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Lojistas da região ignoram Estado, abrem as portas e arrastam clientes

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Associações comerciais admitem desrespeito às regras, mas defendem situação econômica


Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 23:29


Na contramão da determinação do governo do Estado de São Paulo, muitas lojas de serviços não essenciais do Grande ABC abriram as portas ontem. Diversas delas, localizadas no calçadão da Coronel Oliveira Lima, em Santo André, que comercializam sapatos, roupas, utilitários, itens de perfumarias e de departamento, funcionavam normalmente – algumas, inclusive, faziam fila na calçada.

Diretor da SOL (Sociedade Oliveira Lima e Região), Djalma Lima diz que os comerciantes “estão apavorados” e, por isso, abrem mesmo sem autorização. “Mais uma data importante para o comércio como o Dia dos Namorados e temos de manter nossas lojas fechadas. Os comerciantes estão abrindo para não fecharem, afinal, muitos pagam aluguel do espaço e, mesmo com a pandemia, não estão conseguindo negociar com os proprietários. Além disso, os supermercados vivem cheios, as pessoas não respeitam o espaço entre si. Por que então que o comércio de rua não pode abrir e tomar as devidas precauções?”, indaga. Ele conta que já mandou inúmeros e-mails ao governo do Estado, inclusive, com sugestões. “Só entende o sufoco quem é comerciante e tem funcionário que depende do salário para sustentar sua família.”

A analista de sistemas Fabíola Herculano Fattori, 42, mora na Rua Monte Casseros, travessa do calçadão, e conta que a cada dia cresce o movimento no local. “Minha rua não ficou um dia sem carros desde o começo do isolamento.”

A movimentada Rua Marechal Deodoro, em São Bernardo, estava com as lojas fechadas. No entanto, estabelecimentos pelos bairros do município funcionaram normalmente. A professora Sibele Monice, 54, esteve em uma de artigos de jardinagem muito movimentada. “Tanto a parte interna da loja como o estacionamento estavam lotados (ontem). Havia pessoas fazendo a higienização dos carrinhos, mas não vi pontos na loja com álcool em gel. Vendedores estavam todos de máscara, assim como clientes. O problema é que muitos utilizam de forma errada, tampando apenas a boca.” Segundo ela, a loja tem demarcações no chão para que se respeite o distanciamento mínimo, mas as pessoas não o fazem.

Diante da abertura das lojas na cidade, o presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) Pedro Cia Junior acredita que quanto maior o prazo de isolamento e fechamento das lojas, mais os pequenos comerciantes, especialmente, irão abrir mesmo sem permissão e com risco de contaminação. “É difícil esses empresários terem mais de três meses de capital de giro para manter funcionários e contas em dia. Esse cenário era esperado. O que é preciso é termos uma regra clara de reabertura flexibilizando o comércio e evitando esse tipo de coisa.”

O presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, enviou nota dizendo que vai haver desobediência civil e “os comerciantes vão acabar abrindo, mesmo sem permissão. Ninguém aguenta mais essa situação. Por que o Grande ABC tem de ficar ilhado, já que a Capital, a Baixada Santista e o Interior estão abrindo? O consumidor daqui se desloca para lá e o resultado é menos renda, menos consumo e mais falência para os empresários daqui. Acreditamos que o comércio deve sim reabrir, mas vale ressaltar que isso deve acontecer de forma lenta e gradual e, principalmente, com consciência. De nada adianta reabrir e a situação piorar”.  



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Lojistas da região ignoram Estado, abrem as portas e arrastam clientes

Associações comerciais admitem desrespeito às regras, mas defendem situação econômica

Tauana Marin
Do Diário do Grande ABC

06/06/2020 | 23:29


Na contramão da determinação do governo do Estado de São Paulo, muitas lojas de serviços não essenciais do Grande ABC abriram as portas ontem. Diversas delas, localizadas no calçadão da Coronel Oliveira Lima, em Santo André, que comercializam sapatos, roupas, utilitários, itens de perfumarias e de departamento, funcionavam normalmente – algumas, inclusive, faziam fila na calçada.

Diretor da SOL (Sociedade Oliveira Lima e Região), Djalma Lima diz que os comerciantes “estão apavorados” e, por isso, abrem mesmo sem autorização. “Mais uma data importante para o comércio como o Dia dos Namorados e temos de manter nossas lojas fechadas. Os comerciantes estão abrindo para não fecharem, afinal, muitos pagam aluguel do espaço e, mesmo com a pandemia, não estão conseguindo negociar com os proprietários. Além disso, os supermercados vivem cheios, as pessoas não respeitam o espaço entre si. Por que então que o comércio de rua não pode abrir e tomar as devidas precauções?”, indaga. Ele conta que já mandou inúmeros e-mails ao governo do Estado, inclusive, com sugestões. “Só entende o sufoco quem é comerciante e tem funcionário que depende do salário para sustentar sua família.”

A analista de sistemas Fabíola Herculano Fattori, 42, mora na Rua Monte Casseros, travessa do calçadão, e conta que a cada dia cresce o movimento no local. “Minha rua não ficou um dia sem carros desde o começo do isolamento.”

A movimentada Rua Marechal Deodoro, em São Bernardo, estava com as lojas fechadas. No entanto, estabelecimentos pelos bairros do município funcionaram normalmente. A professora Sibele Monice, 54, esteve em uma de artigos de jardinagem muito movimentada. “Tanto a parte interna da loja como o estacionamento estavam lotados (ontem). Havia pessoas fazendo a higienização dos carrinhos, mas não vi pontos na loja com álcool em gel. Vendedores estavam todos de máscara, assim como clientes. O problema é que muitos utilizam de forma errada, tampando apenas a boca.” Segundo ela, a loja tem demarcações no chão para que se respeite o distanciamento mínimo, mas as pessoas não o fazem.

Diante da abertura das lojas na cidade, o presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André) Pedro Cia Junior acredita que quanto maior o prazo de isolamento e fechamento das lojas, mais os pequenos comerciantes, especialmente, irão abrir mesmo sem permissão e com risco de contaminação. “É difícil esses empresários terem mais de três meses de capital de giro para manter funcionários e contas em dia. Esse cenário era esperado. O que é preciso é termos uma regra clara de reabertura flexibilizando o comércio e evitando esse tipo de coisa.”

O presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, enviou nota dizendo que vai haver desobediência civil e “os comerciantes vão acabar abrindo, mesmo sem permissão. Ninguém aguenta mais essa situação. Por que o Grande ABC tem de ficar ilhado, já que a Capital, a Baixada Santista e o Interior estão abrindo? O consumidor daqui se desloca para lá e o resultado é menos renda, menos consumo e mais falência para os empresários daqui. Acreditamos que o comércio deve sim reabrir, mas vale ressaltar que isso deve acontecer de forma lenta e gradual e, principalmente, com consciência. De nada adianta reabrir e a situação piorar”.  

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