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GM chega à marca de 6,8 milhões de veículos no Grande ABC

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Unidade fabril completa 90 anos nesta semana; primeiro modelo foi o Opala, em 1968


Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 23:59


Uma história que começou quando não havia nenhum prédio na região central de São Caetano. O Grande ABC ainda era formado por casas espaçadas, com grandes quintais, ruas de terra e mantinha ar de interior. O progresso e a industrialização começavam a chegar junto com a indústria automotiva, as linhas de montagens, trabalhadores apertando parafusos, confeccionando furgões, geladerias e ônibus de madeira. Foi assim que nasceu e se consolidou a fábrica da GM (General Motors) na região, inaugurada oficialmente em 12 de agosto de 1930. São 90 anos, mais de 6,8 milhões de veículos produzidos e uma história que diferentes gerações ajudaram e ajudam a contar.
 

Inicialmente, a unidade fabril era responsável pela montagem de furgões, utilitários e caminhões. Também foi responsável pela fabricação de refrigeradores Frigidare. Foi só em de 1968, quase 40 anos depois, que foi lançado o primeiro carro de passageiros Chevrolet feito no Brasil, o Opala, com quatro portas. Para montá-lo, a fábrica passou por ampliações e adaptações.
 

Nesta época, Claudinir Barreto da Silva, 77 anos, já trabalhava no local. “Eu peguei bem essa transição. A carroceria do Opala veio num cavalete e a gente ia levando de pessoa por pessoa”, disse ele que, na época, era supervisor e se lembra com alegria dos demais projetos que participou, que incluem o Opala de duas portas, o Vectra, o Ômega, entre outros.
 

“Éramos uma grande família. Foi uma vida trabalhosa e feliz”, afirmou ele, que saiu da empresa em 2003 e teve o orgulho de ver um filho atuando na fábrica. “Um deles chegou a atuar na linha e depois foi para outros setores. Ele se destacou muito e ainda hoje atua na indústria automotiva”, contou.
 

Já José Carlos Galo, 66, entrou na empresa em 1973 e trabalhou junto com o pai, Luiz Galo, 92. “Ele veio do Paraná, onde tinha uma marcenaria, para São Caetano em busca de oportunidades. Ele começou a atuar como marceneiro na GM e queria que eu trabalhasse lá também. Eu disse que ia ficar por alguns anos, porque queria montar meu negócio, mas, no fim, trabalhei até 2008”, relembrou o ex-funcionário.
 

“Foi muito marcante. Nós dois íamos juntos para a fábrica e acabávamos almoçando juntos no dia a dia. Trabalhávamos muito. Não vi meus filhos crescerem, mas era muito bom. A gente acordava de madrugada com um sorriso no rosto para ir até a fábrica. Meu pai fala com saudades dos amigos que fez lá até hoje. Do seu grupo, só tem ele vivo”, contou. Segundo José, nenhum dos dois filhos quis seguir carreira no setor automobilístico. “Mas eu fico bravo se comprar outro carro que não seja da GM.”
 

Como o próprio ofício de Galo, o de marceneiro, sugere, a fabricação de veículos era mais artesanal. “Foram muitas transformações ao longo dessas nove décadas. A fábrica de São Caetano acompanhou a evolução da indústria automotiva que foi gigantesca neste período. Passamos desde os primórdios da indústria até chegar à tecnologia de indústria 4.0”, afirmou o diretor executivo da fábrica Andreieili Pinto.
 

Sergio Copetti, 45, acompanhou estes últimos anos de mudanças. Ele entrou em 1994, também pelo exemplo do pai, que atuava na planta como bombeiro. “Ele era a pessoa que sempre me espelhei e me deu boas referências (Orlando Copetti, que morreu há 12 anos). Estou há 26 anos, movido pela paixão pelo trabalho.”
 

Os processos mudaram. Recentemente, a fábrica recebeu investimento de R$ 1,2 bilhão para ampliação e modernização de processos, preparando-se para receber o SUV Novo Tracker, último lançamento da marca. Mas, apesar da tecnologia de ponta, algumas coisas não mudaram. “Essa transformação de automação é a tendência mundial, e a empresa passou por uma evolução tecnológica. Mas as pessoas continuam sendo a base de tudo”, disse Sérgio, que tem um filho estudante de Direito, que pretende estagiar na montadora.
 

“A fábrica da GM em São Caetano é a mais antiga automotiva em operação no Brasil. Além de estar geograficamente em um ponto muito privilegiado, ela também abriga a sede da GM na América do Sul. É uma operação-chave para a GM na região e no mundo”, concluiu Andreieili Pinto.

Em 2019, empresa quase saiu do País em momento difícil

No início do ano passado, uma notícia pegou todo o setor despreparado. A GM (General Motors) ameaçava deixar o Brasil, conforme declarações globais e avisos dentro das unidades fabris. Após intensas negociações, envolvendo sindicato, prefeituras e Estado, a empresa reafirmou a presença no País e confirmou fortes investimentos.
 

Em março de 2019, a montadora confirmou o aporte de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior do Estado. A pandemia acabou adiando alguns planos. “O setor automotivo como um todo duplicou o patamar de dívidas para cobrir a queda no fluxo de caixa ocasionada pelos impactos da pandemia na economia. Por isso, muitos investimentos planejados para os próximos anos serão adiados”, afirmou o diretor executivo da fábrica, Andreieili Pinto.
 

Mas os principais autores relembraram esta batalha histórica, comemorando os resultados. “Em 2019, tivemos o desafio de construir, junto à empresa e às demais esferas do governo, programas de incentivos fiscais que possibilitaram não só a permanência da GM no passado recente, mas, inclusive, a ampliação dos investimentos por meio de nova família de veículos. Essa parceria é fundamental no cenário desafiador que vivemos na pandemia e no período posterior à Covid-19, que se aproxima”, disse o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB).
 

Para o presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, foi, “sem dúvida, o momento mais difícil” quando ele estava à frente da entidade. “Continuo dizendo que capital não tem coração nem pátria.” Ele começou na GM em 1971, como estagiário.



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GM chega à marca de 6,8 milhões de veículos no Grande ABC

Unidade fabril completa 90 anos nesta semana; primeiro modelo foi o Opala, em 1968

Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 23:59


Uma história que começou quando não havia nenhum prédio na região central de São Caetano. O Grande ABC ainda era formado por casas espaçadas, com grandes quintais, ruas de terra e mantinha ar de interior. O progresso e a industrialização começavam a chegar junto com a indústria automotiva, as linhas de montagens, trabalhadores apertando parafusos, confeccionando furgões, geladerias e ônibus de madeira. Foi assim que nasceu e se consolidou a fábrica da GM (General Motors) na região, inaugurada oficialmente em 12 de agosto de 1930. São 90 anos, mais de 6,8 milhões de veículos produzidos e uma história que diferentes gerações ajudaram e ajudam a contar.
 

Inicialmente, a unidade fabril era responsável pela montagem de furgões, utilitários e caminhões. Também foi responsável pela fabricação de refrigeradores Frigidare. Foi só em de 1968, quase 40 anos depois, que foi lançado o primeiro carro de passageiros Chevrolet feito no Brasil, o Opala, com quatro portas. Para montá-lo, a fábrica passou por ampliações e adaptações.
 

Nesta época, Claudinir Barreto da Silva, 77 anos, já trabalhava no local. “Eu peguei bem essa transição. A carroceria do Opala veio num cavalete e a gente ia levando de pessoa por pessoa”, disse ele que, na época, era supervisor e se lembra com alegria dos demais projetos que participou, que incluem o Opala de duas portas, o Vectra, o Ômega, entre outros.
 

“Éramos uma grande família. Foi uma vida trabalhosa e feliz”, afirmou ele, que saiu da empresa em 2003 e teve o orgulho de ver um filho atuando na fábrica. “Um deles chegou a atuar na linha e depois foi para outros setores. Ele se destacou muito e ainda hoje atua na indústria automotiva”, contou.
 

Já José Carlos Galo, 66, entrou na empresa em 1973 e trabalhou junto com o pai, Luiz Galo, 92. “Ele veio do Paraná, onde tinha uma marcenaria, para São Caetano em busca de oportunidades. Ele começou a atuar como marceneiro na GM e queria que eu trabalhasse lá também. Eu disse que ia ficar por alguns anos, porque queria montar meu negócio, mas, no fim, trabalhei até 2008”, relembrou o ex-funcionário.
 

“Foi muito marcante. Nós dois íamos juntos para a fábrica e acabávamos almoçando juntos no dia a dia. Trabalhávamos muito. Não vi meus filhos crescerem, mas era muito bom. A gente acordava de madrugada com um sorriso no rosto para ir até a fábrica. Meu pai fala com saudades dos amigos que fez lá até hoje. Do seu grupo, só tem ele vivo”, contou. Segundo José, nenhum dos dois filhos quis seguir carreira no setor automobilístico. “Mas eu fico bravo se comprar outro carro que não seja da GM.”
 

Como o próprio ofício de Galo, o de marceneiro, sugere, a fabricação de veículos era mais artesanal. “Foram muitas transformações ao longo dessas nove décadas. A fábrica de São Caetano acompanhou a evolução da indústria automotiva que foi gigantesca neste período. Passamos desde os primórdios da indústria até chegar à tecnologia de indústria 4.0”, afirmou o diretor executivo da fábrica Andreieili Pinto.
 

Sergio Copetti, 45, acompanhou estes últimos anos de mudanças. Ele entrou em 1994, também pelo exemplo do pai, que atuava na planta como bombeiro. “Ele era a pessoa que sempre me espelhei e me deu boas referências (Orlando Copetti, que morreu há 12 anos). Estou há 26 anos, movido pela paixão pelo trabalho.”
 

Os processos mudaram. Recentemente, a fábrica recebeu investimento de R$ 1,2 bilhão para ampliação e modernização de processos, preparando-se para receber o SUV Novo Tracker, último lançamento da marca. Mas, apesar da tecnologia de ponta, algumas coisas não mudaram. “Essa transformação de automação é a tendência mundial, e a empresa passou por uma evolução tecnológica. Mas as pessoas continuam sendo a base de tudo”, disse Sérgio, que tem um filho estudante de Direito, que pretende estagiar na montadora.
 

“A fábrica da GM em São Caetano é a mais antiga automotiva em operação no Brasil. Além de estar geograficamente em um ponto muito privilegiado, ela também abriga a sede da GM na América do Sul. É uma operação-chave para a GM na região e no mundo”, concluiu Andreieili Pinto.

Em 2019, empresa quase saiu do País em momento difícil

No início do ano passado, uma notícia pegou todo o setor despreparado. A GM (General Motors) ameaçava deixar o Brasil, conforme declarações globais e avisos dentro das unidades fabris. Após intensas negociações, envolvendo sindicato, prefeituras e Estado, a empresa reafirmou a presença no País e confirmou fortes investimentos.
 

Em março de 2019, a montadora confirmou o aporte de R$ 10 bilhões nas fábricas de São Caetano e São José dos Campos, no Interior do Estado. A pandemia acabou adiando alguns planos. “O setor automotivo como um todo duplicou o patamar de dívidas para cobrir a queda no fluxo de caixa ocasionada pelos impactos da pandemia na economia. Por isso, muitos investimentos planejados para os próximos anos serão adiados”, afirmou o diretor executivo da fábrica, Andreieili Pinto.
 

Mas os principais autores relembraram esta batalha histórica, comemorando os resultados. “Em 2019, tivemos o desafio de construir, junto à empresa e às demais esferas do governo, programas de incentivos fiscais que possibilitaram não só a permanência da GM no passado recente, mas, inclusive, a ampliação dos investimentos por meio de nova família de veículos. Essa parceria é fundamental no cenário desafiador que vivemos na pandemia e no período posterior à Covid-19, que se aproxima”, disse o prefeito José Auricchio Júnior (PSDB).
 

Para o presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Aparecido Inácio da Silva, o Cidão, foi, “sem dúvida, o momento mais difícil” quando ele estava à frente da entidade. “Continuo dizendo que capital não tem coração nem pátria.” Ele começou na GM em 1971, como estagiário.

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