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Moradora de São Caetano disputa competição virtual de beleza entre cadeirantes

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Evento acontece de forma remota por causa da pandemia; 321 mulheres se inscreveram em 2020


Vinicius Castelli
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 23:49


Colocar as pessoas em reflexão e quebrar preconceitos. Solange Thiago, 36 anos, encara estes desafios desde sempre. E agora entra em mais uma aventura, com essas mesmas metas. A moradora de São Caetano é uma das participantes do Miss Cadeirante, evento criado por Lú Rufino, 45, bacharel em direito, no Rio de Janeiro.

Agora, por causa da pandemia do novo coronavírus, o evento – que teve sua primeira edição em 2017 – será realizado on-line. E será a estreia de Solange no concurso. Ela nasceu com uma patologia chamada AME (atrofia muscular espinhal) e vê na empreitada uma maneira de reforçar a luta contra o preconceito. “Minhas amigas ficaram me incentivando a participar. Eu nem queria no começo, mas aí, conhecendo a causa, resolvi participar”, explica Solange. Para ela, não se trata apenas de um concurso de vaidades, mas “sim para quebrar paradigmas. Quero ajudar as pessoas a enxergarem que nós, cadeirantes, também somos bonitas, atraentes”, diz.

O evento tem como principal objetivo empoderar mulheres cadeirantes e mostrar para a sociedade a beleza que cada uma tem e que deficiente é o olhar preconceituoso das pessoas.

Formada em análise de sistemas, Solange vive com a mãe e o irmão, leva uma vida normal e faz tudo o que quer. Mas algo sempre foi inevitável: o preconceito batendo na porta da vida. “Os olhares são inevitáveis ao chegar em um local público acompanhada de um homem”, explica. “Gosto de sair para os lugares comuns de todo tipo: balada, bares, cinema” frisa.

Apesar do encorajamento das amigas, Solange diz perceber que muitos não apoiam que ela participe do evento, acham desnecessário, mas ela não dá ouvidos. “Estou gostando (de participar) e confiante que, com eventos como esse, a sociedade possa mudar a forma de pensamento.”

Ao longo das edições, o Miss Cadeirante vem ganhando força. Em sua estreia, em 2017, foram 15 participantes desfilando. No ano seguinte, a lista subiu para 25. Em 2019, foram 50. Neste ano, o concurso atraiu 321 inscritas para a edição virtual, sendo que 156 ainda estão na disputa.

A votação acontece por meio do Facebook (na página misscadeiranteoficial) e Instagram (@misscadeirante) e deve ser feita até o dia 25. O evento terá também o voto de jurados, escolhidos entre artistas, coreógrafos e atletas paraolímpicos, por exemplo.

O resultado será divulgado no dia 30. A finalista levará faixa, coroa, maquiagem, roupas e, se for de fora do Rio de Janeiro, dois dias de hospedagem com direito a acompanhante. A premiação deve acontecer em janeiro, por causa da pandemia da Covid-19.

HISTÓRICO
Criadora do evento, Lú Rufino teve poliomielite aos 8 meses de idade. Ao longo da vida precisou do auxílio de muletas ou bengalas. Há três anos, por causa de uma atrofiação da coluna devido ao acúmulo de sete hérnias de disco, tornou-se cadeirante. Ela que a ideia do Miss Cadeirante surgiu durante uma aula de ciências políticas. “Tinha de fazer um seminário para falar de pessoa com deficiência e como este assunto não parecia interessante aos alunos falei que no fim faria um desfile de lindas mulheres cadeirantes para atrair o público masculino que era quase 80% do curso de direito. E assim, lotamos o auditório”, explicou a idealizadora do concurso. 



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Moradora de São Caetano disputa competição virtual de beleza entre cadeirantes

Evento acontece de forma remota por causa da pandemia; 321 mulheres se inscreveram em 2020

Vinicius Castelli
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 23:49


Colocar as pessoas em reflexão e quebrar preconceitos. Solange Thiago, 36 anos, encara estes desafios desde sempre. E agora entra em mais uma aventura, com essas mesmas metas. A moradora de São Caetano é uma das participantes do Miss Cadeirante, evento criado por Lú Rufino, 45, bacharel em direito, no Rio de Janeiro.

Agora, por causa da pandemia do novo coronavírus, o evento – que teve sua primeira edição em 2017 – será realizado on-line. E será a estreia de Solange no concurso. Ela nasceu com uma patologia chamada AME (atrofia muscular espinhal) e vê na empreitada uma maneira de reforçar a luta contra o preconceito. “Minhas amigas ficaram me incentivando a participar. Eu nem queria no começo, mas aí, conhecendo a causa, resolvi participar”, explica Solange. Para ela, não se trata apenas de um concurso de vaidades, mas “sim para quebrar paradigmas. Quero ajudar as pessoas a enxergarem que nós, cadeirantes, também somos bonitas, atraentes”, diz.

O evento tem como principal objetivo empoderar mulheres cadeirantes e mostrar para a sociedade a beleza que cada uma tem e que deficiente é o olhar preconceituoso das pessoas.

Formada em análise de sistemas, Solange vive com a mãe e o irmão, leva uma vida normal e faz tudo o que quer. Mas algo sempre foi inevitável: o preconceito batendo na porta da vida. “Os olhares são inevitáveis ao chegar em um local público acompanhada de um homem”, explica. “Gosto de sair para os lugares comuns de todo tipo: balada, bares, cinema” frisa.

Apesar do encorajamento das amigas, Solange diz perceber que muitos não apoiam que ela participe do evento, acham desnecessário, mas ela não dá ouvidos. “Estou gostando (de participar) e confiante que, com eventos como esse, a sociedade possa mudar a forma de pensamento.”

Ao longo das edições, o Miss Cadeirante vem ganhando força. Em sua estreia, em 2017, foram 15 participantes desfilando. No ano seguinte, a lista subiu para 25. Em 2019, foram 50. Neste ano, o concurso atraiu 321 inscritas para a edição virtual, sendo que 156 ainda estão na disputa.

A votação acontece por meio do Facebook (na página misscadeiranteoficial) e Instagram (@misscadeirante) e deve ser feita até o dia 25. O evento terá também o voto de jurados, escolhidos entre artistas, coreógrafos e atletas paraolímpicos, por exemplo.

O resultado será divulgado no dia 30. A finalista levará faixa, coroa, maquiagem, roupas e, se for de fora do Rio de Janeiro, dois dias de hospedagem com direito a acompanhante. A premiação deve acontecer em janeiro, por causa da pandemia da Covid-19.

HISTÓRICO
Criadora do evento, Lú Rufino teve poliomielite aos 8 meses de idade. Ao longo da vida precisou do auxílio de muletas ou bengalas. Há três anos, por causa de uma atrofiação da coluna devido ao acúmulo de sete hérnias de disco, tornou-se cadeirante. Ela que a ideia do Miss Cadeirante surgiu durante uma aula de ciências políticas. “Tinha de fazer um seminário para falar de pessoa com deficiência e como este assunto não parecia interessante aos alunos falei que no fim faria um desfile de lindas mulheres cadeirantes para atrair o público masculino que era quase 80% do curso de direito. E assim, lotamos o auditório”, explicou a idealizadora do concurso. 

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