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Home office fecha 20% das salas comerciais na região

DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Renegociações dos valores dos aluguéis mantiveram maior fatia dos espaços alugados


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

01/08/2020 | 23:13


A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe nova realidade para as empresas durante todo o período de isolamento físico. Uma delas foi a adoção do home office por boa parte delas, mudando a forma de trabalho das pessoas. Salas comerciais, andares inteiros antes ocupados pelas companhias, ficaram vazios.

Negociação foi a palavra-chave entre proprietários e inquilinos, mas, mesmo assim, cerca de 20% das salas antes alugadas na região perderam seus inquilinos. Essa é a estimativa feita por Milton Bigucci Junior, presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), entidade representativa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) nas sete cidades.

Ainda segundo o especialista no mercado, desse universo de salas comerciais alugadas, cerca de 50% negociaram os pagamentos mensais e, dessa fatia, 80% foram bem-sucedidas. “Aqui na região tivemos um impacto, no entanto, ele é maior na Capital, onde grandes empresas ocupam as chamadas lajes comerciais, em andares inteiros. Aqui, muitos proprietários preferiram receber menos em vez de perder o aluguel”, comentou.

Também atuante na região, diretor de imobiliária Roberto Casari, cuja empresa leva seu sobrenome, acrescentou que este segmento passou a ficar mais forte na região nos últimos cinco anos, a exemplo do Espaço Cerâmica, em São Caetano, ou do Domo Business, em São Bernardo. “Com a pandemia, muitas companhias viram que o sistema home office funciona bem, no entanto, vai chegar uma hora em que as pessoas vão precisar de uma estrutura melhor, dependendo do segmento.”

Káthia Camargo, gerente de locação da Gonçalves Imóveis, confirmou que cerca de 20% das salas comerciais da cartela da imobiliária deixaram de ficar ocupadas devido à pandemia. “Outros 30% dos inquilinos estão inadimplentes. Já o restante renegociou o pagamento ou teve descontos e se manteve com as salas, mesmo que fechadas até o mês passado.”

Como base de comparação, Khátia contou que, há um ano,o aluguel mensal desses espaços (área de 125 metros quadrados, aproximadamente) era negociado entre R$ 3.000 e R$ 3.500. Hoje, o mesmo espaço é alugado por R$ 2.000. “Sendo possível chegar a R$ 1.700, em média.” No caso das salas instaladas em prédios executivos, com condomínio, vagas de garagem, elevadores e duas salas por andar, por exemplo, a situação para alugar é um pouco mais delicada. “O inquilino ainda precisa arcar com taxa de condomínio e IPTU, diante de toda segurança e infraestrutura oferecida.”

Augusto Magalhães Neto, diretor da F&G Imóveis, de São Bernardo, acrescentou que, há um mês, o ritmo da procura por espaços comerciais tem estado próximo ao normal. “O que tem acontecido é que os proprietários estão preferindo baixar o valor do aluguel do que ficar sem renda alguma.”
Empresas de contabilidade, profissionais liberais e empresas de logística foram alguns dos segmentos que sentiram mais o impacto da crise e optaram por deixar as salas comerciais.

Por outro lado, empresas que antes ocupavam andares inteiros, hoje, com a retomada gradual da economia na região (mediante decretos dos governos estadual e municipais) cabem em salas comerciais. “O mercado vai se moldando, se reinventando. Outro segmento do aluguel vai tomando cada dia mais forma, a exemplo do next coworking (compartilhamento de espaço e recursos de escritório, reunindo pessoas que trabalham não necessariamente para a mesma empresa ou na mesma área de atuação)”, explicou Bigucci Junior.

Os planos podem ser feitos por hora (R$ 120 a cada duas horas, por exemplo), passando por R$ 500 até R$ 800, em média na região.

A jornalista Silvia Pacolla, 53 anos, se viu diante da mudança devido à pandemia. Sócia-proprietária da Máxima Assessoria (empresa de comunicação) se desfez do escritório particular alugado em Santo André desde 2017. “Tenho a empresa há 17 anos e mantínhamos um escritório na Capital. Mas, como 90% da minha equipe residem na região, apostamos por alugar um imóvel aqui.” A casa alugada é de 1917. “Me apaixonei pelo imóvel. Fiz um bom investimento na época, cerca de R$ 80 mil, para reformá-la, e vínhamos muito bem até a pandemia.”

Com a quarentena, as 12 funcionárias passaram ao home office. “Até maio não havia cancelado nada, mas percebi que gastava algo em torno de R$ 6.000 para manter o local, já que tinha empregada doméstica, jardineiro, segurança, internet de fibra ótica. Falei com a proprietária e rompemos contrato.” Segundo Silvia, a empresa caminha muito bem com cada colaboradora em sua casa, até porque agora não gasta mais com vale transporte. Ela comprou uma plataforma para sala virtual, onde todas ficam logadas durante a jornada de trabalho. “Nos equipamos. Vimos que essa é a tendência e as salas comerciais, mesmo os imóveis para este fim, vão precisar ser repensados.”  

Alternativa de negócio manteve clínica de estética em local alugado

 Proprietária do espaço Espelho Meu Sobrancelharia, em São Caetano, de dermopigmentação estética e paramédica, Erika Hatorri Martinez, 40 anos, precisou se reinventar diante da pandemia. Ela, que tem sua clínica no Espaço Cerâmica, se viu sem renda e com contas a pagar diante das portas fechadas de seu negócio. Para manter seu estúdio e pagar o aluguel do local, além das contas de casa, a profissional, também formada em arquitetura e comunicação, passou a produzir pães gourmets. 

 “Não tinha plano B até então. Quando fechei minha clínica, entrei em surto. Como pagaria plano de saúde, aluguel do espaço, meus cartões?”, indagou. “Acabei fazendo pão para consumo próprio. E, conversando com alguns amigos chefs de cozinha, tive a ideia. Fui surpreendida positivamente.”

 Até o momento, foi com a produção dos pães artesanais que Erika manteve a clínica, que voltou a funcionar há poucos dias e com um atendimento diário. “Foram meus dotes culinários que mantiveram meu espaço aberto. Agora com os atendimentos, muito poucos ainda, vou levando os dois negócios em paralelo. Sei que ainda vai demorar para meu faturamento ser o que era antes. Acredito que só vou me sentir segura em atender como antes com a chegada da vacina. Até lá, vou mantendo minha clínica com o dinheiro da minha comida. Apesar de tudo, estou feliz por pagar minhas contas e me redescobrir”, pondera Erika.



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Home office fecha 20% das salas comerciais na região

Renegociações dos valores dos aluguéis mantiveram maior fatia dos espaços alugados

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

01/08/2020 | 23:13


A pandemia causada pelo novo coronavírus trouxe nova realidade para as empresas durante todo o período de isolamento físico. Uma delas foi a adoção do home office por boa parte delas, mudando a forma de trabalho das pessoas. Salas comerciais, andares inteiros antes ocupados pelas companhias, ficaram vazios.

Negociação foi a palavra-chave entre proprietários e inquilinos, mas, mesmo assim, cerca de 20% das salas antes alugadas na região perderam seus inquilinos. Essa é a estimativa feita por Milton Bigucci Junior, presidente da Acigabc (Associação dos Construtores, Imobiliárias e Administradoras do Grande ABC), entidade representativa do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) nas sete cidades.

Ainda segundo o especialista no mercado, desse universo de salas comerciais alugadas, cerca de 50% negociaram os pagamentos mensais e, dessa fatia, 80% foram bem-sucedidas. “Aqui na região tivemos um impacto, no entanto, ele é maior na Capital, onde grandes empresas ocupam as chamadas lajes comerciais, em andares inteiros. Aqui, muitos proprietários preferiram receber menos em vez de perder o aluguel”, comentou.

Também atuante na região, diretor de imobiliária Roberto Casari, cuja empresa leva seu sobrenome, acrescentou que este segmento passou a ficar mais forte na região nos últimos cinco anos, a exemplo do Espaço Cerâmica, em São Caetano, ou do Domo Business, em São Bernardo. “Com a pandemia, muitas companhias viram que o sistema home office funciona bem, no entanto, vai chegar uma hora em que as pessoas vão precisar de uma estrutura melhor, dependendo do segmento.”

Káthia Camargo, gerente de locação da Gonçalves Imóveis, confirmou que cerca de 20% das salas comerciais da cartela da imobiliária deixaram de ficar ocupadas devido à pandemia. “Outros 30% dos inquilinos estão inadimplentes. Já o restante renegociou o pagamento ou teve descontos e se manteve com as salas, mesmo que fechadas até o mês passado.”

Como base de comparação, Khátia contou que, há um ano,o aluguel mensal desses espaços (área de 125 metros quadrados, aproximadamente) era negociado entre R$ 3.000 e R$ 3.500. Hoje, o mesmo espaço é alugado por R$ 2.000. “Sendo possível chegar a R$ 1.700, em média.” No caso das salas instaladas em prédios executivos, com condomínio, vagas de garagem, elevadores e duas salas por andar, por exemplo, a situação para alugar é um pouco mais delicada. “O inquilino ainda precisa arcar com taxa de condomínio e IPTU, diante de toda segurança e infraestrutura oferecida.”

Augusto Magalhães Neto, diretor da F&G Imóveis, de São Bernardo, acrescentou que, há um mês, o ritmo da procura por espaços comerciais tem estado próximo ao normal. “O que tem acontecido é que os proprietários estão preferindo baixar o valor do aluguel do que ficar sem renda alguma.”
Empresas de contabilidade, profissionais liberais e empresas de logística foram alguns dos segmentos que sentiram mais o impacto da crise e optaram por deixar as salas comerciais.

Por outro lado, empresas que antes ocupavam andares inteiros, hoje, com a retomada gradual da economia na região (mediante decretos dos governos estadual e municipais) cabem em salas comerciais. “O mercado vai se moldando, se reinventando. Outro segmento do aluguel vai tomando cada dia mais forma, a exemplo do next coworking (compartilhamento de espaço e recursos de escritório, reunindo pessoas que trabalham não necessariamente para a mesma empresa ou na mesma área de atuação)”, explicou Bigucci Junior.

Os planos podem ser feitos por hora (R$ 120 a cada duas horas, por exemplo), passando por R$ 500 até R$ 800, em média na região.

A jornalista Silvia Pacolla, 53 anos, se viu diante da mudança devido à pandemia. Sócia-proprietária da Máxima Assessoria (empresa de comunicação) se desfez do escritório particular alugado em Santo André desde 2017. “Tenho a empresa há 17 anos e mantínhamos um escritório na Capital. Mas, como 90% da minha equipe residem na região, apostamos por alugar um imóvel aqui.” A casa alugada é de 1917. “Me apaixonei pelo imóvel. Fiz um bom investimento na época, cerca de R$ 80 mil, para reformá-la, e vínhamos muito bem até a pandemia.”

Com a quarentena, as 12 funcionárias passaram ao home office. “Até maio não havia cancelado nada, mas percebi que gastava algo em torno de R$ 6.000 para manter o local, já que tinha empregada doméstica, jardineiro, segurança, internet de fibra ótica. Falei com a proprietária e rompemos contrato.” Segundo Silvia, a empresa caminha muito bem com cada colaboradora em sua casa, até porque agora não gasta mais com vale transporte. Ela comprou uma plataforma para sala virtual, onde todas ficam logadas durante a jornada de trabalho. “Nos equipamos. Vimos que essa é a tendência e as salas comerciais, mesmo os imóveis para este fim, vão precisar ser repensados.”  

Alternativa de negócio manteve clínica de estética em local alugado

 Proprietária do espaço Espelho Meu Sobrancelharia, em São Caetano, de dermopigmentação estética e paramédica, Erika Hatorri Martinez, 40 anos, precisou se reinventar diante da pandemia. Ela, que tem sua clínica no Espaço Cerâmica, se viu sem renda e com contas a pagar diante das portas fechadas de seu negócio. Para manter seu estúdio e pagar o aluguel do local, além das contas de casa, a profissional, também formada em arquitetura e comunicação, passou a produzir pães gourmets. 

 “Não tinha plano B até então. Quando fechei minha clínica, entrei em surto. Como pagaria plano de saúde, aluguel do espaço, meus cartões?”, indagou. “Acabei fazendo pão para consumo próprio. E, conversando com alguns amigos chefs de cozinha, tive a ideia. Fui surpreendida positivamente.”

 Até o momento, foi com a produção dos pães artesanais que Erika manteve a clínica, que voltou a funcionar há poucos dias e com um atendimento diário. “Foram meus dotes culinários que mantiveram meu espaço aberto. Agora com os atendimentos, muito poucos ainda, vou levando os dois negócios em paralelo. Sei que ainda vai demorar para meu faturamento ser o que era antes. Acredito que só vou me sentir segura em atender como antes com a chegada da vacina. Até lá, vou mantendo minha clínica com o dinheiro da minha comida. Apesar de tudo, estou feliz por pagar minhas contas e me redescobrir”, pondera Erika.

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