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Profissionais da saúde adotam cuidado para informar caso de Covid

Divulgação/PMSA Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Trato com pacientes e familiares é ainda mais delicado por causa da ansiedade que gera cada diagnóstico confirmado nos hospitais da região


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

24/06/2020 | 00:01


Os corredores dos hospitais são, por natureza, locais que trazem temor a qualquer familiar em busca de notícias de parentes internados. Em tempos de pandemia, ainda mais. Os dados de letalidade da Covid, que se aproximam de 7% na região, somados aos diagnósticos de pacientes que sucumbem rapidamente à doença, aumentam a ansiedade e cobram dos profissionais de saúde, em especial dos contratados para os hospitais de campanha, tratamento mais humanizado e cuidado redobrado no momento de repassar as informações do estado dos pacientes. 

De acordo com a enfermeira Fernanda Navarro, que é mestranda em comunicação na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), é muito importante o profissional da saúde estar preparado, adotar tratamento humanizado e saber responder a perguntas quando ele dá diagnóstico positivo de Covid ao paciente e aos seus familiares.

“É situação complicada, pois as pessoas estão com medo. Medo da morte. Quando a pessoa recebe a notícia que está contaminada, gera ansiedade muito grande. Tem de ser colocado de maneira muito humanizada e cautelosa. O profissional de saúde tem que ter equilíbrio profissional para lidar com isso. Tem que ser sincero com o paciente. Acredito que as primeiras perguntas que vêm é: ‘vou morrer? Posso necessitar de ventilador mecânico? Terá vaga de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para mim?’”, projeta Fernanda.

Para a enfermeira, diante deste contexto, o profissional de saúde tem que ter comunicação assertiva com o paciente dele. “Ter que falar que (o doente) tem que se manter em isolamento, sem receber visita da família, é uma comunicação que tem de ser muito assertiva. Gerar a menor ansiedade possível”, ensina.

Professora na área de geriatria do curso de medicina da USCS, médica e também mestranda em comunicação na universidade, Maria Cecília Fernandes explica que as explicações precisam ser generosas. “A gente precisa ter empatia”, diz. “Primeiro se comunicar entre equipe, médico e enfermeiro. E, adequadamente, com família e paciente”, frisa.  

Maria Cecília afirma que a comunicação precisa ser clara, concisa e uniforme. “Vai minimizar queixa, angústias e problemas quando você faz comunicação adequada”, sugere. “A comunicação na pandemia está sendo um desafio. Precisa ser claro no que vai fazer, para minimizar essa angústia do paciente que é não sair mais do hospital”, frisa. 

Segundo Maria Cecília, existe protocolo, um fluxo de notícia que o médico costuma dar, e isso segue normatização do hospital. Ela explica que isso tem sido seguido com muita preocupação e zelo.

A questão da notícia sobre o óbito de um paciente, sempre costuma ser presencial. A evolução do caso, por telefone, já que pacientes com Covid não podem receber visitas. Quando a família mora distante, às vezes, é necessário avisar por telefone ou chamada de vídeo. “Isso é uma situação de muito estresse para o médico. Mesmo em videochamada sua postura diante da pessoa já diz muita coisa. O fato de você estar envolvido, escutar com atenção, faz muita diferença.”

ALTERNATIVA

Um dos principais obstáculos para os parentes de um infectado com Covid é a distância. O contato físico não é permitido justamente pelo risco de contaminação. A maioria dos hospitais informa o andamento dos casos por telefone. Para quebrar essa frieza, a Prefeitura de Santo André disponibiliza desde o inicio de junho central virtual, equipada com tablets para realizar chamadas de vídeo e aproximar parentes dos pacientes. O local, montado no Estádio Bruno Daniel, onde funciona um dos hospitais de campanha da cidade, funciona todos os dias, das 8h às 17h.



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Profissionais da saúde adotam cuidado para informar caso de Covid

Trato com pacientes e familiares é ainda mais delicado por causa da ansiedade que gera cada diagnóstico confirmado nos hospitais da região

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

24/06/2020 | 00:01


Os corredores dos hospitais são, por natureza, locais que trazem temor a qualquer familiar em busca de notícias de parentes internados. Em tempos de pandemia, ainda mais. Os dados de letalidade da Covid, que se aproximam de 7% na região, somados aos diagnósticos de pacientes que sucumbem rapidamente à doença, aumentam a ansiedade e cobram dos profissionais de saúde, em especial dos contratados para os hospitais de campanha, tratamento mais humanizado e cuidado redobrado no momento de repassar as informações do estado dos pacientes. 

De acordo com a enfermeira Fernanda Navarro, que é mestranda em comunicação na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), é muito importante o profissional da saúde estar preparado, adotar tratamento humanizado e saber responder a perguntas quando ele dá diagnóstico positivo de Covid ao paciente e aos seus familiares.

“É situação complicada, pois as pessoas estão com medo. Medo da morte. Quando a pessoa recebe a notícia que está contaminada, gera ansiedade muito grande. Tem de ser colocado de maneira muito humanizada e cautelosa. O profissional de saúde tem que ter equilíbrio profissional para lidar com isso. Tem que ser sincero com o paciente. Acredito que as primeiras perguntas que vêm é: ‘vou morrer? Posso necessitar de ventilador mecânico? Terá vaga de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para mim?’”, projeta Fernanda.

Para a enfermeira, diante deste contexto, o profissional de saúde tem que ter comunicação assertiva com o paciente dele. “Ter que falar que (o doente) tem que se manter em isolamento, sem receber visita da família, é uma comunicação que tem de ser muito assertiva. Gerar a menor ansiedade possível”, ensina.

Professora na área de geriatria do curso de medicina da USCS, médica e também mestranda em comunicação na universidade, Maria Cecília Fernandes explica que as explicações precisam ser generosas. “A gente precisa ter empatia”, diz. “Primeiro se comunicar entre equipe, médico e enfermeiro. E, adequadamente, com família e paciente”, frisa.  

Maria Cecília afirma que a comunicação precisa ser clara, concisa e uniforme. “Vai minimizar queixa, angústias e problemas quando você faz comunicação adequada”, sugere. “A comunicação na pandemia está sendo um desafio. Precisa ser claro no que vai fazer, para minimizar essa angústia do paciente que é não sair mais do hospital”, frisa. 

Segundo Maria Cecília, existe protocolo, um fluxo de notícia que o médico costuma dar, e isso segue normatização do hospital. Ela explica que isso tem sido seguido com muita preocupação e zelo.

A questão da notícia sobre o óbito de um paciente, sempre costuma ser presencial. A evolução do caso, por telefone, já que pacientes com Covid não podem receber visitas. Quando a família mora distante, às vezes, é necessário avisar por telefone ou chamada de vídeo. “Isso é uma situação de muito estresse para o médico. Mesmo em videochamada sua postura diante da pessoa já diz muita coisa. O fato de você estar envolvido, escutar com atenção, faz muita diferença.”

ALTERNATIVA

Um dos principais obstáculos para os parentes de um infectado com Covid é a distância. O contato físico não é permitido justamente pelo risco de contaminação. A maioria dos hospitais informa o andamento dos casos por telefone. Para quebrar essa frieza, a Prefeitura de Santo André disponibiliza desde o inicio de junho central virtual, equipada com tablets para realizar chamadas de vídeo e aproximar parentes dos pacientes. O local, montado no Estádio Bruno Daniel, onde funciona um dos hospitais de campanha da cidade, funciona todos os dias, das 8h às 17h.

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