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Desafios de uma cor contra o racismo

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crianças negras refletem sobre atitudes racistas e sonham com mundo muito mais igual no futuro


Luís Felipe Soares

11/07/2020 | 23:59


A ideia de igualdade envolve não haver distinção entre as pessoas. As diferenças podem ser externas e isso mostra o quanto o mundo pode ser diverso, mas complicações sobre o tratamento em torno da comunidade negra são problemas antigos que, infelizmente, ainda continuam a existir. Trata-se de um mal conhecido como racismo, ou seja, discriminação e preconceito motivados pela etnia ou cor da pessoa, com os negros sendo o principal alvo de indivíduos que não conseguem – ou não querem – entender que não há motivos para esse ódio existir.

“É uma coisa muito errada. Somos todos iguais e muitas pessoas sofrem com isso”, afirma Yuri Henrique Xavier Barbosa, 11 anos, de Santo André. Ele aprende que é necessário tratar qualquer pessoa da mesma forma, com respeito e consideração, mas confessa que já foi alvo de comentários maldosos em ambiente onde o aprendizado fala mais alto. “Já me chamaram de ‘macaco’ na escola”, lembra, com a associação da cor preta dos pelos do animal buscando diminuir o menino diante de colegas brancos.

Para Yuri, o comportamento inaceitável acaba por refletir falta de explicações e reflexões por parte dos adultos ao redor dessas crianças. Questionado sobre o que acha que leva alguém a ser racista com outro indivíduo, ele diz: “Ensinamento errado da família e da escola”.

É preciso lembrar que o racismo também atinge a cultura afro. Uma vez, também dentro do colégio, Isabele Eduarda Oliveira Santos, 11, lamenta que uma professora falou de maneira nada positiva sobre seu cabelo. “Acho que (racista) é uma pessoa que não é feliz com a vida e desconta sua raiva nas pessoas diferentes”, comenta a moradora de Ribeirão Pires, ressaltando que já participou de várias apresentações sobre o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro em referência à morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do maior quilombo da história brasileira, e que, de maneira geral, relembra a luta dos negros contra a opressão no País.

Os dois encontram em exemplos da cultura pop força para serem jovens empoderados e orgulhosos de sua cor. Yuri acha muito legal que personagens parecidos com ele estejam em destaque no mundo dos heróis, com o Pantera Negra e o Uub (de Dragon Ball) entre seus favoritos. As cantoras Iza e Ludmilla chamam a atenção de Isabele, por exemplo.

De olho no futuro, eles desejam viver em uma sociedade onde todos sejam iguais e que avaliações negativas motivadas por diferenças de etnias sejam coisa de um passado a ser deixado para trás. “Gostaria que todos fossem tratados da mesma forma, com os mesmos direitos e deveres”, diz a menina. “(Um mundo) Onde todos tivessem as mesmas oportunidades, independentemente da cor.”

Livros apresentam pensamentos sobre o tema para diferentes idades

A discussão sobre o racismo ganha força no universo da literatura. Entre os títulos está o e-book O Encontro das Três Lendas (Bibliomundi), de Valmir de Almeida. O conteúdo é voltado para a primeira infância, com o enredo tentando trabalhar discussão preventiva sobre o racismo. Na história, reino do rei Jhel tem sua harmonia colocada à prova com a presença da família Ranzinza. 

Uma das obras em alta nos últimos tempos é Pequeno Manual Antirracista (Companhia das Letras), assinado pela filósofa e escritora Djamila Ribeiro. Ela aborda temas como negritude, branquitude e o racismo na atualidade em 11 reflexões, que funcionam para se comunicar com crianças, jovens e adultos. Em junho, a publicação se tornou o livro mais vendido do País na lista de não ficção.

Atitude condenada pela lei deve ser combatida por todos

O racismo é a discriminação e o preconceito contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor. Esse tipo de ação aparece de formas bem chamativas e claras ou por meio de situações não tão explícitas. Ao longo dos anos se discute sobre seu impacto negativo na sociedade e fatos resultantes de casos registrados, mas, infelizmente, a condenação pela lei como crime não impede sua existência no Brasil e no mundo.

Pesquisas sobre o tema apontam que as primeiras experiências ocorrem no universo escolar, com o problema seguindo em outras esferas da sociedade com o passar do tempo. Transtornos mentais, ansiedade, baixa autoestima e depressão fazem parte do pacote dos impactos mentais ocasionados. Fatos mais graves de embates chegam a resultar em morte das vítimas.

Caso presencie uma atitude racista, as crianças devem contar para pais, responsáveis, professores ou algum adulto. Jovens e adultos podem anotar endereço do local do ocorrido, nome do autor(a), nome de testemunhas e levar todas as informações possíveis para uma delegacia de polícia para registro de boletim de ocorrência. Depois, a equipe do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) mais próximo poderá dar orientação psicossocial e jurídica.

Entre debates e discussões para acabar com racismo em diferentes níveis, é importante que pessoas brancas se posicionem contrariamente. Se colocar no lugar da pessoa que sofre opressão racial, entender essa realidade e reconhecer seus privilégios são essenciais para o combate.

Consultoria de Andreia Miguel Pinto, coordenadora do Grupo de Trabalho Igualdade Racial, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. 



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Desafios de uma cor contra o racismo

Crianças negras refletem sobre atitudes racistas e sonham com mundo muito mais igual no futuro

Luís Felipe Soares

11/07/2020 | 23:59


A ideia de igualdade envolve não haver distinção entre as pessoas. As diferenças podem ser externas e isso mostra o quanto o mundo pode ser diverso, mas complicações sobre o tratamento em torno da comunidade negra são problemas antigos que, infelizmente, ainda continuam a existir. Trata-se de um mal conhecido como racismo, ou seja, discriminação e preconceito motivados pela etnia ou cor da pessoa, com os negros sendo o principal alvo de indivíduos que não conseguem – ou não querem – entender que não há motivos para esse ódio existir.

“É uma coisa muito errada. Somos todos iguais e muitas pessoas sofrem com isso”, afirma Yuri Henrique Xavier Barbosa, 11 anos, de Santo André. Ele aprende que é necessário tratar qualquer pessoa da mesma forma, com respeito e consideração, mas confessa que já foi alvo de comentários maldosos em ambiente onde o aprendizado fala mais alto. “Já me chamaram de ‘macaco’ na escola”, lembra, com a associação da cor preta dos pelos do animal buscando diminuir o menino diante de colegas brancos.

Para Yuri, o comportamento inaceitável acaba por refletir falta de explicações e reflexões por parte dos adultos ao redor dessas crianças. Questionado sobre o que acha que leva alguém a ser racista com outro indivíduo, ele diz: “Ensinamento errado da família e da escola”.

É preciso lembrar que o racismo também atinge a cultura afro. Uma vez, também dentro do colégio, Isabele Eduarda Oliveira Santos, 11, lamenta que uma professora falou de maneira nada positiva sobre seu cabelo. “Acho que (racista) é uma pessoa que não é feliz com a vida e desconta sua raiva nas pessoas diferentes”, comenta a moradora de Ribeirão Pires, ressaltando que já participou de várias apresentações sobre o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro em referência à morte de Zumbi dos Palmares (1655-1695), líder do maior quilombo da história brasileira, e que, de maneira geral, relembra a luta dos negros contra a opressão no País.

Os dois encontram em exemplos da cultura pop força para serem jovens empoderados e orgulhosos de sua cor. Yuri acha muito legal que personagens parecidos com ele estejam em destaque no mundo dos heróis, com o Pantera Negra e o Uub (de Dragon Ball) entre seus favoritos. As cantoras Iza e Ludmilla chamam a atenção de Isabele, por exemplo.

De olho no futuro, eles desejam viver em uma sociedade onde todos sejam iguais e que avaliações negativas motivadas por diferenças de etnias sejam coisa de um passado a ser deixado para trás. “Gostaria que todos fossem tratados da mesma forma, com os mesmos direitos e deveres”, diz a menina. “(Um mundo) Onde todos tivessem as mesmas oportunidades, independentemente da cor.”

Livros apresentam pensamentos sobre o tema para diferentes idades

A discussão sobre o racismo ganha força no universo da literatura. Entre os títulos está o e-book O Encontro das Três Lendas (Bibliomundi), de Valmir de Almeida. O conteúdo é voltado para a primeira infância, com o enredo tentando trabalhar discussão preventiva sobre o racismo. Na história, reino do rei Jhel tem sua harmonia colocada à prova com a presença da família Ranzinza. 

Uma das obras em alta nos últimos tempos é Pequeno Manual Antirracista (Companhia das Letras), assinado pela filósofa e escritora Djamila Ribeiro. Ela aborda temas como negritude, branquitude e o racismo na atualidade em 11 reflexões, que funcionam para se comunicar com crianças, jovens e adultos. Em junho, a publicação se tornou o livro mais vendido do País na lista de não ficção.

Atitude condenada pela lei deve ser combatida por todos

O racismo é a discriminação e o preconceito contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor. Esse tipo de ação aparece de formas bem chamativas e claras ou por meio de situações não tão explícitas. Ao longo dos anos se discute sobre seu impacto negativo na sociedade e fatos resultantes de casos registrados, mas, infelizmente, a condenação pela lei como crime não impede sua existência no Brasil e no mundo.

Pesquisas sobre o tema apontam que as primeiras experiências ocorrem no universo escolar, com o problema seguindo em outras esferas da sociedade com o passar do tempo. Transtornos mentais, ansiedade, baixa autoestima e depressão fazem parte do pacote dos impactos mentais ocasionados. Fatos mais graves de embates chegam a resultar em morte das vítimas.

Caso presencie uma atitude racista, as crianças devem contar para pais, responsáveis, professores ou algum adulto. Jovens e adultos podem anotar endereço do local do ocorrido, nome do autor(a), nome de testemunhas e levar todas as informações possíveis para uma delegacia de polícia para registro de boletim de ocorrência. Depois, a equipe do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) mais próximo poderá dar orientação psicossocial e jurídica.

Entre debates e discussões para acabar com racismo em diferentes níveis, é importante que pessoas brancas se posicionem contrariamente. Se colocar no lugar da pessoa que sofre opressão racial, entender essa realidade e reconhecer seus privilégios são essenciais para o combate.

Consultoria de Andreia Miguel Pinto, coordenadora do Grupo de Trabalho Igualdade Racial, do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. 

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