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“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, diz empresário ao reencontrar Ferrari do pai após 22 anos

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

01/07/2020 | 12:07


“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, disse o empresário Bruno Lazar, 33 anos, ao cobrir a Ferrari Dino 208 GT4 amarela com uma capa protetora de coloração cinza. Após 22 anos, Bruno finalmente pode reencontrar o veículo que pertencia ao seu pai, Ferry Lazar, que faleceu em 2014, sem que a família soubesse.

Até então abandonada desde 2006 no pátio municipal de veículos em Santo André, Bruno, visivelmente emocionado, acariciou o carro como se quisesse mostrar ao pai o quanto ele havia sido importante em sua vida. Por mais de 10 minutos Bruno andou em volta da Ferrari analisando cada detalhe do automóvel, cada marca.

“Quero deixar a Ferrari coberta para que possa guardar a única memória que tenho de meu pai. Tenho medo que o carro se dissolva, assim como se dissolveu nosso relacionamento”, afirmou o empresário que chorou durante todo o tempo em que esteve no pátio de veículos.

No momento mais emocionante, Bruno Lazar conseguiu abrir a porta da Ferrari com um pouco de esforço. Antes de entrar o veículo, Bruno parou por algum instante e se inclinou para sentir o cheiro do interior do automóvel. “Foi o mesmo cheiro que eu senti quando entrei nesse carro pela primeira vez”, relatou.

Dentro da Ferrari, Bruno começou a procurar alguma coisa. Mexeu no porta-luvas, olhou debaixo do console do carro até que encontrou algo próximo ao velocímetro do possante italiano. Segundo Bruno, antes de perder o veículo, seu pai, Ferry Lazar, tinha feito uma pequena modificação no marcador de velocidade do automóvel e que continuava ali, como prova de que a Ferrari pertencia mesmo ao seu pai. “Ele tinha me falado que usou um parafuso específico para arrumar um pequeno problema no velocímetro do carro. O parafuso ainda estava lá”.

Antes de entrar no pátio, porém, Bruno Lazar sentou no chão e chorou como criança, talvez como o mesmo menino que teve uma convivência muito difícil com o pai. Tão complicada que se viam apenas duas vezes por ano. Bruno só conseguiu chegar até o carro depois de ser amparado pela mulher, Rafaela Bárbara, 29, com quem é casado há sete anos.

“Nunca vi o Bruno desse jeito nesses sete anos de casado. Ele nunca escondeu que a relação entre ele e Ferry Lazar era complicada, mas nunca imaginei que isso o deixaria tão emocionado”, disse Rafaela.

História

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem do Diário que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava.

Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-la de vermelho, sua cor favorita, no ano de 2002.
Quando retornou à oficina para retirar o possante, percebeu que não só sua Ferrari, mas como toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry Lazar decidiu investigar por conta própria o paradeiro de sua Ferrari. Foi em 2003 que Ferry encontrou um automóvel bem semelhante, porém, já na sua cor predileta, o amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação. 



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“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, diz empresário ao reencontrar Ferrari do pai após 22 anos

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

01/07/2020 | 12:07


“É como se meu pai estivesse enterrado ali”, disse o empresário Bruno Lazar, 33 anos, ao cobrir a Ferrari Dino 208 GT4 amarela com uma capa protetora de coloração cinza. Após 22 anos, Bruno finalmente pode reencontrar o veículo que pertencia ao seu pai, Ferry Lazar, que faleceu em 2014, sem que a família soubesse.

Até então abandonada desde 2006 no pátio municipal de veículos em Santo André, Bruno, visivelmente emocionado, acariciou o carro como se quisesse mostrar ao pai o quanto ele havia sido importante em sua vida. Por mais de 10 minutos Bruno andou em volta da Ferrari analisando cada detalhe do automóvel, cada marca.

“Quero deixar a Ferrari coberta para que possa guardar a única memória que tenho de meu pai. Tenho medo que o carro se dissolva, assim como se dissolveu nosso relacionamento”, afirmou o empresário que chorou durante todo o tempo em que esteve no pátio de veículos.

No momento mais emocionante, Bruno Lazar conseguiu abrir a porta da Ferrari com um pouco de esforço. Antes de entrar o veículo, Bruno parou por algum instante e se inclinou para sentir o cheiro do interior do automóvel. “Foi o mesmo cheiro que eu senti quando entrei nesse carro pela primeira vez”, relatou.

Dentro da Ferrari, Bruno começou a procurar alguma coisa. Mexeu no porta-luvas, olhou debaixo do console do carro até que encontrou algo próximo ao velocímetro do possante italiano. Segundo Bruno, antes de perder o veículo, seu pai, Ferry Lazar, tinha feito uma pequena modificação no marcador de velocidade do automóvel e que continuava ali, como prova de que a Ferrari pertencia mesmo ao seu pai. “Ele tinha me falado que usou um parafuso específico para arrumar um pequeno problema no velocímetro do carro. O parafuso ainda estava lá”.

Antes de entrar no pátio, porém, Bruno Lazar sentou no chão e chorou como criança, talvez como o mesmo menino que teve uma convivência muito difícil com o pai. Tão complicada que se viam apenas duas vezes por ano. Bruno só conseguiu chegar até o carro depois de ser amparado pela mulher, Rafaela Bárbara, 29, com quem é casado há sete anos.

“Nunca vi o Bruno desse jeito nesses sete anos de casado. Ele nunca escondeu que a relação entre ele e Ferry Lazar era complicada, mas nunca imaginei que isso o deixaria tão emocionado”, disse Rafaela.

História

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem do Diário que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava.

Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-la de vermelho, sua cor favorita, no ano de 2002.
Quando retornou à oficina para retirar o possante, percebeu que não só sua Ferrari, mas como toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry Lazar decidiu investigar por conta própria o paradeiro de sua Ferrari. Foi em 2003 que Ferry encontrou um automóvel bem semelhante, porém, já na sua cor predileta, o amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação. 

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