Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 22 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Região gasta R$ 16,2 mil por internação de Covid

EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo aponta que 14% dos infectados precisam ser internados; custo hospitalar com doença nas sete cidades passa de R$ 53 mi


Bia Moço
Diário do Grande ABC

05/07/2020 | 00:01


A pandemia do novo coronavírus causou sérios estragos financeiros, sobretudo nos cofres públicos, que tiveram de suportar a imprevisibilidade da demanda. Por mais que o custo do tratamento não seja tão diferente de outras doenças, o tempo que as pessoas infectadas com o novo coronavírus permanecem nos leitos de hospitais nos casos mais graves tornam o enfrentamento à crise mais oneroso. Em média, o valor gasto para tratar um paciente contaminado e internado no Grande ABC é de R$ 16.225,71.

A estimativa é de um estudo feito pela Planisa, empresa especializada em soluções de gestão de saúde, que aponta que cerca de 14% das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus precisam de algum tipo de internação. Desta forma, considerando os 23.593 casos confirmados nas sete cidades até quinta-feira, os municípios já gastaram R$ 53,6 milhões para permanência dos 3.303 doentes nos hospitais, sendo que destes, cerca de 5% (1.180) teriam precisado de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 2.123 de alas da baixa complexidade.

O estudo considera ainda que os pacientes ficam, em média, oito dias na UTI, com custo diário que gira em torno de R$ 2.452. Outros doentes passam 6,8 diárias (normalmente em recuperação) na semi-uti, e parte dos infectados permanecem 6,5 dias nas enfermarias, ambos com valor em torno de R$ 1.400 por dia.

Diretor técnico da Planisa, Marcelo Carnielo explicou que, para realizar o estudo, a empresa analisou doze hospitais brasileiros, entre públicos, privados e filantrópicos, que disponibilizaram unidades para atendimento à pacientes da Covid-19 no período de abril a maio. A metodologia de custeio foi padronizada, na qual se considerou que todos os custos de produção fossem alocados ao da diária, incluindo valores diretos e indiretos, ou seja, foram levados em conta todos os gastos necessários para operação de um leito hospitalar, como valores com profissionais da saúde (médicos e enfermeiros), materiais, medicamentos, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), serviços de apoio e administrativo, entre outros.

Já em nível nacional, o cenário é ainda mais avassalador para os orçamentos públicos. O estudo foi feito quando o Brasil havia atingido a marca de 1,3 milhão de pacientes contaminados com o novo coronavírus. Neste caso, o custo para 14% deste total foi avaliado em cerca de R$ 3,1 bilhões.
Carnielo destaca que o alto custo se dá, sobretudo, porque os pacientes com o novo coronavírus demandam mais do uso de EPIs e outros insumos, além da intensidade de trabalho dos profissionais de saúde, e longa permanência de internação. “O custo econômico é mensurável, mas o sofrimento das vidas perdidas é incomensurável”, salientou Carnielo.

Custo não é maior do que com outras doenças

Embora o custo para manter uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus hospitalizada seja alto – em média, R$ 16.225,71 por paciente –, secretários de saúde do Grande ABC avaliam que o gasto com o portador da Covid-19 nem sempre é maior do que o valor utilizado em internações por outras doenças.

Secretária de saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone explicou que, quando um paciente sofre um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou infarto, o custo de permanência de internação costuma ser maior, principalmente porque demandam procedimentos cirúrgicos. “Nem sempre o paciente de Covid-19 é mais caro ao município, depende muito da doença que vamos comparar. É um doente caro, sim, pela longa permanência de internação. Em casos que temos de fazer diálise, quando há insuficiência renal, por exemplo, encarece bastante o tratamento por infecção de coronavírus, mas tudo depende do quadro”, comparou Regina.

A secretária da pasta destaca que o considerado “caro”, está atrelado também aos testes para confirmação da doença, tanto no início como no fim do tratamento. “A cada 48 horas vamos repetindo os testes até confirmar que a pessoa não está mais transmitindo a doença. E cada PCR (teste considerado o mais eficaz para identificar o novo coronavírus) custa R$ 180”.

O secretário de saúde de São Bernardo, Geraldo Reple Sobrinho compartilha da opinião. “O gasto com cada paciente é muito relativo, dependendo de cada procedimento realizado. O fato de muitos pacientes com coronavírus permanecerem um maior tempo internado em leito de UTI  (Unidade de Terapia Intensiva) eleva o custo do tratamento”, destacou Reple.

Uma das dificuldades enfrentadas pelos municípios é oferecer quantidade de leitos de UTI compatível com a demanda, o que acaba exigindo adequações ou montagem de estruturas provisórias, como os hospitais de campanha, que também pesam no orçamento.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Região gasta R$ 16,2 mil por internação de Covid

Estudo aponta que 14% dos infectados precisam ser internados; custo hospitalar com doença nas sete cidades passa de R$ 53 mi

Bia Moço
Diário do Grande ABC

05/07/2020 | 00:01


A pandemia do novo coronavírus causou sérios estragos financeiros, sobretudo nos cofres públicos, que tiveram de suportar a imprevisibilidade da demanda. Por mais que o custo do tratamento não seja tão diferente de outras doenças, o tempo que as pessoas infectadas com o novo coronavírus permanecem nos leitos de hospitais nos casos mais graves tornam o enfrentamento à crise mais oneroso. Em média, o valor gasto para tratar um paciente contaminado e internado no Grande ABC é de R$ 16.225,71.

A estimativa é de um estudo feito pela Planisa, empresa especializada em soluções de gestão de saúde, que aponta que cerca de 14% das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus precisam de algum tipo de internação. Desta forma, considerando os 23.593 casos confirmados nas sete cidades até quinta-feira, os municípios já gastaram R$ 53,6 milhões para permanência dos 3.303 doentes nos hospitais, sendo que destes, cerca de 5% (1.180) teriam precisado de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 2.123 de alas da baixa complexidade.

O estudo considera ainda que os pacientes ficam, em média, oito dias na UTI, com custo diário que gira em torno de R$ 2.452. Outros doentes passam 6,8 diárias (normalmente em recuperação) na semi-uti, e parte dos infectados permanecem 6,5 dias nas enfermarias, ambos com valor em torno de R$ 1.400 por dia.

Diretor técnico da Planisa, Marcelo Carnielo explicou que, para realizar o estudo, a empresa analisou doze hospitais brasileiros, entre públicos, privados e filantrópicos, que disponibilizaram unidades para atendimento à pacientes da Covid-19 no período de abril a maio. A metodologia de custeio foi padronizada, na qual se considerou que todos os custos de produção fossem alocados ao da diária, incluindo valores diretos e indiretos, ou seja, foram levados em conta todos os gastos necessários para operação de um leito hospitalar, como valores com profissionais da saúde (médicos e enfermeiros), materiais, medicamentos, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), serviços de apoio e administrativo, entre outros.

Já em nível nacional, o cenário é ainda mais avassalador para os orçamentos públicos. O estudo foi feito quando o Brasil havia atingido a marca de 1,3 milhão de pacientes contaminados com o novo coronavírus. Neste caso, o custo para 14% deste total foi avaliado em cerca de R$ 3,1 bilhões.
Carnielo destaca que o alto custo se dá, sobretudo, porque os pacientes com o novo coronavírus demandam mais do uso de EPIs e outros insumos, além da intensidade de trabalho dos profissionais de saúde, e longa permanência de internação. “O custo econômico é mensurável, mas o sofrimento das vidas perdidas é incomensurável”, salientou Carnielo.

Custo não é maior do que com outras doenças

Embora o custo para manter uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus hospitalizada seja alto – em média, R$ 16.225,71 por paciente –, secretários de saúde do Grande ABC avaliam que o gasto com o portador da Covid-19 nem sempre é maior do que o valor utilizado em internações por outras doenças.

Secretária de saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone explicou que, quando um paciente sofre um AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou infarto, o custo de permanência de internação costuma ser maior, principalmente porque demandam procedimentos cirúrgicos. “Nem sempre o paciente de Covid-19 é mais caro ao município, depende muito da doença que vamos comparar. É um doente caro, sim, pela longa permanência de internação. Em casos que temos de fazer diálise, quando há insuficiência renal, por exemplo, encarece bastante o tratamento por infecção de coronavírus, mas tudo depende do quadro”, comparou Regina.

A secretária da pasta destaca que o considerado “caro”, está atrelado também aos testes para confirmação da doença, tanto no início como no fim do tratamento. “A cada 48 horas vamos repetindo os testes até confirmar que a pessoa não está mais transmitindo a doença. E cada PCR (teste considerado o mais eficaz para identificar o novo coronavírus) custa R$ 180”.

O secretário de saúde de São Bernardo, Geraldo Reple Sobrinho compartilha da opinião. “O gasto com cada paciente é muito relativo, dependendo de cada procedimento realizado. O fato de muitos pacientes com coronavírus permanecerem um maior tempo internado em leito de UTI  (Unidade de Terapia Intensiva) eleva o custo do tratamento”, destacou Reple.

Uma das dificuldades enfrentadas pelos municípios é oferecer quantidade de leitos de UTI compatível com a demanda, o que acaba exigindo adequações ou montagem de estruturas provisórias, como os hospitais de campanha, que também pesam no orçamento.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;