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'Queiroz odiava falar do governo Bolsonaro'

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


04/07/2020 | 07:50


Durante mais de um ano em que viveu em Atibaia (SP), Fabrício Queiroz fez apenas um amigo. Eleitor declarado do presidente Jair Bolsonaro, sócio do Clube de Tiro de Atibaia, formado em publicidade e engenharia mecânica, Daniel Carvalho, 35 anos, mora em Campinas e é dono da loja de conveniência próxima à casa do advogado Frederick Wassef, onde Queiroz foi preso.

O Estadão conversou com o empresário em sua loja na quarta-feira passada. Anteontem, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou um vídeo no qual Carvalho, Queiroz e Márcia Aguiar, mulher do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, tomam cerveja juntos. Na gravação, que teria sido feita no fim do ano passado, Queiroz deseja "feliz 2020".

Ao Estadão, Carvalho disse que Queiroz demonstrou tristeza quando o amigo e também ex-policial militar Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia no Rio, foi morto na Bahia, em fevereiro. Ainda segundo ele, Queiroz manifestava incômodo ao falar da família Bolsonaro, mas sempre defendeu o presidente e seu filho Flávio, hoje senador pelo Republicanos. A seguir os principais trechos da entrevista.

Como você conheceu Queiroz?

Na loja de conveniência. No começo sempre iam os três, a Ana Flávia (Rigamonti, advogada que trabalhava para Frederick Wassef), a Márcia e ele. Como sempre falavam do cara na TV eu sabia que era ele. Como acontece com ele e com muitos clientes a gente guarda para a gente, não fica espalhando nada. Como ele ia bastante, duas, três vezes por semana, a gente fez amizade.

Quando foi isso?

Acho que em julho do ano passado. A loja é pequena, a gente conhece a maioria do pessoal pelo nome. Eles também pediam marmita. Eu ia entregar e conversava um pouco. Assim foi aumentando a amizade. Quando não pediam, a gente sabia que eles estavam viajando.

Ele chegou a se apresentar como Fabrício?

Não, como Felipe. Nome do filho dele. A primeira vez que ele se apresentou foi como Felipe.

Foi você que teve a iniciativa de dizer que sabia quem ele era?

Não. Nossa amizade ficou tão grande que, lá por setembro do ano passado, bebi umas duas ou três cervejas, estava muito à vontade, ele não estava lá, estavam só a Ana Flávia e a Márcia, e eu contei. Márcia perguntou se eu sabia quem eles eram e eu disse que sabia. Foi espantoso, mas foi bom. Márcia falou pro Fabrício e, quando ele me encontrou, já sabia que eu sabia. Como não tinha pedido de prisão nem nada, fiquei na minha. Só eu sabia. Inclusive, era por isso que eu fazia as entregas. Para ninguém ver ou achar alguma coisa.

Ele temia ser reconhecido?

Na verdade, ele usou esse nome (Felipe), mas nunca escondeu de ninguém quem ele era. Ele andava pela cidade, saía. Pouco, mas saía. Antes de fazer as cirurgias.

Queiroz gostava de Atibaia?

Ele estava com muita saudade da família, muito preocupado com os filhos. Ele estava com muito pouco dinheiro, porque recebia só a aposentadoria da polícia e tem muitos filhos.

Ele dizia que podia ser preso?

Não. O que ele dizia, nesta última temporada, é que estava esperando uma carta do Ministério Público para ir depor.

Mas ele foi intimado em 2018 e nunca compareceu.

Ele queria dia e hora. Nos últimos cinco dias antes de ser preso, falou bastante disso. Ele falava que estava tranquilo, que não cometeu crime nenhum, mas queria ir logo depor para ficar em paz e ter a vida de volta.

Ele se queixava de ter sido demitido pelo Flávio?

Não. Esses detalhes da vida pregressa ele nunca comentou. Falou muito pouco de Flávio, de Jair. Sobre o gabinete ele nunca falou.

Nestes poucos comentários, o que ele disse?

Falou que conhecia os filhos do Jair desde pequenos, viu as crianças pequenininhas, que conhece o Jair da época do Exército. Disse que é um homem muito bom, honesto, e que Flávio também é honesto. Ele só elogiava.

Queiroz disse que pegava o dinheiro dos colegas de gabinete para fazer negócios. Não tinha uma reserva?

Ele nunca comentou isso.

Como ele pagou as cirurgias?

Acho que foi o plano de saúde. Por isso ele fez em Bragança. Porque ele me contou que pagou a cirurgia do Einstein. Como estava com muito problema financeiro, ele disse que fazia dois anos que não trabalhava e estava apertado, então foi onde o convênio cobria.

Sobre Adriano da Nóbrega ele comentou alguma coisa?

Só uma vez ele ficou triste e disse que mataram um cara muito bom que não merecia ser morto e comentou o nome dele.

E sobre o governo Bolsonaro?

Na verdade, ele odiava falar disso porque não se sentia bem, justamente por causa do que aconteceu com ele. Às vezes eu comentava alguma coisa, mas ele não puxava este assunto.

Ele falava sobre Wassef?

Fabrício não falava do Fred. Eu só sabia que a casa era dele porque tinha placa na frente, e soube que Ana Flávia trabalhava para ele. Entendi a situação sem ninguém me falar nada.

Viu Wassef e Queiroz juntos?

Nunca.

Já viu Wassef enquanto Queiroz estava na cidade?

Sim e não. A maioria das vezes, não, mas acredito que pode ter coincidido alguma vez. Não tenho certeza, melhor dizer que não. Fabrício pode ter mencionado Fred, mas não lembro. Pode ter dito "conheço", mas nunca contou nenhuma história.

Falou sobre a "rachadinha"?

Nunca. A única coisa que falou é que não fez nada de errado. Nunca contou histórias do passado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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'Queiroz odiava falar do governo Bolsonaro'


04/07/2020 | 07:50


Durante mais de um ano em que viveu em Atibaia (SP), Fabrício Queiroz fez apenas um amigo. Eleitor declarado do presidente Jair Bolsonaro, sócio do Clube de Tiro de Atibaia, formado em publicidade e engenharia mecânica, Daniel Carvalho, 35 anos, mora em Campinas e é dono da loja de conveniência próxima à casa do advogado Frederick Wassef, onde Queiroz foi preso.

O Estadão conversou com o empresário em sua loja na quarta-feira passada. Anteontem, o Jornal Nacional, da TV Globo, revelou um vídeo no qual Carvalho, Queiroz e Márcia Aguiar, mulher do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, tomam cerveja juntos. Na gravação, que teria sido feita no fim do ano passado, Queiroz deseja "feliz 2020".

Ao Estadão, Carvalho disse que Queiroz demonstrou tristeza quando o amigo e também ex-policial militar Adriano da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia no Rio, foi morto na Bahia, em fevereiro. Ainda segundo ele, Queiroz manifestava incômodo ao falar da família Bolsonaro, mas sempre defendeu o presidente e seu filho Flávio, hoje senador pelo Republicanos. A seguir os principais trechos da entrevista.

Como você conheceu Queiroz?

Na loja de conveniência. No começo sempre iam os três, a Ana Flávia (Rigamonti, advogada que trabalhava para Frederick Wassef), a Márcia e ele. Como sempre falavam do cara na TV eu sabia que era ele. Como acontece com ele e com muitos clientes a gente guarda para a gente, não fica espalhando nada. Como ele ia bastante, duas, três vezes por semana, a gente fez amizade.

Quando foi isso?

Acho que em julho do ano passado. A loja é pequena, a gente conhece a maioria do pessoal pelo nome. Eles também pediam marmita. Eu ia entregar e conversava um pouco. Assim foi aumentando a amizade. Quando não pediam, a gente sabia que eles estavam viajando.

Ele chegou a se apresentar como Fabrício?

Não, como Felipe. Nome do filho dele. A primeira vez que ele se apresentou foi como Felipe.

Foi você que teve a iniciativa de dizer que sabia quem ele era?

Não. Nossa amizade ficou tão grande que, lá por setembro do ano passado, bebi umas duas ou três cervejas, estava muito à vontade, ele não estava lá, estavam só a Ana Flávia e a Márcia, e eu contei. Márcia perguntou se eu sabia quem eles eram e eu disse que sabia. Foi espantoso, mas foi bom. Márcia falou pro Fabrício e, quando ele me encontrou, já sabia que eu sabia. Como não tinha pedido de prisão nem nada, fiquei na minha. Só eu sabia. Inclusive, era por isso que eu fazia as entregas. Para ninguém ver ou achar alguma coisa.

Ele temia ser reconhecido?

Na verdade, ele usou esse nome (Felipe), mas nunca escondeu de ninguém quem ele era. Ele andava pela cidade, saía. Pouco, mas saía. Antes de fazer as cirurgias.

Queiroz gostava de Atibaia?

Ele estava com muita saudade da família, muito preocupado com os filhos. Ele estava com muito pouco dinheiro, porque recebia só a aposentadoria da polícia e tem muitos filhos.

Ele dizia que podia ser preso?

Não. O que ele dizia, nesta última temporada, é que estava esperando uma carta do Ministério Público para ir depor.

Mas ele foi intimado em 2018 e nunca compareceu.

Ele queria dia e hora. Nos últimos cinco dias antes de ser preso, falou bastante disso. Ele falava que estava tranquilo, que não cometeu crime nenhum, mas queria ir logo depor para ficar em paz e ter a vida de volta.

Ele se queixava de ter sido demitido pelo Flávio?

Não. Esses detalhes da vida pregressa ele nunca comentou. Falou muito pouco de Flávio, de Jair. Sobre o gabinete ele nunca falou.

Nestes poucos comentários, o que ele disse?

Falou que conhecia os filhos do Jair desde pequenos, viu as crianças pequenininhas, que conhece o Jair da época do Exército. Disse que é um homem muito bom, honesto, e que Flávio também é honesto. Ele só elogiava.

Queiroz disse que pegava o dinheiro dos colegas de gabinete para fazer negócios. Não tinha uma reserva?

Ele nunca comentou isso.

Como ele pagou as cirurgias?

Acho que foi o plano de saúde. Por isso ele fez em Bragança. Porque ele me contou que pagou a cirurgia do Einstein. Como estava com muito problema financeiro, ele disse que fazia dois anos que não trabalhava e estava apertado, então foi onde o convênio cobria.

Sobre Adriano da Nóbrega ele comentou alguma coisa?

Só uma vez ele ficou triste e disse que mataram um cara muito bom que não merecia ser morto e comentou o nome dele.

E sobre o governo Bolsonaro?

Na verdade, ele odiava falar disso porque não se sentia bem, justamente por causa do que aconteceu com ele. Às vezes eu comentava alguma coisa, mas ele não puxava este assunto.

Ele falava sobre Wassef?

Fabrício não falava do Fred. Eu só sabia que a casa era dele porque tinha placa na frente, e soube que Ana Flávia trabalhava para ele. Entendi a situação sem ninguém me falar nada.

Viu Wassef e Queiroz juntos?

Nunca.

Já viu Wassef enquanto Queiroz estava na cidade?

Sim e não. A maioria das vezes, não, mas acredito que pode ter coincidido alguma vez. Não tenho certeza, melhor dizer que não. Fabrício pode ter mencionado Fred, mas não lembro. Pode ter dito "conheço", mas nunca contou nenhuma história.

Falou sobre a "rachadinha"?

Nunca. A única coisa que falou é que não fez nada de errado. Nunca contou histórias do passado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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