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Quarentena é ignorada no Grande ABC

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Mesmo com parques e vias de caminhada fechados, cidadãos se exercitam sem proteção; reuniões em praças e bares também foram avistadas


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

28/05/2020 | 00:01


 Aquela caminhada gostosa em um dia ensolarado, uma corridinha em dupla ou com amigos. Quem sabe até uma pedalada em turma em uma noite bonita, cruzando cidades. Ou até um encontro em praça pública para jogatina de dominó. Em tempos normais, isso tudo seria mais do que recomendado por especialistas, mas com a pandemia do novo coronavírus, que segue assolando o País, o ideal é manter a distância física e, por ora, sair de casa se for realmente necessário, além de usar proteção individual para frear o contágio. 

Fato é que a equipe de reportagem do Diário flagrou ao longo dos últimos dias pessoas fazendo exercícios e, pior, sem proteção alguma. Há quem corra em volta dos parques públicos, que estão fechados para quaisquer atividades, inclusive driblando obstáculos colocados justamente para evitar a utilização e aproveitam o tempo livre tranquilamente. Há até quem opte por confraternizar em frente de bares e padarias, bebendo e conversando.

No Grande ABC, as prefeituras fiscalizam pessoas sem uso de máscara em vias públicas e reforçam a necessidade do isolamento físico de diversas formas. Não há, no entanto, previsão de aplicação de multas a indivíduos que desrespeitem o isolamento, exceto para aqueles que não estejam fazendo uso do equipamento de proteção em São Bernardo, que prevê pena de R$ 100, e Mauá, que pode cobrar uma cesta básica em caso de reincidência.

Diante de tudo isso, a questão que especialistas tentam responder é: por qual razão há quem opte por sair às ruas – exceto os que precisam se locomover para o trabalho e necessidades essênciais – em momento de caos na saúde enquanto há gente que respeita a quarentena com unhas e dentes? De acordo com o psicólogo André Correia, existem pessoas que estão pensando a Covid-19 de forma diferente do que ela realmente é. “Algumas pessoas acreditam que ela (doença) não afeta da forma como afeta, que não é tão séria quanto ela é. Elas não estão compreendendo o contexto da forma que ele está acontecendo e talvez isso afete o julgamento individual”, argumenta.

O especialista explica que falta conscientização. Para ele, por mais que as informações cheguem até as pessoas, elas não acreditam. “É mais ou menos da seguinte forma: ‘Eu nunca vivi uma situação como essa, então é difícil me convencer de que aquilo é totalmente real’, principalmente quando existe uma propaganda contraria àquilo também. É como se tivesse uma verdade e uma outra verdade disputando com ela. As pessoas não estão compreendendo aquilo de forma correta”, afirma.

Ele explica que, além da necessidade de o indivíduo receber uma informação, ele precisa compreender, ter o domínio do conteúdo. “Aí sim você pode tomar decisões. As pessoas têm a informação, mas não tomam consciência dela. A decisão é tomada baseada em coisas erradas, por isso que não acredito que exista má intenção sobre o comportamento.” Ele diz que é claro que há casos em que o bom-senso passa longe, mas acredita ser um grupo pequeno de munícipes.

O psicólogo acredita que o brasileiro nunca foi levado a pensar de forma coletiva e que sempre foi estimulado a competir, trabalhar de forma individualista. “Estamos aprendendo a viver em sociedade agora. É a primeira vez fora do contexto esportivo que somos conduzidos a pensar de forma coletiva. E talvez existam algumas dificuldades. Então, é natural que a gente espere muitos erros, muitas falhas, mas sou otimista e penso que existe ainda, sim, possibilidade de melhoras no decorrer dos tempos, da nossa experiência.”

Especialista destaca importância do isolamento

Sair de casa para atividades não essenciais em um momento de pandemia, como o que se vive agora, não é decisão recomendada, já que autoridades da saúde trabalham para frear o avanço da Covid-19 e julgam que o contato físico precisa diminuir.

Segundo Fabio Leal, infectologista e docente do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o momento da epidemia da Covid-19 não permite nenhuma consideração de relaxamento do isolamento físico. Ele frisa, inclusive, que a propagação do vírus não está diminuindo. Muito pelo contrário. E diz que qualquer atividade que envolva aglomeração ou contato com outras pessoas deve ser evitada “justamente porque isso promove ainda mais a propagação do vírus, pensando na saúde de todos, e coloca em risco individualmente quem estiver fazendo isso”, explica Leal. 

O infectologista diz, no entanto, que realizar atividades físicas sem companhia, por período curto, próximo de casa, sem contato social, é algo aceitável neste momento. Mas lembra também que, no caso destes esportistas, qualquer atividade deve seguir o determinado pelo decreto do governo do Estado de São Paulo, mesmo sem previsão de aglomerações, que é o uso de máscara de proteção em locais públicos, seja caminhando ou se dirigindo para qualquer lugar.



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Quarentena é ignorada no Grande ABC

Mesmo com parques e vias de caminhada fechados, cidadãos se exercitam sem proteção; reuniões em praças e bares também foram avistadas

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

28/05/2020 | 00:01


 Aquela caminhada gostosa em um dia ensolarado, uma corridinha em dupla ou com amigos. Quem sabe até uma pedalada em turma em uma noite bonita, cruzando cidades. Ou até um encontro em praça pública para jogatina de dominó. Em tempos normais, isso tudo seria mais do que recomendado por especialistas, mas com a pandemia do novo coronavírus, que segue assolando o País, o ideal é manter a distância física e, por ora, sair de casa se for realmente necessário, além de usar proteção individual para frear o contágio. 

Fato é que a equipe de reportagem do Diário flagrou ao longo dos últimos dias pessoas fazendo exercícios e, pior, sem proteção alguma. Há quem corra em volta dos parques públicos, que estão fechados para quaisquer atividades, inclusive driblando obstáculos colocados justamente para evitar a utilização e aproveitam o tempo livre tranquilamente. Há até quem opte por confraternizar em frente de bares e padarias, bebendo e conversando.

No Grande ABC, as prefeituras fiscalizam pessoas sem uso de máscara em vias públicas e reforçam a necessidade do isolamento físico de diversas formas. Não há, no entanto, previsão de aplicação de multas a indivíduos que desrespeitem o isolamento, exceto para aqueles que não estejam fazendo uso do equipamento de proteção em São Bernardo, que prevê pena de R$ 100, e Mauá, que pode cobrar uma cesta básica em caso de reincidência.

Diante de tudo isso, a questão que especialistas tentam responder é: por qual razão há quem opte por sair às ruas – exceto os que precisam se locomover para o trabalho e necessidades essênciais – em momento de caos na saúde enquanto há gente que respeita a quarentena com unhas e dentes? De acordo com o psicólogo André Correia, existem pessoas que estão pensando a Covid-19 de forma diferente do que ela realmente é. “Algumas pessoas acreditam que ela (doença) não afeta da forma como afeta, que não é tão séria quanto ela é. Elas não estão compreendendo o contexto da forma que ele está acontecendo e talvez isso afete o julgamento individual”, argumenta.

O especialista explica que falta conscientização. Para ele, por mais que as informações cheguem até as pessoas, elas não acreditam. “É mais ou menos da seguinte forma: ‘Eu nunca vivi uma situação como essa, então é difícil me convencer de que aquilo é totalmente real’, principalmente quando existe uma propaganda contraria àquilo também. É como se tivesse uma verdade e uma outra verdade disputando com ela. As pessoas não estão compreendendo aquilo de forma correta”, afirma.

Ele explica que, além da necessidade de o indivíduo receber uma informação, ele precisa compreender, ter o domínio do conteúdo. “Aí sim você pode tomar decisões. As pessoas têm a informação, mas não tomam consciência dela. A decisão é tomada baseada em coisas erradas, por isso que não acredito que exista má intenção sobre o comportamento.” Ele diz que é claro que há casos em que o bom-senso passa longe, mas acredita ser um grupo pequeno de munícipes.

O psicólogo acredita que o brasileiro nunca foi levado a pensar de forma coletiva e que sempre foi estimulado a competir, trabalhar de forma individualista. “Estamos aprendendo a viver em sociedade agora. É a primeira vez fora do contexto esportivo que somos conduzidos a pensar de forma coletiva. E talvez existam algumas dificuldades. Então, é natural que a gente espere muitos erros, muitas falhas, mas sou otimista e penso que existe ainda, sim, possibilidade de melhoras no decorrer dos tempos, da nossa experiência.”

Especialista destaca importância do isolamento

Sair de casa para atividades não essenciais em um momento de pandemia, como o que se vive agora, não é decisão recomendada, já que autoridades da saúde trabalham para frear o avanço da Covid-19 e julgam que o contato físico precisa diminuir.

Segundo Fabio Leal, infectologista e docente do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o momento da epidemia da Covid-19 não permite nenhuma consideração de relaxamento do isolamento físico. Ele frisa, inclusive, que a propagação do vírus não está diminuindo. Muito pelo contrário. E diz que qualquer atividade que envolva aglomeração ou contato com outras pessoas deve ser evitada “justamente porque isso promove ainda mais a propagação do vírus, pensando na saúde de todos, e coloca em risco individualmente quem estiver fazendo isso”, explica Leal. 

O infectologista diz, no entanto, que realizar atividades físicas sem companhia, por período curto, próximo de casa, sem contato social, é algo aceitável neste momento. Mas lembra também que, no caso destes esportistas, qualquer atividade deve seguir o determinado pelo decreto do governo do Estado de São Paulo, mesmo sem previsão de aglomerações, que é o uso de máscara de proteção em locais públicos, seja caminhando ou se dirigindo para qualquer lugar.

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