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Recém-formados, jovens médicos enfrentam os desafios da Covid

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Profissionais têm lidado com pandemia e aprendizado intenso em hospitais da região


Aline Melo

02/08/2020 | 00:59


Concluir a graduação e entrar no mercado de trabalho é um momento importante para todo profissional. Para quem escolheu a área da saúde, iniciar as atividades em 2020 significa lidar com a pandemia do novo coronavírus, que já contaminou 2,7 milhões de pessoas no Brasil e ocasionou a morte de 93.563. No Grande ABC, são 42.169 pessoas diagnosticadas com a Covid-19, 1.737 óbitos. Jovens médicos que atuam nos hospitais da região relatam os desafios e aprendizados deste período.

A médica Carina Dias, 26 anos, se formou neste ano, pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano). A jovem tem atuado na linha de frente de combate à Covid-19, em prontos-socorros da região, São Paulo e Guarulhos. Carina tem focado sua atenção em aprimorar os conhecimentos em urgência e emergência, área em que tem atuado desde o início da pandemia. A médica também tem acompanhado o transporte entre unidades de saúde de pacientes em estados graves, como socorrista, intensificando sua atuação em ambientes de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Questionada sobre seus medos, Carina avalia que, como recém-formada, sente a angústia de querer fazer tudo o que estiver ao seu alcance pelo paciente e a constante dúvida se havia mais que pudesse ter sido feito para ajudar. “Não temos toda a experiência em campo que os colegas mais antigos possuem e, ao nos formarmos em meio à pandemia, sabíamos o que viria pela frente: plantões abarrotados, o medo do diagnóstico positivo para o coronavírus, o desespero dos familiares que não podem visitar seus entes queridos”, afirma. “É uma realidade muito triste de se enfrentar, mas que, com certeza, tem trazido uma bagagem muito grande como médica e ser humano, reforçando o valor da vida.”

A jovem também teme se contagiar ou contaminar parentes e, por isso, reforça os cuidados com a colocação e retirada dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). “Apesar do incômodo da máscara, que machuca o rosto, do calor de toda a paramentação, do óculos que vive embaçando, eles têm sido fundamentais e os responsáveis por eu não ter me contaminado até o momento e, principalmente, não ter contaminado meus familiares.” 

Formado em 2019 pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e atuando como residente em hospitais da região, Rodrigo Portazio, 25, afirma que os médicos têm tido o importante papel de informar a população, tanto sobre os sintomas, quanto sobre as condutas com os pacientes. “Isso é o que está mais diferente do que o habitual. As pessoas às vezes chegam sem sintomas, mas com muitas dúvidas, e nosso papel é esclarecer para evitar que a situação piore”, pontua.

Portazio se contaminou com a Covid-19 em junho, mas, desde março, já estava morando em Santo André e não voltou mais para casa dos pais, em São Paulo. “A gente só se vê com cada um no seu carro, com máscara, à distância, porque, por mais que a gente tome medidas de precaução, a gente vê muita transmissão acontecendo dentro de casa, com pessoas que estão isoladas, mas recebem alguma visita e acabam se contaminando”, explica. Para o médico, além do intenso aprendizado que está sendo adquirido em lidar com pacientes com insuficiência respiratória, que chegam em volume bem maior, os profissionais também estão aprendendo a lidar com recursos escassos. “Ninguém estava preparado para a quantidade de analgésicos e sedativos que são necessários para se entubar os pacientes.”

Ambos os profissionais já lideram com a perda de pacientes, tanto em decorrência da Covid-19, quanto de outras enfermidades. “Graças a Deus não se trata do caso da maioria e vale lembrar que o prognóstico é bom para o maior percentual dos doentes, não devendo haver desespero no caso do diagnóstico positivo, apenas agir com cautela e buscar o hospital quando orientado”, recomenda Carina. “Independentemente da causa, é sempre um grande peso, uma perda para a gente e para a família e sempre fazemos o possível por todos.”

Dificuldades auxiliam desenvolvimento

Residente em hospital em São Bernardo e responsável por acompanhar os novos colegas da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), o médico Rodrigo Grizzo Barreto de Chaves, 29 anos, avalia que essa experiência adquirida pelos recém-formados em meio à pandemia de Covid-19 está refinando o trato destes profissionais com pacientes em estado mais grave.

“Vejo que apreenderam muito mais a lidar com pacientes graves e conduzir casos de ineficiência respiratória de uma maneira ainda mais refinada. Sem contar o fato de saber lidar com a situação de inúmeros pacientes graves e o que precisa ser feito mais rápido de maneira mais urgente”, afirma. “Eles têm as dúvidas comuns, de prescrição de medicamentos, mas, nesse contexto de pandemia, todos estamos aprendendo. Com o passar do tempo, os residentes cresceram muito”, elogia.

Chaves destaca que recentemente acompanhou junto aos demais residentes a alta de pacientes que estiveram em estado bem grave. “Conseguimos ver o quanto os residentes e a equipe ficam extremamente satisfeitos e felizes ao ver os mesmos pacientes se recuperando. Isso traz conforto e a sensação de que, mesmo com tanta notícia ruim, com pessoas que infelizmente não têm desfecho bom, também temos esse outro lado.”  



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Recém-formados, jovens médicos enfrentam os desafios da Covid

Profissionais têm lidado com pandemia e aprendizado intenso em hospitais da região

Aline Melo

02/08/2020 | 00:59


Concluir a graduação e entrar no mercado de trabalho é um momento importante para todo profissional. Para quem escolheu a área da saúde, iniciar as atividades em 2020 significa lidar com a pandemia do novo coronavírus, que já contaminou 2,7 milhões de pessoas no Brasil e ocasionou a morte de 93.563. No Grande ABC, são 42.169 pessoas diagnosticadas com a Covid-19, 1.737 óbitos. Jovens médicos que atuam nos hospitais da região relatam os desafios e aprendizados deste período.

A médica Carina Dias, 26 anos, se formou neste ano, pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano). A jovem tem atuado na linha de frente de combate à Covid-19, em prontos-socorros da região, São Paulo e Guarulhos. Carina tem focado sua atenção em aprimorar os conhecimentos em urgência e emergência, área em que tem atuado desde o início da pandemia. A médica também tem acompanhado o transporte entre unidades de saúde de pacientes em estados graves, como socorrista, intensificando sua atuação em ambientes de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Questionada sobre seus medos, Carina avalia que, como recém-formada, sente a angústia de querer fazer tudo o que estiver ao seu alcance pelo paciente e a constante dúvida se havia mais que pudesse ter sido feito para ajudar. “Não temos toda a experiência em campo que os colegas mais antigos possuem e, ao nos formarmos em meio à pandemia, sabíamos o que viria pela frente: plantões abarrotados, o medo do diagnóstico positivo para o coronavírus, o desespero dos familiares que não podem visitar seus entes queridos”, afirma. “É uma realidade muito triste de se enfrentar, mas que, com certeza, tem trazido uma bagagem muito grande como médica e ser humano, reforçando o valor da vida.”

A jovem também teme se contagiar ou contaminar parentes e, por isso, reforça os cuidados com a colocação e retirada dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). “Apesar do incômodo da máscara, que machuca o rosto, do calor de toda a paramentação, do óculos que vive embaçando, eles têm sido fundamentais e os responsáveis por eu não ter me contaminado até o momento e, principalmente, não ter contaminado meus familiares.” 

Formado em 2019 pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e atuando como residente em hospitais da região, Rodrigo Portazio, 25, afirma que os médicos têm tido o importante papel de informar a população, tanto sobre os sintomas, quanto sobre as condutas com os pacientes. “Isso é o que está mais diferente do que o habitual. As pessoas às vezes chegam sem sintomas, mas com muitas dúvidas, e nosso papel é esclarecer para evitar que a situação piore”, pontua.

Portazio se contaminou com a Covid-19 em junho, mas, desde março, já estava morando em Santo André e não voltou mais para casa dos pais, em São Paulo. “A gente só se vê com cada um no seu carro, com máscara, à distância, porque, por mais que a gente tome medidas de precaução, a gente vê muita transmissão acontecendo dentro de casa, com pessoas que estão isoladas, mas recebem alguma visita e acabam se contaminando”, explica. Para o médico, além do intenso aprendizado que está sendo adquirido em lidar com pacientes com insuficiência respiratória, que chegam em volume bem maior, os profissionais também estão aprendendo a lidar com recursos escassos. “Ninguém estava preparado para a quantidade de analgésicos e sedativos que são necessários para se entubar os pacientes.”

Ambos os profissionais já lideram com a perda de pacientes, tanto em decorrência da Covid-19, quanto de outras enfermidades. “Graças a Deus não se trata do caso da maioria e vale lembrar que o prognóstico é bom para o maior percentual dos doentes, não devendo haver desespero no caso do diagnóstico positivo, apenas agir com cautela e buscar o hospital quando orientado”, recomenda Carina. “Independentemente da causa, é sempre um grande peso, uma perda para a gente e para a família e sempre fazemos o possível por todos.”

Dificuldades auxiliam desenvolvimento

Residente em hospital em São Bernardo e responsável por acompanhar os novos colegas da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), o médico Rodrigo Grizzo Barreto de Chaves, 29 anos, avalia que essa experiência adquirida pelos recém-formados em meio à pandemia de Covid-19 está refinando o trato destes profissionais com pacientes em estado mais grave.

“Vejo que apreenderam muito mais a lidar com pacientes graves e conduzir casos de ineficiência respiratória de uma maneira ainda mais refinada. Sem contar o fato de saber lidar com a situação de inúmeros pacientes graves e o que precisa ser feito mais rápido de maneira mais urgente”, afirma. “Eles têm as dúvidas comuns, de prescrição de medicamentos, mas, nesse contexto de pandemia, todos estamos aprendendo. Com o passar do tempo, os residentes cresceram muito”, elogia.

Chaves destaca que recentemente acompanhou junto aos demais residentes a alta de pacientes que estiveram em estado bem grave. “Conseguimos ver o quanto os residentes e a equipe ficam extremamente satisfeitos e felizes ao ver os mesmos pacientes se recuperando. Isso traz conforto e a sensação de que, mesmo com tanta notícia ruim, com pessoas que infelizmente não têm desfecho bom, também temos esse outro lado.”  

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