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Grupo teatral premiado sofre nova ação de despejo de sua sede no centro de SP



13/08/2020 | 12:43


Com mais de duas décadas de atuação, a Cia. Pessoal do Faroeste passa, mais uma vez, por dificuldades para pagar o aluguel de seu espaço, conhecido como Sede Luz do Faroeste. As dívidas chegam, atualmente, a R$ 200 mil. A situação se agravou nesta quarta-feira, 12, quando a companhia recebeu uma ordem de despejo, com o prazo de 15 dias para desocupar o imóvel.

Comandado pelo diretor Paulo Faria, o grupo aposta, há 22 anos, em trabalhos inspirados na vida social e política do povo brasileiro, com diversas encenações que expõem os problemas da região da Luz, onde se encontra a sede da companhia.

A ligação com a região, no entanto, extrapola os palcos. Durante toda a pandemia do coronavírus, por exemplo, a campanha #FomeZeroLuz, idealizada por Faria, tem promovido a doação de alimentos e itens de higiene a moradores do entorno da Cracolândia. Segundo o diretor, já são mais de mil famílias cadastradas.

Em 2014, ele chegou a receber o Prêmio Shell, na categoria Inovação, por causa de seu trabalho de intervenção social e artística na região.

Dívidas

A companhia já havia sofrido uma ação de despejo em 2019, contornada por meio da campanha #FicaFaroeste, em que uma mobilização da classe artística possibilitou um acordo com o proprietário do imóvel. A dívida foi quitada com recursos do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

No ano passado, o advogado do proprietário chegou a afirmar que ele tem interesse em manter o aluguel do espaço, mas que os pedidos de reintegração se deviam aos longos atrasos no pagamento das mensalidades.

Só que, neste ano, diante da paralisação da programação artística causada pela pandemia, a companhia não pôde contar com os recursos provenientes do Fomento ao Teatro, o que tem afetado os diversos grupos teatrais da cidade.

Morando no teatro

A falta de recursos prejudica o sustento dos artistas, e não foi diferente com Faria. Dias antes da notificação recebida pela sede, o próprio diretor sofreu uma ação de despejo de seu apartamento, no bairro de Santa Efigênia. A solução encontrada por ele foi adaptar um dos andares do teatro, que virou a sua moradia.

Logo no início da pandemia, Faria já havia passado dias isolados no local, quando, ao perceber a intensificação da situação de vulnerabilidade dos moradores do entorno, deu início à campanha de distribuição de cestas básicas.

Em entrevista dada ao Estadão no ano passado, Faria ressaltou que as atividades do grupo vão "além do fazer teatral". Segundo o diretor, a sede da companhia firmou-se também como um instituto que recebe trabalhos de diversos coletivos e estrutura toda uma rede de direitos humanos ligada às redondezas.



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Grupo teatral premiado sofre nova ação de despejo de sua sede no centro de SP


13/08/2020 | 12:43


Com mais de duas décadas de atuação, a Cia. Pessoal do Faroeste passa, mais uma vez, por dificuldades para pagar o aluguel de seu espaço, conhecido como Sede Luz do Faroeste. As dívidas chegam, atualmente, a R$ 200 mil. A situação se agravou nesta quarta-feira, 12, quando a companhia recebeu uma ordem de despejo, com o prazo de 15 dias para desocupar o imóvel.

Comandado pelo diretor Paulo Faria, o grupo aposta, há 22 anos, em trabalhos inspirados na vida social e política do povo brasileiro, com diversas encenações que expõem os problemas da região da Luz, onde se encontra a sede da companhia.

A ligação com a região, no entanto, extrapola os palcos. Durante toda a pandemia do coronavírus, por exemplo, a campanha #FomeZeroLuz, idealizada por Faria, tem promovido a doação de alimentos e itens de higiene a moradores do entorno da Cracolândia. Segundo o diretor, já são mais de mil famílias cadastradas.

Em 2014, ele chegou a receber o Prêmio Shell, na categoria Inovação, por causa de seu trabalho de intervenção social e artística na região.

Dívidas

A companhia já havia sofrido uma ação de despejo em 2019, contornada por meio da campanha #FicaFaroeste, em que uma mobilização da classe artística possibilitou um acordo com o proprietário do imóvel. A dívida foi quitada com recursos do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

No ano passado, o advogado do proprietário chegou a afirmar que ele tem interesse em manter o aluguel do espaço, mas que os pedidos de reintegração se deviam aos longos atrasos no pagamento das mensalidades.

Só que, neste ano, diante da paralisação da programação artística causada pela pandemia, a companhia não pôde contar com os recursos provenientes do Fomento ao Teatro, o que tem afetado os diversos grupos teatrais da cidade.

Morando no teatro

A falta de recursos prejudica o sustento dos artistas, e não foi diferente com Faria. Dias antes da notificação recebida pela sede, o próprio diretor sofreu uma ação de despejo de seu apartamento, no bairro de Santa Efigênia. A solução encontrada por ele foi adaptar um dos andares do teatro, que virou a sua moradia.

Logo no início da pandemia, Faria já havia passado dias isolados no local, quando, ao perceber a intensificação da situação de vulnerabilidade dos moradores do entorno, deu início à campanha de distribuição de cestas básicas.

Em entrevista dada ao Estadão no ano passado, Faria ressaltou que as atividades do grupo vão "além do fazer teatral". Segundo o diretor, a sede da companhia firmou-se também como um instituto que recebe trabalhos de diversos coletivos e estrutura toda uma rede de direitos humanos ligada às redondezas.

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