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Tecnologia traz conforto a filhos com pais internados

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Hospitais oferecem tablets para videochamada para driblar distanciamento causado pela Covid


Vinícius Castelli
Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 23:59


A cabeça de Jailma Sampaio Cardoso, 34 anos, está transbordando de planos para um futuro que espera ser em breve. Entre eles, pescar, viajar, assistir jogos de futebol e, o mais importante, ver seu pai, José Silva Cardoso, 58, saindo do hospital de campanha montado no Estádio Bruno Daniel, em Santo André, curado da Covid-19.
 

Esta será a primeira vez que a assistente pedagógica andreense passará o Dia dos Pais longe de Cardoso, que está internado há nove dias. O que a tem acalmado é o fato de poder conversar com seu pai por meio da central virtual montada no estádio, na qual tablets ficam disponíveis para os familiares manter contato com pacientes com ajuda das enfermeiras.
 

“Poder falar com ele todos os dias me conforta”, diz. Jailma acredita que o fato de o pai ter a oportunidade de ver e falar com a família o tem ajudado também a ter forças e a seguir firme na recuperação.
Jailma vive com seu pai e sua mãe, Maria Aparecida Sampaio Cardoso, 55. E faz questão de estar por perto sempre. “Somos muito amigos, parceiros. Fazemos tudo juntos. Vamos sempre ao mercado, ele adora pescar e eu de ir junto com ele. Em dezembro fomos até a Bahia passear”, recorda.
 

Além de pai presente, Jailma diz que Cardoso é acolhedor. “Se alguém me maltrata ou magoa ele me defende”, avisa. Um dos programas preferidos da dupla é ver pela TV as disputas de futebol entre Palmeiras e Corinthians. Ele é Verdão e ela Timão. “Tenho sentido falta de assistir com ele.”
 

Neste Dia dos Pais ela verá o pai pela videochamada. Mas já está sonhando com o retorno do patriarca para casa e arquitetando surpresas. “Quando ele chegar faremos várias coisas legais”, adianta.
 

Também em Santo André, um outro pai segue em recuperação após ter sido infectado com o coronavírus e vai poder comemorar, ao menos por ora, a data junto dos filhos. Universo Alvarez Fernandes, 85, está internado há pouco mais de uma semana no Hospital Brasil, em Santo André, e vai se recuperando aos poucos.
 

Paulistano apaixonado por dança e natação, Fernandes também tem conseguido ver a filha, Celeste Pimenta Alvarez, 46, pelas videochamadas, o que tem aliviado o coração da gestora de projetos de sistema. “É maravilhoso poder vê-lo um pouco”, diz a filha. Este será o primeiro Dia dos Pais de Celeste longe de Fernandes. Mas ela espera, muito em breve, poder estar com seu pai novamente. “Tenho fé em Deus”.
 

Celeste não mora com o pai. Ele vive com uma irmã, Palmyra, 90 anos, e os filhos Sideral, 56, e Hélio 57. Mas a filha está sempre perto e passa os fins de semana na casa da família. “Somos muito parceiros e ele é muito paizão. A gente adora dançar juntos”, diz.
Além dos parentes internados e um amor absoluto por eles, tanto Jailma quanto Celeste têm outras coisas em comum: a fé em Deus de que tudo dará certo, a vontade de abraçar seus pais bem apertado e aproveitar cada minuto de vida com eles pelo máximo de tempo que puderem.
 

Jailma diz que quando seu pai tiver alta do hospital, estará na porta esperando e pronta para levá-lo para casa. “Até uma camiseta, com uma frase positiva fizemos para ele usar quando sair”, conta.
Celeste também está na mesma vibração positiva e com a imagem na cabeça de ver seu pai recuperado e pronto para ir para casa. “Estou sonhando com o dia em que irei buscá-lo no hospital e vê-lo saindo de lá debaixo de palmas, como alguém que venceu isso tudo”, encerra.

Filha convive com saudade do pai, vítima da Covid

“Meu pai era um homem de 67 anos, que ainda trabalhava, amava o mar e, além disso, amava viver”. A assistente social, Camile Soares, 37 anos, lembra de seu pai, o mecânico automotivo e náutico, Uriel José Soares, com sorriso no rosto e lágrimas dos olhos. Ele perdeu a batalha para a Covid-19 dia 26 de julho e desde então a saudade se multiplica, principalmente, hoje, Dia dos Pais.
 

Camile mora com a mãe, a aposentada Maria Ribeiro Leitão Soares, 64, na Cidade São Jorge, em Santo André, e comenta que o quadro da doença se agravou rapidamente. “Procuramos ajuda dia 14 de julho, pois meu pai estava apresentando os sintomas. Chegamos a fazer o teste, mas deu negativo. Depois disso, voltamos para casa. No dia 16, retornamos, pois ele não melhorava e não saiu mais. No dia 17 foi encaminhado ao hospital de campanha <CF51>(Pedro Dell’Antonia)</CF> e ficou por lá”, lembra Camile.
 

A assistente social e a mãe se consolam pelo tratamento que o mecânico teve nos últimos dias de vida. “Me consola saber que neste período que ficou internado, recebeu muito amor, carinho e atenção. Não tinha a gente, mas ele foi abraçado como se fosse por nós”, comenta Camile.
 

Triste por não poder passar o dia de hoje com seu pai, Camile diz que Uriel será lembrado por ser um homem de muita fé e que sua partida desestabilizou e inverteu as posições no núcleo familiar. “Vamos nos organizar e planejar nossa vida. Ele era nosso pilar e minha mãe a nossa base. Agora, eu serei o pilar e ficaremos bem, com as melhores lembranças”, recorda, bastante emocionada.
 

De acordo com os familiares, a paixão do mecânico, além da família, era ver o mar. Uriel trabalhava em uma mecânica na região e também, atuava em Paraty, no Rio de Janeiro, com consertos de barcos, aos fins de semana. “Infelizmente, assim como a vida do meu pai, a Covid-19 também levou outras pessoas, de outras famílias, com outros sonhos. Por isso eu falo que, apesar da vida seguir diante disso, a doença não é brincadeira”, finaliza a assistente social. (Yasmin Assagra)



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Tecnologia traz conforto a filhos com pais internados

Hospitais oferecem tablets para videochamada para driblar distanciamento causado pela Covid

Vinícius Castelli
Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 23:59


A cabeça de Jailma Sampaio Cardoso, 34 anos, está transbordando de planos para um futuro que espera ser em breve. Entre eles, pescar, viajar, assistir jogos de futebol e, o mais importante, ver seu pai, José Silva Cardoso, 58, saindo do hospital de campanha montado no Estádio Bruno Daniel, em Santo André, curado da Covid-19.
 

Esta será a primeira vez que a assistente pedagógica andreense passará o Dia dos Pais longe de Cardoso, que está internado há nove dias. O que a tem acalmado é o fato de poder conversar com seu pai por meio da central virtual montada no estádio, na qual tablets ficam disponíveis para os familiares manter contato com pacientes com ajuda das enfermeiras.
 

“Poder falar com ele todos os dias me conforta”, diz. Jailma acredita que o fato de o pai ter a oportunidade de ver e falar com a família o tem ajudado também a ter forças e a seguir firme na recuperação.
Jailma vive com seu pai e sua mãe, Maria Aparecida Sampaio Cardoso, 55. E faz questão de estar por perto sempre. “Somos muito amigos, parceiros. Fazemos tudo juntos. Vamos sempre ao mercado, ele adora pescar e eu de ir junto com ele. Em dezembro fomos até a Bahia passear”, recorda.
 

Além de pai presente, Jailma diz que Cardoso é acolhedor. “Se alguém me maltrata ou magoa ele me defende”, avisa. Um dos programas preferidos da dupla é ver pela TV as disputas de futebol entre Palmeiras e Corinthians. Ele é Verdão e ela Timão. “Tenho sentido falta de assistir com ele.”
 

Neste Dia dos Pais ela verá o pai pela videochamada. Mas já está sonhando com o retorno do patriarca para casa e arquitetando surpresas. “Quando ele chegar faremos várias coisas legais”, adianta.
 

Também em Santo André, um outro pai segue em recuperação após ter sido infectado com o coronavírus e vai poder comemorar, ao menos por ora, a data junto dos filhos. Universo Alvarez Fernandes, 85, está internado há pouco mais de uma semana no Hospital Brasil, em Santo André, e vai se recuperando aos poucos.
 

Paulistano apaixonado por dança e natação, Fernandes também tem conseguido ver a filha, Celeste Pimenta Alvarez, 46, pelas videochamadas, o que tem aliviado o coração da gestora de projetos de sistema. “É maravilhoso poder vê-lo um pouco”, diz a filha. Este será o primeiro Dia dos Pais de Celeste longe de Fernandes. Mas ela espera, muito em breve, poder estar com seu pai novamente. “Tenho fé em Deus”.
 

Celeste não mora com o pai. Ele vive com uma irmã, Palmyra, 90 anos, e os filhos Sideral, 56, e Hélio 57. Mas a filha está sempre perto e passa os fins de semana na casa da família. “Somos muito parceiros e ele é muito paizão. A gente adora dançar juntos”, diz.
Além dos parentes internados e um amor absoluto por eles, tanto Jailma quanto Celeste têm outras coisas em comum: a fé em Deus de que tudo dará certo, a vontade de abraçar seus pais bem apertado e aproveitar cada minuto de vida com eles pelo máximo de tempo que puderem.
 

Jailma diz que quando seu pai tiver alta do hospital, estará na porta esperando e pronta para levá-lo para casa. “Até uma camiseta, com uma frase positiva fizemos para ele usar quando sair”, conta.
Celeste também está na mesma vibração positiva e com a imagem na cabeça de ver seu pai recuperado e pronto para ir para casa. “Estou sonhando com o dia em que irei buscá-lo no hospital e vê-lo saindo de lá debaixo de palmas, como alguém que venceu isso tudo”, encerra.

Filha convive com saudade do pai, vítima da Covid

“Meu pai era um homem de 67 anos, que ainda trabalhava, amava o mar e, além disso, amava viver”. A assistente social, Camile Soares, 37 anos, lembra de seu pai, o mecânico automotivo e náutico, Uriel José Soares, com sorriso no rosto e lágrimas dos olhos. Ele perdeu a batalha para a Covid-19 dia 26 de julho e desde então a saudade se multiplica, principalmente, hoje, Dia dos Pais.
 

Camile mora com a mãe, a aposentada Maria Ribeiro Leitão Soares, 64, na Cidade São Jorge, em Santo André, e comenta que o quadro da doença se agravou rapidamente. “Procuramos ajuda dia 14 de julho, pois meu pai estava apresentando os sintomas. Chegamos a fazer o teste, mas deu negativo. Depois disso, voltamos para casa. No dia 16, retornamos, pois ele não melhorava e não saiu mais. No dia 17 foi encaminhado ao hospital de campanha <CF51>(Pedro Dell’Antonia)</CF> e ficou por lá”, lembra Camile.
 

A assistente social e a mãe se consolam pelo tratamento que o mecânico teve nos últimos dias de vida. “Me consola saber que neste período que ficou internado, recebeu muito amor, carinho e atenção. Não tinha a gente, mas ele foi abraçado como se fosse por nós”, comenta Camile.
 

Triste por não poder passar o dia de hoje com seu pai, Camile diz que Uriel será lembrado por ser um homem de muita fé e que sua partida desestabilizou e inverteu as posições no núcleo familiar. “Vamos nos organizar e planejar nossa vida. Ele era nosso pilar e minha mãe a nossa base. Agora, eu serei o pilar e ficaremos bem, com as melhores lembranças”, recorda, bastante emocionada.
 

De acordo com os familiares, a paixão do mecânico, além da família, era ver o mar. Uriel trabalhava em uma mecânica na região e também, atuava em Paraty, no Rio de Janeiro, com consertos de barcos, aos fins de semana. “Infelizmente, assim como a vida do meu pai, a Covid-19 também levou outras pessoas, de outras famílias, com outros sonhos. Por isso eu falo que, apesar da vida seguir diante disso, a doença não é brincadeira”, finaliza a assistente social. (Yasmin Assagra)

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