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Comprometimento da renda familiar cresce na região

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Declínio dos ganhos já atinge 55% com avanço da Covid-19; corte de salários e desemprego são as causas


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 08:16


O percentual de famílias cuja renda foi comprometida durante a quarentena está avançando na região. Dos 46% observados no início de abril foi para 55% na segunda quinzena do mesmo mês, sendo que 12,8% tiveram o salário diminuído em razão da redução de jornada, permitida pela MP (Medida Provisória) 936, e 4,8% foram demitidos durante a pandemia. A pesquisa foi realizada pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo e divulgada ontem.

Para 11,9%, os ganhos caíram em mais da metade, enquanto 9,6% viram queda entre 41% e 50% nos rendimentos (veja mais na arte ao lado). Primeiro impacto é o atraso no cumprimento de compromissos financeiros, principalmente nas chamadas contas de consumo, como água e luz – 24,7% dos moradores da região atrasaram alguma conta na última quinzena de abril, enquanto 5,4% já tinham débitos em atraso antes e a situação foi agravada pela Covid-19.

Segundo Silvia Okabayashi, coordenadora do curso de ciências econômicas da Universidade Metodista de São Paulo, a médio e longo prazos, a tendência é que a população comece a cancelar ou adiar gastos com serviços e bens de maior valor ou supérfluos. “Alguns serviços não essenciais começarão a ser descontinuados, como aulas de música, e o consumidor vai postergar a compra de itens de alto valor, por exemplo, veículos e outros bens que, normalmente, são financiados”, explicou.

A data para término da quarentena e normalização das atividades econômicas ainda é incerta. No entanto, a especialista avalia que o comprometimento do orçamento e o desemprego devem se estender para além da quarentena. “O financiamento não tem chegado às empresas, que não têm mais fôlego para rápida recuperação e voltar a gerar empregos quando isso (a paralisação das atividades) acabar, fora aquelas que podem até mesmo falir”, afirma.

Silvia lembra que, desde o início deste período, os trabalhadores autônomos e informais, a exemplo de motoristas de aplicativo, foram os principais afetados. Com a crise, o número de trabalhadores sem carteira assinada pode crescer, deixando de lado os direitos trabalhistas e previdenciários e, consequentemente, agravando a desigualdade social. O estudo estima que 17% da PEA (População Economicamente Ativa) – em 2017, dados mais recentes, era 1,392 milhão – da região esteja desempregada.

Futuro - Os moradores das sete cidades estão pessimistas em relação ao futuro. Para 65,9% dos entrevistados, o novo coronavírus deve impactar intensamente a economia deste ano e, possivelmente, de 2021. Já 30,9% acreditam que o impacto deve ser considerável apenas no cenário econômico deste ano, e apenas 2,7% avaliam que deve impactar apenas um pouco. Só 0,5% considera que não haverá nenhum prejuízo. 



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Comprometimento da renda familiar cresce na região

Declínio dos ganhos já atinge 55% com avanço da Covid-19; corte de salários e desemprego são as causas

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 08:16


O percentual de famílias cuja renda foi comprometida durante a quarentena está avançando na região. Dos 46% observados no início de abril foi para 55% na segunda quinzena do mesmo mês, sendo que 12,8% tiveram o salário diminuído em razão da redução de jornada, permitida pela MP (Medida Provisória) 936, e 4,8% foram demitidos durante a pandemia. A pesquisa foi realizada pelo Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo e divulgada ontem.

Para 11,9%, os ganhos caíram em mais da metade, enquanto 9,6% viram queda entre 41% e 50% nos rendimentos (veja mais na arte ao lado). Primeiro impacto é o atraso no cumprimento de compromissos financeiros, principalmente nas chamadas contas de consumo, como água e luz – 24,7% dos moradores da região atrasaram alguma conta na última quinzena de abril, enquanto 5,4% já tinham débitos em atraso antes e a situação foi agravada pela Covid-19.

Segundo Silvia Okabayashi, coordenadora do curso de ciências econômicas da Universidade Metodista de São Paulo, a médio e longo prazos, a tendência é que a população comece a cancelar ou adiar gastos com serviços e bens de maior valor ou supérfluos. “Alguns serviços não essenciais começarão a ser descontinuados, como aulas de música, e o consumidor vai postergar a compra de itens de alto valor, por exemplo, veículos e outros bens que, normalmente, são financiados”, explicou.

A data para término da quarentena e normalização das atividades econômicas ainda é incerta. No entanto, a especialista avalia que o comprometimento do orçamento e o desemprego devem se estender para além da quarentena. “O financiamento não tem chegado às empresas, que não têm mais fôlego para rápida recuperação e voltar a gerar empregos quando isso (a paralisação das atividades) acabar, fora aquelas que podem até mesmo falir”, afirma.

Silvia lembra que, desde o início deste período, os trabalhadores autônomos e informais, a exemplo de motoristas de aplicativo, foram os principais afetados. Com a crise, o número de trabalhadores sem carteira assinada pode crescer, deixando de lado os direitos trabalhistas e previdenciários e, consequentemente, agravando a desigualdade social. O estudo estima que 17% da PEA (População Economicamente Ativa) – em 2017, dados mais recentes, era 1,392 milhão – da região esteja desempregada.

Futuro - Os moradores das sete cidades estão pessimistas em relação ao futuro. Para 65,9% dos entrevistados, o novo coronavírus deve impactar intensamente a economia deste ano e, possivelmente, de 2021. Já 30,9% acreditam que o impacto deve ser considerável apenas no cenário econômico deste ano, e apenas 2,7% avaliam que deve impactar apenas um pouco. Só 0,5% considera que não haverá nenhum prejuízo. 

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