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Escritor alemao ganha prêmio Nobel de Literatura


Mônica Santos

30/09/1999 | 18:16


O romancista Günter Grass, 71 anos, escritor mais conhecido do pós-guerra alemao, ganhou ontem o prêmio Nobel de literatura de 1999. Morador da cidade de Behlendorf, no norte da Alemanha, Grass disse aos jornalistas reunidos em frente a sua casa estar feliz com a notícia. "Sinto alegria e orgulho", declarou.

A escolha, conforme anunciou a Academia Real da Suécia, em Estolcomo, se deve ao fato de o escritor "ter pintado o rosto esquecido da História em fábulas de uma negra alegria". Entre outros comentários, a instituiçao lembrou que em Meu Século, o mais recente livro de Grass, ele "comenta a sucessao de fatos do século XX e presta particular atençao aos entusiasmos que levam ao embrutecimento do homem".

Ainda sobre o conjunto da obra do escritor, a Academia avaliou que Grass, "em seus sucessivos romances, realiza uma vasta revisao da história e recorda o que foi negado e esquecido: as vítimas, os perdedores e as mentiras que as pessoas querem esquecer porque acreditaram nelas um dia".

O escritor receberá oficialmente o prêmio no dia 10 de dezembro, juntamente com um cheque de 7,9 milhoes de coroas suecas (US$ 960 mil).

Grass encarna toda uma geraçao de escritores alemaes do pós-guerra, todos comprometidos politicamente com uma Alemanha mais humana e progressista. Nascido em 1927 em Danzig, o escritor cresceu marcado pela ascensao do nazismo e pela guerra, para a qual foi enviado. Ele caiu prisioneiro das forças britânicas.

Depois da queda de Hitler, Grass conheceu a Alemanha do ano zero, com suas ruínas, e, mais tarde, o milagre da reconstruçao na República Federal, profundamente anticomunista e materialista.

Passando fome nos anos do pós-guerra, Grass voltou-se inicialmente para a escultura. Dez anos depois, em 1959, saltou para o universo da escrita, com seu sucesso mundial O Tambor (levado às telas por Volker Schloendorff, em 1979). O romance, que conta a vida de uma família prussiana durante o nazismo, abre uma obra profundamente humanista, crítica com as ideologias e muito preocupada com a consciência elementar do cidadao.

Seguiram-se, entre outros, O Gato e o Rato (1961), Os Anos de Cao (1963), Anestesia Local (1969), O Linguado (1977), Ratazana (1986), Maus Presságios (1991) e Um Campo Vasto (1995), que chegou ao Brasil no ano passado.

Político e polêmico - A polêmica em torno das obras de Grass é, na verdade, o reflexo de suas próprias atitudes. Ainda na década de 70, degustando as primeiras doses de sucesso literário, Grass emergiu rapidamente como uma figura dominante da cena política, comprometido com o SDP (Partido Social-Democrata) e seu presidente, Willy Brandt.

Nessa condiçao, participou ativamente em vários debates da sociedade alema, como o do aborto, em 1974, e o do pacifismo, no início dos anos 80, no qual preconizou a objeçao de consciência contra a implantaçao dos euromísseis na Alemanha.

Porém, ao se apresentar voluntariamente como "um dos espíritos mais apátridas", Grass se voltou contra a reunificaçao da Alemanha, e seu romance, Toda uma História (1995), que trata desta questao, se tornou um escândalo no país. Desiludido com o SPD, Grass deixou a vida política em 1993, acusando o partido de sustentar a negativa ao direito de asilo. Porém, nas eleiçoes do ano passado, fez uma viagem pela antiga República Democrática da Alemanha (comunista, ex-Alemanha Oriental) para apoiar uma coalizao da social-democracia com os verdes.



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Escritor alemao ganha prêmio Nobel de Literatura

Mônica Santos

30/09/1999 | 18:16


O romancista Günter Grass, 71 anos, escritor mais conhecido do pós-guerra alemao, ganhou ontem o prêmio Nobel de literatura de 1999. Morador da cidade de Behlendorf, no norte da Alemanha, Grass disse aos jornalistas reunidos em frente a sua casa estar feliz com a notícia. "Sinto alegria e orgulho", declarou.

A escolha, conforme anunciou a Academia Real da Suécia, em Estolcomo, se deve ao fato de o escritor "ter pintado o rosto esquecido da História em fábulas de uma negra alegria". Entre outros comentários, a instituiçao lembrou que em Meu Século, o mais recente livro de Grass, ele "comenta a sucessao de fatos do século XX e presta particular atençao aos entusiasmos que levam ao embrutecimento do homem".

Ainda sobre o conjunto da obra do escritor, a Academia avaliou que Grass, "em seus sucessivos romances, realiza uma vasta revisao da história e recorda o que foi negado e esquecido: as vítimas, os perdedores e as mentiras que as pessoas querem esquecer porque acreditaram nelas um dia".

O escritor receberá oficialmente o prêmio no dia 10 de dezembro, juntamente com um cheque de 7,9 milhoes de coroas suecas (US$ 960 mil).

Grass encarna toda uma geraçao de escritores alemaes do pós-guerra, todos comprometidos politicamente com uma Alemanha mais humana e progressista. Nascido em 1927 em Danzig, o escritor cresceu marcado pela ascensao do nazismo e pela guerra, para a qual foi enviado. Ele caiu prisioneiro das forças britânicas.

Depois da queda de Hitler, Grass conheceu a Alemanha do ano zero, com suas ruínas, e, mais tarde, o milagre da reconstruçao na República Federal, profundamente anticomunista e materialista.

Passando fome nos anos do pós-guerra, Grass voltou-se inicialmente para a escultura. Dez anos depois, em 1959, saltou para o universo da escrita, com seu sucesso mundial O Tambor (levado às telas por Volker Schloendorff, em 1979). O romance, que conta a vida de uma família prussiana durante o nazismo, abre uma obra profundamente humanista, crítica com as ideologias e muito preocupada com a consciência elementar do cidadao.

Seguiram-se, entre outros, O Gato e o Rato (1961), Os Anos de Cao (1963), Anestesia Local (1969), O Linguado (1977), Ratazana (1986), Maus Presságios (1991) e Um Campo Vasto (1995), que chegou ao Brasil no ano passado.

Político e polêmico - A polêmica em torno das obras de Grass é, na verdade, o reflexo de suas próprias atitudes. Ainda na década de 70, degustando as primeiras doses de sucesso literário, Grass emergiu rapidamente como uma figura dominante da cena política, comprometido com o SDP (Partido Social-Democrata) e seu presidente, Willy Brandt.

Nessa condiçao, participou ativamente em vários debates da sociedade alema, como o do aborto, em 1974, e o do pacifismo, no início dos anos 80, no qual preconizou a objeçao de consciência contra a implantaçao dos euromísseis na Alemanha.

Porém, ao se apresentar voluntariamente como "um dos espíritos mais apátridas", Grass se voltou contra a reunificaçao da Alemanha, e seu romance, Toda uma História (1995), que trata desta questao, se tornou um escândalo no país. Desiludido com o SPD, Grass deixou a vida política em 1993, acusando o partido de sustentar a negativa ao direito de asilo. Porém, nas eleiçoes do ano passado, fez uma viagem pela antiga República Democrática da Alemanha (comunista, ex-Alemanha Oriental) para apoiar uma coalizao da social-democracia com os verdes.

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