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Prefeitos da região adotam cautela sobre adiamento das eleições

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gestores se dividem entre ceticismo sobre momento seguro para realizar disputa e simbologia em defender prorrogação de mandatos


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 23:03


O possível adiamento das eleições municipais em decorrência do avanço da pandemia de Covid-19 ainda é campo minado entre os atuais prefeitos do Grande ABC. A maioria adota cautela sobre comentar publicamente o tema, evita tecer manifestações enfáticas e aguarda com atenção decisões que possam prejudicar ou beneficiar seus futuros políticos.

O Diário apurou que os mandatários, que estão na linha de frente administrativa do enfrentamento do coronavírus em suas cidades, seguem divididos entre o ceticismo sobre se haverá segurança sanitária ainda neste ano para realizar o pleito e, ao mesmo tempo, receosos com a possível simbologia antidemocrática que seria defender abertamente o adiamento da disputa que resultasse em prorrogação de mandatos. Nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que o Parlamento trabalha com duas possíveis datas para o primeiro turno ainda neste ano (15 de novembro ou 6 de dezembro) para impedir que os atuais mandatos ganhem sobrevida.

“Sou radicalmente contra qualquer prorrogação de mandato. Isso é resquício da ditadura militar, é um estupro à Constituição”, sintetizou o prefeito de São Caetano e pré-candidato à reeleição, José Auricchio Júnior (PSDB), para quem, contudo, “ainda é cedo” para discutir eleições em momento em que a América Latina se torna o epicentro da pandemia, sendo o Brasil o País mais afetado da região. Em tese, o adiamento seria benéfico para o tucano, que ainda vê como incerta a candidatura à reeleição por problemas jurídicos.

“Nosso foco hoje é cuidar da nossa gente, vencer essa guerra contra o coronavírus, e manter o planejamento da cidade com relação às obras”, frisou o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB). O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), também tergiversou: “As decisões sobre o calendário eleitoral são prerrogativas do Congresso Nacional e não cabe opinar”.

Em seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Diadema, Lauro Michels (PV) não concorrerá ao pleito, mas a possível prorrogação dá tempo para que o governo do verde se organize em torno do candidato à sucessão. Após meses de indefinição diante da recusa do deputado estadual Márcio da Farmácia (Podemos) em ser o candidato, Lauro, enfim, escolheu o presidente da Câmara, Pretinho do Água Santa (DEM), como o prefeiturável governista. “Temos que pensar no pleito, mas adiar para dezembro e fazer tudo correndo não resolve.”

Preso duas vezes e cassado pela Câmara no ano passado, o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), conseguiu anular o impeachment na Justiça, mas resgataria os meses que ficou fora do cargo com uma prorrogação do mandato e teria fôlego para reconstruir a popularidade arranhada. “A democracia e a vida vêm em primeiro lugar. Temos que assegurar a democracia, mas as decisões precisam estar escoradas na preservação da vida”. “Cabe ao Congresso acatar as recomendações técnicas da ciência e da medicina, legislando no sentido de realizar as eleições no momento mais oportuno para salvaguardar a vida dos brasileiros”, defende Adler Kiko Teixeira (PSB), prefeito de Ribeirão Pires.  

Campos Machado defende imediata transferência de data do pleito

Deputado estadual e presidente paulista e secretário-geral do PTB nacional, Campos Machado defendeu o adiamento imediato das eleições municipais deste ano. Para o cacique petebista, não há como realizar o pleito diante de números alarmantes de casos e mortos pela Covid-19 no Brasil.

“Com o País rompendo a marca dos 200 mil infectados e a pandemia seguindo em ritmo de franca ascendência, espalha-se uma sombra de incertezas em todos os setores da sociedade e, claro, também na política”, considerou o deputado, para quem “insistir em sua realização, só para cumprir prazos e calendário, pode nos conduzir ao terrível equívoco de promover uma eleição meio-democrática”.

A eleição está marcada para outubro, mas o Congresso Nacional se mobiliza para adiar o pleito para novembro ou dezembro. A tese vem sendo considerada pelo futuro presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso.
“Sem a cura definitiva do maldito vírus, e a menos de cinco meses do pleito, a transparência e integridade do calendário eleitoral e do processo democrático já estão comprometidas”, discorreu Campos.



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Prefeitos da região adotam cautela sobre adiamento das eleições

Gestores se dividem entre ceticismo sobre momento seguro para realizar disputa e simbologia em defender prorrogação de mandatos

Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 23:03


O possível adiamento das eleições municipais em decorrência do avanço da pandemia de Covid-19 ainda é campo minado entre os atuais prefeitos do Grande ABC. A maioria adota cautela sobre comentar publicamente o tema, evita tecer manifestações enfáticas e aguarda com atenção decisões que possam prejudicar ou beneficiar seus futuros políticos.

O Diário apurou que os mandatários, que estão na linha de frente administrativa do enfrentamento do coronavírus em suas cidades, seguem divididos entre o ceticismo sobre se haverá segurança sanitária ainda neste ano para realizar o pleito e, ao mesmo tempo, receosos com a possível simbologia antidemocrática que seria defender abertamente o adiamento da disputa que resultasse em prorrogação de mandatos. Nesta semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu que o Parlamento trabalha com duas possíveis datas para o primeiro turno ainda neste ano (15 de novembro ou 6 de dezembro) para impedir que os atuais mandatos ganhem sobrevida.

“Sou radicalmente contra qualquer prorrogação de mandato. Isso é resquício da ditadura militar, é um estupro à Constituição”, sintetizou o prefeito de São Caetano e pré-candidato à reeleição, José Auricchio Júnior (PSDB), para quem, contudo, “ainda é cedo” para discutir eleições em momento em que a América Latina se torna o epicentro da pandemia, sendo o Brasil o País mais afetado da região. Em tese, o adiamento seria benéfico para o tucano, que ainda vê como incerta a candidatura à reeleição por problemas jurídicos.

“Nosso foco hoje é cuidar da nossa gente, vencer essa guerra contra o coronavírus, e manter o planejamento da cidade com relação às obras”, frisou o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB). O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), também tergiversou: “As decisões sobre o calendário eleitoral são prerrogativas do Congresso Nacional e não cabe opinar”.

Em seu segundo mandato à frente da Prefeitura de Diadema, Lauro Michels (PV) não concorrerá ao pleito, mas a possível prorrogação dá tempo para que o governo do verde se organize em torno do candidato à sucessão. Após meses de indefinição diante da recusa do deputado estadual Márcio da Farmácia (Podemos) em ser o candidato, Lauro, enfim, escolheu o presidente da Câmara, Pretinho do Água Santa (DEM), como o prefeiturável governista. “Temos que pensar no pleito, mas adiar para dezembro e fazer tudo correndo não resolve.”

Preso duas vezes e cassado pela Câmara no ano passado, o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), conseguiu anular o impeachment na Justiça, mas resgataria os meses que ficou fora do cargo com uma prorrogação do mandato e teria fôlego para reconstruir a popularidade arranhada. “A democracia e a vida vêm em primeiro lugar. Temos que assegurar a democracia, mas as decisões precisam estar escoradas na preservação da vida”. “Cabe ao Congresso acatar as recomendações técnicas da ciência e da medicina, legislando no sentido de realizar as eleições no momento mais oportuno para salvaguardar a vida dos brasileiros”, defende Adler Kiko Teixeira (PSB), prefeito de Ribeirão Pires.  

Campos Machado defende imediata transferência de data do pleito

Deputado estadual e presidente paulista e secretário-geral do PTB nacional, Campos Machado defendeu o adiamento imediato das eleições municipais deste ano. Para o cacique petebista, não há como realizar o pleito diante de números alarmantes de casos e mortos pela Covid-19 no Brasil.

“Com o País rompendo a marca dos 200 mil infectados e a pandemia seguindo em ritmo de franca ascendência, espalha-se uma sombra de incertezas em todos os setores da sociedade e, claro, também na política”, considerou o deputado, para quem “insistir em sua realização, só para cumprir prazos e calendário, pode nos conduzir ao terrível equívoco de promover uma eleição meio-democrática”.

A eleição está marcada para outubro, mas o Congresso Nacional se mobiliza para adiar o pleito para novembro ou dezembro. A tese vem sendo considerada pelo futuro presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso.
“Sem a cura definitiva do maldito vírus, e a menos de cinco meses do pleito, a transparência e integridade do calendário eleitoral e do processo democrático já estão comprometidas”, discorreu Campos.

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