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Libanês que mora na região chora explosões

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dono de restaurante de Santo André tem família em Beirute; acidente vitimou ao menos 73 pessoas


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/08/2020 | 00:01


Quando Samir Jomaa, 76 anos, tomou conhecimento das explosões que ocorreram ontem, na região portuária de Beirute, no Líbano, o aperto no coração foi imediato. Morador de Santo André, ele deixou o país de nascença em 1975, rumo ao Brasil, mas ainda tem família por lá.

“Tenho irmãs no Líbano. Elas não estão na capital, mas a preocupação vem. Quando soube da notícia fiquei aflito”, comentou. Jomaa explica que só conseguiu ficar um pouco mais aliviado depois de falar com os seus familiares. “Liguei na hora e já conversei com eles. Estão todos bem.”

Mesmo sabendo que seus familiares estão a salvo, a tristeza é grande para Jomaa, como para qualquer outro libanês. “Quanta gente morreu com isso e quantos estão feridos?”, lamenta o dono do tradicional restaurante de comida libanesa Shabab’s, situado na região central de Santo André.

Jomaa diz que a última vez que esteve em Beirute foi há seis anos. “Minha família toda morava lá. É um lugar lindo, tenho um carinho muito especial por ela”, diz. Segundo o libanês, Beirute é uma cidade bonita que, como São Paulo, funciona 24 horas e tem de tudo. “Ela é conhecida como a ‘pérola do Oriente’ e há muito turismo”, explica. “Já tem isso do vírus (Covid-19) e agora essas explosões. É uma tristeza absoluta. Estou rezando para que tudo fique bem”, finaliza o empresário. Com população aproximada de 6,8 milhões, o Líbano tinha até ontem 5.062 casos confirmados do novo coronavírus e 65 mortes.

CAUSA INDEFINIDA
Até o fechamento desta edição ainda havia dúvida do que causou as fortes explosões na região portuária que matou 73 pessoas e deixou mais de 3.700 feridos em Beirute. Testemunhas relataram tremor e janelas quebradas em várias partes da capital do Líbano. O violento choque foi sentido até no Chipre, ilha que fica a 240 quilômetros de distância. Embora autoridades tenham descartado um ataque ou um atentado como causa, o acidente levou pânico a uma cidade traumatizada por anos de violência e guerra civil.

Foram duas explosões. A primeira, segundo a TV Al-Manar, veículo oficial do Hezbollah, foi causada por falha elétrica pouco antes das 18h (12h em Brasília). Ela teria provocado incêndio em depósito de fogos de artifício. Philip Boulos, que governa a região de Beirute, disse que equipe de bombeiros foi enviada para conter o fogo. Alguns minutos depois veio a segunda explosão.

Badri Daher, diretor da agência libanesa de fronteiras, disse que o fogo teria atingido estoque de quase 3 toneladas de nitrato de amônia, que havia sido confiscado de navio e vinha sendo guardado no porto havia seis anos. A razão de a segunda explosão ter sido documentada de vários pontos da cidade, segundo ele, vem do fato de a primeira ter atraído a atenção dos celulares, que estavam filmando o incêndio.

Em país que vive sob o espectro constante da violência sectária, da ameaça de ataques de países vizinhos e ainda não se livrou dos traumas da guerra civil, as explosões provocaram pânico, com pessoas em fuga. Em pouco tempo, feridos começaram a lotar hospitais como o Rizk, um dos mais próximos do local da explosão, que realizou 400 atendimentos.

Para o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o tamanho da onda de choque gerada pela explosão foi surpreendente e indica que havia explosivo no local. “Em linhas gerais, tem-se explosão quando algo que tem volume relativamente pequeno se expande e ocupa espaço maior. Essa onda de choque derruba paredes, prédios e pode esmigalhar uma pessoa”, diz. (com Estadão Conteúdo) 



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Libanês que mora na região chora explosões

Dono de restaurante de Santo André tem família em Beirute; acidente vitimou ao menos 73 pessoas

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

05/08/2020 | 00:01


Quando Samir Jomaa, 76 anos, tomou conhecimento das explosões que ocorreram ontem, na região portuária de Beirute, no Líbano, o aperto no coração foi imediato. Morador de Santo André, ele deixou o país de nascença em 1975, rumo ao Brasil, mas ainda tem família por lá.

“Tenho irmãs no Líbano. Elas não estão na capital, mas a preocupação vem. Quando soube da notícia fiquei aflito”, comentou. Jomaa explica que só conseguiu ficar um pouco mais aliviado depois de falar com os seus familiares. “Liguei na hora e já conversei com eles. Estão todos bem.”

Mesmo sabendo que seus familiares estão a salvo, a tristeza é grande para Jomaa, como para qualquer outro libanês. “Quanta gente morreu com isso e quantos estão feridos?”, lamenta o dono do tradicional restaurante de comida libanesa Shabab’s, situado na região central de Santo André.

Jomaa diz que a última vez que esteve em Beirute foi há seis anos. “Minha família toda morava lá. É um lugar lindo, tenho um carinho muito especial por ela”, diz. Segundo o libanês, Beirute é uma cidade bonita que, como São Paulo, funciona 24 horas e tem de tudo. “Ela é conhecida como a ‘pérola do Oriente’ e há muito turismo”, explica. “Já tem isso do vírus (Covid-19) e agora essas explosões. É uma tristeza absoluta. Estou rezando para que tudo fique bem”, finaliza o empresário. Com população aproximada de 6,8 milhões, o Líbano tinha até ontem 5.062 casos confirmados do novo coronavírus e 65 mortes.

CAUSA INDEFINIDA
Até o fechamento desta edição ainda havia dúvida do que causou as fortes explosões na região portuária que matou 73 pessoas e deixou mais de 3.700 feridos em Beirute. Testemunhas relataram tremor e janelas quebradas em várias partes da capital do Líbano. O violento choque foi sentido até no Chipre, ilha que fica a 240 quilômetros de distância. Embora autoridades tenham descartado um ataque ou um atentado como causa, o acidente levou pânico a uma cidade traumatizada por anos de violência e guerra civil.

Foram duas explosões. A primeira, segundo a TV Al-Manar, veículo oficial do Hezbollah, foi causada por falha elétrica pouco antes das 18h (12h em Brasília). Ela teria provocado incêndio em depósito de fogos de artifício. Philip Boulos, que governa a região de Beirute, disse que equipe de bombeiros foi enviada para conter o fogo. Alguns minutos depois veio a segunda explosão.

Badri Daher, diretor da agência libanesa de fronteiras, disse que o fogo teria atingido estoque de quase 3 toneladas de nitrato de amônia, que havia sido confiscado de navio e vinha sendo guardado no porto havia seis anos. A razão de a segunda explosão ter sido documentada de vários pontos da cidade, segundo ele, vem do fato de a primeira ter atraído a atenção dos celulares, que estavam filmando o incêndio.

Em país que vive sob o espectro constante da violência sectária, da ameaça de ataques de países vizinhos e ainda não se livrou dos traumas da guerra civil, as explosões provocaram pânico, com pessoas em fuga. Em pouco tempo, feridos começaram a lotar hospitais como o Rizk, um dos mais próximos do local da explosão, que realizou 400 atendimentos.

Para o físico Luiz Pinguelli Rosa, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o tamanho da onda de choque gerada pela explosão foi surpreendente e indica que havia explosivo no local. “Em linhas gerais, tem-se explosão quando algo que tem volume relativamente pequeno se expande e ocupa espaço maior. Essa onda de choque derruba paredes, prédios e pode esmigalhar uma pessoa”, diz. (com Estadão Conteúdo) 

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