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Abrir mão de compensação é um crime, diz Marinho

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ex-prefeito pede apuração do MP na desistência do governo Morando em obter reparação do Rodoanel


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

02/08/2020 | 23:44


Ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT) classificou como criminoso o fato de o governo de seu sucessor, Orlando Morando (PSDB), abrir mão de alternativa feita por ele para receber parte da compensação ambiental que a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) se comprometeu com o município para a construção do Trecho Sul do Rodoanel.
O Diário mostrou ontem que, em 2017, ofício da gestão tucana à Dersa encerrava discussão aberta pela administração petista para que o Estado compensasse a desistência de instalar um parque popular, de R$ 40 milhões, às margens da Represa Billings. Marinho sugeriu que áreas remanescentes de desapropriações do Rodoanel fossem transferidas ao município para minimizar o prejuízo com o encerramento do projeto do parque.

“Se ele (Morando) abriu mão, cometeu um crime. O que ele teve em troca de abrir mão da compensação? Será que o Estado estava precisando de uma doação do município? Não teria de ser o inverso? Se o Orlando abriu mão, é coisa para o Ministério Público olhar, observar se é algo que ele deveria fazer”, disse o petista.

Marinho relembrou que herdou negociações avançadas entre Dersa e governo de William Dib (2004-2008) com contrapartidas “rebaixadas à cidade”. Declarou que brigou para que uma cartela de investimentos fosse oferecida ao município, que viu parte de sua área de manancial e vegetação ceifada para passagem do Trecho Sul do Rodoanel.

Convênio assinado em 2010, já por Marinho, estabeleceu lista de obras no valor de R$ 93 milhões – no rol, dois parques, um de preservação e outro de uso da população.
“Não tinha quase nada de compensação. Entrei (na Prefeitura), insisti e conseguimos precificar em R$ 90 milhões (a reparação ambiental)”, citou o ex-prefeito, pré-candidato ao Paço na eleição deste ano. Ele declarou que houve “boicote deliberado” do governo do Estado para não construir o parque popular e que a gestão paulista, à época dirigida porGeraldo Alckmin (PSDB), queria ainda transferir à cidade a responsabilidade do Parque do Riacho Grande, posteriormente batizado de Parque Águas da Billings.

“Eles queriam empurrar o parque (do Riacho) para a gestão da cidade sem nenhuma condição. Atrasamos a recepção do parque, mas insistimos na compensação, que não foi feita. O Estado não pagou um centavo até agora. Acabei fazendo (obras previstas no termo de compensação ambiental) com recursos próprios, em uma área de obrigação do Estado. O que eles (Estado) tinham de fazer não fizeram. Não fizeram obra e não remuneraram (pelas intervenções executadas)”, comentou. Além dos parques, o convênio previa recuperação asfáltica e reassentamento de famílias que moravam em áreas precárias da região – como Jardim Nova Canaã e Areião.

A ideia de Marinho, diante da negativa da construção de um parque popular na Billings, era ter propriedade de terrenos remanescentes de desapropriação na região para ampliar o parque do Riacho Grande. Em 2017, o então secretário de Gestão Ambiental da Prefeitura, Mario de Abreu (ex-PSDB, atual PDT), encaminhou ofício à Dersa desistindo da alternativa proposta pelo governo anterior. Ao Diário, Abreu disse que “seguia ordens” em casos relacionados ao governo do Estado e à Dersa.

A gestão Morando nega que tenha aberto mão das compensações e culpou Marinho pela não efetivação de itens do convênio de reparação ambiental. 

‘Não sei por onde passou elo de Morando e Alex’

Ex-prefeito de São Bernardo e pré-candidato do PT ao Paço neste ano, Luiz Marinho disse sentir um misto de surpresa e tristeza com a aproximação entre o prefeito Orlando Morando (PSDB) e o deputado federal Alex Manente (Cidadania).

Depois de décadas de briga política, Morando e Alex se acertaram, estão alinhados e devem, nos próximos dias, anunciar publicamente que caminharão juntos no pleito de novembro – Alex abrirá mão da candidatura para dar suporte à reeleição do tucano.

“A surpresa é de ver o tanto que o Alex falava mal do Orlando, o ódio, falava nos vídeos. E agora vem a composição. Não sei por onde passou (a aliança), se foi por interesse econômico... Sinceramente não sei, não entendi esse pacto do Alex com o Orlando”, disse Marinho, sobre o primeiro sentimento ao ver a proximidade dos dois antigos rivais.

“A tristeza é porque muita gente falava mal do Alex e eu dizia que não era tudo isso. Muita gente me falava que era o Alex Que Mente (em trocadilho jocoso com o sobrenome do deputado federal). Eu sempre disse que o menino é jovem, tem impetuosidade da idade, mas é bom menino. Mas o que o Alex tem feito é muito feito na política. Mentir deste jeito é odioso, repugnante”, adicionou o petista, que recebeu apoio de Alex em 2008.

Ele se referiu ao fato de Alex gravar vídeo com acusação ao PT de querer, na Justiça, barrar a distribuição do cartão merenda, programa criado por Morando para distribuir R$ 80 ao mês aos alunos da rede pública durante o fechamento das escolas por causa da pandemia de Covid-19. “O que o PT fez foi impedir o uso político do cartão. Para o PT, o cartão tinha de ser política permanente durante a pandemia.”

Marinho disparou contra Morando e condução do tucano na crise sanitária. “É cidadão autoritário, arrogante não considera o que o povo fala. Imagino também que não esteja considerando o que os técnicos da saúde falam. Passarinho me contou que não acredita em testagem. Vai errar. A cidade precisaria ter centros de acolhimento, testar em massa, garantir toda a frota do transporte público para minimizar a aglomeração. Falta gestão, falta prefeito.”

Também presidente estadual do petismo, Marinho voltou a avaliar que o sentimento do antiPT “amainou” na cidade e que o eleitor poderá comparar o que ele fez como prefeito e a gestão de Morando. “Em quatro anos não fez nada. Paralisou minhas obras. Era para ter entregue o piscinão do Paço em dezembro de 2017, segurou e, no ano seguinte, morreram três pessoas nas enchentes. Se você espremer, governo do Orlando é sem realização. Ele só entregou as nossas obras.” 



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Abrir mão de compensação é um crime, diz Marinho

Ex-prefeito pede apuração do MP na desistência do governo Morando em obter reparação do Rodoanel

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

02/08/2020 | 23:44


Ex-prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT) classificou como criminoso o fato de o governo de seu sucessor, Orlando Morando (PSDB), abrir mão de alternativa feita por ele para receber parte da compensação ambiental que a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) se comprometeu com o município para a construção do Trecho Sul do Rodoanel.
O Diário mostrou ontem que, em 2017, ofício da gestão tucana à Dersa encerrava discussão aberta pela administração petista para que o Estado compensasse a desistência de instalar um parque popular, de R$ 40 milhões, às margens da Represa Billings. Marinho sugeriu que áreas remanescentes de desapropriações do Rodoanel fossem transferidas ao município para minimizar o prejuízo com o encerramento do projeto do parque.

“Se ele (Morando) abriu mão, cometeu um crime. O que ele teve em troca de abrir mão da compensação? Será que o Estado estava precisando de uma doação do município? Não teria de ser o inverso? Se o Orlando abriu mão, é coisa para o Ministério Público olhar, observar se é algo que ele deveria fazer”, disse o petista.

Marinho relembrou que herdou negociações avançadas entre Dersa e governo de William Dib (2004-2008) com contrapartidas “rebaixadas à cidade”. Declarou que brigou para que uma cartela de investimentos fosse oferecida ao município, que viu parte de sua área de manancial e vegetação ceifada para passagem do Trecho Sul do Rodoanel.

Convênio assinado em 2010, já por Marinho, estabeleceu lista de obras no valor de R$ 93 milhões – no rol, dois parques, um de preservação e outro de uso da população.
“Não tinha quase nada de compensação. Entrei (na Prefeitura), insisti e conseguimos precificar em R$ 90 milhões (a reparação ambiental)”, citou o ex-prefeito, pré-candidato ao Paço na eleição deste ano. Ele declarou que houve “boicote deliberado” do governo do Estado para não construir o parque popular e que a gestão paulista, à época dirigida porGeraldo Alckmin (PSDB), queria ainda transferir à cidade a responsabilidade do Parque do Riacho Grande, posteriormente batizado de Parque Águas da Billings.

“Eles queriam empurrar o parque (do Riacho) para a gestão da cidade sem nenhuma condição. Atrasamos a recepção do parque, mas insistimos na compensação, que não foi feita. O Estado não pagou um centavo até agora. Acabei fazendo (obras previstas no termo de compensação ambiental) com recursos próprios, em uma área de obrigação do Estado. O que eles (Estado) tinham de fazer não fizeram. Não fizeram obra e não remuneraram (pelas intervenções executadas)”, comentou. Além dos parques, o convênio previa recuperação asfáltica e reassentamento de famílias que moravam em áreas precárias da região – como Jardim Nova Canaã e Areião.

A ideia de Marinho, diante da negativa da construção de um parque popular na Billings, era ter propriedade de terrenos remanescentes de desapropriação na região para ampliar o parque do Riacho Grande. Em 2017, o então secretário de Gestão Ambiental da Prefeitura, Mario de Abreu (ex-PSDB, atual PDT), encaminhou ofício à Dersa desistindo da alternativa proposta pelo governo anterior. Ao Diário, Abreu disse que “seguia ordens” em casos relacionados ao governo do Estado e à Dersa.

A gestão Morando nega que tenha aberto mão das compensações e culpou Marinho pela não efetivação de itens do convênio de reparação ambiental. 

‘Não sei por onde passou elo de Morando e Alex’

Ex-prefeito de São Bernardo e pré-candidato do PT ao Paço neste ano, Luiz Marinho disse sentir um misto de surpresa e tristeza com a aproximação entre o prefeito Orlando Morando (PSDB) e o deputado federal Alex Manente (Cidadania).

Depois de décadas de briga política, Morando e Alex se acertaram, estão alinhados e devem, nos próximos dias, anunciar publicamente que caminharão juntos no pleito de novembro – Alex abrirá mão da candidatura para dar suporte à reeleição do tucano.

“A surpresa é de ver o tanto que o Alex falava mal do Orlando, o ódio, falava nos vídeos. E agora vem a composição. Não sei por onde passou (a aliança), se foi por interesse econômico... Sinceramente não sei, não entendi esse pacto do Alex com o Orlando”, disse Marinho, sobre o primeiro sentimento ao ver a proximidade dos dois antigos rivais.

“A tristeza é porque muita gente falava mal do Alex e eu dizia que não era tudo isso. Muita gente me falava que era o Alex Que Mente (em trocadilho jocoso com o sobrenome do deputado federal). Eu sempre disse que o menino é jovem, tem impetuosidade da idade, mas é bom menino. Mas o que o Alex tem feito é muito feito na política. Mentir deste jeito é odioso, repugnante”, adicionou o petista, que recebeu apoio de Alex em 2008.

Ele se referiu ao fato de Alex gravar vídeo com acusação ao PT de querer, na Justiça, barrar a distribuição do cartão merenda, programa criado por Morando para distribuir R$ 80 ao mês aos alunos da rede pública durante o fechamento das escolas por causa da pandemia de Covid-19. “O que o PT fez foi impedir o uso político do cartão. Para o PT, o cartão tinha de ser política permanente durante a pandemia.”

Marinho disparou contra Morando e condução do tucano na crise sanitária. “É cidadão autoritário, arrogante não considera o que o povo fala. Imagino também que não esteja considerando o que os técnicos da saúde falam. Passarinho me contou que não acredita em testagem. Vai errar. A cidade precisaria ter centros de acolhimento, testar em massa, garantir toda a frota do transporte público para minimizar a aglomeração. Falta gestão, falta prefeito.”

Também presidente estadual do petismo, Marinho voltou a avaliar que o sentimento do antiPT “amainou” na cidade e que o eleitor poderá comparar o que ele fez como prefeito e a gestão de Morando. “Em quatro anos não fez nada. Paralisou minhas obras. Era para ter entregue o piscinão do Paço em dezembro de 2017, segurou e, no ano seguinte, morreram três pessoas nas enchentes. Se você espremer, governo do Orlando é sem realização. Ele só entregou as nossas obras.” 

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