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Grande ABC registra o pior maio para o emprego em dez anos

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Crise econômica causada pela pandemia derruba número de vagas e fecha 8.021 postos na região


Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

29/06/2020 | 23:24


Com o impacto da Covid-19 na economia, a região registrou o pior mês de maio para o emprego formal na última década. O saldo (resultado de admissões menos demissões) foi de 8.021 postos de trabalho fechados no último mês, o que representa média de 417 dispensas diárias. Neste ano, o total de demissões já chegou a 28,3 mil.

Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados ontem pelo Ministério da Economia. A retração econômica – causada pelo novo coronavírus – impactou fortemente em todos os setores, em especial o de serviços, que era o principal gerador de novos empregos formais na região. Foram 3.117 demissões somente em maio e 11,5 mil desde o começo de 2020 (leia mais abaixo). Porém, todos os principais setores fecharam no negativo.

Todas as sete cidades também encerraram maio com demissões, com destaque para Santo André, que registrou o pior saldo: -2,374 postos de trabalho (veja mais na arte acima). Em seguida aparece São Bernardo, com -2.006.

Este é o pior resultado para a região pelo menos nos últimos dez anos. Tanto que nem mesmo no auge da última crise econômica – entre os anos de 2014 (queda de 1.451 vagas no saldo mensal e de 1.621 de janeiro a maio) e 2016 (fechamento de 2.360 empregos no mês e de 14,6 mil de janeiro a maio) – houve retração no número do emprego com carteira assinada como a observada em 2020. Em maio de 2010, a região gerou 4.936 empregos.

Segundo o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio, provavelmente a região vive a pior crise de sua história. “Para a economia internacional é o pior comportamento desde a crise de 1929 (a grande depressão, considerada a maior crise do capitalismo financeiro e que teve início nos Estados Unidos). Na economia brasileira será pior ainda, e a região não se descola dessa realidade. Tem tudo para ser o pior ano da história da economia brasileira. Como região. nós temos uma participação importante no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, de cerca de 2%, e essa crise é algo que vai afetar todos, com uma inversão da história econômica”, avalia o especialista.

Para o especialista, os próximos anos, mesmo depois do fim da pandemia, devem ser difíceis até chegar a uma recuperação. “Vamos penar bastante para conseguir recuperar o nível de atividade que tínhamos em 2011. Isso porque já temos previsões de queda de 8% e não chegamos a crescer isso na última década.”

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, também não há perspectiva de voltar a níveis pré-pandemia neste ano. “Vai demorar muito para nós termos um processo de reinserção desse grupo de pessoas que perdeu o emprego, por isso a continuidade do auxílio emergencial se faz mais relevante”, disse.

“É um ano que dificilmente vamos reverter a situação para um crescimento”, concordou o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. “O próximo ano pode ter mudanças, se tivermos uma nova política econômica de apoio às camadas de menor renda, com a preservação de uma renda básica.”


Setor de serviços liderou número de demissões nas sete cidades

O setor mais afetado pela pandemia foi o de serviços, com redução de 3.117 postos em maio e de 11,5 mil neste ano. Além de ser um dos que mais vinham gerando emprego na região, os especialistas apontam que a amplitude do segmento, que depende tanto do consumidor final quanto da indústria, contribuiu com este quadro.

“O setor de serviços é muito grande e bastante complexo. Isso porque ele abrange desde os serviços de atendimento pessoal, como o salão de cabeleireiro, manutenção e conserto e até mesmo os restaurantes. Mas temos também dois segmentos grandes, como os serviços de saúde e educação, e principalmente os serviços industriais, que não atendem o consumidor final. São os serviços de transporte, logística e terceirização de mão de obra. Ou seja, é um segmento que está lidando tanto com a queda do poder de compra do consumidor quanto da produção da indústria”, explicou o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio.

“Aconteceu uma redução de serviços não essenciais, além dos que foram proibidos de funcionar. Por exemplo, muitas pessoas deixaram de fazer consultas dentárias para fazer depois”, disse o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição.

Os demais segmentos também apresentaram retração. A indústria demitiu 2.124 no último mês e 7.157 no ano. O comércio registrou saldo de 1.724 demissões em maio e 7.710 nos cinco primeiros meses. A construção civil demitiu 1.065 trabalhadores no último mês.



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Grande ABC registra o pior maio para o emprego em dez anos

Crise econômica causada pela pandemia derruba número de vagas e fecha 8.021 postos na região

Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

29/06/2020 | 23:24


Com o impacto da Covid-19 na economia, a região registrou o pior mês de maio para o emprego formal na última década. O saldo (resultado de admissões menos demissões) foi de 8.021 postos de trabalho fechados no último mês, o que representa média de 417 dispensas diárias. Neste ano, o total de demissões já chegou a 28,3 mil.

Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados ontem pelo Ministério da Economia. A retração econômica – causada pelo novo coronavírus – impactou fortemente em todos os setores, em especial o de serviços, que era o principal gerador de novos empregos formais na região. Foram 3.117 demissões somente em maio e 11,5 mil desde o começo de 2020 (leia mais abaixo). Porém, todos os principais setores fecharam no negativo.

Todas as sete cidades também encerraram maio com demissões, com destaque para Santo André, que registrou o pior saldo: -2,374 postos de trabalho (veja mais na arte acima). Em seguida aparece São Bernardo, com -2.006.

Este é o pior resultado para a região pelo menos nos últimos dez anos. Tanto que nem mesmo no auge da última crise econômica – entre os anos de 2014 (queda de 1.451 vagas no saldo mensal e de 1.621 de janeiro a maio) e 2016 (fechamento de 2.360 empregos no mês e de 14,6 mil de janeiro a maio) – houve retração no número do emprego com carteira assinada como a observada em 2020. Em maio de 2010, a região gerou 4.936 empregos.

Segundo o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, professor Sandro Maskio, provavelmente a região vive a pior crise de sua história. “Para a economia internacional é o pior comportamento desde a crise de 1929 (a grande depressão, considerada a maior crise do capitalismo financeiro e que teve início nos Estados Unidos). Na economia brasileira será pior ainda, e a região não se descola dessa realidade. Tem tudo para ser o pior ano da história da economia brasileira. Como região. nós temos uma participação importante no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, de cerca de 2%, e essa crise é algo que vai afetar todos, com uma inversão da história econômica”, avalia o especialista.

Para o especialista, os próximos anos, mesmo depois do fim da pandemia, devem ser difíceis até chegar a uma recuperação. “Vamos penar bastante para conseguir recuperar o nível de atividade que tínhamos em 2011. Isso porque já temos previsões de queda de 8% e não chegamos a crescer isso na última década.”

Para o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, também não há perspectiva de voltar a níveis pré-pandemia neste ano. “Vai demorar muito para nós termos um processo de reinserção desse grupo de pessoas que perdeu o emprego, por isso a continuidade do auxílio emergencial se faz mais relevante”, disse.

“É um ano que dificilmente vamos reverter a situação para um crescimento”, concordou o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. “O próximo ano pode ter mudanças, se tivermos uma nova política econômica de apoio às camadas de menor renda, com a preservação de uma renda básica.”


Setor de serviços liderou número de demissões nas sete cidades

O setor mais afetado pela pandemia foi o de serviços, com redução de 3.117 postos em maio e de 11,5 mil neste ano. Além de ser um dos que mais vinham gerando emprego na região, os especialistas apontam que a amplitude do segmento, que depende tanto do consumidor final quanto da indústria, contribuiu com este quadro.

“O setor de serviços é muito grande e bastante complexo. Isso porque ele abrange desde os serviços de atendimento pessoal, como o salão de cabeleireiro, manutenção e conserto e até mesmo os restaurantes. Mas temos também dois segmentos grandes, como os serviços de saúde e educação, e principalmente os serviços industriais, que não atendem o consumidor final. São os serviços de transporte, logística e terceirização de mão de obra. Ou seja, é um segmento que está lidando tanto com a queda do poder de compra do consumidor quanto da produção da indústria”, explicou o coordenador de estudos do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, Sandro Maskio.

“Aconteceu uma redução de serviços não essenciais, além dos que foram proibidos de funcionar. Por exemplo, muitas pessoas deixaram de fazer consultas dentárias para fazer depois”, disse o coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição.

Os demais segmentos também apresentaram retração. A indústria demitiu 2.124 no último mês e 7.157 no ano. O comércio registrou saldo de 1.724 demissões em maio e 7.710 nos cinco primeiros meses. A construção civil demitiu 1.065 trabalhadores no último mês.

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