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1º de julho, 103 dias depois, voltamos!


Dérek Bittencourt

30/06/2020 | 23:45


Depois de 103 dias suspenso, o caderno Esportes do Diário está de volta. Ainda em meio à pandemia do novo coronavírus, assim como quando acertadamente esta página deu lugar a conteúdo de Economia, mas em momento diferente, as matérias relativas às modalidades da região, do País e do mundo voltam a figurar em um espaço específico, sem ter de “brigar” em meio às reportagens de Setecidades. Aliás, pude colaborar com o editor Anderson Fattori e sua equipe neste meio-tempo e só posso agradecer. Nunca é fácil sair da zona de conforto, mas foi uma experiência profissional absolutamente enriquecedora, cercado de pessoas extremamente competentes.

Se em 18 de março, data da última página de Esportes antes da suspensão, discutiam-se as paralisações de campeonatos, ainda sequer haviam cogitado adiar para o ano que vem os Jogos Olímpicos de Tóquio – que começariam neste mês – entre tantas outras situações, este regresso neste 1º de julho ocorre justamente em momento oposto, quando diversas competições se organizam para voltar à ativa ou até mesmo já regressaram ao “novo normal”, com diversos cuidados sanitários, como uso de máscara, higienização de mãos, distanciamento físico etc.

A Fórmula 1, por exemplo, vai ter seu primeiro grande prêmio da temporada neste fim de semana, na Áustria. Estou curioso – e saudoso, admito – para saber todos os protocolos adotados. A Nascar é categoria que já havia regressado. O futebol, por sua vez, é realidade em diversos países – ainda que sem torcida nas arquibancadas – e até mesmo no Brasil, onde o futebol carioca queimou a largada ao reiniciar o campeonato enquanto o Estado é um dos mais prejudicados pela pandemia. Em São Paulo, os times vão voltando à atividade aos poucos. Pelo menos os da Série A-1, a elite, onde estão o líder Santo André e o Água Santa, dupla que representa o Grande ABC. Mas e os demais vizinhos? Como ficam São Bernardo FC, São Caetano, EC São Bernardo, Mauá FC, Grêmio Mauaense (que não escondem estar desamparados pela Federação Paulista de Futebol), quando retornarão à ativa? E as centenas de pessoas envolvidas e que dependem direta e indiretamente destes clubes, qual é o futuro delas? Essas são só algumas, mas são tantas as controversas questões que envolvem este retorno do mundo à vida.

Digo controversas porque, ao mesmo tempo que a volta destas competições possa parecer arriscada para uma proliferação do vírus – por mais que os envolvidos estejam sendo testados previamente, o risco existe em meio a uma doença ainda tão desconhecida e, talvez proporcionalmente, letal –, não é possível simplesmente ignorar que são atletas, comissões técnicas, funcionários, dirigentes e respectivas famílias sem fonte de renda. E é uma bola de neve: a Federação não repassa a cota aos clubes, estes que não têm como pagar os jogadores, que consequentemente não conseguem levar o sustento para suas casas.

Mas voltando às questões deste regresso e ampliando o leque esportivo, haverá respaldo para todas as modalidades e divisões (porque até mesmo o futebol, em seus níveis mais inferiores, acaba marginalizado) ou somente àquelas que têm visibilidade da mídia? E com relação ao público, existirão medidas realmente seguras? Questionamento este já preocupado com o que o futebol do Rio de Janeiro vai proporcionar em breve, com a liberação das torcidas nos estádios – independentemente de ser em número reduzido. Será que quem manda no futebol se esquece que para chegar ao estádio o fã tem de enfrentar um transporte público lotado e, por consequência, exposto ao vírus?

Me parece ligeiramente precipitado, pensando num contexto geral. Ao mesmo tempo, são muitos profissionais envolvidos que precisam do ganha-pão e anseiam por retornar seus trabalhos. É realmente uma equação difícil de se resolver, mas numa balança entre vida e dinheiro, particularmente fico com a primeira alternativa, porque sem ela não se pode correr atrás da segunda.

EXPERIÊNCIA
Voltando um pouco ao que falei sobre minha experiência nestes 103 dias dedicados ao caderno Setecidades do Diário, pude fazer muitas reportagens, viver experiências, contas histórias, enfim, situações que nunca vou esquecer e que contribuíram muito para o profissional Dérek Bittencourt. Por exemplo, o caso do vendedor de balinhas Sr. Pira, que recebeu um presentão do empresário Thiago Iuga no semáforo para voltar para casa e sair da exposição ao vírus. Ou então reviver os 107 anos de idade do Sr. João Gava, que tive a honra de visitar em Santos e ser interlocutor de suas memórias. Ou as visitas a Paranapiacaba e ao zoológico do Estoril, para relatar as realidades destes pontos turísticos do nosso Grande ABC. Além de entrevistas ao governador, prefeitos, deputados e as mais diversas autoridades. Enfim. Um enriquecimento absoluto – inclusive como ser humano – que me faz voltar com outro olhar para Esportes. E espero tê-lo comigo, caro leitor. Mande sua sugestão, ideia, curiosidade, dúvida. Faça o caderno comigo. 



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1º de julho, 103 dias depois, voltamos!

Dérek Bittencourt

30/06/2020 | 23:45


Depois de 103 dias suspenso, o caderno Esportes do Diário está de volta. Ainda em meio à pandemia do novo coronavírus, assim como quando acertadamente esta página deu lugar a conteúdo de Economia, mas em momento diferente, as matérias relativas às modalidades da região, do País e do mundo voltam a figurar em um espaço específico, sem ter de “brigar” em meio às reportagens de Setecidades. Aliás, pude colaborar com o editor Anderson Fattori e sua equipe neste meio-tempo e só posso agradecer. Nunca é fácil sair da zona de conforto, mas foi uma experiência profissional absolutamente enriquecedora, cercado de pessoas extremamente competentes.

Se em 18 de março, data da última página de Esportes antes da suspensão, discutiam-se as paralisações de campeonatos, ainda sequer haviam cogitado adiar para o ano que vem os Jogos Olímpicos de Tóquio – que começariam neste mês – entre tantas outras situações, este regresso neste 1º de julho ocorre justamente em momento oposto, quando diversas competições se organizam para voltar à ativa ou até mesmo já regressaram ao “novo normal”, com diversos cuidados sanitários, como uso de máscara, higienização de mãos, distanciamento físico etc.

A Fórmula 1, por exemplo, vai ter seu primeiro grande prêmio da temporada neste fim de semana, na Áustria. Estou curioso – e saudoso, admito – para saber todos os protocolos adotados. A Nascar é categoria que já havia regressado. O futebol, por sua vez, é realidade em diversos países – ainda que sem torcida nas arquibancadas – e até mesmo no Brasil, onde o futebol carioca queimou a largada ao reiniciar o campeonato enquanto o Estado é um dos mais prejudicados pela pandemia. Em São Paulo, os times vão voltando à atividade aos poucos. Pelo menos os da Série A-1, a elite, onde estão o líder Santo André e o Água Santa, dupla que representa o Grande ABC. Mas e os demais vizinhos? Como ficam São Bernardo FC, São Caetano, EC São Bernardo, Mauá FC, Grêmio Mauaense (que não escondem estar desamparados pela Federação Paulista de Futebol), quando retornarão à ativa? E as centenas de pessoas envolvidas e que dependem direta e indiretamente destes clubes, qual é o futuro delas? Essas são só algumas, mas são tantas as controversas questões que envolvem este retorno do mundo à vida.

Digo controversas porque, ao mesmo tempo que a volta destas competições possa parecer arriscada para uma proliferação do vírus – por mais que os envolvidos estejam sendo testados previamente, o risco existe em meio a uma doença ainda tão desconhecida e, talvez proporcionalmente, letal –, não é possível simplesmente ignorar que são atletas, comissões técnicas, funcionários, dirigentes e respectivas famílias sem fonte de renda. E é uma bola de neve: a Federação não repassa a cota aos clubes, estes que não têm como pagar os jogadores, que consequentemente não conseguem levar o sustento para suas casas.

Mas voltando às questões deste regresso e ampliando o leque esportivo, haverá respaldo para todas as modalidades e divisões (porque até mesmo o futebol, em seus níveis mais inferiores, acaba marginalizado) ou somente àquelas que têm visibilidade da mídia? E com relação ao público, existirão medidas realmente seguras? Questionamento este já preocupado com o que o futebol do Rio de Janeiro vai proporcionar em breve, com a liberação das torcidas nos estádios – independentemente de ser em número reduzido. Será que quem manda no futebol se esquece que para chegar ao estádio o fã tem de enfrentar um transporte público lotado e, por consequência, exposto ao vírus?

Me parece ligeiramente precipitado, pensando num contexto geral. Ao mesmo tempo, são muitos profissionais envolvidos que precisam do ganha-pão e anseiam por retornar seus trabalhos. É realmente uma equação difícil de se resolver, mas numa balança entre vida e dinheiro, particularmente fico com a primeira alternativa, porque sem ela não se pode correr atrás da segunda.

EXPERIÊNCIA
Voltando um pouco ao que falei sobre minha experiência nestes 103 dias dedicados ao caderno Setecidades do Diário, pude fazer muitas reportagens, viver experiências, contas histórias, enfim, situações que nunca vou esquecer e que contribuíram muito para o profissional Dérek Bittencourt. Por exemplo, o caso do vendedor de balinhas Sr. Pira, que recebeu um presentão do empresário Thiago Iuga no semáforo para voltar para casa e sair da exposição ao vírus. Ou então reviver os 107 anos de idade do Sr. João Gava, que tive a honra de visitar em Santos e ser interlocutor de suas memórias. Ou as visitas a Paranapiacaba e ao zoológico do Estoril, para relatar as realidades destes pontos turísticos do nosso Grande ABC. Além de entrevistas ao governador, prefeitos, deputados e as mais diversas autoridades. Enfim. Um enriquecimento absoluto – inclusive como ser humano – que me faz voltar com outro olhar para Esportes. E espero tê-lo comigo, caro leitor. Mande sua sugestão, ideia, curiosidade, dúvida. Faça o caderno comigo. 

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