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Estudante é 'torturada' por amigas


Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

31/01/2006 | 08:34


Priscila (nome fictício), 18 anos, moradora de Santo André pagou caro por sua beleza. Por inveja, afirma a estudante, três ‘amigas de balada’ armaram uma cilada para ela. Atraída para a casa de uma das garotas no último domingo, Priscila foi amarrada, teve os cabelos que chegavam até a cintura cortados e as sobrancelhas raspadas. Foi agredida, humilhada e jogada seminua em local próximo à sua casa, no Parque Novo Oratório. Tatiane Maria da Silva, 21, Glaucia Santos, 23, e outra moça identificada apenas como Nayarani, de 18 anos, são as acusadas pelo crime e estão foragidas. Se encontradas, responderão por constrangimento ilegal, injúria real e porte de entorpecentes.

A armadilha começou com um telefonema, conta Priscila. “Me ligaram convidando para ir na casa da Tatiane. Eu falei que não ia, estava sossegada. Mas como eu estava com a roupa de uma delas acabei indo para devolver”, lembra. Quando chegou no quarto de Tatiane, em um sobrado na Vila Metalúrgica, em Santo André, não teve tempo de reagir ao ataque das três.

O fio do aparelho de alisar cabelos serviu de corda para transformar Priscila em refém. Um foi usado como mordaça. “Pensei que estavam brincando”, relata. Mas não, era só o começo do plano que tinha como principal objetivo aniquilar com a auto-estima da morena bonita, conhecida por andar sempre na moda. “Bateram em mim e começaram a cortar meu cabelo e raspar minha sobrancelha. Rasgaram minhas roupas, cortaram minha calcinha.”

Para esconder a garota da mãe de Tatiane, deixaram-na debaixo da cama. Mas a tortura não pararia por aí. “Elas ficavam me dizendo: ‘Você não se achava? Devia ter aproveitado antes para se encontrar com seu namorado. Agora, você está horrível’”, recorda Priscila.

Duas horas depois, a mãe de Tatiane finalmente descobriria que naquela noite o barulho no quarto era mais que burburinho entre amigas. “Ela me viu e falou: ‘O que vocês estão fazendo com a menina?’ Aí elas resolveram me levar para casa.” Priscila foi colocada num Corsa vinho de um rapaz que seria namorado de Tatiane. O plano incluía roubar o celular de última geração de Priscila. Mas a garota conseguiu escapar quando parou em um orelhão a pedido do grupo para ligar para casa e pedir que o avô pegasse o aparelho. Fugiu vestida apenas com um shortinho e um top aberto. “Corri, corri, corri. Quando cheguei, meu pai me levou direto para a delegacia (o 2º DP de Santo André).”

A Polícia Civil foi até a casa de Tatiane. No local, não encontrou as garotas, apenas restos da roupa de Priscila, resquícios do que seria um cigarro de maconha, seringas e fotos de Tatiane e de Nay, como era conhecida Nayarani. A reportagem foi nesta segunda até o local e conversou com o Everton da Silva, 20 anos, irmão de Tatiane. O garoto confirmou a versão da vítima. Segundo ele, o crime teria ocorrido por causa de um namorado. Questionado sobre quem seria o homem que motivou a vingança, respondeu: “Não sei, minha irmã tem vários namorados”.

De boné na cabeça, abalada, Priscila recebeu o Diário em sua casa. Nega a história do tal namorado e confessa não saber ao certo o que motivou as garotas a cometer a agressão. Conta que conheceu as três ‘amigas’ nas baladas de música eletrônica que freqüenta no Centro de São Paulo. No celular, ainda estão gravadas as fotos das quatro garotas. Todas sorriem. Priscila muda de foto. Na tela, olha a moça de biquíni e de cabelos compridos com nostalgia. “Olha como eu era”, mostra.

A irmã de Priscila, de 24 anos, conta que as ex-amigas atacaram a garota em seu principal ponto fraco: a vaidade. “Ela só andava bem-vestida, com roupas de marca.” O pai passa e comenta, indignado: “Isso aí são más-companhias. Não dá para confiar nessa gente.” O telefone toca. É a Nay. “A polícia está atrás de vocês”, avisa a irmã da vítima, antes de bater o telefone.

Agora, Priscila só quer justiça. E pensa em como vai voltar para o 3º colegial. “Sem cabelo, sem sobrancelha, não sei se vou, não”, comenta a moça. Antes de fazer as fotos que ilustram esta reportagem, passou batom, trocou de roupa. Foi rápido, mas esboçou o mesmo sorriso da moça na foto do celular. Depois, ficou séria de novo. “Sobrancelha cresce?”, perguntou.


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Estudante é 'torturada' por amigas

Artur Rodrigues
Do Diário do Grande ABC

31/01/2006 | 08:34


Priscila (nome fictício), 18 anos, moradora de Santo André pagou caro por sua beleza. Por inveja, afirma a estudante, três ‘amigas de balada’ armaram uma cilada para ela. Atraída para a casa de uma das garotas no último domingo, Priscila foi amarrada, teve os cabelos que chegavam até a cintura cortados e as sobrancelhas raspadas. Foi agredida, humilhada e jogada seminua em local próximo à sua casa, no Parque Novo Oratório. Tatiane Maria da Silva, 21, Glaucia Santos, 23, e outra moça identificada apenas como Nayarani, de 18 anos, são as acusadas pelo crime e estão foragidas. Se encontradas, responderão por constrangimento ilegal, injúria real e porte de entorpecentes.

A armadilha começou com um telefonema, conta Priscila. “Me ligaram convidando para ir na casa da Tatiane. Eu falei que não ia, estava sossegada. Mas como eu estava com a roupa de uma delas acabei indo para devolver”, lembra. Quando chegou no quarto de Tatiane, em um sobrado na Vila Metalúrgica, em Santo André, não teve tempo de reagir ao ataque das três.

O fio do aparelho de alisar cabelos serviu de corda para transformar Priscila em refém. Um foi usado como mordaça. “Pensei que estavam brincando”, relata. Mas não, era só o começo do plano que tinha como principal objetivo aniquilar com a auto-estima da morena bonita, conhecida por andar sempre na moda. “Bateram em mim e começaram a cortar meu cabelo e raspar minha sobrancelha. Rasgaram minhas roupas, cortaram minha calcinha.”

Para esconder a garota da mãe de Tatiane, deixaram-na debaixo da cama. Mas a tortura não pararia por aí. “Elas ficavam me dizendo: ‘Você não se achava? Devia ter aproveitado antes para se encontrar com seu namorado. Agora, você está horrível’”, recorda Priscila.

Duas horas depois, a mãe de Tatiane finalmente descobriria que naquela noite o barulho no quarto era mais que burburinho entre amigas. “Ela me viu e falou: ‘O que vocês estão fazendo com a menina?’ Aí elas resolveram me levar para casa.” Priscila foi colocada num Corsa vinho de um rapaz que seria namorado de Tatiane. O plano incluía roubar o celular de última geração de Priscila. Mas a garota conseguiu escapar quando parou em um orelhão a pedido do grupo para ligar para casa e pedir que o avô pegasse o aparelho. Fugiu vestida apenas com um shortinho e um top aberto. “Corri, corri, corri. Quando cheguei, meu pai me levou direto para a delegacia (o 2º DP de Santo André).”

A Polícia Civil foi até a casa de Tatiane. No local, não encontrou as garotas, apenas restos da roupa de Priscila, resquícios do que seria um cigarro de maconha, seringas e fotos de Tatiane e de Nay, como era conhecida Nayarani. A reportagem foi nesta segunda até o local e conversou com o Everton da Silva, 20 anos, irmão de Tatiane. O garoto confirmou a versão da vítima. Segundo ele, o crime teria ocorrido por causa de um namorado. Questionado sobre quem seria o homem que motivou a vingança, respondeu: “Não sei, minha irmã tem vários namorados”.

De boné na cabeça, abalada, Priscila recebeu o Diário em sua casa. Nega a história do tal namorado e confessa não saber ao certo o que motivou as garotas a cometer a agressão. Conta que conheceu as três ‘amigas’ nas baladas de música eletrônica que freqüenta no Centro de São Paulo. No celular, ainda estão gravadas as fotos das quatro garotas. Todas sorriem. Priscila muda de foto. Na tela, olha a moça de biquíni e de cabelos compridos com nostalgia. “Olha como eu era”, mostra.

A irmã de Priscila, de 24 anos, conta que as ex-amigas atacaram a garota em seu principal ponto fraco: a vaidade. “Ela só andava bem-vestida, com roupas de marca.” O pai passa e comenta, indignado: “Isso aí são más-companhias. Não dá para confiar nessa gente.” O telefone toca. É a Nay. “A polícia está atrás de vocês”, avisa a irmã da vítima, antes de bater o telefone.

Agora, Priscila só quer justiça. E pensa em como vai voltar para o 3º colegial. “Sem cabelo, sem sobrancelha, não sei se vou, não”, comenta a moça. Antes de fazer as fotos que ilustram esta reportagem, passou batom, trocou de roupa. Foi rápido, mas esboçou o mesmo sorriso da moça na foto do celular. Depois, ficou séria de novo. “Sobrancelha cresce?”, perguntou.

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