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Número de casos de SRAG cresce 36 vezes no Grande ABC

Síndrome é agravamento do quadro do coronavírus; para especialistas, pandemia influenciou aumento


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

14/06/2020 | 07:00


O número de pessoas que tiveram morte confirmada tendo a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) como causa no Grande ABC entre 15 de março e 10 de junho de 2019 cresceu 36 vezes (ou 3.566%) comparado com o mesmo período de 2020, quando a região foi atingida pela pandemia do novo coronavírus. No ano passado foram três vítimas (duas em Santo André e uma em Ribeirão Pires) enquanto que neste ano já foram 101 óbitos em razão da doença (veja a relação por município na tabela), que é justamente um agravamento de infecções virais, como Influenza, Adenovírus, Parainfluenza e a Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19), por exemplo.

Especialistas apontam que existe a possibilidade de subnotificação de casos atrelados à SRAG em 2019. Mas o novo coronavírus é quem provavelmente faz diferença tão representativa no cenário comparativo de um ano para outro. E o fato não se restringe apenas à região. Traçando um paralelo a nível nacional em período similar (16 de março a 3 de junho), foram 349 perdas no ano passado e 6.994 em 2020.

“Este aumento neste período, quando o esperado é ter outro padrão de ocorrência, é sugestivo a ter associação desta ocorrência com a pandemia que estamos vivendo”, indica Sonia Regina Pereira de Souza, epidemiologista e professora do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). “É preciso estudo para afirmar categoricamente que estão relacionadas, mas os dados são sugestivos que tem associação com a pandemia. Não tem agente externo que possa explicar este aumento. O que de novo tem? Isso daí (pandemia)”, complementa a especialista.

“Pode ter um viés aí de em 2019 ninguém relatar por não ter ‘tanta importância’ esta razão de morte e, neste ano, todo mundo relatar. Então, talvez, não tenham notificado no ano passado, por isso número tão baixo (em comparação a 2020)”, atenta Mônica Silveira Lapa, pneumologista e docente do curso de medicina da USCS.

O crescimento de casos de SRAG foi notado também em outros lugares que sofreram com a pandemia do novo coronavírus. “Existem dados consistentes que em todo país que teve a epidemia houve registro (de crescimento) efetivo da internação pela síndrome (respiratória aguda grave)”, compara a epidemiologista.

RELAÇÃO
Sars-CoV-2 e SRAG não podem ser consideradas doenças distintas. Isso porque a segunda pode ser justamente um agravamento da primeira. “É uma consequência do ataque do vírus ao indivíduo. A infecção vai proporcionar uma série de impactos no organismo. A pessoa infectada vai apresentar alguns sinais dos sintomas e a gravidade é que vai classificar o quadro da síndrome”, explica Sonia Regina.

Entretanto nem todo caso de novo coronavírus pode se tornar uma SRAG. “O vírus da Covid-19 evolui para a síndrome respiratória aguda grave em uma minoria de casos”, explica a pneumologista. Mas quando isso acontece, tem grande potencial de ser mortal. “Por ser quadro muito grave, tem risco maior de levar a óbito”, emenda Sonia.

Mônica esclarece, entretanto, que existem outros quadros aos quais as complicações pelo novo coronavírus podem matar o paciente, como “trombose, derrame cerebral e coagulação intravascular disseminada”.

INTERNAÇÕES
O painel Covid-19 do Ministério da Saúde apontava na sexta-feira que no Estado de São Paulo haviam 33.768 pessoas internadas por SRAG e, destas, 8.469 evoluíram do novo coronavírus. O território paulista é, disparado, o que tem maior número de casos. Em comparação, o segundo no ranking é Minas Gerais, com 5.188 pacientes com SRAG, 336 provenientes do novo coronavírus.



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