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Moradores protestam em área onde será construído supermercado em São Bernardo

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Entre as críticas da construção em terreno da região central estão o corte de ínumeras árvores e favorecimento do Grupo Bem Barato para aquisição da área


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 15:49


O frio e chuva não tiraram dos moradores de condomínios próximos de onde será construído o supermercado Bem Barato, na região central de São Bernardo, a vontade de lutar pelo meio ambiente. Uma centena deles, de mãos dadas, fizeram agora à tarde protesto contra o empreendimento, cuja obra teve início há duas semanas. Entre as críticas do uso das áreas que pertenciam à antigo Fiação e Tecelagem Tognato estão o corte de árvores e o suposto favorecimento na aquisição do terreno pelo grupo.

O movimento foi liderado pela Organização Social da Sociedade Civil de Interesse Público Parque Ecológico Centro Vivo, que tem como presidente José Luis Gonçalves. Segundo o advogado, ainda na gestão de Luiz Marinho (PT) os moradores se uniram e opinaram no orçamento Participativo, onde ficou decidido, após diversas reuniões, que o local seria transformado em parque. O projeto, no entanto, não foi levado para ferente na gestão do tucano. "Ele construiu em um pedaço pequeno o Parque das Bicicletas, que não atende as necessidades nem da população nem do projeto inicial. Queremos preservar a área verde, os animais silvestres. Hoje fizemos este protesto cobrando o prefeito porque, independentemente da coloração partidária o compromisso assumida lá atrás tem de dar sequencia", reclamou Gonçalves.

O Grupo Bem Barato adquiriu esse trecho - na esquina da Rua Doutor Marcel Preotesco com a Avenida Pereira Barreto -em julho de 2019, por leilão, pagando R$ 42,1 milhões, por uma de suas empresas – a Faias Paiva Administração e Participações S/A. A negociação é envolta de polêmica. Uma delas é que só houve um interessado no pregão do terreno. "Conversei com algumas pessoas de outros mercados que não ficaram nem sabendo do leilão. Não posso acusar, mas há coisas muito suspeitas, inclusive a redução do ITBI ((Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis)", reclama a professora Camila Paulucci de Oliveira Lacivica, 40, moradora de condomínio vizinho que participou das tratativas para construção do parque durante o governo Marinho.

Camila se refere à lei número 6.797, sancionada em 27 de junho de 2019, pelo prefeito , que promoveu redução temporária da alíquota do ITBI. O tributo deixou de ser de 2,5% para 1,5%. À época, o governo justificou que tal medida era para incentivar a regularização de imóveis no município. Quinze dias depois de sancionada a legislação, a Prefeitura publicou edital para leilão de três áreas que haviam sido arrendadas para a municipalidade como forma de pagamento de dívida da falida Tecelagem Tognato. A meta da administração era arrecadar, com a negociação das três áreas, R$ 101 milhões.

A transação foi efetivada no dia 19 de julho, com apenas um terreno negociado e, em seguida, a lei perdeu sua validade – tornou-se inócua em 30 de agosto do mesmo ano. O governo do prefeito Orlando Morando (PSDB) nega irregularidades.

HISTÓRICO

O terreno foi transferido para a Prefeitura na segunda metade dos anos 2000 como forma de pagamento de dívidas tributárias que a Tognato tinha com a administração municipal. A empresa foi fundada em 1908, em Santo André, e se transferiu para São Bernardo nos anos 1940 – foi fundada por Giacinto Tognato (1881-1967), que dá nome a uma rua no bairro Baeta Neves, próximo de onde será o futuro supermercado. A firma se agigantou nos anos seguintes, mas não conseguiu superar crise no fim da década de 1990 e fechou as portas em 2005.



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Moradores protestam em área onde será construído supermercado em São Bernardo

Entre as críticas da construção em terreno da região central estão o corte de ínumeras árvores e favorecimento do Grupo Bem Barato para aquisição da área

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

27/06/2020 | 15:49


O frio e chuva não tiraram dos moradores de condomínios próximos de onde será construído o supermercado Bem Barato, na região central de São Bernardo, a vontade de lutar pelo meio ambiente. Uma centena deles, de mãos dadas, fizeram agora à tarde protesto contra o empreendimento, cuja obra teve início há duas semanas. Entre as críticas do uso das áreas que pertenciam à antigo Fiação e Tecelagem Tognato estão o corte de árvores e o suposto favorecimento na aquisição do terreno pelo grupo.

O movimento foi liderado pela Organização Social da Sociedade Civil de Interesse Público Parque Ecológico Centro Vivo, que tem como presidente José Luis Gonçalves. Segundo o advogado, ainda na gestão de Luiz Marinho (PT) os moradores se uniram e opinaram no orçamento Participativo, onde ficou decidido, após diversas reuniões, que o local seria transformado em parque. O projeto, no entanto, não foi levado para ferente na gestão do tucano. "Ele construiu em um pedaço pequeno o Parque das Bicicletas, que não atende as necessidades nem da população nem do projeto inicial. Queremos preservar a área verde, os animais silvestres. Hoje fizemos este protesto cobrando o prefeito porque, independentemente da coloração partidária o compromisso assumida lá atrás tem de dar sequencia", reclamou Gonçalves.

O Grupo Bem Barato adquiriu esse trecho - na esquina da Rua Doutor Marcel Preotesco com a Avenida Pereira Barreto -em julho de 2019, por leilão, pagando R$ 42,1 milhões, por uma de suas empresas – a Faias Paiva Administração e Participações S/A. A negociação é envolta de polêmica. Uma delas é que só houve um interessado no pregão do terreno. "Conversei com algumas pessoas de outros mercados que não ficaram nem sabendo do leilão. Não posso acusar, mas há coisas muito suspeitas, inclusive a redução do ITBI ((Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis)", reclama a professora Camila Paulucci de Oliveira Lacivica, 40, moradora de condomínio vizinho que participou das tratativas para construção do parque durante o governo Marinho.

Camila se refere à lei número 6.797, sancionada em 27 de junho de 2019, pelo prefeito , que promoveu redução temporária da alíquota do ITBI. O tributo deixou de ser de 2,5% para 1,5%. À época, o governo justificou que tal medida era para incentivar a regularização de imóveis no município. Quinze dias depois de sancionada a legislação, a Prefeitura publicou edital para leilão de três áreas que haviam sido arrendadas para a municipalidade como forma de pagamento de dívida da falida Tecelagem Tognato. A meta da administração era arrecadar, com a negociação das três áreas, R$ 101 milhões.

A transação foi efetivada no dia 19 de julho, com apenas um terreno negociado e, em seguida, a lei perdeu sua validade – tornou-se inócua em 30 de agosto do mesmo ano. O governo do prefeito Orlando Morando (PSDB) nega irregularidades.

HISTÓRICO

O terreno foi transferido para a Prefeitura na segunda metade dos anos 2000 como forma de pagamento de dívidas tributárias que a Tognato tinha com a administração municipal. A empresa foi fundada em 1908, em Santo André, e se transferiu para São Bernardo nos anos 1940 – foi fundada por Giacinto Tognato (1881-1967), que dá nome a uma rua no bairro Baeta Neves, próximo de onde será o futuro supermercado. A firma se agigantou nos anos seguintes, mas não conseguiu superar crise no fim da década de 1990 e fechou as portas em 2005.

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