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'O que vai ajudar o País a sair da crise é a ciência’

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações fala sobre os desafios da pasta


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

15/06/2020 | 07:00


Primeiro brasileiro a ir ao espaço, em 2006, Marcos Pontes explica como é lidar com ala do governo federal que acredita que a Terra é plana. Essa não é a única resistência que enfrenta. À frente da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovações lida com cortes no orçamento voltado à pesquisa, mesmo ressaltando que será das mãos dos cientistas que sairá a solução para a pandemia da Covid-19. Avesso à polêmica, contemporizou o desmembramento da Comunicação do seu ministério e assume que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, influenciou na escolha do deputado federal Fábio Faria, do Rio Grande do Norte, para o cargo.

O senhor foi comunicado sobre a mudança no ministério e o desmembramento da Comunicação, anunciado dia 10?
Recebo com tranquilidade (a decisão), mesmo porque já preparei o ministério para isso. As nossas secretarias estão extremamente bem organizadas. Basicamente, o (Gilberto) Kassab fez uma terraplanagem e eu preparei o alicerce todo das secretarias. Agora, o ministro que entra (o deputado federal Fábio Faria – PSD-RN) vai construir as paredes. No fim das contas é sempre para o bem da população e para ajustar a estrutura prevista pelo presidente (Jair Bolsonaro – sem partido).

Como astronauta, como o senhor lida com a ala olavista (ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente Bolsonaro, que em 2019 publicou que não há nada que refute a ideia da planicidade da Terra) do governo que acredita que a Terra seja plana?
Isso é bobagem. Não ouvi ninguém falando diretamente isso, em qualquer das esferas do governo. Mas sempre vai ter este tipo de coisa. Pessoal acha que não teve gente na lua (Pontes foi o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço, em 2006, na Missão Centenário), acham que tem extraterrestres entre nós, então, essas coisas sempre vão existir. É normal, faz parte do folclore das pessoas. Mas a ciência está aí, nem perco tempo (em debater).

O governo federal tem tirado verba das pesquisas, principalmente das universidades. Como o senhor lida com este desafio?
Pessoal fala que reclamo bastante de orçamento, mas sou o ministro da área, então, obviamente tenho de defender o orçamento da pasta. Compreendo e isso é importante, que o País não está em situação fiscal boa. Os custos são extremamente altos. Mas uma coisa que costumo dizer é que a ciência , tecnologia e inovação são ferramentas que foram utilizadas em todos os países, principalmente em momentos de crise. Primeiro porque elas te ajudam a sair da crise. O que vai ajudar um país a sair da crise é a busca pela ciência, ou seja, vacinas, testes diagnósticos e assim por diante. Temos dois ministérios que trabalham em conjunto, ligados à Educação. O ministério da Educação tem orçamento superior ao nosso, dez vezes mais, já que trabalha com universidades, ensino fundamental, médio, e nós trabalhamos com pesquisa. De forma geral, investimento de R$ 1 bilhão que meu ministério colocou, tanto na pesquisa básica, como em remédios, vacinas, diagnósticos, patogênese etc, quanto no desenvolvimento de inovações, como ventiladores, equipamentos de proteção individual e coletiva. Do nosso ponto de vista, não teve restrição de orçamento.

Como o senhor acompanha o debate sobre o uso da hidroxicloroquina? Este é assunto que o senhor teve participação ou influência na decisão do governo de liberar para as fases iniciais? Porque existe toda essa expectativa do governo sobre a medicação e não tem a mesma luta para a inserção do Anitta, por exemplo, no tratamento?
Essa parte da cloroquina nós não participamos. No ministério, um dos nossos protocolos de teste envolve a hidroxicloroquina, assim como temos estudos com a vacina BCG, imunização, soro de pacientes, antivirais, medicamentos, enfim, mais de 2.000 projetos que apareceram no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para combater a Covid-19. A cloroquina tem sido testada em todo o planeta. Para nós, como a Nitazoxanida (Anitta) já vem sendo desenvolvida no ministério desde fevereiro e se mostrando positiva e promissora, estamos focados nisso. Precisamos ter respostas rápidas. É foco. Não tenho base para dizer se defendo ou não o uso da cloroquina, primeiro porque não tenho conhecimento, os médicos é que conseguem falar melhor. Mas tem milhares de pessoas olhando isso no planeta, trabalho por foco e agora focamos no Anitta. Além disso, meu ministério nem trabalha com a indicação de um remédio ou outro. Isso quem faz é o Ministério da Saúde, nós fazemos pesquisas e escolhemos o Anitta.

Como o senhor vê o embate entre os que defendem a economia e os que preferem ouvir a ciência ao decidir sobre os níveis de isolamento?
Não são excludentes de maneira nenhuma as possibilidades. Costumo ver isso como piloto. Quando você está pilotando um avião e tem pane no motor, o que tem de fazer? Isso é o que está acontecendo no planeta. Nada é muito calmo no meio da tempestade, como sempre. Mas, de repente, você tem uma pandemia para cuidar, com efeito imediato na saúde das pessoas, gente morrendo, então tem de tomar providência rápida. É o que a gente faz na parte de emergência do voo. Corta o motor, corta o combustível, parte elétrica, que são os procedimentos de emergência que o piloto tem de saber de cabeça. É como fazemos agora, com medidas de isolamento e indicar o uso de máscaras. Essas são as providências imediatas. Voltando ao avião, na sequência das emergências, você pega o checklist da aeronave e vai ver o que tem de ser feito para resolver. E agora, para nós, é o que estamos fazendo com a pandemia. Vamos achar um remédio, uma vacina para resolver o problema. Terceiro passo na pane do avião é pensar que, neste tempo em que você esta pilotando a aeronave, se cuidar somente desses procedimentos de pane emergencial e largar o resto, está resolvendo o problema da aeronave, e morre porque não cuidou de voar o avião. E isso é a parte da economia. As pessoas têm de ter seu emprego mantido e aí entram todos os procedimentos que o ministério da Economia tem feito. O presidente Jair Bolsonaro é muito mal entendido. O pessoal acha que ele não está ligando para as pessoas, muito pelo contrário, eu o conheço há muito tempo. Ele liga, e muito, se importa demais. Ele está preocupado que as pessoas estão morrendo, perdendo emprego, e está em busca de soluções rápidas. Ele, como presidente, tem de olhar o todo. Está certo. É como um piloto, não pode parar de voar o avião. Se Deus quiser, esse remédio (Anitta) vai funcionar e tendo um remédio desse, e testes diagnósticos disponíveis em quantidade no Brasil, conseguimos testar, usar o medicamento e toda essa parte do isolamento começa a ser aliviada.

A posição do presidente Jair Bolsonaro é clara em relação ao isolamento. O senhor partilha da ideia de que o confinamento deveria ter sido feito de forma vertical desde o início da pandemia?
Sou segurança de voo, cara que trabalha com prevenção e investigação de acidente, desde 1987. Ou seja, são 33 anos fazendo isso. Às vezes, se vê em esquadrões de voo se dizer que todos os pilotos devem fazer tal coisa e que outras são proibidas. Põe um monte de regras. Mas nada disso vai funcionar até que o piloto, em si, tenha a atitude correta perante a segurança de voo. Traduzindo para os nossos termos, para mim, o que funciona é as pessoas perceberem o que elas tem de fazer. O que proponho, inclusive para a imprensa, é que em vez de focar nestas questões, foquem em dar a informação correta às pessoas. Convencer o indivíduo a tomar conta dele e das pessoas à sua volta. Sou muito pragmático em termos de como tem de ser.

Essa é sua primeira experiência na política. Está sendo como imaginava?
A questão mais complexa com relação a isso é como tratar da burocracia que existe em torno de qualquer coisa que você vá fazer no setor público. Isso é uma das coisas que o presidente Bolsonaro tem falado bastante, que tenhamos desburocratização do País. A parte de comunicação com as pessoas, isso não é problema nenhum. Com o setor político também tenho uma relação muita boa.

Como o senhor acompanhou o recente lançamento do foguete Falcon 9, da SpaceX, dia 30 de maio, nos Estados Unidos?
Foi um momento histórico. Fiquei no programa espacial norte-americano por 20 anos e, no início, teve toda aquela parte do ônibus espacial. Peguei bem o começo do desenvolvimento da estação espacial internacional e, depois, com o acidente (do ônibus espacial) da Columbia, o governo norte-americano determinou a parada da circulação. Foi um momento complexo, porque a gente tinha de parar um programa e, ao mesmo tempo, criar novo com dois tipos de foguete, sendo um para carga e outro para pessoas. Aí veio solução muito boa, que foi a utilização da infraestrutura privada. A entrada do setor privado reduz custos, traz mais emprego, movimenta o setor e outras indústrias, porque não é só a SpaceX, tem as indústrias que participam para que funcione. Com a persistência, foi possível colocar cargas na estação espacial e desenvolver sistemas únicos de pouso, o que vai ser muito importante quando a gente chegar na Lua, em Marte etc. E, depois, finalmente agora, levando passageiros.

Como está o programa espacial brasileiro? Tem alguém na fila para ir ao espaço?
Nosso programa espacial brasileiro tem sofrido por falta de orçamento e de prioridade há muito tempo. Desde que cheguei ao ministério tenho tentado empurrar o programa espacial. No ano passado conseguimos destravar o acordo de salvaguardas tecnológicas, emperrado há 20 anos. E conseguimos, já que tenho ótimo relacionamento com o Congresso Nacional. Com isso, este ano estamos nos planos de utilização do centro espacial de Alcântara (no Maranhão). Nesta fase colocamos série de ministérios juntos, a comunidade local, representações, prefeitura, Estado, de forma que consigamos fazer plano de negócios em conjunto. Acabei de pedir orçamento relativo a isso, para começar a testar alguns foguetes.

RAIO X

Nome: Marcos César Pontes.
Estado civil: Casado.
Idade: 57 anos.
Local de nascimento: Bauru (SP).
Formação: Administrador de empresas, tecnólogo em ciências aeronáuticas, piloto militar e de testes, engenheiro aeronáutico, mestre em engenharia de sistemas e coach.
Hobby: Ciência e tecnologia; desenho, música e artes em geral.
Local predileto: Biblioteca.
Livro que recomenda: Os de física moderna, do autor Michio Kaku.
Artista que marcou sua vida: Leonardo da Vinci.
Profissão:
Tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, atualmente na reserva, engenheiro, cosmonauta e ministro.
Onde trabalha: Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações. 



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'O que vai ajudar o País a sair da crise é a ciência’

Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações fala sobre os desafios da pasta

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

15/06/2020 | 07:00


Primeiro brasileiro a ir ao espaço, em 2006, Marcos Pontes explica como é lidar com ala do governo federal que acredita que a Terra é plana. Essa não é a única resistência que enfrenta. À frente da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovações lida com cortes no orçamento voltado à pesquisa, mesmo ressaltando que será das mãos dos cientistas que sairá a solução para a pandemia da Covid-19. Avesso à polêmica, contemporizou o desmembramento da Comunicação do seu ministério e assume que Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, influenciou na escolha do deputado federal Fábio Faria, do Rio Grande do Norte, para o cargo.

O senhor foi comunicado sobre a mudança no ministério e o desmembramento da Comunicação, anunciado dia 10?
Recebo com tranquilidade (a decisão), mesmo porque já preparei o ministério para isso. As nossas secretarias estão extremamente bem organizadas. Basicamente, o (Gilberto) Kassab fez uma terraplanagem e eu preparei o alicerce todo das secretarias. Agora, o ministro que entra (o deputado federal Fábio Faria – PSD-RN) vai construir as paredes. No fim das contas é sempre para o bem da população e para ajustar a estrutura prevista pelo presidente (Jair Bolsonaro – sem partido).

Como astronauta, como o senhor lida com a ala olavista (ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho, guru do presidente Bolsonaro, que em 2019 publicou que não há nada que refute a ideia da planicidade da Terra) do governo que acredita que a Terra seja plana?
Isso é bobagem. Não ouvi ninguém falando diretamente isso, em qualquer das esferas do governo. Mas sempre vai ter este tipo de coisa. Pessoal acha que não teve gente na lua (Pontes foi o primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço, em 2006, na Missão Centenário), acham que tem extraterrestres entre nós, então, essas coisas sempre vão existir. É normal, faz parte do folclore das pessoas. Mas a ciência está aí, nem perco tempo (em debater).

O governo federal tem tirado verba das pesquisas, principalmente das universidades. Como o senhor lida com este desafio?
Pessoal fala que reclamo bastante de orçamento, mas sou o ministro da área, então, obviamente tenho de defender o orçamento da pasta. Compreendo e isso é importante, que o País não está em situação fiscal boa. Os custos são extremamente altos. Mas uma coisa que costumo dizer é que a ciência , tecnologia e inovação são ferramentas que foram utilizadas em todos os países, principalmente em momentos de crise. Primeiro porque elas te ajudam a sair da crise. O que vai ajudar um país a sair da crise é a busca pela ciência, ou seja, vacinas, testes diagnósticos e assim por diante. Temos dois ministérios que trabalham em conjunto, ligados à Educação. O ministério da Educação tem orçamento superior ao nosso, dez vezes mais, já que trabalha com universidades, ensino fundamental, médio, e nós trabalhamos com pesquisa. De forma geral, investimento de R$ 1 bilhão que meu ministério colocou, tanto na pesquisa básica, como em remédios, vacinas, diagnósticos, patogênese etc, quanto no desenvolvimento de inovações, como ventiladores, equipamentos de proteção individual e coletiva. Do nosso ponto de vista, não teve restrição de orçamento.

Como o senhor acompanha o debate sobre o uso da hidroxicloroquina? Este é assunto que o senhor teve participação ou influência na decisão do governo de liberar para as fases iniciais? Porque existe toda essa expectativa do governo sobre a medicação e não tem a mesma luta para a inserção do Anitta, por exemplo, no tratamento?
Essa parte da cloroquina nós não participamos. No ministério, um dos nossos protocolos de teste envolve a hidroxicloroquina, assim como temos estudos com a vacina BCG, imunização, soro de pacientes, antivirais, medicamentos, enfim, mais de 2.000 projetos que apareceram no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para combater a Covid-19. A cloroquina tem sido testada em todo o planeta. Para nós, como a Nitazoxanida (Anitta) já vem sendo desenvolvida no ministério desde fevereiro e se mostrando positiva e promissora, estamos focados nisso. Precisamos ter respostas rápidas. É foco. Não tenho base para dizer se defendo ou não o uso da cloroquina, primeiro porque não tenho conhecimento, os médicos é que conseguem falar melhor. Mas tem milhares de pessoas olhando isso no planeta, trabalho por foco e agora focamos no Anitta. Além disso, meu ministério nem trabalha com a indicação de um remédio ou outro. Isso quem faz é o Ministério da Saúde, nós fazemos pesquisas e escolhemos o Anitta.

Como o senhor vê o embate entre os que defendem a economia e os que preferem ouvir a ciência ao decidir sobre os níveis de isolamento?
Não são excludentes de maneira nenhuma as possibilidades. Costumo ver isso como piloto. Quando você está pilotando um avião e tem pane no motor, o que tem de fazer? Isso é o que está acontecendo no planeta. Nada é muito calmo no meio da tempestade, como sempre. Mas, de repente, você tem uma pandemia para cuidar, com efeito imediato na saúde das pessoas, gente morrendo, então tem de tomar providência rápida. É o que a gente faz na parte de emergência do voo. Corta o motor, corta o combustível, parte elétrica, que são os procedimentos de emergência que o piloto tem de saber de cabeça. É como fazemos agora, com medidas de isolamento e indicar o uso de máscaras. Essas são as providências imediatas. Voltando ao avião, na sequência das emergências, você pega o checklist da aeronave e vai ver o que tem de ser feito para resolver. E agora, para nós, é o que estamos fazendo com a pandemia. Vamos achar um remédio, uma vacina para resolver o problema. Terceiro passo na pane do avião é pensar que, neste tempo em que você esta pilotando a aeronave, se cuidar somente desses procedimentos de pane emergencial e largar o resto, está resolvendo o problema da aeronave, e morre porque não cuidou de voar o avião. E isso é a parte da economia. As pessoas têm de ter seu emprego mantido e aí entram todos os procedimentos que o ministério da Economia tem feito. O presidente Jair Bolsonaro é muito mal entendido. O pessoal acha que ele não está ligando para as pessoas, muito pelo contrário, eu o conheço há muito tempo. Ele liga, e muito, se importa demais. Ele está preocupado que as pessoas estão morrendo, perdendo emprego, e está em busca de soluções rápidas. Ele, como presidente, tem de olhar o todo. Está certo. É como um piloto, não pode parar de voar o avião. Se Deus quiser, esse remédio (Anitta) vai funcionar e tendo um remédio desse, e testes diagnósticos disponíveis em quantidade no Brasil, conseguimos testar, usar o medicamento e toda essa parte do isolamento começa a ser aliviada.

A posição do presidente Jair Bolsonaro é clara em relação ao isolamento. O senhor partilha da ideia de que o confinamento deveria ter sido feito de forma vertical desde o início da pandemia?
Sou segurança de voo, cara que trabalha com prevenção e investigação de acidente, desde 1987. Ou seja, são 33 anos fazendo isso. Às vezes, se vê em esquadrões de voo se dizer que todos os pilotos devem fazer tal coisa e que outras são proibidas. Põe um monte de regras. Mas nada disso vai funcionar até que o piloto, em si, tenha a atitude correta perante a segurança de voo. Traduzindo para os nossos termos, para mim, o que funciona é as pessoas perceberem o que elas tem de fazer. O que proponho, inclusive para a imprensa, é que em vez de focar nestas questões, foquem em dar a informação correta às pessoas. Convencer o indivíduo a tomar conta dele e das pessoas à sua volta. Sou muito pragmático em termos de como tem de ser.

Essa é sua primeira experiência na política. Está sendo como imaginava?
A questão mais complexa com relação a isso é como tratar da burocracia que existe em torno de qualquer coisa que você vá fazer no setor público. Isso é uma das coisas que o presidente Bolsonaro tem falado bastante, que tenhamos desburocratização do País. A parte de comunicação com as pessoas, isso não é problema nenhum. Com o setor político também tenho uma relação muita boa.

Como o senhor acompanhou o recente lançamento do foguete Falcon 9, da SpaceX, dia 30 de maio, nos Estados Unidos?
Foi um momento histórico. Fiquei no programa espacial norte-americano por 20 anos e, no início, teve toda aquela parte do ônibus espacial. Peguei bem o começo do desenvolvimento da estação espacial internacional e, depois, com o acidente (do ônibus espacial) da Columbia, o governo norte-americano determinou a parada da circulação. Foi um momento complexo, porque a gente tinha de parar um programa e, ao mesmo tempo, criar novo com dois tipos de foguete, sendo um para carga e outro para pessoas. Aí veio solução muito boa, que foi a utilização da infraestrutura privada. A entrada do setor privado reduz custos, traz mais emprego, movimenta o setor e outras indústrias, porque não é só a SpaceX, tem as indústrias que participam para que funcione. Com a persistência, foi possível colocar cargas na estação espacial e desenvolver sistemas únicos de pouso, o que vai ser muito importante quando a gente chegar na Lua, em Marte etc. E, depois, finalmente agora, levando passageiros.

Como está o programa espacial brasileiro? Tem alguém na fila para ir ao espaço?
Nosso programa espacial brasileiro tem sofrido por falta de orçamento e de prioridade há muito tempo. Desde que cheguei ao ministério tenho tentado empurrar o programa espacial. No ano passado conseguimos destravar o acordo de salvaguardas tecnológicas, emperrado há 20 anos. E conseguimos, já que tenho ótimo relacionamento com o Congresso Nacional. Com isso, este ano estamos nos planos de utilização do centro espacial de Alcântara (no Maranhão). Nesta fase colocamos série de ministérios juntos, a comunidade local, representações, prefeitura, Estado, de forma que consigamos fazer plano de negócios em conjunto. Acabei de pedir orçamento relativo a isso, para começar a testar alguns foguetes.

RAIO X

Nome: Marcos César Pontes.
Estado civil: Casado.
Idade: 57 anos.
Local de nascimento: Bauru (SP).
Formação: Administrador de empresas, tecnólogo em ciências aeronáuticas, piloto militar e de testes, engenheiro aeronáutico, mestre em engenharia de sistemas e coach.
Hobby: Ciência e tecnologia; desenho, música e artes em geral.
Local predileto: Biblioteca.
Livro que recomenda: Os de física moderna, do autor Michio Kaku.
Artista que marcou sua vida: Leonardo da Vinci.
Profissão:
Tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, atualmente na reserva, engenheiro, cosmonauta e ministro.
Onde trabalha: Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações. 

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