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Relação universidades, empresas e governos


Marcos Sidnei Bassi*

14/08/2020 | 00:02


Os estudos têm mostrado que as regiões mais competitivas economicamente são aquelas nas quais a competitividade se respalda em recursos humanos qualificados, em áreas fortes de pesquisa, desenvolvimento e inovação, bem como na integração entre as universidades, as empresas e os governos (prefeituras, órgãos regionais, governo do Estado, governo federal). Em entrevista que dei na 13ª Carta de Conjuntura do Observatório Conjuscs, tratei também deste assunto (disponível em www.uscs.edu.br/cartasconjuscs).

O Grande ABC viveu, a partir da segunda metade do século XX, um importante ciclo de industrialização. A região concentrou investimentos de porte da grande indústria mecânica, química, eletroeletrônica, entre outros segmentos. Departamentos de pesquisa e desenvolvimento foram estruturados nas empresas. Por sua vez, as universidades ajudaram a formar grandes contingentes de mão de obra qualificada, que fizeram a região dar um salto em seu desenvolvimento. No entanto, a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação de produtos, materiais, processos de produção, gestão e modelos de negócios sempre ficaram circunscritos aos circuitos internos das empresas, muitas delas empresas multinacionais. Portanto, nosso ecossistema é, digamos, incompleto ainda. É preciso maior aproximação e projetos conjuntos ‘para fora’ das empresas, que possam envolver a comunidade científica local e regional, isso é, as universidades, o Sistema S, os laboratórios públicos e privados, as startups.

Hoje, existem iniciativas isoladas – várias inclusive de relevância no âmbito das empresas, das universidades e prefeituras – que buscam uma interlocução, mas o resultado regional tem sido pouco expressivo. Esse resultado poderia ser muito mais potencializado.

Precisamos ter, na universidade, a presença mais frequente e ativa das gestões públicas e da iniciativa privada, discutindo e sugerindo grades de disciplinas, cursos, pesquisas, fomentando startups e empresas de jovens empreendedores. Ao mesmo tempo, a universidade, por meio de professores e alunos, precisa estar mais presente nas empresas privadas e gestões públicas, atuando em projetos, pesquisas, estágios e startups. A prestação de serviços pelas universidades, encontrando soluções para as empresas e gestões públicas, é também um aspecto ainda a ser aprofundado na região e no Brasil em geral. Este entrelaçamento é fundamental para a aproximação entre as três partes: empresas, universidades e gestões públicas. A região poderia ganhar muito se conseguíssemos dar maior capacidade de integração ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e à Agência de Desenvolvimento.

Um tema bastante discutido na região nos últimos anos tem sido o da constituição de um ou mais parques tecnológicos na região. Parques tecnológicos são lugares de desenvolvimento de projetos conjuntos entre universidades, setor produtivo e gestão pública. É o espaço em que desafios concretos são colocados por grandes empresas e governos para serem desenvolvidos por jovens empreendedores e pesquisadores com o apoio e fomento do setor público e das universidades. Muitos dos parques tecnológicos surgiram nas últimas décadas do século XX e primeiras décadas do século XXI, nos Estados Unidos, Europa e Japão. Trata-se de um modelo, sem dúvida, de sucesso. Dos parques tecnológicos saem muitas startups bem-sucedidas.

É importante sim buscar discutir e estruturar parques tecnológicos em regiões de grande densidade produtiva, educacional e tecnológica, como é o caso do Grande ABC. No entanto, não há um único formato de parque tecnológico. Aproveitar a estrutura das instituições educacionais – com seus profissionais, programas, laboratórios e salas – é essencial para que não se dupliquem investimentos e esforços. É perfeitamente possível refletir sobre um parque tecnológico do Grande ABC em rede. O parque tecnológico em rede contribuirá para captar e discutir projetos em conjunto, mas também para que se aproveite a estrutura humana e física já existente. Acrescente-se que isso facilitaria também a ação coordenada em nível da região, sem impedir as iniciativas municipais.


* Pesquisador do Observatório Conjuscs, docente e ex-Reitor da Universidade Municipal de São Caetano (gestão março 2013 – junho 2020)
 



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Relação universidades, empresas e governos

Marcos Sidnei Bassi*

14/08/2020 | 00:02


Os estudos têm mostrado que as regiões mais competitivas economicamente são aquelas nas quais a competitividade se respalda em recursos humanos qualificados, em áreas fortes de pesquisa, desenvolvimento e inovação, bem como na integração entre as universidades, as empresas e os governos (prefeituras, órgãos regionais, governo do Estado, governo federal). Em entrevista que dei na 13ª Carta de Conjuntura do Observatório Conjuscs, tratei também deste assunto (disponível em www.uscs.edu.br/cartasconjuscs).

O Grande ABC viveu, a partir da segunda metade do século XX, um importante ciclo de industrialização. A região concentrou investimentos de porte da grande indústria mecânica, química, eletroeletrônica, entre outros segmentos. Departamentos de pesquisa e desenvolvimento foram estruturados nas empresas. Por sua vez, as universidades ajudaram a formar grandes contingentes de mão de obra qualificada, que fizeram a região dar um salto em seu desenvolvimento. No entanto, a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação de produtos, materiais, processos de produção, gestão e modelos de negócios sempre ficaram circunscritos aos circuitos internos das empresas, muitas delas empresas multinacionais. Portanto, nosso ecossistema é, digamos, incompleto ainda. É preciso maior aproximação e projetos conjuntos ‘para fora’ das empresas, que possam envolver a comunidade científica local e regional, isso é, as universidades, o Sistema S, os laboratórios públicos e privados, as startups.

Hoje, existem iniciativas isoladas – várias inclusive de relevância no âmbito das empresas, das universidades e prefeituras – que buscam uma interlocução, mas o resultado regional tem sido pouco expressivo. Esse resultado poderia ser muito mais potencializado.

Precisamos ter, na universidade, a presença mais frequente e ativa das gestões públicas e da iniciativa privada, discutindo e sugerindo grades de disciplinas, cursos, pesquisas, fomentando startups e empresas de jovens empreendedores. Ao mesmo tempo, a universidade, por meio de professores e alunos, precisa estar mais presente nas empresas privadas e gestões públicas, atuando em projetos, pesquisas, estágios e startups. A prestação de serviços pelas universidades, encontrando soluções para as empresas e gestões públicas, é também um aspecto ainda a ser aprofundado na região e no Brasil em geral. Este entrelaçamento é fundamental para a aproximação entre as três partes: empresas, universidades e gestões públicas. A região poderia ganhar muito se conseguíssemos dar maior capacidade de integração ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e à Agência de Desenvolvimento.

Um tema bastante discutido na região nos últimos anos tem sido o da constituição de um ou mais parques tecnológicos na região. Parques tecnológicos são lugares de desenvolvimento de projetos conjuntos entre universidades, setor produtivo e gestão pública. É o espaço em que desafios concretos são colocados por grandes empresas e governos para serem desenvolvidos por jovens empreendedores e pesquisadores com o apoio e fomento do setor público e das universidades. Muitos dos parques tecnológicos surgiram nas últimas décadas do século XX e primeiras décadas do século XXI, nos Estados Unidos, Europa e Japão. Trata-se de um modelo, sem dúvida, de sucesso. Dos parques tecnológicos saem muitas startups bem-sucedidas.

É importante sim buscar discutir e estruturar parques tecnológicos em regiões de grande densidade produtiva, educacional e tecnológica, como é o caso do Grande ABC. No entanto, não há um único formato de parque tecnológico. Aproveitar a estrutura das instituições educacionais – com seus profissionais, programas, laboratórios e salas – é essencial para que não se dupliquem investimentos e esforços. É perfeitamente possível refletir sobre um parque tecnológico do Grande ABC em rede. O parque tecnológico em rede contribuirá para captar e discutir projetos em conjunto, mas também para que se aproveite a estrutura humana e física já existente. Acrescente-se que isso facilitaria também a ação coordenada em nível da região, sem impedir as iniciativas municipais.


* Pesquisador do Observatório Conjuscs, docente e ex-Reitor da Universidade Municipal de São Caetano (gestão março 2013 – junho 2020)
 

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