declaração de independência de Israel, em 1948. O Egito assinou um acordo de paz com Israel em 1979 e a Jordânia em 1994.

O governo jordaniano afirmou que o acordo diplomático entre Israel e os Emirados somente trará a paz para a região se for um incentivo "para acabar com a ocupação israelense dos territórios palestinos" e se levar à criação de um Estado independente para eles nas terras que Israel ocupou em 1967.

Um assessor especial do Parlamento do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, disse no Twitter que a medida "assegurará os crimes sionistas". "O comportamento de Abu Dhabi não tem justificativa, virou as costas à causa palestina. (É) Um erro de estratégia", tuitou o ex-vice-chanceler iraniano.

Israel vinha tentando se aproximar de vários países do Golfo Pérsico, incluindo uma cooperação com os Emirados Árabes Unidos por causa da pandemia do novo coronavírus.

Netanyahu declarou, no ano passado, que Israel já não era considerado inimigo pela maioria dos países árabes, mas sim "um aliado" indispensável contra o Irã. Recentemente houve uma aproximação maior entre os países, com sinalização de uma aproximação - um avião da Emirates com ajuda para o combate à covid-19 aterrissou em Tel-Aviv, em maio, e Netanyahu visitou Omã pela primeira vez no começo do ano.

O analista político Aaron David Miller, que participou em várias negociações entre israelenses e palestinos patrocinadas pelos EUA, elogiou o acordo. "Netanyahu, Emirados Árabes Unidos e o governo Trump transformaram uma necessidade numa vantagem e numa vitória para os três. Os Emirados dizem que impediram a anexação, os EUA também e conseguem um grande avanço, e Netanyahu consegue uma enorme vantagem e liberta-se da armadilha da anexação", escreveu Miller em sua conta no Twitter.

Cisjordânia

"Como resultado deste avanço diplomático e a pedido do presidente Trump, com o apoio dos Emirados Árabes Unidos, Israel suspenderá a declaração de soberania sobre as áreas delineadas no Plano de Paz e concentrará seus esforços agora na expansão dos laços com outros países no mundo árabe e muçulmano", afirma o comunicado divulgado pela Casa Branca, descrito como uma declaração conjunta de Israel, Emirados Árabes Unidos e EUA.

O príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Bin Zayad, confirmou que Israel concordou em suspender os planos de anexação da Cisjordânia. Já o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, comparou o acordo aos tratados de paz firmados por Israel há décadas com o Egito e a Jordânia. "O acordo de normalização de hoje entre Israel e os Emirados tem potencial semelhante e a promessa de um dia melhor para toda a região", disse.

Em uma declaração emitida na Casa Branca, Trump disse que Israel e os Emirados Árabes Unidos assinarão uma série de acordos bilaterais. Segundo o comunicado, as delegações de Israel e dos Emirados Árabes Unidos vão se reunir nas próximas semanas para assinar acordos sobre investimentos, turismo, voos diretos entre os países, segurança, telecomunicações, tecnologia, energia, saúde, cultura, ambiente e até o estabelecimento de embaixadas recíprocas. Israel também trabalhará para expandir suas relações com países árabes da região.

O assessor da Casa Branca e genro de Trump, Jared Kushner, disse ontem que há "muitas possibilidades" que Israel e outro país árabe assinem um novo acordo diplomático nos próximos três meses, antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nas quais o republicano disputa a reeleição.

O candidato democrata, o ex-vice-presidente Joe Bide, qualificou o acordo como um "histórico passo" para reduzir as tensões no Oriente Médio e elogiou a coragem dos Emirados Árabes. O compromisso também foi saudado por vários países, entre eles Bahrein, Egito e Reino Unido. Ainda ontem, o prédio da prefeitura de Tel Aviv foi iluminado com as cores da bandeira dos Emirados Árabes. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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