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Centro logístico não compensará perdas com a saída da Ford

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Construtora visa aproveitar área fabril e usar o restante para logística, cuja quantia movimentada representa 42% da movida pela montadora


Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

18/06/2020 | 00:01


O destino da planta da Ford, no bairro Taboão, em São Bernardo, é incerto após aquisição pela Construtora São José, ainda que o plano diretor municipal permita apenas atividades de logística ou industriais no endereço. À Prefeitura, a nova proprietária informou que tem o objetivo de aproveitar a instalação fabril para atrair montadora e, com o restante ou totalidade da área, caso não haja empresa interessada, implantar centro logístico. Porém, os efeitos econômicos desta atividade são menores em comparação à de manufatura.

Para se ter ideia, o primeiro segmento pode movimentar cerca de R$ 250 milhões ao ano, enquanto apenas salários e benefícios de 4.500 empregados diretos e indiretos da Ford eram responsáveis por R$ 600 milhões por ano, em média. A quantia representa aproximadamente 42% do montante que circulava entre colaboradores da automobilística. A estimativa é do coordenador do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição.

Há também o impacto na cadeia, uma vez que há menos atores envolvidos em atividades logísticas do que nas industriais. “O que chamamos de encadeamentos para trás, que envolve todos os fornecedores e a parte de insumos, e para frente, que inclui área de vendas, mercados, manutenção, seguros e estacionamento, são muito menores do que na Ford”, detalha o docente. “Ainda que (os centros logísticos) envolvam clientes, transporte, armazenamento e sejam empresas com papel importante, a geração de emprego e renda é muito menor.”

Conforme publicado pelo Diário em maio, dez empresas estariam no páreo pela compra do terreno. Antes, a brasileira Caoa chegou a negociar a fábrica, visando manter a linha de montagem de automóveis e caminhões. A BYD, montadora chinesa especializada em veículos elétricos e com fábrica em Campinas, no Interior de São Paulo, também foi uma das interessadas.

Segundo Conceição, ainda que o segmento logístico tenha impactos menores na economia, a aquisição do terreno é vista com bons olhos. “Comparado a ter área degradada, relativamente abandonada, com a estrutura se deteriorando, a compra da planta é positiva, principalmente se for possível aproveitar a instalação fabril. Inclusive, uma área daquela magnitude não existe mais na região, então o melhor é fazer o maior uso possível do terreno”, afirma. Para ele, o ideal é que o know-how do Grande ABC fosse mantido, unindo tecnologia e produção no espaço.

A TRANSAÇÃO
A Construtora São José, com sede na Capital, comprou a área da Ford por R$ 550 milhões, conforme a Prefeitura de São Bernardo divulgou na terça-feira. Por outro lado, a montadora manteve o posicionamento de que a empresa, agora dona do espaço, é “um dos potenciais compradores”. Após 52 anos na cidade, a automobilística norte-americana encerrou a produção em 30 de outubro, deixando pelo menos 2.800 desempregados diretos.

Questionada, a administração chefiada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB) informou que não tem novidades relacionadas ao início da tutela do terreno pela construtora, assim como estimativa de geração de empregos. A equipe do Diário não conseguiu contato com a São José até o fechamento desta edição. 



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Centro logístico não compensará perdas com a saída da Ford

Construtora visa aproveitar área fabril e usar o restante para logística, cuja quantia movimentada representa 42% da movida pela montadora

Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

18/06/2020 | 00:01


O destino da planta da Ford, no bairro Taboão, em São Bernardo, é incerto após aquisição pela Construtora São José, ainda que o plano diretor municipal permita apenas atividades de logística ou industriais no endereço. À Prefeitura, a nova proprietária informou que tem o objetivo de aproveitar a instalação fabril para atrair montadora e, com o restante ou totalidade da área, caso não haja empresa interessada, implantar centro logístico. Porém, os efeitos econômicos desta atividade são menores em comparação à de manufatura.

Para se ter ideia, o primeiro segmento pode movimentar cerca de R$ 250 milhões ao ano, enquanto apenas salários e benefícios de 4.500 empregados diretos e indiretos da Ford eram responsáveis por R$ 600 milhões por ano, em média. A quantia representa aproximadamente 42% do montante que circulava entre colaboradores da automobilística. A estimativa é do coordenador do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição.

Há também o impacto na cadeia, uma vez que há menos atores envolvidos em atividades logísticas do que nas industriais. “O que chamamos de encadeamentos para trás, que envolve todos os fornecedores e a parte de insumos, e para frente, que inclui área de vendas, mercados, manutenção, seguros e estacionamento, são muito menores do que na Ford”, detalha o docente. “Ainda que (os centros logísticos) envolvam clientes, transporte, armazenamento e sejam empresas com papel importante, a geração de emprego e renda é muito menor.”

Conforme publicado pelo Diário em maio, dez empresas estariam no páreo pela compra do terreno. Antes, a brasileira Caoa chegou a negociar a fábrica, visando manter a linha de montagem de automóveis e caminhões. A BYD, montadora chinesa especializada em veículos elétricos e com fábrica em Campinas, no Interior de São Paulo, também foi uma das interessadas.

Segundo Conceição, ainda que o segmento logístico tenha impactos menores na economia, a aquisição do terreno é vista com bons olhos. “Comparado a ter área degradada, relativamente abandonada, com a estrutura se deteriorando, a compra da planta é positiva, principalmente se for possível aproveitar a instalação fabril. Inclusive, uma área daquela magnitude não existe mais na região, então o melhor é fazer o maior uso possível do terreno”, afirma. Para ele, o ideal é que o know-how do Grande ABC fosse mantido, unindo tecnologia e produção no espaço.

A TRANSAÇÃO
A Construtora São José, com sede na Capital, comprou a área da Ford por R$ 550 milhões, conforme a Prefeitura de São Bernardo divulgou na terça-feira. Por outro lado, a montadora manteve o posicionamento de que a empresa, agora dona do espaço, é “um dos potenciais compradores”. Após 52 anos na cidade, a automobilística norte-americana encerrou a produção em 30 de outubro, deixando pelo menos 2.800 desempregados diretos.

Questionada, a administração chefiada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB) informou que não tem novidades relacionadas ao início da tutela do terreno pela construtora, assim como estimativa de geração de empregos. A equipe do Diário não conseguiu contato com a São José até o fechamento desta edição. 

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