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Desmontagem de hospital causa protesto em Mauá

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estrutura provisória ocupava parte do estacionamento do Paço; população teme que faltem leitos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

11/08/2020 | 00:01


Alvo de polêmicas, o hospital de campanha de Mauá, instalado no Paço no fim de abril, começou a ser desmontado ontem e causou revolta na população, que protestou em frente ao portão que dava acesso à unidade. A medida foi anunciada pelo prefeito Atila Jacomussi (PSB) na semana passada sob a justificativa de que os casos estão em queda, apesar de os boletins enviados pela própria Prefeitura mostrarem que ainda não há sinais de estabilidade – foram 16 mortes na semana passada. O local contava com 30 leitos, sendo seis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Com cartazes e gritos que pediam mais saúde ao povo, movimentos sociais, partidos políticos e munícipes questionaram a decisão de Atila. As organizações defendem que a rede de Mauá não consegue suprir a necessidade de atendimento dos casos de Covid-19.

Servidor público e morador da Vila Magini, Felipe Galisteo, 38 anos, avalia que a cidade está na contramão. “Analisando os dados, dá para ver que os casos em Mauá praticamente dobraram. Os casos não estão regredindo, estão crescendo. Fechar o hospital de campanha significa deixar mais pessoas perderem a vida”, comentou.

Galisteo questiona o fato de a cidade realizar apenas três testes a cada 1.000 habitantes, sendo o menor índice do Grande ABC, segundo dados apurados até junho pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). “Como podem dizer que Mauá está em tendência de queda se nem testaram os moradores como deveriam? Está errado”, pontuou.

INVESTIGAÇÃO

Além de lutarem contra o fechamento da unidade, os manifestantes também deram visibilidade ao escândalo que envolve o prefeito em esquemas de superfaturamento da construção do hospital. Conforme publicado pelo Diário, o contrato com a empresa responsável pela gestão, a Atlantic – Transparência e Apoio à Saúde Pública, foi firmado sem licitação e passou a ser alvo de operação do Ministério Público, em junho, por suspeita de irregularidades.

Atila nega qualquer problema e alega que a escolha da Atlantic se deu com base no princípio da economicidade. Mesmo sob suspeita, na semana passada a administração prorrogou por mais um mês o acordo com a empresa e pagará, no total, R$ 4,3 milhões pelo gerenciamento da unidade.

“Estamos seguros da lisura e transparência do processo de contratação, tanto da estrutura quanto da organização social. Estendemos o contrato de três meses para quatro, por entendermos e acompanharmos os números da pandemia na cidade”, esclareceu o prefeito.

Segundo Atila, o hospital de campanha “cumpriu seu papel emergencial”. “Atendemos de portas abertas, o único deste modelo no Brasil, enquanto a rede municipal fixa expandia seus leitos e respiradores”, disse, ressaltando que cada uma das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) – para onde serão encaminhados os pacientes com Covid-19 – conta com quatro leitos com respiradores e que o quarto andar do Hospital Nardini foi expandido e dedicado somente para atendimento do novo coronavírus, com 75 leitos entre UTI e retaguarda – a cidade não divulga dados de ocupação.

Sobre o aumento de casos, o prefeito disse que se deve à quantidade de testagens. “Vamos fazer testagem por drive-thru, que começará esta semana por categoria (taxistas, motoboys e motoristas de aplicativos), além de modelo a ser realizado em duas semanas, para comerciantes e comerciários”, afirmou Atila.

Fotógrafo do Diário é detido pela GCM durante a cobertura

Durante a cobertura jornalística do protesto contra a desativação do hospital de campanha de Mauá, o fotógrafo do Diário Denis Maciel foi detido pela GCM (Guarda Civil Municipal) enquanto registrava trabalhadores desmontando a estrutura da unidade pública de atendimento.

Segundo o profissional, sua entrada no estacionamento da Prefeitura, local onde foi instalado o hospital de campanha, foi vetada. “Estava fazendo as fotos tranquilamente quando duas motos da GCM me abordaram. Embora os guardas tenham conversado comigo, sem truculência, fui detido por eles e [01.TXTNORMAL]só me soltaram porque o prefeito (Atila Jacomussi – PSB), mandou me libertar”, esclareceu o fotógrafo, que foi vigiado o tempo todo.

Durante a cobertura, a equipe de reportagem do Diário foi impedida de permanecer no local.



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Desmontagem de hospital causa protesto em Mauá

Estrutura provisória ocupava parte do estacionamento do Paço; população teme que faltem leitos

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

11/08/2020 | 00:01


Alvo de polêmicas, o hospital de campanha de Mauá, instalado no Paço no fim de abril, começou a ser desmontado ontem e causou revolta na população, que protestou em frente ao portão que dava acesso à unidade. A medida foi anunciada pelo prefeito Atila Jacomussi (PSB) na semana passada sob a justificativa de que os casos estão em queda, apesar de os boletins enviados pela própria Prefeitura mostrarem que ainda não há sinais de estabilidade – foram 16 mortes na semana passada. O local contava com 30 leitos, sendo seis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Com cartazes e gritos que pediam mais saúde ao povo, movimentos sociais, partidos políticos e munícipes questionaram a decisão de Atila. As organizações defendem que a rede de Mauá não consegue suprir a necessidade de atendimento dos casos de Covid-19.

Servidor público e morador da Vila Magini, Felipe Galisteo, 38 anos, avalia que a cidade está na contramão. “Analisando os dados, dá para ver que os casos em Mauá praticamente dobraram. Os casos não estão regredindo, estão crescendo. Fechar o hospital de campanha significa deixar mais pessoas perderem a vida”, comentou.

Galisteo questiona o fato de a cidade realizar apenas três testes a cada 1.000 habitantes, sendo o menor índice do Grande ABC, segundo dados apurados até junho pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). “Como podem dizer que Mauá está em tendência de queda se nem testaram os moradores como deveriam? Está errado”, pontuou.

INVESTIGAÇÃO

Além de lutarem contra o fechamento da unidade, os manifestantes também deram visibilidade ao escândalo que envolve o prefeito em esquemas de superfaturamento da construção do hospital. Conforme publicado pelo Diário, o contrato com a empresa responsável pela gestão, a Atlantic – Transparência e Apoio à Saúde Pública, foi firmado sem licitação e passou a ser alvo de operação do Ministério Público, em junho, por suspeita de irregularidades.

Atila nega qualquer problema e alega que a escolha da Atlantic se deu com base no princípio da economicidade. Mesmo sob suspeita, na semana passada a administração prorrogou por mais um mês o acordo com a empresa e pagará, no total, R$ 4,3 milhões pelo gerenciamento da unidade.

“Estamos seguros da lisura e transparência do processo de contratação, tanto da estrutura quanto da organização social. Estendemos o contrato de três meses para quatro, por entendermos e acompanharmos os números da pandemia na cidade”, esclareceu o prefeito.

Segundo Atila, o hospital de campanha “cumpriu seu papel emergencial”. “Atendemos de portas abertas, o único deste modelo no Brasil, enquanto a rede municipal fixa expandia seus leitos e respiradores”, disse, ressaltando que cada uma das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) – para onde serão encaminhados os pacientes com Covid-19 – conta com quatro leitos com respiradores e que o quarto andar do Hospital Nardini foi expandido e dedicado somente para atendimento do novo coronavírus, com 75 leitos entre UTI e retaguarda – a cidade não divulga dados de ocupação.

Sobre o aumento de casos, o prefeito disse que se deve à quantidade de testagens. “Vamos fazer testagem por drive-thru, que começará esta semana por categoria (taxistas, motoboys e motoristas de aplicativos), além de modelo a ser realizado em duas semanas, para comerciantes e comerciários”, afirmou Atila.

Fotógrafo do Diário é detido pela GCM durante a cobertura

Durante a cobertura jornalística do protesto contra a desativação do hospital de campanha de Mauá, o fotógrafo do Diário Denis Maciel foi detido pela GCM (Guarda Civil Municipal) enquanto registrava trabalhadores desmontando a estrutura da unidade pública de atendimento.

Segundo o profissional, sua entrada no estacionamento da Prefeitura, local onde foi instalado o hospital de campanha, foi vetada. “Estava fazendo as fotos tranquilamente quando duas motos da GCM me abordaram. Embora os guardas tenham conversado comigo, sem truculência, fui detido por eles e [01.TXTNORMAL]só me soltaram porque o prefeito (Atila Jacomussi – PSB), mandou me libertar”, esclareceu o fotógrafo, que foi vigiado o tempo todo.

Durante a cobertura, a equipe de reportagem do Diário foi impedida de permanecer no local.

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