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Queda no faturamento de pizzarias chega a 70%

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo com expertise em delivery, salão tem peso importante no caixa das unidades


Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

07/06/2020 | 23:00


Pedir uma pizza na sexta-feira à noite, é tradição na casa de muitas famílias. A expectativa era de que com o isolamento social, medida recomendada para o combate ao novo coronavírus, as entregas aumentassem. Porém, as pizzarias da região enfrentam dificuldades, assim como os demais restaurantes. No caso das que possuem salão para consumo no local, a queda no faturamento chegou a 70% e mesmo as que trabalham somente com delivery, registraram queda por causa do aumento na concorrência e da redução do poder de compra do consumidor.
 

De acordo com estimativa do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), atualmente são cerca de 1.200 pizzarias nas sete cidades, o que representa cerca de 12% de todo o setor. Deste total, a maioria – cerca de 80% – possui restaurante para consumo dentro da unidade.
 

Segundo o diretor do sindicato, Wilson Bianchi, as pizzarias tiveram uma vantagem em relação aos demais estabelecimentos do setor. “Isso porque o delivery já faz parte da realidade delas. Elas não precisaram fazer nenhuma modificação”, afirmou. Porém, mesmo que a princípio tenha acontecido um movimento de alta nos pedidos, isso já se estabilizou. “No começo ocorreu até uma alta de 15% no delivery, mas com toda a situação econômica, este número já se estabilizou”, disse.
 

Uma outra questão enfrentada é o fechamento dos estabelecimentos. “Não houve aumento no ganho da pizzaria porque mesmo o que ela conseguiu de alta nos pedidos por delivery, isso não compensa o valor que é perdido no fechamento do salão”, explicou o diretor do Sehal.
 

Este é o caso da tradicional pizzaria Vero Verde, localizada em Santo André. Com um salão para 500 pessoas, quase sempre lotado com comemorações de aniversário ou reuniões entre familiares e amigos, o delivery acabou não fazendo muita diferença.
De acordo com o proprietário Ernesto D’Andrea, as vendas para o consumo no local, correspondem a 70% do faturamento, o que foi cortado com o fechamento temporário por causa do decreto do Governo Estadual de março, que somente permite a retirada ou a entrega.
 

“A adaptação foi muito mais fácil porque já tínhamos o delivery e já trabalhávamos com aplicativo, mas o poder aquisitivo das pessoas também foi diminuindo. Hoje, já vemos muitas pessoas pagando com o ticket restaurante em casa, porque estão em home office”, contou. Um outro ponto é que com o consumo na casa, as pessoas acabavam pedindo entrada, além de bebidas e sobremesa. O proprietário precisou descartar uma cerveja que estava prestes a vencer a data de validade, já que o consumo de bebidas para consumir em casa é bem menor.
 

Para D’Andrea a retomada gradual é necessária. “Estamos há 38 anos aqui, mas talvez tenhamos que mudar o conceito dependendo de como as coisas continuarem. Tudo depende do retorno e estou sendo sendo bem realista”, disse.
Até quem dependeu sempre do delivery, reconhece que a situação é difícil. Wesley Batista Varçalo, de São Caetano, é dono da Pizzaria Dom Jordão, no Ipiranga, próximo à região. “O delivery caiu 30% porque aumentou o número de estabelecimentos que entregam, além das pessoas estarem com salários menores.”

Estabelecimento já se prepara para a reabertura e volta dos clientes

A retomada gradual do segmento é algo muito aguardado por todo o setor de alimentação. No caso da Vero Verde, em Santo André, o estabelecimento já está se preparando e se adequando para quando a retomada acontecer, mesmo ainda sem data definida para isso.
 

De acordo com o proprietário Ernesto D’Andrea , já estão sendo feitas reuniões com uma consultoria especializada em segurança alimentar para falar sobre o assunto. “É abordada a flexibilização que já vem acontecendo em países como Portugal, que já começaram a relaxar as medidas de isolamento. Nós temos um salão grande, com 500 lugares, então vamos conseguir um distanciamento, abrindo para 200, por exemplo”, contou. São 42 pessoas empregadas na pizzaria, mas por causa do fechamento do salão, 30 estão com os contratos de trabalho suspensos dentro da MP (Medida Provisória) 936, liberada pelo Governo Federal e que garante o respaldo para este tipo de acordo ser efetuado.
 

Mesmo assim, ele fala das incertezas. “Não sabemos como vai ser essa volta dos clientes. O nosso forte eram as comemorações de aniversário e não sabemos quanto tempo deve demorar para uma quantidade maior de pessoas voltar a se reunir. O que pode acontecer, num primeiro momento, é movimento maior de famílias, que estão cansadas de ficar em casa, mas sempre com menos pessoas à mesa”, disse. “Estamos no limite, o que não podemos é ficar com uma estrutura dessa, só utilizando o delivery.” A Vero Verde também possui aplicativo próprio para smartphone.
 

De acordo com o diretor do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Wilson Bianchi, a retomada não deve ser fácil para o setor. “Acredito que de 10% a 12% dos nossos associados já fecharam ou vão fechar. Vai ser difícil, porque a maioria vai sair desse período endividado e com nome protestado. Sou muito cético com o nosso cenário futuro, acredito que virão ainda momentos difíceis.”



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Queda no faturamento de pizzarias chega a 70%

Mesmo com expertise em delivery, salão tem peso importante no caixa das unidades

Yara Ferraz
Diário do Grande ABC

07/06/2020 | 23:00


Pedir uma pizza na sexta-feira à noite, é tradição na casa de muitas famílias. A expectativa era de que com o isolamento social, medida recomendada para o combate ao novo coronavírus, as entregas aumentassem. Porém, as pizzarias da região enfrentam dificuldades, assim como os demais restaurantes. No caso das que possuem salão para consumo no local, a queda no faturamento chegou a 70% e mesmo as que trabalham somente com delivery, registraram queda por causa do aumento na concorrência e da redução do poder de compra do consumidor.
 

De acordo com estimativa do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), atualmente são cerca de 1.200 pizzarias nas sete cidades, o que representa cerca de 12% de todo o setor. Deste total, a maioria – cerca de 80% – possui restaurante para consumo dentro da unidade.
 

Segundo o diretor do sindicato, Wilson Bianchi, as pizzarias tiveram uma vantagem em relação aos demais estabelecimentos do setor. “Isso porque o delivery já faz parte da realidade delas. Elas não precisaram fazer nenhuma modificação”, afirmou. Porém, mesmo que a princípio tenha acontecido um movimento de alta nos pedidos, isso já se estabilizou. “No começo ocorreu até uma alta de 15% no delivery, mas com toda a situação econômica, este número já se estabilizou”, disse.
 

Uma outra questão enfrentada é o fechamento dos estabelecimentos. “Não houve aumento no ganho da pizzaria porque mesmo o que ela conseguiu de alta nos pedidos por delivery, isso não compensa o valor que é perdido no fechamento do salão”, explicou o diretor do Sehal.
 

Este é o caso da tradicional pizzaria Vero Verde, localizada em Santo André. Com um salão para 500 pessoas, quase sempre lotado com comemorações de aniversário ou reuniões entre familiares e amigos, o delivery acabou não fazendo muita diferença.
De acordo com o proprietário Ernesto D’Andrea, as vendas para o consumo no local, correspondem a 70% do faturamento, o que foi cortado com o fechamento temporário por causa do decreto do Governo Estadual de março, que somente permite a retirada ou a entrega.
 

“A adaptação foi muito mais fácil porque já tínhamos o delivery e já trabalhávamos com aplicativo, mas o poder aquisitivo das pessoas também foi diminuindo. Hoje, já vemos muitas pessoas pagando com o ticket restaurante em casa, porque estão em home office”, contou. Um outro ponto é que com o consumo na casa, as pessoas acabavam pedindo entrada, além de bebidas e sobremesa. O proprietário precisou descartar uma cerveja que estava prestes a vencer a data de validade, já que o consumo de bebidas para consumir em casa é bem menor.
 

Para D’Andrea a retomada gradual é necessária. “Estamos há 38 anos aqui, mas talvez tenhamos que mudar o conceito dependendo de como as coisas continuarem. Tudo depende do retorno e estou sendo sendo bem realista”, disse.
Até quem dependeu sempre do delivery, reconhece que a situação é difícil. Wesley Batista Varçalo, de São Caetano, é dono da Pizzaria Dom Jordão, no Ipiranga, próximo à região. “O delivery caiu 30% porque aumentou o número de estabelecimentos que entregam, além das pessoas estarem com salários menores.”

Estabelecimento já se prepara para a reabertura e volta dos clientes

A retomada gradual do segmento é algo muito aguardado por todo o setor de alimentação. No caso da Vero Verde, em Santo André, o estabelecimento já está se preparando e se adequando para quando a retomada acontecer, mesmo ainda sem data definida para isso.
 

De acordo com o proprietário Ernesto D’Andrea , já estão sendo feitas reuniões com uma consultoria especializada em segurança alimentar para falar sobre o assunto. “É abordada a flexibilização que já vem acontecendo em países como Portugal, que já começaram a relaxar as medidas de isolamento. Nós temos um salão grande, com 500 lugares, então vamos conseguir um distanciamento, abrindo para 200, por exemplo”, contou. São 42 pessoas empregadas na pizzaria, mas por causa do fechamento do salão, 30 estão com os contratos de trabalho suspensos dentro da MP (Medida Provisória) 936, liberada pelo Governo Federal e que garante o respaldo para este tipo de acordo ser efetuado.
 

Mesmo assim, ele fala das incertezas. “Não sabemos como vai ser essa volta dos clientes. O nosso forte eram as comemorações de aniversário e não sabemos quanto tempo deve demorar para uma quantidade maior de pessoas voltar a se reunir. O que pode acontecer, num primeiro momento, é movimento maior de famílias, que estão cansadas de ficar em casa, mas sempre com menos pessoas à mesa”, disse. “Estamos no limite, o que não podemos é ficar com uma estrutura dessa, só utilizando o delivery.” A Vero Verde também possui aplicativo próprio para smartphone.
 

De acordo com o diretor do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC), Wilson Bianchi, a retomada não deve ser fácil para o setor. “Acredito que de 10% a 12% dos nossos associados já fecharam ou vão fechar. Vai ser difícil, porque a maioria vai sair desse período endividado e com nome protestado. Sou muito cético com o nosso cenário futuro, acredito que virão ainda momentos difíceis.”

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