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Empresas da Lava Jato bancaram 21% da campanha de Morando

Andrea Iseki/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

OAS, Andrade Gutierrez e UTC depositaram R$ 442,5 mil à
empreitada do hoje prefeito de S.Bernardo na eleição de 2014


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

26/07/2020 | 00:23


As doações eleitorais de empresas envolvidas na Operação Lava Jato às campanhas dos tucanos Geraldo Alckmin (ao governo de São Paulo) e José Serra (ao Senado) em 2014 foram centro de denúncias formalizadas nas últimas semanas pelo Ministério Público contra ambos. No pleito em questão, outro tucano graduado no Estado recebeu recursos de firmas citadas na Lava Jato, embora não esteja entre denunciados: o hoje prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB).

Há seis anos, Morando tentava renovar seu mandato na Assembleia Legislativa. Foi o terceiro mais bem votado daquele pleito a deputado estadual, com 237.020 votos. Para aquela empreitada, declarou ter recebido R$ 2,05 milhões.

Um quinto desse montante – 21% – veio de empresas ligadas à Lava Jato. À ocasião, doações empresariais eram permitidas (essa abertura foi derrubada somente na eleição de 2016). As transferências foram da OAS (R$ 200 mil), Andrade Gutierrez (R$ 100 mil) e UTC Engenharia (R$ 142,5 mil). No total, o trio de empreiteiras depositou R$ 442,5 mil no projeto político de Morando.

As doações das três empresas chegaram à campanha de Morando via diretórios estadual e nacional – as da OAS e UTC por cheques e a da Andrade Gutierrez por transferência eletrônica. Os dados constam no relatório apresentado pelo tucano ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No caso de Alckmin, a denúncia se refere à doação via caixa dois (não contabilizada) da Odebrecht para a campanha à reeleição ao governo do Estado. O MP acusa o tucano de ter recebido R$ 7,8 milhões irregularmente. A defesa de Alckmin nega as irregularidades a ele imputadas.

Sobre Serra, a denúncia envolve recursos não contabilizados da Qualicorp, grupo que comercializa e administra planos de saúde coletivos. Segundo os investigadores, a direção da Qualicorp simulava contratos para tentar esquentar dinheiro que era repassado ao hoje senador. A denúncia apresentada à Justiça indica que Serra recebeu R$ 5 milhões indevidamente. O político também rechaça as acusações.

Ontem, o Diário mostrou que o ex-prefeito de Mauá Donisete Braga (PDT), a ex-deputada estadual Vanessa Damo (MDB), o ex-secretário de Obras Júnior Orosco (PDT) e o ex-secretário de Governo Edilson de Paula se tornaram réus após a Justiça Eleitoral mauaense acolher denúncia feita pelo MP contra o quarteto por caixa dois na eleição de 2012 à Prefeitura da cidade. O dinheiro teria sido repassado por um ex-executivo da Odebrecht Ambiental.

Em nota, Morando disse que as doações da OAS, da Andrade Gutierrez e da UTC foram feitas aos diretórios estadual e nacional do PSDB. “Ou seja, em momento algum as referidas empresas efetuaram qualquer depósito diretamente para a sua campanha. O prefeito Orlando Morando nunca foi chamado para prestar depoimento ou esclarecimentos sobre isso.”

“Ao longo de sua vida sempre teve um trabalho de apoio a toda e qualquer investigação da Justiça, sendo o autor da Lei da Ficha Limpa no Estado, e tendo a prestação de contas de todas as suas campanhas, sem uma única exceção, declaradas e aprovadas sem ressalva”, continuou o prefeito, na nota. Ele também defendeu “a apuração das denúncias” contra Alckmin e Serra “para esclarecimentos dos fatos”.

Morando também declarou que políticos da cidade, como o ex-prefeito Luiz Marinho (PT) e o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), tiveram nomes citados em planilhas de empresas da Lava Jato que fizeram acordo de delação premiada, “diferentemente” dele. Em 2014, Marinho não foi candidato. Luiz Fernando sim, a deputado estadual. A prestação de contas do petista apresenta doações da OAS, Odebrecht e UTC. 



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Empresas da Lava Jato bancaram 21% da campanha de Morando

OAS, Andrade Gutierrez e UTC depositaram R$ 442,5 mil à
empreitada do hoje prefeito de S.Bernardo na eleição de 2014

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

26/07/2020 | 00:23


As doações eleitorais de empresas envolvidas na Operação Lava Jato às campanhas dos tucanos Geraldo Alckmin (ao governo de São Paulo) e José Serra (ao Senado) em 2014 foram centro de denúncias formalizadas nas últimas semanas pelo Ministério Público contra ambos. No pleito em questão, outro tucano graduado no Estado recebeu recursos de firmas citadas na Lava Jato, embora não esteja entre denunciados: o hoje prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB).

Há seis anos, Morando tentava renovar seu mandato na Assembleia Legislativa. Foi o terceiro mais bem votado daquele pleito a deputado estadual, com 237.020 votos. Para aquela empreitada, declarou ter recebido R$ 2,05 milhões.

Um quinto desse montante – 21% – veio de empresas ligadas à Lava Jato. À ocasião, doações empresariais eram permitidas (essa abertura foi derrubada somente na eleição de 2016). As transferências foram da OAS (R$ 200 mil), Andrade Gutierrez (R$ 100 mil) e UTC Engenharia (R$ 142,5 mil). No total, o trio de empreiteiras depositou R$ 442,5 mil no projeto político de Morando.

As doações das três empresas chegaram à campanha de Morando via diretórios estadual e nacional – as da OAS e UTC por cheques e a da Andrade Gutierrez por transferência eletrônica. Os dados constam no relatório apresentado pelo tucano ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No caso de Alckmin, a denúncia se refere à doação via caixa dois (não contabilizada) da Odebrecht para a campanha à reeleição ao governo do Estado. O MP acusa o tucano de ter recebido R$ 7,8 milhões irregularmente. A defesa de Alckmin nega as irregularidades a ele imputadas.

Sobre Serra, a denúncia envolve recursos não contabilizados da Qualicorp, grupo que comercializa e administra planos de saúde coletivos. Segundo os investigadores, a direção da Qualicorp simulava contratos para tentar esquentar dinheiro que era repassado ao hoje senador. A denúncia apresentada à Justiça indica que Serra recebeu R$ 5 milhões indevidamente. O político também rechaça as acusações.

Ontem, o Diário mostrou que o ex-prefeito de Mauá Donisete Braga (PDT), a ex-deputada estadual Vanessa Damo (MDB), o ex-secretário de Obras Júnior Orosco (PDT) e o ex-secretário de Governo Edilson de Paula se tornaram réus após a Justiça Eleitoral mauaense acolher denúncia feita pelo MP contra o quarteto por caixa dois na eleição de 2012 à Prefeitura da cidade. O dinheiro teria sido repassado por um ex-executivo da Odebrecht Ambiental.

Em nota, Morando disse que as doações da OAS, da Andrade Gutierrez e da UTC foram feitas aos diretórios estadual e nacional do PSDB. “Ou seja, em momento algum as referidas empresas efetuaram qualquer depósito diretamente para a sua campanha. O prefeito Orlando Morando nunca foi chamado para prestar depoimento ou esclarecimentos sobre isso.”

“Ao longo de sua vida sempre teve um trabalho de apoio a toda e qualquer investigação da Justiça, sendo o autor da Lei da Ficha Limpa no Estado, e tendo a prestação de contas de todas as suas campanhas, sem uma única exceção, declaradas e aprovadas sem ressalva”, continuou o prefeito, na nota. Ele também defendeu “a apuração das denúncias” contra Alckmin e Serra “para esclarecimentos dos fatos”.

Morando também declarou que políticos da cidade, como o ex-prefeito Luiz Marinho (PT) e o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT), tiveram nomes citados em planilhas de empresas da Lava Jato que fizeram acordo de delação premiada, “diferentemente” dele. Em 2014, Marinho não foi candidato. Luiz Fernando sim, a deputado estadual. A prestação de contas do petista apresenta doações da OAS, Odebrecht e UTC. 

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