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A pedra no sapato do ensino superior


Do Diário do Grande ABC

30/06/2020 | 23:59


Quando se fala em aumento dos investimentos no ensino superior como solução para a educação brasileira, me lembro da história do senhor que tomava analgésico constantemente para amenizar intensa dor no pé. O total investido no ensino superior no Brasil é quase quatro vezes maior que o dedicado ao ensino fundamental. Em percentual do PIB (Produto Interno Bruto), esse valor já é relativamente alto, sendo superior ao mínimo constitucional e comparável ao de países com elevado nível educacional.

No entanto, permanece o desafio de melhoria da qualidade da educação e índice baixíssimo de brasileiros com ensino superior. Não estou dizendo que sou a favor de cortes de investimentos nas universidades. Estou apenas sugerindo que, se o senhor da dor no pé tirasse a pedra de dentro do seu sapato, talvez não precisasse mais tomar analgésicos... a questão é atacar o problema pela raiz, encontrar os gargalos da educação brasileira, como a evasão universitária.

Números são alarmantes. Mais da metade dos que ingressam em universidades troca de turma, curso ou instituição, ou simplesmente abandona os estudos. Essas atitudes dão luz a problemas como demora na qualificação profissional da população em condições de trabalhar; desperdício de grande massa de força de trabalho, que fica desempregada ou subempregada, quando podia estar ajudando a produzir; aumento dos gastos do governo com programas sociais e ajuda financeira aos desempregados; baixo crescimento do PIB; e atraso na redução da pobreza.

Para as instituições de ensino superior, as consequências dessa alta evasão são desastrosas, pois os custos, tanto públicos quanto privados, se tornam muito elevados. A alta evasão faz com que o custo por aluno efetivamente formado seja bem maior que o custo por aluno matriculado.

No setor privado, a taxa de evasão mais elevada aponta para os custos com mensalidade, especialmente em épocas de crise. Mas a alta desistência no ensino público, que é gratuito e com processo de entrada altamente seletivo, se deve a outros fatores, entre eles a falta de conhecimento dos alunos a respeito dos cursos.

Ou seja, para facilitar o acesso do brasileiro ao ensino superior, não basta aumentar ou manter os investimentos. É preciso pensar em maneiras de deixar o aluno escolher a profissão um pouco mais tarde; aprimorar o processo de seleção nas universidades, levando em conta também habilidades socioemocionais; expandir o crédito universitário; melhorar a qualidade dos cursos de educação a distância; e, por fim, mas não menos importante, melhorar a qualidade da educação básica.

Paulo Arns da Cunha é diretor executivo do Colégio Positivo.[/30.SERVICO]<EM>

PALAVRA DO LEITOR

Igrejas
Fiquei feliz em saber que a Diocese de Santo André, com nosso querido bispo dom Pedro Carlos Cipollini, autorizou a volta dos fiéis às missas no Grande ABC, com toda insfraestrutura, com higienização nas paróquias, termômetros para medir a temperatura e álcool gel para que todos possam participar das celebrações litúrgicas. Tem paróquias na região que aguardam a volta das pessoas. Sei de outras que fazem drive thru, pois não têm nem mais dinheiro para pagar funcionários. Para finalizar, espero que agora os fiéis possam participar desse momento importante nas paróquias, que é a eucaristia.
Fernando Zucatelli
São Caetano

São Bernardo
A cidade de São Bernardo provavelmente é campeã mundial na quantidade de radares nas vias, para ‘melhorar a segurança’ no trânsito – e não para engordar o caixa da Prefeitura. Além disso, agora, há ausência de indicações no montão de obras não acabadas na cidade, mas quer controlar o uso das máscaras.
Serge Rene Vandevelde
São Bernardo

Jornalismo
A informação está sendo banalizada no Brasil. As próprias autoridades constituídas usam redes sociais para comunicar em primeira mão sobre assuntos de Estado. Políticos não querem passar informações para canais de TV, jornais e rádios oficiais, ou, pior, até selecionam este ou aquele órgão de imprensa para privilegiar informações, alegando que estes são seus ‘amigos’ em detrimento de outros que seriam seus ‘inimigos’. A verdade é que é preciso recuperar o jornalismo e seus profissionais, formados, sérios, subordinados à fiscalização pelo órgão de classe, com responsabilidade pela informação e pelo respeito ao princípio do contraditório – há jornais sérios, que procuram os citados na notícia e publicam as suas respostas. Pode sim haver abusos, e trabalhos tendenciosos e até falsos, mas, que se punam as exceções, como em toda atividade. O que não pode é substituir o jornalismo profissional pelas redes sociais, estas hoje sem nenhum filtro, onde se escreve o que quiser, sem responsabilização. Sinto também saudades da seriedade dos pronunciamentos de autoridades em cadeia nacional, dos assuntos de interesse nacional.
Evaristo de Carvalho Neto
Santo André

Lava Jato
Aos poucos a Operação Lava Jato, principal grupo brasileiro no combate à corrupção, enfraquece. O primeiro a sair foi Sergio Moro, para o Ministério da Justiça. Agora, insatisfeitos com a solicitação de dados sigilosos pela subprocuradora Lindora Araújo, braço direito do procurador-geral da República, Augusto Aras, pediram demissão Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Riccely Lins Santos. Pena que a Operação Lava Jato, exemplo no combate à corrupção, aos poucos se desfaz, ao invés de crescer. Quando os brasileiros do bem vislumbravam ser o início no sério combate ao arraigado crime organizado.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)

Resposta
Com relação à opinião do senhor Alberto Utida (São Caetano, ontem), entendo que não se avalia educação apenas pelo momento e sim por toda a sua história. São Caetano tem legado educacional que vem sendo construído desde sua autonomia, há quase 72 anos, tendo seu início desde a formação da educação infantil, passando pela municipalização do ensino, e agora, pelo momento que estamos vivendo, com a educação on-line. Acredito que educação se faz pensando a curto, médio e, principalmente, a longo prazos. É isso o que São Caetano faz, sendo esse seu diferencial. No momento em que digo ‘esse sucesso (da educação), que vem desde a nossa autonomia’, estou me referindo a todo esse legado construído em nossa cidade.
Pio Mielo é professor, vereador e presidente da Câmara de São Caetano 



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A pedra no sapato do ensino superior

Do Diário do Grande ABC

30/06/2020 | 23:59


Quando se fala em aumento dos investimentos no ensino superior como solução para a educação brasileira, me lembro da história do senhor que tomava analgésico constantemente para amenizar intensa dor no pé. O total investido no ensino superior no Brasil é quase quatro vezes maior que o dedicado ao ensino fundamental. Em percentual do PIB (Produto Interno Bruto), esse valor já é relativamente alto, sendo superior ao mínimo constitucional e comparável ao de países com elevado nível educacional.

No entanto, permanece o desafio de melhoria da qualidade da educação e índice baixíssimo de brasileiros com ensino superior. Não estou dizendo que sou a favor de cortes de investimentos nas universidades. Estou apenas sugerindo que, se o senhor da dor no pé tirasse a pedra de dentro do seu sapato, talvez não precisasse mais tomar analgésicos... a questão é atacar o problema pela raiz, encontrar os gargalos da educação brasileira, como a evasão universitária.

Números são alarmantes. Mais da metade dos que ingressam em universidades troca de turma, curso ou instituição, ou simplesmente abandona os estudos. Essas atitudes dão luz a problemas como demora na qualificação profissional da população em condições de trabalhar; desperdício de grande massa de força de trabalho, que fica desempregada ou subempregada, quando podia estar ajudando a produzir; aumento dos gastos do governo com programas sociais e ajuda financeira aos desempregados; baixo crescimento do PIB; e atraso na redução da pobreza.

Para as instituições de ensino superior, as consequências dessa alta evasão são desastrosas, pois os custos, tanto públicos quanto privados, se tornam muito elevados. A alta evasão faz com que o custo por aluno efetivamente formado seja bem maior que o custo por aluno matriculado.

No setor privado, a taxa de evasão mais elevada aponta para os custos com mensalidade, especialmente em épocas de crise. Mas a alta desistência no ensino público, que é gratuito e com processo de entrada altamente seletivo, se deve a outros fatores, entre eles a falta de conhecimento dos alunos a respeito dos cursos.

Ou seja, para facilitar o acesso do brasileiro ao ensino superior, não basta aumentar ou manter os investimentos. É preciso pensar em maneiras de deixar o aluno escolher a profissão um pouco mais tarde; aprimorar o processo de seleção nas universidades, levando em conta também habilidades socioemocionais; expandir o crédito universitário; melhorar a qualidade dos cursos de educação a distância; e, por fim, mas não menos importante, melhorar a qualidade da educação básica.

Paulo Arns da Cunha é diretor executivo do Colégio Positivo.[/30.SERVICO]<EM>

PALAVRA DO LEITOR

Igrejas
Fiquei feliz em saber que a Diocese de Santo André, com nosso querido bispo dom Pedro Carlos Cipollini, autorizou a volta dos fiéis às missas no Grande ABC, com toda insfraestrutura, com higienização nas paróquias, termômetros para medir a temperatura e álcool gel para que todos possam participar das celebrações litúrgicas. Tem paróquias na região que aguardam a volta das pessoas. Sei de outras que fazem drive thru, pois não têm nem mais dinheiro para pagar funcionários. Para finalizar, espero que agora os fiéis possam participar desse momento importante nas paróquias, que é a eucaristia.
Fernando Zucatelli
São Caetano

São Bernardo
A cidade de São Bernardo provavelmente é campeã mundial na quantidade de radares nas vias, para ‘melhorar a segurança’ no trânsito – e não para engordar o caixa da Prefeitura. Além disso, agora, há ausência de indicações no montão de obras não acabadas na cidade, mas quer controlar o uso das máscaras.
Serge Rene Vandevelde
São Bernardo

Jornalismo
A informação está sendo banalizada no Brasil. As próprias autoridades constituídas usam redes sociais para comunicar em primeira mão sobre assuntos de Estado. Políticos não querem passar informações para canais de TV, jornais e rádios oficiais, ou, pior, até selecionam este ou aquele órgão de imprensa para privilegiar informações, alegando que estes são seus ‘amigos’ em detrimento de outros que seriam seus ‘inimigos’. A verdade é que é preciso recuperar o jornalismo e seus profissionais, formados, sérios, subordinados à fiscalização pelo órgão de classe, com responsabilidade pela informação e pelo respeito ao princípio do contraditório – há jornais sérios, que procuram os citados na notícia e publicam as suas respostas. Pode sim haver abusos, e trabalhos tendenciosos e até falsos, mas, que se punam as exceções, como em toda atividade. O que não pode é substituir o jornalismo profissional pelas redes sociais, estas hoje sem nenhum filtro, onde se escreve o que quiser, sem responsabilização. Sinto também saudades da seriedade dos pronunciamentos de autoridades em cadeia nacional, dos assuntos de interesse nacional.
Evaristo de Carvalho Neto
Santo André

Lava Jato
Aos poucos a Operação Lava Jato, principal grupo brasileiro no combate à corrupção, enfraquece. O primeiro a sair foi Sergio Moro, para o Ministério da Justiça. Agora, insatisfeitos com a solicitação de dados sigilosos pela subprocuradora Lindora Araújo, braço direito do procurador-geral da República, Augusto Aras, pediram demissão Hebert Reis Mesquita, Luana Vargas de Macedo e Victor Riccely Lins Santos. Pena que a Operação Lava Jato, exemplo no combate à corrupção, aos poucos se desfaz, ao invés de crescer. Quando os brasileiros do bem vislumbravam ser o início no sério combate ao arraigado crime organizado.
Humberto Schuwartz Soares
Vila Velha (ES)

Resposta
Com relação à opinião do senhor Alberto Utida (São Caetano, ontem), entendo que não se avalia educação apenas pelo momento e sim por toda a sua história. São Caetano tem legado educacional que vem sendo construído desde sua autonomia, há quase 72 anos, tendo seu início desde a formação da educação infantil, passando pela municipalização do ensino, e agora, pelo momento que estamos vivendo, com a educação on-line. Acredito que educação se faz pensando a curto, médio e, principalmente, a longo prazos. É isso o que São Caetano faz, sendo esse seu diferencial. No momento em que digo ‘esse sucesso (da educação), que vem desde a nossa autonomia’, estou me referindo a todo esse legado construído em nossa cidade.
Pio Mielo é professor, vereador e presidente da Câmara de São Caetano 

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