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PF prende Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Integrante do 1º escalão da gestão Doria é acusado de figurar em esquema de fraudes em Goiás


Raphael Rocha

06/08/2020 | 23:30


Secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy foi preso ontem de manhã, alvo da força-tarefa da Operação Lava Jato. Ele é suspeito de participar de grupo que fraudava contratos da área da saúde no período em que foi deputado federal (pelo PP de Goiás) e ministro (das Cidades, no governo de Michel Temer, MDB).

Conforme a investigação da PF (Polícia Federal), Baldy utilizava sua influência política para negociar contratos do setor junto ao poder público e, em troca, ficava com percentual dos valores acordados. O pesquisador da Fiocruz Guilherme Franco Netto e o ex-presidente da Junta Comercial de Goiás e candidato derrotado a deputado estadual Rafael Lousa também foram detidos.

O governador João Doria (PSDB) anunciou na noite de ontem o afastamento de Baldy das funções, a pedido do titular. Em um primeiro momento, enviou à imprensa nota dizendo que “os fatos que levaram às acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no governo de São Paulo. Portanto, não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na condição de governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça”.

À noite, o governo informou que Baldy pediu licença por período de 30 dias, para “se concentrar exclusivamente na sua defesa”. Ele foi detido na sede da PF em São Paulo, na Lapa, em caráter temporário.

Os pedidos de prisão no âmbito da Operação Dandários, bem como as medidas de busca e apreensão, foram autorizados pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Na casa de Baldy, policiais encontraram R$ 90 mil em espécie, guardados em um cofre.

Por nota, a assessoria do secretário disse que “a medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas”. “Ele tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão e que foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por supostos fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre sequer participou. Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação.”

Baldy é secretário de Transportes Metropolitanos do governo Doria desde o começo da administração do tucano. Foi indicado por figuras influentes de Brasília – como o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o atual ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN). 

Afastado, titular da pasta encampou fim do projeto da Linha 18 do Metrô

 Preso ontem pela força-tarefa da Operação Lava Jato, o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, foi figura central para que a Linha 18-Bronze do Metrô, que conectaria o Grande ABC ao sistema metroviário da Capital por monotrilho, fosse substituída por um BRT (sistema de ônibus de alta velocidade, na sigla em inglês).

 Embora o governador João Doria (PSDB) tivesse prometido tirar do papel a Linha 18 durante a campanha de 2018, assim que ele assumiu o Palácio dos Bandeirantes, estudo capitaneado pela pasta de Baldy passou a considerar a alteração do projeto. Contrato de PPP (Parceria Público-Privada) assinado em 2014, estimado em R$ 4,26 bilhões, não havia andado porque o governo do Estado não tinha conseguido recursos para custear as desapropriações.

 No começo de 2019, disse que o levantamento duraria 100 dias – foi justamente neste período em que o Diário fez campanha em defesa do Metrô, do acordo já assinado, ouvindo os mais variados segmentos da região sobre o assunto. A despeito do clamor popular e de entidades de classe no Grande ABC, Baldy anunciou que o monotrilho seria trocado por um corredor de ônibus. O anúncio foi feito em julho de 2019, com a presença dos prefeitos e deputados estaduais da região – ao enterrar a Linha 18, o governo paulista prometeu resgatar a Linha 20-Rosa do Metrô, que ligaria o Grande ABC ao bairro da Lapa, Zona Oeste da Capital.

 A promessa de Baldy era a de que até dezembro seria publicado o edital para contratação de empresa que desenharia o BRT. Esse prazo foi transferido para o primeiro semestre deste ano. Sob justificativa da pandemia de Covid-19, a publicação foi novamente adiada – desta vez para o fim de 2020, com início de obras para 2021.

 No mês passado, a empresa chinesa BYD demonstrou interesse em retomar o projeto da Linha 18-Bronze. O diretor de negócios da companhia, Alexandre Liu, conversou sobre a proposta com o presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (Cidadania), e com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi (PSDB). Quando o assunto foi levado para Baldy, a BYD mudou de opinião, negou ter projeto pronto para a Linha 18 e emitiu nota pública, endossada por Baldy. RR



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PF prende Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos

Integrante do 1º escalão da gestão Doria é acusado de figurar em esquema de fraudes em Goiás

Raphael Rocha

06/08/2020 | 23:30


Secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy foi preso ontem de manhã, alvo da força-tarefa da Operação Lava Jato. Ele é suspeito de participar de grupo que fraudava contratos da área da saúde no período em que foi deputado federal (pelo PP de Goiás) e ministro (das Cidades, no governo de Michel Temer, MDB).

Conforme a investigação da PF (Polícia Federal), Baldy utilizava sua influência política para negociar contratos do setor junto ao poder público e, em troca, ficava com percentual dos valores acordados. O pesquisador da Fiocruz Guilherme Franco Netto e o ex-presidente da Junta Comercial de Goiás e candidato derrotado a deputado estadual Rafael Lousa também foram detidos.

O governador João Doria (PSDB) anunciou na noite de ontem o afastamento de Baldy das funções, a pedido do titular. Em um primeiro momento, enviou à imprensa nota dizendo que “os fatos que levaram às acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão no governo de São Paulo. Portanto, não há nenhuma implicação na sua atuação na Secretaria de Transportes Metropolitanos. Na condição de governador de São Paulo, tenho convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça”.

À noite, o governo informou que Baldy pediu licença por período de 30 dias, para “se concentrar exclusivamente na sua defesa”. Ele foi detido na sede da PF em São Paulo, na Lapa, em caráter temporário.

Os pedidos de prisão no âmbito da Operação Dandários, bem como as medidas de busca e apreensão, foram autorizados pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Na casa de Baldy, policiais encontraram R$ 90 mil em espécie, guardados em um cofre.

Por nota, a assessoria do secretário disse que “a medida é descabida e as providências para a sua revogação serão tomadas”. “Ele tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão e que foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por supostos fatos de 2013, ocorridos em Goiás, dos quais Alexandre sequer participou. Alexandre sempre esteve à disposição para esclarecer qualquer questão, jamais havendo sido questionado ou interrogado, com todos os seus bens declarados, inclusive os que são mencionados nesta situação.”

Baldy é secretário de Transportes Metropolitanos do governo Doria desde o começo da administração do tucano. Foi indicado por figuras influentes de Brasília – como o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o atual ministro das Comunicações, Fábio Faria (PSD-RN). 

Afastado, titular da pasta encampou fim do projeto da Linha 18 do Metrô

 Preso ontem pela força-tarefa da Operação Lava Jato, o secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo, Alexandre Baldy, foi figura central para que a Linha 18-Bronze do Metrô, que conectaria o Grande ABC ao sistema metroviário da Capital por monotrilho, fosse substituída por um BRT (sistema de ônibus de alta velocidade, na sigla em inglês).

 Embora o governador João Doria (PSDB) tivesse prometido tirar do papel a Linha 18 durante a campanha de 2018, assim que ele assumiu o Palácio dos Bandeirantes, estudo capitaneado pela pasta de Baldy passou a considerar a alteração do projeto. Contrato de PPP (Parceria Público-Privada) assinado em 2014, estimado em R$ 4,26 bilhões, não havia andado porque o governo do Estado não tinha conseguido recursos para custear as desapropriações.

 No começo de 2019, disse que o levantamento duraria 100 dias – foi justamente neste período em que o Diário fez campanha em defesa do Metrô, do acordo já assinado, ouvindo os mais variados segmentos da região sobre o assunto. A despeito do clamor popular e de entidades de classe no Grande ABC, Baldy anunciou que o monotrilho seria trocado por um corredor de ônibus. O anúncio foi feito em julho de 2019, com a presença dos prefeitos e deputados estaduais da região – ao enterrar a Linha 18, o governo paulista prometeu resgatar a Linha 20-Rosa do Metrô, que ligaria o Grande ABC ao bairro da Lapa, Zona Oeste da Capital.

 A promessa de Baldy era a de que até dezembro seria publicado o edital para contratação de empresa que desenharia o BRT. Esse prazo foi transferido para o primeiro semestre deste ano. Sob justificativa da pandemia de Covid-19, a publicação foi novamente adiada – desta vez para o fim de 2020, com início de obras para 2021.

 No mês passado, a empresa chinesa BYD demonstrou interesse em retomar o projeto da Linha 18-Bronze. O diretor de negócios da companhia, Alexandre Liu, conversou sobre a proposta com o presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão (Cidadania), e com o secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi (PSDB). Quando o assunto foi levado para Baldy, a BYD mudou de opinião, negou ter projeto pronto para a Linha 18 e emitiu nota pública, endossada por Baldy. RR

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