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‘Alta foi a melhor notícia da vida’, diz paciente que venceu a Covid

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Andreense viveu a angústia da UTI e encontrou na família força para se tornar uma das 8.906 pessoas recuperadas da região


Vinícius Castelli
Diário do Grande ABC

05/07/2020 | 23:59


Já há alguns dias que a andreense Jacqueline Silva Prates, 33 anos, fazia suas refeições no mesmo local, sem poder escolher o cardápio e, algumas vezes, até sem vontade de se alimentar. Até que recebeu a seguinte pergunta, pouco antes da hora do almoço. ‘Você quer comer aqui hoje?’ Antes que ela pudesse entender bem o questionamento, veio o complemento. ‘Se quiser pode almoçar na sua casa, você está de alta. Veja quem quer vir te buscar. Você vai embora’. Foi assim que a gerente de gestão e planejamento recebeu, segundo ela, a melhor notícia de sua vida. Era um dos médicos que cuidou dela enquanto passou 12 dias internada, com direito a passagem pela UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após ser infectada pelo novo coronavírus.

Jacqueline está entre as 9.010  pessoas que passaram por hospitais do Grande ABC e conseguiram derrotar a Covid-19, em números atualizados até ontem. Por mais que a vitória traga satisfação, as marcas deixadas, principalmente as emocionais, ficam pelo resto da vida.

Durante sua estadia forçada no hospital, Jacqueline passou dois dias na enfermaria e dez na UTI. Quando procurou ajuda médica seus pulmões já estavam 40% comprometidos por causa da doença. A gerente não precisou ser entubada, mas foi por pouco. Ela conta que um dia sua pressão subiu, algo atípico para ela, mas a situação foi controlada e a equipe médica manteve o tratamento no oxigênio. Para Jacqueline, uma das coisas mais difíceis, além da incerteza de tudo, é o isolamento e a saudade da família.

“Só falava com médicos e enfermeiras. Esta doença tem dois impactos: físico e psicológico”, avalia. Quando podia, falava por chamada de vídeo com a mãe, Ivoneide, 54, e o marido, Everton Carlos Prates, 43, o que lhe fez bem. “Tinha dias em que eu ficava mais sensível. Não tinha medo de morrer, mas pensava nos meus familiares. Teve uma vez que conversei com minha mãe e percebi que o rosto dela estava todo inchado (de tanto chorar)”, recorda.

Durante a internação, Jacqueline não sentia vontade de ligar a televisão. “Só tem notícia de Covid e política”, reclama. “Na UTI tinha momentos em que eu chorava, ficava com pontos de interrogação na cabeça”, conta. As enfermeiras, ela revela, ajudavam a manter o pensamento positivo, até por meio de uma simples conversa. “Teve uma que penteou meu cabelo”, lembra.

Quando conseguia passar algum tempo na internet, buscava algo que a fizesse sorrir ao menos um pouco. Mas os dias passavam e teve um momento que o emocional dava sinais de que o desgaste estava insuportável. Foi uma fisioterapeuta que percebeu que Jacqueline estava tristonha. “Ela disse: ‘Vamos sentar, nós vamos te ajudar’”. O apoio, segundo a gerente, foi fundamental.

O bancário Márcio José da Silva Petini, 42, de Santo André, foi outro que passou por internação por causa da Covid-19. Ficou no hospital por seis dias. Já está há mais de um mês em casa, mas ainda lateja em seus pensamentos os momentos que viveu.

Quando Márcio procurou ajuda, descobriu que estava com pneumonia. O teste positivo para o novo coronavírus só saiu no dia seguinte, quando ele já estava internado.

Diferentemente de Jacqueline, Márcio não passou pela UTI. Mas a angústia também bateu durante a estadia no hospital. “Fiquei preocupado com a família, que estava em casa. Bateu a sensação de pensar que minha mulher e meus filhos estavam infectados também. A gente não sabe como cada um vai reagir diante disso”, explica.

Para ocupar a cabeça assistia televisão e dedicava algum tempo para a leitura. “Ficava divagando sobre planos futuros”, lembra. “A preocupação também me ocupava”, recorda. O que ajudou muito foi, assim como para Jacqueline, o contato com a família.

Apesar de experiências diferentes, tanto Petini quanto Jacqueline tem a sensação de renascimento. E ambos falam de fé. “É importante para tudo, principalmente nos momentos em que a gente está nesta situação. Acreditar que tudo vai melhorar”, diz Márcio. “Fiz muita oração e isso me ajudou 100%. Tive muita sorte. Sou muito grata, não posso reclamar de nada”, afirma Jacqueline, que está em casa, feliz como nunca. “A felicidade não tem nada com o que é palpável. Este é um dos melhores momentos da minha vida”, encerra a gerente. 



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‘Alta foi a melhor notícia da vida’, diz paciente que venceu a Covid

Andreense viveu a angústia da UTI e encontrou na família força para se tornar uma das 8.906 pessoas recuperadas da região

Vinícius Castelli
Diário do Grande ABC

05/07/2020 | 23:59


Já há alguns dias que a andreense Jacqueline Silva Prates, 33 anos, fazia suas refeições no mesmo local, sem poder escolher o cardápio e, algumas vezes, até sem vontade de se alimentar. Até que recebeu a seguinte pergunta, pouco antes da hora do almoço. ‘Você quer comer aqui hoje?’ Antes que ela pudesse entender bem o questionamento, veio o complemento. ‘Se quiser pode almoçar na sua casa, você está de alta. Veja quem quer vir te buscar. Você vai embora’. Foi assim que a gerente de gestão e planejamento recebeu, segundo ela, a melhor notícia de sua vida. Era um dos médicos que cuidou dela enquanto passou 12 dias internada, com direito a passagem pela UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após ser infectada pelo novo coronavírus.

Jacqueline está entre as 9.010  pessoas que passaram por hospitais do Grande ABC e conseguiram derrotar a Covid-19, em números atualizados até ontem. Por mais que a vitória traga satisfação, as marcas deixadas, principalmente as emocionais, ficam pelo resto da vida.

Durante sua estadia forçada no hospital, Jacqueline passou dois dias na enfermaria e dez na UTI. Quando procurou ajuda médica seus pulmões já estavam 40% comprometidos por causa da doença. A gerente não precisou ser entubada, mas foi por pouco. Ela conta que um dia sua pressão subiu, algo atípico para ela, mas a situação foi controlada e a equipe médica manteve o tratamento no oxigênio. Para Jacqueline, uma das coisas mais difíceis, além da incerteza de tudo, é o isolamento e a saudade da família.

“Só falava com médicos e enfermeiras. Esta doença tem dois impactos: físico e psicológico”, avalia. Quando podia, falava por chamada de vídeo com a mãe, Ivoneide, 54, e o marido, Everton Carlos Prates, 43, o que lhe fez bem. “Tinha dias em que eu ficava mais sensível. Não tinha medo de morrer, mas pensava nos meus familiares. Teve uma vez que conversei com minha mãe e percebi que o rosto dela estava todo inchado (de tanto chorar)”, recorda.

Durante a internação, Jacqueline não sentia vontade de ligar a televisão. “Só tem notícia de Covid e política”, reclama. “Na UTI tinha momentos em que eu chorava, ficava com pontos de interrogação na cabeça”, conta. As enfermeiras, ela revela, ajudavam a manter o pensamento positivo, até por meio de uma simples conversa. “Teve uma que penteou meu cabelo”, lembra.

Quando conseguia passar algum tempo na internet, buscava algo que a fizesse sorrir ao menos um pouco. Mas os dias passavam e teve um momento que o emocional dava sinais de que o desgaste estava insuportável. Foi uma fisioterapeuta que percebeu que Jacqueline estava tristonha. “Ela disse: ‘Vamos sentar, nós vamos te ajudar’”. O apoio, segundo a gerente, foi fundamental.

O bancário Márcio José da Silva Petini, 42, de Santo André, foi outro que passou por internação por causa da Covid-19. Ficou no hospital por seis dias. Já está há mais de um mês em casa, mas ainda lateja em seus pensamentos os momentos que viveu.

Quando Márcio procurou ajuda, descobriu que estava com pneumonia. O teste positivo para o novo coronavírus só saiu no dia seguinte, quando ele já estava internado.

Diferentemente de Jacqueline, Márcio não passou pela UTI. Mas a angústia também bateu durante a estadia no hospital. “Fiquei preocupado com a família, que estava em casa. Bateu a sensação de pensar que minha mulher e meus filhos estavam infectados também. A gente não sabe como cada um vai reagir diante disso”, explica.

Para ocupar a cabeça assistia televisão e dedicava algum tempo para a leitura. “Ficava divagando sobre planos futuros”, lembra. “A preocupação também me ocupava”, recorda. O que ajudou muito foi, assim como para Jacqueline, o contato com a família.

Apesar de experiências diferentes, tanto Petini quanto Jacqueline tem a sensação de renascimento. E ambos falam de fé. “É importante para tudo, principalmente nos momentos em que a gente está nesta situação. Acreditar que tudo vai melhorar”, diz Márcio. “Fiz muita oração e isso me ajudou 100%. Tive muita sorte. Sou muito grata, não posso reclamar de nada”, afirma Jacqueline, que está em casa, feliz como nunca. “A felicidade não tem nada com o que é palpável. Este é um dos melhores momentos da minha vida”, encerra a gerente. 

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