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Covid tira o sono e psicólogo relata perigo da automedicação

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pessoas mais afetadas pela ansiedade têm buscado nos remédios ajuda para superar a pandemia, mas tática sem orientação se torna prejudicial


Bia Moço
Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

20/06/2020 | 00:10


Dormir não tem sido tarefa fácil para muitas pessoas em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus. Seja pelas preocupações que as informações trazem, seja pelo receio natural de se contaminar ou ter alguém da família atingido pela doença. O fato é que boa parte da população tem recorrido a remédios para diminuir a ansiedade e ter noites mais tranquilas. Aí é que mora o perigo. Especialistas relatam que a automedicação pode trazer ainda mais riscos do que uma noite maldormida e que adequar hábitos diários auxilia na saúde mental e organiza o sono em atraso.

O efeito psicológico da quarentena é um convite para experimentar aquele remédio que deu certo com um amigo. Em nome de uma noite completa sem abrir os olhos, as pessoas recorrem a medicação – naturais ou não – como rivotril, venlafaxine, escitalopram, passiflora, entre tantos outros, alguns vendidos facilmente e sem receita em farmácias.

Sobre este cenário, a Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), destaca que o conceito da automedicação responsável, chancelado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), diz respeito apenas ao tratamento de sintomas e males menores, como dores, resfriados e indisposição leves. Sendo assim, “a promoção da cultura da automedicação responsável requer a educação de pacientes, o aperfeiçoamento das práticas clínicas, uma fiscalização mais atenta por parte das autoridades sanitárias e a efetiva participação do farmacêutico na orientação do uso correto destes produtos”, desta, em nota. 

Moradora de São Caetano, a assistente administrativa Tatiane Antão, 31 anos, faz terapia há pelo menos três anos e nunca tinha tido a necessidade de usar medicamento para controle de ansiedade. No início do mês de março – quando foram divulgados os primeiros casos da Covid-19 no Brasil e na região – Tatiane lembra que sua terapeuta prescreveu o uso de florais para auxiliar a dormir durante um período. 

“Acredito que logo no início (da pandemia), todo esse isolamento e casos da Covid-19 que começaram a aparecer, mexeram muito não só comigo, mas com todo mundo. O deixar de ter sua vida social, abraçar seus amigos, família, acabei me perdendo um pouco, o que me descontrolou em relação à ansiedade e a incertezas do que iria acontecer”, comenta Tatiane. 

A assistente faz uso do medicamento quatro vezes ao dia e já está terminando o terceiro frasco do tratamento. “Se não fosse esta junção dos florais com a terapia e o meu emprego, acredito que eu estaria muito pior. A rotina de trabalho me ajudou bastante”, declara Tatiane. 

O psicólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Nelson Fragoso alerta que, neste período de pandemia, as pessoas estão evitando de ir em hospital ou clínica e acabam tomando o que tem em casa mesmo por conta própria ou por indicação. “Essa automedicação é um perigo. Se eu começo a não dormir direito e busco tomar algum medicamento, mas este remédio é inadequado, ele pode interferir no efeito de outros medicamentos que eu tomo, para outras doenças. Então, muitas vezes, uma dosagem errada acaba ficando vulnerável a outras doenças nesta época”, detalha Fragoso. 

O especialista ainda ressalta a importância de um acompanhamento médico durante qualquer sintoma diferente do que a pessoa esteja sentindo. “Mascarar ou disfarçar o problema é estimular um outro problema futuro. O ideal é procurar atendimento, sendo presencial ou por telemedicina, para diagnosticar o que você tem e o que é preciso tomar. O importante, além disso, é trabalhar jeito e buscar profissionais que possam te ajudar a passar por isso da melhor forma possível”, finaliza Fragoso. 

Isolamento amplia sensação de medo

Além dos transtornos com o sono e a ansiedade que afetaram muitas pessoas durante o isolamento físico, especialistas também ressaltam que o medo e a solidão acabam sendo inimigos invisíveis neste período, principalmente para quem está infectado pelo novo coronavírus e precisa se isolar dos familiares.

“Acredito que estamos vivendo uma situação fora de toda nossa realidade e que, em breve, voltaremos ao normal. Um momento em que o contato se tornou algo raro e a incerteza das possibilidades desta doença impacta no que pensamos, ou seja, passamos a viver em outra realidade, com outras possibilidades sociais”, destaca o psicólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Nelson Fragoso. 

O especialista comenta que, quando uma pessoa testa positivo para a Covid-19, por mais que se sinta sozinha fisicamente, já que precisa ficar isolada para não transmitir o vírus, precisa controlar o medo de contaminar as outras pessoas da família. “Nesse momento o paciente esquece da solidão e isso se transforma em medo de passar a doença para alguém que ama”, observa. 

O médico psiquiatra e integrante do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo Mario Louzã avalia que estes momentos de confinamento acabam afetando o funcionamento de todo organismo. “O mais importante agora é se prevenirem, tomarem os cuidados consigo mesmo e preservar sua própria sanidade mental. É uma condição de saúde importante”, destaca o professor, que lembra que é fundamental estabelecer rotinas diárias, mesmo em casa, para não se perder no tempo. “Importante estipular horário para acordar, fazer as refeições, praticar uma atividade física, trabalhar e dormir. Uma dica é se desligar do mundo um pouco antes de dormir, meia hora antes, desligar a TV e não mexer mais no celular”, aconselha Louzã. 



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Covid tira o sono e psicólogo relata perigo da automedicação

Pessoas mais afetadas pela ansiedade têm buscado nos remédios ajuda para superar a pandemia, mas tática sem orientação se torna prejudicial

Bia Moço
Yasmin Assagra
Do Diário do Grande ABC

20/06/2020 | 00:10


Dormir não tem sido tarefa fácil para muitas pessoas em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus. Seja pelas preocupações que as informações trazem, seja pelo receio natural de se contaminar ou ter alguém da família atingido pela doença. O fato é que boa parte da população tem recorrido a remédios para diminuir a ansiedade e ter noites mais tranquilas. Aí é que mora o perigo. Especialistas relatam que a automedicação pode trazer ainda mais riscos do que uma noite maldormida e que adequar hábitos diários auxilia na saúde mental e organiza o sono em atraso.

O efeito psicológico da quarentena é um convite para experimentar aquele remédio que deu certo com um amigo. Em nome de uma noite completa sem abrir os olhos, as pessoas recorrem a medicação – naturais ou não – como rivotril, venlafaxine, escitalopram, passiflora, entre tantos outros, alguns vendidos facilmente e sem receita em farmácias.

Sobre este cenário, a Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), destaca que o conceito da automedicação responsável, chancelado pela OMS (Organização Mundial da Saúde), diz respeito apenas ao tratamento de sintomas e males menores, como dores, resfriados e indisposição leves. Sendo assim, “a promoção da cultura da automedicação responsável requer a educação de pacientes, o aperfeiçoamento das práticas clínicas, uma fiscalização mais atenta por parte das autoridades sanitárias e a efetiva participação do farmacêutico na orientação do uso correto destes produtos”, desta, em nota. 

Moradora de São Caetano, a assistente administrativa Tatiane Antão, 31 anos, faz terapia há pelo menos três anos e nunca tinha tido a necessidade de usar medicamento para controle de ansiedade. No início do mês de março – quando foram divulgados os primeiros casos da Covid-19 no Brasil e na região – Tatiane lembra que sua terapeuta prescreveu o uso de florais para auxiliar a dormir durante um período. 

“Acredito que logo no início (da pandemia), todo esse isolamento e casos da Covid-19 que começaram a aparecer, mexeram muito não só comigo, mas com todo mundo. O deixar de ter sua vida social, abraçar seus amigos, família, acabei me perdendo um pouco, o que me descontrolou em relação à ansiedade e a incertezas do que iria acontecer”, comenta Tatiane. 

A assistente faz uso do medicamento quatro vezes ao dia e já está terminando o terceiro frasco do tratamento. “Se não fosse esta junção dos florais com a terapia e o meu emprego, acredito que eu estaria muito pior. A rotina de trabalho me ajudou bastante”, declara Tatiane. 

O psicólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Nelson Fragoso alerta que, neste período de pandemia, as pessoas estão evitando de ir em hospital ou clínica e acabam tomando o que tem em casa mesmo por conta própria ou por indicação. “Essa automedicação é um perigo. Se eu começo a não dormir direito e busco tomar algum medicamento, mas este remédio é inadequado, ele pode interferir no efeito de outros medicamentos que eu tomo, para outras doenças. Então, muitas vezes, uma dosagem errada acaba ficando vulnerável a outras doenças nesta época”, detalha Fragoso. 

O especialista ainda ressalta a importância de um acompanhamento médico durante qualquer sintoma diferente do que a pessoa esteja sentindo. “Mascarar ou disfarçar o problema é estimular um outro problema futuro. O ideal é procurar atendimento, sendo presencial ou por telemedicina, para diagnosticar o que você tem e o que é preciso tomar. O importante, além disso, é trabalhar jeito e buscar profissionais que possam te ajudar a passar por isso da melhor forma possível”, finaliza Fragoso. 

Isolamento amplia sensação de medo

Além dos transtornos com o sono e a ansiedade que afetaram muitas pessoas durante o isolamento físico, especialistas também ressaltam que o medo e a solidão acabam sendo inimigos invisíveis neste período, principalmente para quem está infectado pelo novo coronavírus e precisa se isolar dos familiares.

“Acredito que estamos vivendo uma situação fora de toda nossa realidade e que, em breve, voltaremos ao normal. Um momento em que o contato se tornou algo raro e a incerteza das possibilidades desta doença impacta no que pensamos, ou seja, passamos a viver em outra realidade, com outras possibilidades sociais”, destaca o psicólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Nelson Fragoso. 

O especialista comenta que, quando uma pessoa testa positivo para a Covid-19, por mais que se sinta sozinha fisicamente, já que precisa ficar isolada para não transmitir o vírus, precisa controlar o medo de contaminar as outras pessoas da família. “Nesse momento o paciente esquece da solidão e isso se transforma em medo de passar a doença para alguém que ama”, observa. 

O médico psiquiatra e integrante do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo Mario Louzã avalia que estes momentos de confinamento acabam afetando o funcionamento de todo organismo. “O mais importante agora é se prevenirem, tomarem os cuidados consigo mesmo e preservar sua própria sanidade mental. É uma condição de saúde importante”, destaca o professor, que lembra que é fundamental estabelecer rotinas diárias, mesmo em casa, para não se perder no tempo. “Importante estipular horário para acordar, fazer as refeições, praticar uma atividade física, trabalhar e dormir. Uma dica é se desligar do mundo um pouco antes de dormir, meia hora antes, desligar a TV e não mexer mais no celular”, aconselha Louzã. 

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