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Empresário reencontra Ferrari do pai

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bruno Lazar se emociona ao ver automóvel, abandonado no pátio de Santo André desde 2006


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

02/07/2020 | 00:01


“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, comparou o empresário Bruno Lazar, 33 anos, ao cobrir com capa a Ferrari Dino 208 GT4, amarela, abandonada no pátio municipal de veículos em Santo André desde 2006. O carro pertencia a seu pai, Ferry Lazar, que faleceu em 2014, sem que a família soubesse.

Visivelmente emocionado, Bruno acariciou o carro como se quisesse mostrar ao pai o quanto ele havia sido importante em sua vida. Por dez minutos, Bruno andou em volta da Ferrari analisando cada detalhe. “Quero deixar a Ferrari coberta para que possa guardar a única memória que tenho de meu pai. Tenho medo que o carro se dissolva, assim como se dissolveu nosso relacionamento”, afirmou o empresário, que chorou o tempo que esteve no pátio, ontem.

No momento mais emocionante, Bruno abriu a porta da Ferrari, consumida por ferrugem, com esforço. Antes de entrar, parou e se inclinou para sentir o cheiro do interior do automóvel. “Foi o mesmo cheiro que eu senti quando entrei neste carro pela primeira vez”, recordou.

Dentro da Ferrari, Bruno começou a procurar alguma coisa. Mexeu no porta-luvas, até que encontrou algo próximo ao velocímetro do possante italiano. Segundo o empresário, antes de perder o veículo, seu pai tinha feito modificação no marcador de velocidade e que continuava ali, como prova de que a Ferrari pertencia mesmo ao seu pai. “Ele tinha me falado que usou parafuso específico para arrumar pequeno problema no velocímetro. O parafuso estava lá.”

Antes de entrar no pátio, Bruno sentou no chão e chorou como criança, talvez como o mesmo menino que teve convivência muito difícil com o pai. Tão complicada que se viam apenas duas vezes por ano. Bruno só conseguiu chegar até o carro após ser amparado pela mulher, Rafaela Bárbara, 29, com quem é casado há sete anos. “Nunca vi o Bruno deste jeito. Ele nunca escondeu que a relação entre ele e Ferry Lazar era complicada, mas nunca imaginei que isso o deixaria tão emocionado”, relatou Rafaela.

HISTÓRIA

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava.

Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-lo de vermelho, sua cor favorita, em 2002. Quando retornou para retirar o possante percebeu que não só sua Ferrari, mas toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry decidiu investigar por conta própria o paradeiro do carro. Foi em 2003 que encontrou automóvel bem semelhante, porém, amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação. Por suspeitar de que poderia se tratar de adulteração, o carro foi levado ao pátio em 2006, onde está até hoje. Para retirar a Ferrari de lá, Bruno Lazar teria que pagar algo em torno de R$ 124 mil, além de regularizar a situação do documento. Sites especializados indicam que modelo semelhante pode ser avaliado em 65,9 mil libras esterlinas, quase R$ 425 mil.



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Empresário reencontra Ferrari do pai

Bruno Lazar se emociona ao ver automóvel, abandonado no pátio de Santo André desde 2006

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

02/07/2020 | 00:01


“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, comparou o empresário Bruno Lazar, 33 anos, ao cobrir com capa a Ferrari Dino 208 GT4, amarela, abandonada no pátio municipal de veículos em Santo André desde 2006. O carro pertencia a seu pai, Ferry Lazar, que faleceu em 2014, sem que a família soubesse.

Visivelmente emocionado, Bruno acariciou o carro como se quisesse mostrar ao pai o quanto ele havia sido importante em sua vida. Por dez minutos, Bruno andou em volta da Ferrari analisando cada detalhe. “Quero deixar a Ferrari coberta para que possa guardar a única memória que tenho de meu pai. Tenho medo que o carro se dissolva, assim como se dissolveu nosso relacionamento”, afirmou o empresário, que chorou o tempo que esteve no pátio, ontem.

No momento mais emocionante, Bruno abriu a porta da Ferrari, consumida por ferrugem, com esforço. Antes de entrar, parou e se inclinou para sentir o cheiro do interior do automóvel. “Foi o mesmo cheiro que eu senti quando entrei neste carro pela primeira vez”, recordou.

Dentro da Ferrari, Bruno começou a procurar alguma coisa. Mexeu no porta-luvas, até que encontrou algo próximo ao velocímetro do possante italiano. Segundo o empresário, antes de perder o veículo, seu pai tinha feito modificação no marcador de velocidade e que continuava ali, como prova de que a Ferrari pertencia mesmo ao seu pai. “Ele tinha me falado que usou parafuso específico para arrumar pequeno problema no velocímetro. O parafuso estava lá.”

Antes de entrar no pátio, Bruno sentou no chão e chorou como criança, talvez como o mesmo menino que teve convivência muito difícil com o pai. Tão complicada que se viam apenas duas vezes por ano. Bruno só conseguiu chegar até o carro após ser amparado pela mulher, Rafaela Bárbara, 29, com quem é casado há sete anos. “Nunca vi o Bruno deste jeito. Ele nunca escondeu que a relação entre ele e Ferry Lazar era complicada, mas nunca imaginei que isso o deixaria tão emocionado”, relatou Rafaela.

HISTÓRIA

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava.

Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-lo de vermelho, sua cor favorita, em 2002. Quando retornou para retirar o possante percebeu que não só sua Ferrari, mas toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry decidiu investigar por conta própria o paradeiro do carro. Foi em 2003 que encontrou automóvel bem semelhante, porém, amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação. Por suspeitar de que poderia se tratar de adulteração, o carro foi levado ao pátio em 2006, onde está até hoje. Para retirar a Ferrari de lá, Bruno Lazar teria que pagar algo em torno de R$ 124 mil, além de regularizar a situação do documento. Sites especializados indicam que modelo semelhante pode ser avaliado em 65,9 mil libras esterlinas, quase R$ 425 mil.

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