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Médicos acreditam em segunda onda da Covid-19

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Pesquisa aponta que 89% dos profissionais consideram que País terá mais um ciclo da doença; especialista diz que fake news são tão letais quando o vírus


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

08/07/2020 | 00:01


A baixa adesão da população às medidas preventivas ao novo coronavírus, somada à flexibilização da quarentena enquanto números de contaminados e mortes estão crescendo fazem com que 89% dos médicos acreditem que o País terá segunda onda de infecção. Para 42,3% deles, o próximo ciclo será menos grave, enquanto 37,3% avaliam que será igual ao primeiro e 9,4% consideram que será mais grave. As informações são de pesquisa realizada pela APM (Associação Paulista de Medicina), que entrevistou 1.984 profissionais entre 25 de junho e 2 de julho.

“Os médicos estão apreensivos porque a doença continua se alastrando e as medidas de prevenção não estão sendo adotadas pela população”, afirmou José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM. Exemplo é o isolamento físico, que chegou a 55% na região no primeiro dia da quarentena e na segunda-feira, dado mais recente disponibilizado pelo governo estadual, a média foi de 43%. O mesmo é observado no Estado, onde o percentual foi de 54% para 45%. “Hoje, não estamos mais vendo campanhas incentivando as pessoas a ficarem em casa”, criticou.

Outro aspecto que preocupa a classe médica é que a população não está aderindo com efetividade às demais ferramentas preventivas (uso de máscaras, uso de álcool gel e procura de unidades de saúde aos primeiros sintomas da Covid-19, por exemplo), como apontou 40,7% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 34,1% dos profissionais da saúde avaliam que apenas a máscara em áreas comuns está sendo utilizada conforme as diretrizes e 18,6% consideram que a higiene frequente das mãos está sendo feita corretamente.

Em relação à flexibilização da quarentena, que iniciou a Fase 3 (amarela) do Plano São Paulo na segunda-feira, o especialista avalia que este não seria o momento ideal para fazê-la. “A doença está avançando e a reabertura nos preocupa muito. Cada dia que saímos e vemos um grupo de pessoas nas ruas ou no comércio ficamos decepcionados”, lamentou Amaral. De acordo com a pesquisa, 37,5% dos médicos defendem que o isolamento físico deve ser ampliado, inclusive com a decretação do lockdown. Já 37,1% acreditam na flexibilização temporária de regiões que tenham estrutura para atender pacientes em potencial.

Amaral destaca os efeitos negativos das fake news. “Essas notícias podem ser mais letais do que o próprio vírus”, assinalou. Além de levar algumas pessoas a minimizarem ou negarem o problema (opinião de 69,2%), desacreditar a ciência (50,4%) e fazer com que pacientes e familiares solicitem tratamentos sem comprovação de eficácia (48,9%), a disseminação de informações falsas enfraquece as medidas adotadas pelos governos no combate à doença (31,3%).
O presidente da APM salienta que as fake news atrapalham e não apenas dificultam o diagnóstico e tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, mas também podem agravar o quadro clínico. “Temos casos de eficácia falsa de algumas medicações, que a pessoa toma para, supostamente, ficar imune ao vírus e pensa que pode sair sem usar máscara, mas isso (o remédio), além de não proteger, pode até agravar a saúde deste indivíduo.”

O levantamento da APM dá luz a outro problema, notado por 59% dos profissionais: o agravo de outras doenças. Infarto, câncer, problemas cardíacos, descompensação de doenças crônicas e psiquiátricas são alguns problemas aos quais os pacientes deixam de procurar ajuda médica por medo de ir a hospitais e consultórios em razão da pandemia. 



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Médicos acreditam em segunda onda da Covid-19

Pesquisa aponta que 89% dos profissionais consideram que País terá mais um ciclo da doença; especialista diz que fake news são tão letais quando o vírus

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

08/07/2020 | 00:01


A baixa adesão da população às medidas preventivas ao novo coronavírus, somada à flexibilização da quarentena enquanto números de contaminados e mortes estão crescendo fazem com que 89% dos médicos acreditem que o País terá segunda onda de infecção. Para 42,3% deles, o próximo ciclo será menos grave, enquanto 37,3% avaliam que será igual ao primeiro e 9,4% consideram que será mais grave. As informações são de pesquisa realizada pela APM (Associação Paulista de Medicina), que entrevistou 1.984 profissionais entre 25 de junho e 2 de julho.

“Os médicos estão apreensivos porque a doença continua se alastrando e as medidas de prevenção não estão sendo adotadas pela população”, afirmou José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM. Exemplo é o isolamento físico, que chegou a 55% na região no primeiro dia da quarentena e na segunda-feira, dado mais recente disponibilizado pelo governo estadual, a média foi de 43%. O mesmo é observado no Estado, onde o percentual foi de 54% para 45%. “Hoje, não estamos mais vendo campanhas incentivando as pessoas a ficarem em casa”, criticou.

Outro aspecto que preocupa a classe médica é que a população não está aderindo com efetividade às demais ferramentas preventivas (uso de máscaras, uso de álcool gel e procura de unidades de saúde aos primeiros sintomas da Covid-19, por exemplo), como apontou 40,7% dos entrevistados. Segundo a pesquisa, 34,1% dos profissionais da saúde avaliam que apenas a máscara em áreas comuns está sendo utilizada conforme as diretrizes e 18,6% consideram que a higiene frequente das mãos está sendo feita corretamente.

Em relação à flexibilização da quarentena, que iniciou a Fase 3 (amarela) do Plano São Paulo na segunda-feira, o especialista avalia que este não seria o momento ideal para fazê-la. “A doença está avançando e a reabertura nos preocupa muito. Cada dia que saímos e vemos um grupo de pessoas nas ruas ou no comércio ficamos decepcionados”, lamentou Amaral. De acordo com a pesquisa, 37,5% dos médicos defendem que o isolamento físico deve ser ampliado, inclusive com a decretação do lockdown. Já 37,1% acreditam na flexibilização temporária de regiões que tenham estrutura para atender pacientes em potencial.

Amaral destaca os efeitos negativos das fake news. “Essas notícias podem ser mais letais do que o próprio vírus”, assinalou. Além de levar algumas pessoas a minimizarem ou negarem o problema (opinião de 69,2%), desacreditar a ciência (50,4%) e fazer com que pacientes e familiares solicitem tratamentos sem comprovação de eficácia (48,9%), a disseminação de informações falsas enfraquece as medidas adotadas pelos governos no combate à doença (31,3%).
O presidente da APM salienta que as fake news atrapalham e não apenas dificultam o diagnóstico e tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, mas também podem agravar o quadro clínico. “Temos casos de eficácia falsa de algumas medicações, que a pessoa toma para, supostamente, ficar imune ao vírus e pensa que pode sair sem usar máscara, mas isso (o remédio), além de não proteger, pode até agravar a saúde deste indivíduo.”

O levantamento da APM dá luz a outro problema, notado por 59% dos profissionais: o agravo de outras doenças. Infarto, câncer, problemas cardíacos, descompensação de doenças crônicas e psiquiátricas são alguns problemas aos quais os pacientes deixam de procurar ajuda médica por medo de ir a hospitais e consultórios em razão da pandemia. 

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