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Crianças representam menos de 2% dos pacientes com Covid-19

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estudo diz que menor quantidade de receptores nasais protege os pequenos


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

13/06/2020 | 00:30


O número de crianças contaminadas pela Covid-19 no Grande ABC não chega a 2% do total de registros. Segundo dados informados pelas prefeituras, até o dia 10 de junho, dos 10.212 casos que haviam sido confirmados na região, apenas 170, ou 1,6% das pessoas infectadas, tinham até 12 anos (os números não incluem dados de Rio Grande da Serra, que não informou a ocorrência da doença em crianças).

Estudo publicado pela Associação Americana de Medicina com 305 amostras nasais de pessoas entre 4 e 60 anos constatou que as crianças têm menos receptores nasais do que adultos, o que pode explicar a baixa incidência de Covid-19 nesta população.

Pediatra do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Talita Cordeschi Correa explica que existem outras hipóteses para justificar a baixa incidência do novo coronavírus em crianças, entre elas o fato de o sistema de imunidade ser menos desenvolvido, sem capacidade de resposta inflamatória exacerbada e que os receptores ECA-2 (os mesmos explorados no estudo norte-americano) são imaturos, dificultando a invasão celular pelo vírus. “O uso de vacinação BCG (contra tuberculose) e, talvez, infecções prévias pelo vírus sincicial respiratório, que é a principal causa de infecções das vias respiratórias em bebês e recém-nascidos (podem ajudar a proteger as crianças)”, completa.

A médica alerta que mais estudos são necessários para explicar por que as crianças são menos susceptíveis à agressividade do novo coronavírus. “Estamos na fase de aprendizagem sobre esse novo vírus e a todo momento são feitas publicações científicas com novas informações, que mudam tudo que se sabia”, pontuou.

A pediatra Flavia Schaidhauer corrobora com a fala de Talita de que o estudo ainda é preliminar e, como tudo o que se sabe até agora sobre a doença, pode mudar, por se tratar de enfermidade nova. Flavia cita que em todo o mundo, crianças estão sendo menos testadas, o que também pode ser uma justificativa para o pequeno número de casos entre elas. E mesmo que menos comum, a Covid-19 pode ter complicações graves entre pessoas menores de 12 anos.

“A Inglaterra foi o primeiro país a relatar que em algumas crianças o novo coronavírus causou síndrome inflamatório multissistêmica, um estado generalizado de inflação do organismo que levou a uma falência múltipla dos órgãos e à morte em alguns casos pelo mundo”, relata a pediatra.

Flavia pontua que as medidas que sabidamente são eficazes para a prevenção da doença, como a higienização das mãos e o distanciamento físico, também valem para os pequenos. “O uso de máscaras não é recomendado para quem tem menos de 2 anos, pelo risco de asfixia”, alerta.

A médica explica que entre adultos ou crianças maiores, a sensação de falta de ar causada por algumas máscaras é resolvida com a retirada do acessório, mas em crianças menores, elas não fazem essa associação e passam a respirar o gás carbônico que elas mesmas expelem, causando sonolência, desmaios e até óbitos. Crianças até 12 anos devem usar a máscara com supervisão de adultos.

A pediatra aconselha os pais a não terem pressa sobre o retorno das aulas presenciais dos filhos. “A gente entende que são muitas questões, que os próprios pais precisam voltar ao trabalho, se preocupam com perdas de aprendizado, mas, sem dúvidas, a retomada das aulas vai não só aumentar os casos de Covid-19 entre crianças, como expor todas elas aos outros vírus que já existem, como (os que causam a) Influenza e meningite”, finaliza a pediatra.
 



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Crianças representam menos de 2% dos pacientes com Covid-19

Estudo diz que menor quantidade de receptores nasais protege os pequenos

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

13/06/2020 | 00:30


O número de crianças contaminadas pela Covid-19 no Grande ABC não chega a 2% do total de registros. Segundo dados informados pelas prefeituras, até o dia 10 de junho, dos 10.212 casos que haviam sido confirmados na região, apenas 170, ou 1,6% das pessoas infectadas, tinham até 12 anos (os números não incluem dados de Rio Grande da Serra, que não informou a ocorrência da doença em crianças).

Estudo publicado pela Associação Americana de Medicina com 305 amostras nasais de pessoas entre 4 e 60 anos constatou que as crianças têm menos receptores nasais do que adultos, o que pode explicar a baixa incidência de Covid-19 nesta população.

Pediatra do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, Talita Cordeschi Correa explica que existem outras hipóteses para justificar a baixa incidência do novo coronavírus em crianças, entre elas o fato de o sistema de imunidade ser menos desenvolvido, sem capacidade de resposta inflamatória exacerbada e que os receptores ECA-2 (os mesmos explorados no estudo norte-americano) são imaturos, dificultando a invasão celular pelo vírus. “O uso de vacinação BCG (contra tuberculose) e, talvez, infecções prévias pelo vírus sincicial respiratório, que é a principal causa de infecções das vias respiratórias em bebês e recém-nascidos (podem ajudar a proteger as crianças)”, completa.

A médica alerta que mais estudos são necessários para explicar por que as crianças são menos susceptíveis à agressividade do novo coronavírus. “Estamos na fase de aprendizagem sobre esse novo vírus e a todo momento são feitas publicações científicas com novas informações, que mudam tudo que se sabia”, pontuou.

A pediatra Flavia Schaidhauer corrobora com a fala de Talita de que o estudo ainda é preliminar e, como tudo o que se sabe até agora sobre a doença, pode mudar, por se tratar de enfermidade nova. Flavia cita que em todo o mundo, crianças estão sendo menos testadas, o que também pode ser uma justificativa para o pequeno número de casos entre elas. E mesmo que menos comum, a Covid-19 pode ter complicações graves entre pessoas menores de 12 anos.

“A Inglaterra foi o primeiro país a relatar que em algumas crianças o novo coronavírus causou síndrome inflamatório multissistêmica, um estado generalizado de inflação do organismo que levou a uma falência múltipla dos órgãos e à morte em alguns casos pelo mundo”, relata a pediatra.

Flavia pontua que as medidas que sabidamente são eficazes para a prevenção da doença, como a higienização das mãos e o distanciamento físico, também valem para os pequenos. “O uso de máscaras não é recomendado para quem tem menos de 2 anos, pelo risco de asfixia”, alerta.

A médica explica que entre adultos ou crianças maiores, a sensação de falta de ar causada por algumas máscaras é resolvida com a retirada do acessório, mas em crianças menores, elas não fazem essa associação e passam a respirar o gás carbônico que elas mesmas expelem, causando sonolência, desmaios e até óbitos. Crianças até 12 anos devem usar a máscara com supervisão de adultos.

A pediatra aconselha os pais a não terem pressa sobre o retorno das aulas presenciais dos filhos. “A gente entende que são muitas questões, que os próprios pais precisam voltar ao trabalho, se preocupam com perdas de aprendizado, mas, sem dúvidas, a retomada das aulas vai não só aumentar os casos de Covid-19 entre crianças, como expor todas elas aos outros vírus que já existem, como (os que causam a) Influenza e meningite”, finaliza a pediatra.
 

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