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Covid avança em áreas periféricas

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com adensamento populacional, regiões apresentam maiores desafios na contenção da pandemia


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/06/2020 | 23:00


A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, chegou ao Brasil por intermédio de pessoas de classes sociais altas que se contaminaram em viagens ao Exterior, principalmente na Itália. Uma vez em solo brasileiro, o vírus se espalhou rapidamente com a chamada transmissão comunitária e agora segue avançando em alta velocidade pelas periferias e regiões carentes das cidades do Grande ABC. Dados divulgados pelas prefeituras mostram que os casos em bairros com maior nível de população vulnerável chegam a até 68,7% do total em alguns dos municípios.

Moradora do Alvarenga, em São Bernardo, a auxiliar de limpeza desempregada Claudia Nonato da Silva, 44 anos, teve a Covid-19 em maio. A munícipe se contaminou no hospital onde trabalhava e, apesar de morar com outras sete pessoas em uma casa de dois quartos, sala e cozinha, conseguiu se isolar e não passar para nenhum familiar. A munícipe afirmou que, no período em que esteve isolada, sentiu falta de receber ao menos a visita de um agente de saúde e que essa falta de atuação, na sua opinião, ajuda a disseminar a doença pelo bairro.

Sanitarista e doutora em saúde pública pela USP (Universidade de São Paulo), Raquel Marques destacou que é preciso atuação heterogênea das cidades em seus territórios, a fim de superar as dificuldades específicas de cada região. “De maneira geral, não temos visto isso em lugar nenhum. A comunidade de Paraisópolis (em São Paulo) é um exemplo quase isolado de ações da sociedade civil e isso se reflete na baixa letalidade daquela localidade”, explicou.

Raquel afirmou que as secretarias de saúde precisam agir pontualmente, principalmente nos locais com maior número de casos e letalidade. “É preciso que sejam identificados os pacientes sintomáticos e assintomáticos, uma busca ativa que possa isolar os contaminados antes que eles passem para outras pessoas”, completou. “De uma forma geral, as autoridades demonstram que aceitaram que a pandemia é uma realidade e estão esperando pelos pacientes que procuram atendimento médico, quando o ideal seria se antecipar a isso”, concluiu.

Infectologista e professor do curso de medicina da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), Renato Grinbaum lembrou que a pandemia acentuou problemas sociais históricos, como falta de saneamento básico e acesso à moradia digna. “Muitas das pessoas que moram em áreas vulneráveis não pararam de trabalhar e vão para as áreas mais ricas das cidades, onde se contaminam e levam a doença para as suas regiões”, pontuou.

Santo André foi a única cidade a não informar números, mas os mapas que têm sido divulgados junto com os boletins epidemiológicos da Prefeitura apontam alta incidência de pacientes contaminados em bairros como Vila Luzita, Jardim Irene e Jardim Santo André. Em São Bernardo, Montanhão e Alvarenga concentravam, até 3 de junho, 20% dos 2.194 casos da cidade. São Caetano, que não conta com núcleos habitacionais, mas tem cerca de 15 mil pessoas morando em habitações comunitárias, tinha 25,1% dos casos em bairros como Barcelona, Prosperidade, Nova Gerty e Fundação, locais onde existem esse tipo de moradia.

Mauá divulgou na sexta-feira a divisão dos casos por regiões. Os bairros com maior número de populações vulneráveis, como Zaíra, Oratório, Chácara Maria Aparecida, Feital, Kennedy, entre outros, estão em regiões que respondiam, naquela data, por 48% dos 481 pacientes contaminados. Em Diadema, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Eldorado e Inamar, duas das maiores da cidade, concentravam em suas áreas de abrangência 12% dos 1.310 casos confirmados até 3 de junho. Na mesma data, Ribeirão Pires tinha 68,7% dos pacientes em áreas vulneráveis enquanto Rio Grande da Serra, 43% dos infectados em locais deste tipo.

Prefeituras afirmam que têm focado ações nas áreas vulneráveis

Prefeituras do Grande ABC têm feito ações pontuais em áreas periféricas e/ou de maior incidência dos casos de Covid-19. São Bernardo, por exemplo, começou em 2 de junho inquérito epidemiológico na região do Alvarenga e vai realizar 3.606 testes em toda a cidade, a fim de mapear o avanço da pandemia. A administração alega que tem monitorado os pacientes contaminados e desenvolvido ações de prevenção.

São Caetano também está realizando inquérito epidemiológico, que na sua primeira fase identificou que 2,7% da população já teve contato com o novo coronavírus. Na próxima semana, a cidade começa a testar os moradores de habitações coletivas, encaminhando pacientes positivos e que não tiverem condições de se isolar para um centro de acolhimento.

Santo André informou que as ações para controle e prevenção da pandemia de Covid-19 são para a cidade como um todo, beneficiando desde os bairros centrais até os mais carentes, e destacou como ações para as áreas mais vulneráveis a distribuição de máscaras de proteção e cestas de alimentos.

Diadema justificou que a região do Eldorado e do Inamar, que concentra 12% dos casos, também conta com 14% da população, mas que certamente, são fatores complicadores o alto índice de adensamento e as habitações precárias. “Todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde) realizam o monitoramento dos casos suspeitos e notificados, identificando possíveis concentrações de casos em seus respectivos territórios”, relatou em nota.

Mauá afirmou que para informar a população utiliza carros de som, faixas, outdoors, campanhas na internet, incluindo WhatsApp, fiscalização instrutiva e orientação nos aparelhos de saúde. Ribeirão Pires disse que promove ações de conscientização em todas as regiões da cidade, com intensificação nas áreas com maior incidência da doença, utilizando os canais oficiais on-line e carros de som. Rio Grande não detalhou as iniciativas. 



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Covid avança em áreas periféricas

Com adensamento populacional, regiões apresentam maiores desafios na contenção da pandemia

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

07/06/2020 | 23:00


A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, chegou ao Brasil por intermédio de pessoas de classes sociais altas que se contaminaram em viagens ao Exterior, principalmente na Itália. Uma vez em solo brasileiro, o vírus se espalhou rapidamente com a chamada transmissão comunitária e agora segue avançando em alta velocidade pelas periferias e regiões carentes das cidades do Grande ABC. Dados divulgados pelas prefeituras mostram que os casos em bairros com maior nível de população vulnerável chegam a até 68,7% do total em alguns dos municípios.

Moradora do Alvarenga, em São Bernardo, a auxiliar de limpeza desempregada Claudia Nonato da Silva, 44 anos, teve a Covid-19 em maio. A munícipe se contaminou no hospital onde trabalhava e, apesar de morar com outras sete pessoas em uma casa de dois quartos, sala e cozinha, conseguiu se isolar e não passar para nenhum familiar. A munícipe afirmou que, no período em que esteve isolada, sentiu falta de receber ao menos a visita de um agente de saúde e que essa falta de atuação, na sua opinião, ajuda a disseminar a doença pelo bairro.

Sanitarista e doutora em saúde pública pela USP (Universidade de São Paulo), Raquel Marques destacou que é preciso atuação heterogênea das cidades em seus territórios, a fim de superar as dificuldades específicas de cada região. “De maneira geral, não temos visto isso em lugar nenhum. A comunidade de Paraisópolis (em São Paulo) é um exemplo quase isolado de ações da sociedade civil e isso se reflete na baixa letalidade daquela localidade”, explicou.

Raquel afirmou que as secretarias de saúde precisam agir pontualmente, principalmente nos locais com maior número de casos e letalidade. “É preciso que sejam identificados os pacientes sintomáticos e assintomáticos, uma busca ativa que possa isolar os contaminados antes que eles passem para outras pessoas”, completou. “De uma forma geral, as autoridades demonstram que aceitaram que a pandemia é uma realidade e estão esperando pelos pacientes que procuram atendimento médico, quando o ideal seria se antecipar a isso”, concluiu.

Infectologista e professor do curso de medicina da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), Renato Grinbaum lembrou que a pandemia acentuou problemas sociais históricos, como falta de saneamento básico e acesso à moradia digna. “Muitas das pessoas que moram em áreas vulneráveis não pararam de trabalhar e vão para as áreas mais ricas das cidades, onde se contaminam e levam a doença para as suas regiões”, pontuou.

Santo André foi a única cidade a não informar números, mas os mapas que têm sido divulgados junto com os boletins epidemiológicos da Prefeitura apontam alta incidência de pacientes contaminados em bairros como Vila Luzita, Jardim Irene e Jardim Santo André. Em São Bernardo, Montanhão e Alvarenga concentravam, até 3 de junho, 20% dos 2.194 casos da cidade. São Caetano, que não conta com núcleos habitacionais, mas tem cerca de 15 mil pessoas morando em habitações comunitárias, tinha 25,1% dos casos em bairros como Barcelona, Prosperidade, Nova Gerty e Fundação, locais onde existem esse tipo de moradia.

Mauá divulgou na sexta-feira a divisão dos casos por regiões. Os bairros com maior número de populações vulneráveis, como Zaíra, Oratório, Chácara Maria Aparecida, Feital, Kennedy, entre outros, estão em regiões que respondiam, naquela data, por 48% dos 481 pacientes contaminados. Em Diadema, as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Eldorado e Inamar, duas das maiores da cidade, concentravam em suas áreas de abrangência 12% dos 1.310 casos confirmados até 3 de junho. Na mesma data, Ribeirão Pires tinha 68,7% dos pacientes em áreas vulneráveis enquanto Rio Grande da Serra, 43% dos infectados em locais deste tipo.

Prefeituras afirmam que têm focado ações nas áreas vulneráveis

Prefeituras do Grande ABC têm feito ações pontuais em áreas periféricas e/ou de maior incidência dos casos de Covid-19. São Bernardo, por exemplo, começou em 2 de junho inquérito epidemiológico na região do Alvarenga e vai realizar 3.606 testes em toda a cidade, a fim de mapear o avanço da pandemia. A administração alega que tem monitorado os pacientes contaminados e desenvolvido ações de prevenção.

São Caetano também está realizando inquérito epidemiológico, que na sua primeira fase identificou que 2,7% da população já teve contato com o novo coronavírus. Na próxima semana, a cidade começa a testar os moradores de habitações coletivas, encaminhando pacientes positivos e que não tiverem condições de se isolar para um centro de acolhimento.

Santo André informou que as ações para controle e prevenção da pandemia de Covid-19 são para a cidade como um todo, beneficiando desde os bairros centrais até os mais carentes, e destacou como ações para as áreas mais vulneráveis a distribuição de máscaras de proteção e cestas de alimentos.

Diadema justificou que a região do Eldorado e do Inamar, que concentra 12% dos casos, também conta com 14% da população, mas que certamente, são fatores complicadores o alto índice de adensamento e as habitações precárias. “Todas as UBS (Unidades Básicas de Saúde) realizam o monitoramento dos casos suspeitos e notificados, identificando possíveis concentrações de casos em seus respectivos territórios”, relatou em nota.

Mauá afirmou que para informar a população utiliza carros de som, faixas, outdoors, campanhas na internet, incluindo WhatsApp, fiscalização instrutiva e orientação nos aparelhos de saúde. Ribeirão Pires disse que promove ações de conscientização em todas as regiões da cidade, com intensificação nas áreas com maior incidência da doença, utilizando os canais oficiais on-line e carros de som. Rio Grande não detalhou as iniciativas. 

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