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Acorda ABC busca parceria com Chile

Seminário com chilenos deve identificar torturadores do Grande ABC na Operação Condor


Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

05/05/2013 | 07:00


O projeto Acorda ABC, que pretende relatar histórias dos perseguidos políticos do Grande ABC durante o regime militar (1964-1985), irá realizar seminário em parceria com o Chile no dia 11 de setembro.

O objetivo do evento é trocar experiências, principalmente sobre identificação dos torturadores da região que participaram da Operação Condor. O movimento foi aliança das ditaduras militares de diversos países da América Latina, entre eles Brasil e Chile. A identificação de subversivos que atuavam nos países era uma das ações do acordo, em Santo André.

Cido Faria, responsável pelas pesquisas do Acorda ABC, afirmou que os 100 depoimentos recolhidos em um mês do projeto mostram que duas pessoas da região sumiram na Operação Condor. Os jovens teriam sido mortos em Foz do Iguaçu, no Paraná, na divisa com o Paraguai.

O pesquisador avaliou que o seminário pretende discutir políticas para conscientizar a população brasileira sobre a importância de conhecer os militares que participavam das torturas e execuções. "Queremos ver ações conjuntas porque o Chile possui generais identificados e presos. No Brasil, não houve condenações", disse.

O líder do projeto explicou que a intenção não é punir tardiamente aqueles que praticaram ações violentas contra os militantes contrários ao regime, mas criar ferramentas que fomentem a discussão na sociedade brasileira.

Um dos fundadores do Movimiento de Izquierda Revolucionario no Chile, Pascal Allende, sobrinho do ex-presidente Salvador Allende, deve estar presente no seminário. Pascal ficou exilado na Costa Rica e comandou guerrilhas para ajudar no regresso de militantes chilenos ao país.

O ex-embaixador do Chile no Brasil Álvaro Díaz também é aguardado. A organização ainda pretende trazer uma militante que foi presa e torturada na Villa Grimaldi (espécie de campo de concentração do regime militar chileno). "Acreditamos que o embaixador vai conseguir passar informações precisas sobre atuação de torturadores da região na Operação Condor", frisou Cido Faria.

O golpe militar no Chile ocorreu após a morte de Salvador Allende e a junta militar liderada por Augusto Pinochet chegou ao poder em 1973, no qual permaneceu até 1988. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas ou desapareceram e 200 mil abandonaram o país durante o período. "O nosso golpe foi mais suave do que o deles. A troca de experiência vai ser importante para resgatar as histórias, que sempre estiveram interligadas", destacou Cido.

O pesquisador selecionou o padre Rubens Chasseraux e Olivier Negri para representar o Brasil no seminário. Os dois possuem histórias de luta com os movimentos sociais em Santo André e Mauá, respectivamente, e atuaram na AP (Ação Popular).



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Acorda ABC busca parceria com Chile

Seminário com chilenos deve identificar torturadores do Grande ABC na Operação Condor

Cynthia Tavares
Do Diário do Grande ABC

05/05/2013 | 07:00


O projeto Acorda ABC, que pretende relatar histórias dos perseguidos políticos do Grande ABC durante o regime militar (1964-1985), irá realizar seminário em parceria com o Chile no dia 11 de setembro.

O objetivo do evento é trocar experiências, principalmente sobre identificação dos torturadores da região que participaram da Operação Condor. O movimento foi aliança das ditaduras militares de diversos países da América Latina, entre eles Brasil e Chile. A identificação de subversivos que atuavam nos países era uma das ações do acordo, em Santo André.

Cido Faria, responsável pelas pesquisas do Acorda ABC, afirmou que os 100 depoimentos recolhidos em um mês do projeto mostram que duas pessoas da região sumiram na Operação Condor. Os jovens teriam sido mortos em Foz do Iguaçu, no Paraná, na divisa com o Paraguai.

O pesquisador avaliou que o seminário pretende discutir políticas para conscientizar a população brasileira sobre a importância de conhecer os militares que participavam das torturas e execuções. "Queremos ver ações conjuntas porque o Chile possui generais identificados e presos. No Brasil, não houve condenações", disse.

O líder do projeto explicou que a intenção não é punir tardiamente aqueles que praticaram ações violentas contra os militantes contrários ao regime, mas criar ferramentas que fomentem a discussão na sociedade brasileira.

Um dos fundadores do Movimiento de Izquierda Revolucionario no Chile, Pascal Allende, sobrinho do ex-presidente Salvador Allende, deve estar presente no seminário. Pascal ficou exilado na Costa Rica e comandou guerrilhas para ajudar no regresso de militantes chilenos ao país.

O ex-embaixador do Chile no Brasil Álvaro Díaz também é aguardado. A organização ainda pretende trazer uma militante que foi presa e torturada na Villa Grimaldi (espécie de campo de concentração do regime militar chileno). "Acreditamos que o embaixador vai conseguir passar informações precisas sobre atuação de torturadores da região na Operação Condor", frisou Cido Faria.

O golpe militar no Chile ocorreu após a morte de Salvador Allende e a junta militar liderada por Augusto Pinochet chegou ao poder em 1973, no qual permaneceu até 1988. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas ou desapareceram e 200 mil abandonaram o país durante o período. "O nosso golpe foi mais suave do que o deles. A troca de experiência vai ser importante para resgatar as histórias, que sempre estiveram interligadas", destacou Cido.

O pesquisador selecionou o padre Rubens Chasseraux e Olivier Negri para representar o Brasil no seminário. Os dois possuem histórias de luta com os movimentos sociais em Santo André e Mauá, respectivamente, e atuaram na AP (Ação Popular).

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