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Enigma decifrado
A fábrica que ensinou João Basso

A indústria moveleira de São Bernardo tem raízes em Jundiaí, que ensinou o ofício de marcenaria a um jovem imigrante no início do século XX


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

26/07/2020 | 00:01


Há várias relações históricas entre o Grande ABC e Jundiaí, como a EF Santos a Jundiaí, cortando a nossa região.

Outra relação é também curiosa. Quando chegaram à região, os imigrantes europeus depararam com muita madeira de lei. Serrarias foram criadas. Há um bairro em Diadema que se chama Serraria. E os imigrantes, então, vendiam a madeira bruta para outros centros, entre os quais Jundiaí. Até que aconteceu – e a história narrada a seguir é muito conhecida.

João Basso foi a Jundiaí, empregou-se numa fábrica de móveis, aprendeu os vários ofícios. Depois de um mês (oito dias apenas, segundo seu filho, Bortolo Basso), nem quis receber o salário. Voltou a São Bernardo e criou a primeira fábrica de móveis da cidade, no fim da Rua Marechal Deodoro.

Foi o primeiro ato de ‘espionagem industrial’ de que se tem notícia por aqui. Aprendemos os segredos técnicos de Jundiaí e São Bernardo se tornou a ‘Capital do Móvel do Brasil’. Grato, Jundiaí.

A Fábrica de Móveis dos Basso é de 1905. Vieram muitas outras desde então. Hoje rareia em São Bernardo a indústria moveleira, graças à fundamental reserva florestal preservada legalmente na Serra do Mar. São Bernardo é um grande centro revendedor de móveis, no mais das vezes adquiridos na serra gaúcha.

Memória recorreu aos colegas do Memofut (Grupo Literatura e Memória do Futebol) que residem em Jundiaí. Indagamos: em que fábrica João Basso adquiriu os segredos técnicos 115 anos atrás? E a resposta veio. 

Trata-se da fábrica de Sperandio Pelliciari, que produzia cadeiras em Jundiaí – e as cadeiras estavam entre os primeiros artigos produzidos por João Basso em São Bernardo: “João Basso e Filhos, Fábrica de Cadeiras e Móveis” . 

MISTÉRIO RESOLVIDO

Domingos D’Angelo lembrou uma exposição feita no Memofut por José Roberto Fornazza, que citou Romeu Pelliciari e fez menção da fábrica de móveis Pelliciari.

“Na dúvida consultei a chefia, dona Vera, jundiaiense por nascimento e não honorária. De pronto me respondeu: é a fábrica da família Pelliciari. Não contente, trouxe um belíssimo álbum – Jundiaí na História – de onde reproduzi a foto em anexo, que foi a mesma mostrada por Fornazza (na reunião do Memofut)”, informou Domingos.

Emendou Fornazza: “Mestre Domingos e patroa mataram a pau. A indústria de móveis Pelliciari é anterior a 1905 e, com alta probabilidade, foi onde João Basso realizou seu exercício de espionagem industrial.

Continuou Fornazza: “Duvido que houvesse outra indústria de móveis nessa época em Jundiaí, pois não é vocação da região. Aqui havia um enorme parque industrial têxtil à época”.

E comentou: “Eu sabia que São Bernardo era conhecida como ‘A Capital dos Móveis’, mas desconhecia o porquê”. Vivendo e aprendendo...

GRATIDÃO

Basso e Pelliciari, a mesma origem itálica. No campo das interpretações, é bem possível que os patrícios tenham trocado figurinhas e o visitado sabia da intenção de quem o visitou, mais de um século atrás.

E o milagre da construção da memória dá mais um belo passo. Daí porque, para nós da <CF160>Memória</CF>, Jundiaí e São Bernardo têm mais um motivo para serem chamadas de “cidades irmãs”.

E quem disse que no Memofut só se fala e estuda futebol?

Em 26 de julho de...

1915 – Francisco Arnoni nasce em Paranapiacaba. Foi vereador de Ribeirão Pires e o seu segundo prefeito. Governou a cidade entre 1959 e 1962.

Joaquim Luiz de Brito, inspetor escolar, visita as escolas do município de São Bernardo.

1975 – São Caetano completa a demolição de 16 quadras da Avenida Goiás para o alargamento da via. Outras cinco quadras estavam em processo de demolição e havia cinco casos de desapropriações em pendência judicial.

1985 – Encerrava-se em São Bernardo o I Congresso de Educação e o III Simpósio de Educação Pré-Escolar. Nos quatro dias do certame, o pavilhão Vera Cruz permaneceu lotado. Educadores pregavam reforma no processo de ensino. Programados 48 cursos, com professores de várias partes do País.

Nota – Claro, o Diário cobriu os dois certames. Sua equipe produziu riquíssimas reportagens e registrou dezenas de imagens fotográficas, muitas das quais permanecem inéditas e são cuidadosamente guardadas pelo nosso Banco de Dados.

Diário há meio século

Domingo, 26 de julho de 1970 – ano 13, edição 1293

São Caetano – Lançada a pedra fundamental da unidade integrada grupo escolar/ginásio da Vila Gerty, à Rua Capivari.

Municípios Paulistas

Hoje é o aniversário de Areias e Sumaré.

Avós de Cristo

A Igreja celebra a memória de São Joaquim e Sant’Ana, pais da Virgem Maria e avós de Jesus. Em hebraico, Ana exprime “graça” e Joaquim equivale a “Javé prepara ou fortalece”. Em razão desta data, comemora-se também o Dia dos Avós e Bisavós.

PADROEIRA

Hoje guardam feriado em louvor a Sant’Ana as cidades paulistas de Botucatu, Itapeva, Mogi das Cruzes, Pedreira, Santana de Parnaíba, Sumaré, Vargem Grande do Sul e Vinhedo.



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