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Tem cheiro de bolo no ar

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Lojas se espalham por ruas da região impulsionadas pelos preços e por doces chamados caseiros


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:59


Tem sido cada vez mais fácil sentir no ar o cheiro de bolo quentinho saindo do forno em ruas da região. O aroma tem se espalhado na medida em que novas casas especializadas nos chamados bolos caseiros, daqueles que lembram o sabor dos doces preparados pelas avós para o café da tarde após o almoço em família aos domingos, conquistam terreno em negócio que se expande de maneira até surpreendente. 

No entanto, em tempos de isolamento físico por causa da Covid-19, essas lojas precisaram oferecer algo a mais para não fecharem. Caso de Marli Ganizev Jimenez, 56 anos, franqueada da rede Casa de Bolos, em Santo André desde 2011, e com três unidades na cidade, mesmo não fechando as lojas totalmente, por se enquadrar no setor de panificação, aponta queda de 50% nas vendas na quarentena. “Atualmente, esse número estabilizou na casa de 40% e estamos recuperando a cada dia.”

Segundo a empresária, neste período o delivery é uma realidade “salvadora” para muitos comerciantes da região, mas, no caso dela, não foi tudo isso. “Acredito que o drive thru nos deu mais retorno. Dos 400 bolos que vendemos diariamente, apenas 20, aproximadamente, entregamos em domicílio.”<EM>

Na Império Bolos Caseiros, instalada há seis anos em São Bernardo, as vendas caíram 80%. A marca foi criada pela ex-bancária Elizabeth Pereira Vaz, 57, que decidiu abrir a própria loja após aprender sobre o negócio em uma franquia. “No início da quarentena estar em aplicativos de comida e fazer delivery ajudou muito, já que quase ninguém saía nas ruas. Reduzir a quantidade dos bolos produzidos por dia também ajudou a evitar o desperdício e a conservar o capital de giro. Dançamos conforme a música.”

De acordo com Bete, como é conhecida, os clientes também estão gastando menos. “Até porque muitos perderam o emprego ou tiveram suas rendas reduzidas.”

Na lista dos quitutes preferidos dos adeptos das lojas de bolos estão os de milho, fubá com goiabada, maçã com castanha, chocolate e laranja. Nas lojas especializadas há preços para todos os gostos e bolsos, desde R$ 9,90, em média, no caso dos bolos menores, variando de R$ 12 até R$ 35, em média, para os maiores. 

TRADICIONAL

Com 22 lojas na região, a Sodiê Doces também precisou fazer algumas adaptações para não brecar o ritmo de vendas durante a pandemia, ao menos na unidade administrada pela empresária Silvia Pacolla, 53 anos, em Ribeirão Pires. “Nesse período mudamos a estratégia de divulgação nas redes sociais e ampliamos a parceria com influencers da cidade. Também começamos a produzir bolo a partir de 500 gramas, que atende o público que antes só consumia fatia. Essas ações, com certeza, salvaram o negócio. Além disso, se não houvesse a colaboração da franquia em isentar por dois meses as taxas fixas, se não tivéssemos tido a compreensão dos parceiros na diminuição e desconto de valores e as ações de marketing, o cenário seria outro.” 

Segundo Silvia, os clientes que moram em Ribeirão e trabalham em outras cidades, durante a quarentena começaram a fazer os pedidos. “Essa população volante raramente consegue consumir na loja por causa dos horários, mas agora tivemos a inclusão desse público.” Mesmo assim, as vendas recuaram 40%. 

CONCORRÊNCIA

Para o presidente do Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), Antônio Carlos Henriques, o Toninho, a chegada das casas de bolos ‘atrapalhou’ a comercialização nas padarias. “Isso fez com que as padarias da região mudassem suas tradicionais receitas, apostassem mais na apresentação dos bolos e tudo isso ajudou a concorrência a ficar em pé de igualdade.” 

No entanto, Toninho explica que 50% do faturamento de uma padaria é por mérito do tradicional pão francês. “Depois vêm refeições, lanches no balcão, pizzas, parte de confeitaria e itens de mercearia. A verdade é que o cliente compra pelos olhos. Quando vê um bolo bonito, aproveita a ida à padaria e compra.” Vale lembrar que o setor emprega cerca de 27 mil pessoas no Grande ABC, que tem 950 estabelecimentos. “Cerca de 50 padarias já fecharam por causa da pandemia.” 

Número de franquias aumenta na região 

Não é de agora que o setor de alimentação tem apresentado crescimento, assim como as pessoas que desejam investir nesse tipo de negócio. Exemplo disso é que, no Grande ABC, o número de franquias no segmento tem aumentado significativamente. 

De acordo com o levantamento mais recente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), em Santo André, por exemplo, o tipo de negócio cresceu 11% na comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período deste ano (veja na tabela ao lado). 

São Caetano também ganha destaque, passando de 101 franquias no segmento de alimentação para 110 entre um ano e outro. 

As franquias de bolos se encaixam justamente neste setor. “O nicho de bolos caseiros começou a ganhar mais corpo nos últimos cinco ou seis anos. As redes têm apresentado crescimento representativo em número de unidades, alcançando inclusive o ranking de 50 maiores franquias em número de unidades no Brasil. Os pontos comerciais localizados nas ruas possibilitam investimentos menores e são mais atrativos para esse modelo de negócio, que não depende do consumo no local. O cliente compra e leva para casa. Estimamos que este nicho represente menos de 5% do segmento de alimentação, mas tem tudo para ganhar mais espaço nos próximos anos”, explica João Baptista, coordenador da comissão de Food Service da ABF.

Ainda segundo ele, o sucesso das lojas de bolo, em específico, vem de dois componentes principais: o ótimo custo/benefício, com um produto de qualidade a um preço competitivo, e a experiência sensorial oferecida, ou seja, aroma, aparência, variedade de sabores para diferentes situações. “São sensações que acabam atraindo mesmo o consumidor. Além disso, uma comunicação eficiente, o atendimento personalizado e o fato de novas fornadas saírem regularmente (ou seja, um produto fresco, quase artesanal) também são fatores que contam muito.”

Em relação ao ponto escolhido pelo empresário para abrir sua franquia, Baptista explica que há oportunidades tanto nas regiões centrais quanto nos bairros. “O hábito de consumo é o fator determinante. Nos centros, temos mais o público de escritórios e consumidores em trânsito, que podem levar o produto para suas casas, além do consumo por impulso. Nos bairros, temos as famílias, reuniões de amigos e outras situações que podem gerar uma demanda”, conta o coordenador da comissão de Food Service da ABF. 



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Tem cheiro de bolo no ar

Lojas se espalham por ruas da região impulsionadas pelos preços e por doces chamados caseiros

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 23:59


Tem sido cada vez mais fácil sentir no ar o cheiro de bolo quentinho saindo do forno em ruas da região. O aroma tem se espalhado na medida em que novas casas especializadas nos chamados bolos caseiros, daqueles que lembram o sabor dos doces preparados pelas avós para o café da tarde após o almoço em família aos domingos, conquistam terreno em negócio que se expande de maneira até surpreendente. 

No entanto, em tempos de isolamento físico por causa da Covid-19, essas lojas precisaram oferecer algo a mais para não fecharem. Caso de Marli Ganizev Jimenez, 56 anos, franqueada da rede Casa de Bolos, em Santo André desde 2011, e com três unidades na cidade, mesmo não fechando as lojas totalmente, por se enquadrar no setor de panificação, aponta queda de 50% nas vendas na quarentena. “Atualmente, esse número estabilizou na casa de 40% e estamos recuperando a cada dia.”

Segundo a empresária, neste período o delivery é uma realidade “salvadora” para muitos comerciantes da região, mas, no caso dela, não foi tudo isso. “Acredito que o drive thru nos deu mais retorno. Dos 400 bolos que vendemos diariamente, apenas 20, aproximadamente, entregamos em domicílio.”<EM>

Na Império Bolos Caseiros, instalada há seis anos em São Bernardo, as vendas caíram 80%. A marca foi criada pela ex-bancária Elizabeth Pereira Vaz, 57, que decidiu abrir a própria loja após aprender sobre o negócio em uma franquia. “No início da quarentena estar em aplicativos de comida e fazer delivery ajudou muito, já que quase ninguém saía nas ruas. Reduzir a quantidade dos bolos produzidos por dia também ajudou a evitar o desperdício e a conservar o capital de giro. Dançamos conforme a música.”

De acordo com Bete, como é conhecida, os clientes também estão gastando menos. “Até porque muitos perderam o emprego ou tiveram suas rendas reduzidas.”

Na lista dos quitutes preferidos dos adeptos das lojas de bolos estão os de milho, fubá com goiabada, maçã com castanha, chocolate e laranja. Nas lojas especializadas há preços para todos os gostos e bolsos, desde R$ 9,90, em média, no caso dos bolos menores, variando de R$ 12 até R$ 35, em média, para os maiores. 

TRADICIONAL

Com 22 lojas na região, a Sodiê Doces também precisou fazer algumas adaptações para não brecar o ritmo de vendas durante a pandemia, ao menos na unidade administrada pela empresária Silvia Pacolla, 53 anos, em Ribeirão Pires. “Nesse período mudamos a estratégia de divulgação nas redes sociais e ampliamos a parceria com influencers da cidade. Também começamos a produzir bolo a partir de 500 gramas, que atende o público que antes só consumia fatia. Essas ações, com certeza, salvaram o negócio. Além disso, se não houvesse a colaboração da franquia em isentar por dois meses as taxas fixas, se não tivéssemos tido a compreensão dos parceiros na diminuição e desconto de valores e as ações de marketing, o cenário seria outro.” 

Segundo Silvia, os clientes que moram em Ribeirão e trabalham em outras cidades, durante a quarentena começaram a fazer os pedidos. “Essa população volante raramente consegue consumir na loja por causa dos horários, mas agora tivemos a inclusão desse público.” Mesmo assim, as vendas recuaram 40%. 

CONCORRÊNCIA

Para o presidente do Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), Antônio Carlos Henriques, o Toninho, a chegada das casas de bolos ‘atrapalhou’ a comercialização nas padarias. “Isso fez com que as padarias da região mudassem suas tradicionais receitas, apostassem mais na apresentação dos bolos e tudo isso ajudou a concorrência a ficar em pé de igualdade.” 

No entanto, Toninho explica que 50% do faturamento de uma padaria é por mérito do tradicional pão francês. “Depois vêm refeições, lanches no balcão, pizzas, parte de confeitaria e itens de mercearia. A verdade é que o cliente compra pelos olhos. Quando vê um bolo bonito, aproveita a ida à padaria e compra.” Vale lembrar que o setor emprega cerca de 27 mil pessoas no Grande ABC, que tem 950 estabelecimentos. “Cerca de 50 padarias já fecharam por causa da pandemia.” 

Número de franquias aumenta na região 

Não é de agora que o setor de alimentação tem apresentado crescimento, assim como as pessoas que desejam investir nesse tipo de negócio. Exemplo disso é que, no Grande ABC, o número de franquias no segmento tem aumentado significativamente. 

De acordo com o levantamento mais recente da ABF (Associação Brasileira de Franchising), em Santo André, por exemplo, o tipo de negócio cresceu 11% na comparação do primeiro trimestre de 2019 com o mesmo período deste ano (veja na tabela ao lado). 

São Caetano também ganha destaque, passando de 101 franquias no segmento de alimentação para 110 entre um ano e outro. 

As franquias de bolos se encaixam justamente neste setor. “O nicho de bolos caseiros começou a ganhar mais corpo nos últimos cinco ou seis anos. As redes têm apresentado crescimento representativo em número de unidades, alcançando inclusive o ranking de 50 maiores franquias em número de unidades no Brasil. Os pontos comerciais localizados nas ruas possibilitam investimentos menores e são mais atrativos para esse modelo de negócio, que não depende do consumo no local. O cliente compra e leva para casa. Estimamos que este nicho represente menos de 5% do segmento de alimentação, mas tem tudo para ganhar mais espaço nos próximos anos”, explica João Baptista, coordenador da comissão de Food Service da ABF.

Ainda segundo ele, o sucesso das lojas de bolo, em específico, vem de dois componentes principais: o ótimo custo/benefício, com um produto de qualidade a um preço competitivo, e a experiência sensorial oferecida, ou seja, aroma, aparência, variedade de sabores para diferentes situações. “São sensações que acabam atraindo mesmo o consumidor. Além disso, uma comunicação eficiente, o atendimento personalizado e o fato de novas fornadas saírem regularmente (ou seja, um produto fresco, quase artesanal) também são fatores que contam muito.”

Em relação ao ponto escolhido pelo empresário para abrir sua franquia, Baptista explica que há oportunidades tanto nas regiões centrais quanto nos bairros. “O hábito de consumo é o fator determinante. Nos centros, temos mais o público de escritórios e consumidores em trânsito, que podem levar o produto para suas casas, além do consumo por impulso. Nos bairros, temos as famílias, reuniões de amigos e outras situações que podem gerar uma demanda”, conta o coordenador da comissão de Food Service da ABF. 

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