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Pão francês tem alta de até 10% na região

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com aumento do dólar, farinha de trigo subiu 30%, mas índice não foi repassado no total


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/05/2020 | 01:21


Com a alta do dólar e o impacto direto na farinha de trigo, o pãozinho francês também está pesando mais no bolso do consumidor. O item, que é indispensável no café da manhã da maioria das famílias do País, teve alta de 5% a 10% nos últimos dias nas padarias do Grande ABC.

De acordo com o presidente do Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), Antônio Carlos Henriques, o Toninho, a matéria-prima está até 30% mais caro, só que com a retração do setor por causa da pandemia, os comerciantes não têm feito o repasse total. Desde o início do decreto da quarentena e das medidas de isolamento físico, o faturamento do setor já caiu na média de 60%.

“Quanto mais aumentar o dólar, mais nós teremos dificuldades. Além da questão da oferta e procura, para piorar nós temos o problema do dólar ter disparado. Estamos em um aperto muito grande, e já estamos pagando entre 25% e 30% mais caro na farinha de trigo. E como nossos estoques foram consumidos, não temos muito o que fazer”, afirmou. Segundo ele, o preço de um saco de 25 quilos – quantidade suficiente para a produção de 500 pãezinhos – custa entre R$ 62 e R$ 68, .

Ou seja, o reajuste poderia ter sido pior, mas, segundo Toninho, é mais sutil por causa do atual momento. “O ajuste é para tentar que o preço não fique tão defasado, mas há um receio de ser repassado por causa do atual momento, em que as vendas não estão tão bem”, afirmou o sindicalista.

Com o reajuste de até 10%, a média do preço do quilo do pão francês na região fica em torno de R$ 13, de acordo com o Sipan da região. O valor percentual é praticamente 45 vezes maior do que o da atual inflação do Brasil, que chegou ao patamar de 0,22% em 2020, inclusive com deflação – queda de preços – em abril, de 0,31%. Nos últimos 12 meses, o índice é de 2,40%, ou seja, pelo menos quatro vezes menor que o reajuste. Caso o valor do aumento da farinha de trigo fosse aplicado integralmente, o quilo do pão custaria em torno de R$ 16,90.

A expectativa é que, com boa safra de trigo e também redução do preço do dólar, o setor consiga algum respiro. Mas, mesmo assim, o sindicalista fala que a retomada do comércio também deverá ajudar nas vendas das padarias, que atualmente recorreram à diversificação de produtos ou ao serviço de delivery para garantir a sobrevivência.

“Nós temos que ter uma safra de trigo boa, até porque o agronegócio continua a todo o vapor, e também que o dólar venha para um patamar razoável, entre R$ 4,20 e R$ 4,30”, disse Toninho. Segundo ele, o sindicato incentiva na diversificação de produtos, como os hortifrúti, para atrair mais receita. “As entregas também são uma alternativa interessante, já que as pessoas têm medo de sair de casa. Mas a concorrência é muito forte, já que praticamente todas as empresas estão trabalhando com delivery. E muitas das padarias não têm estrutura para isso”, destacou.

Atualmente são 950 padarias nas sete cidades, o que já representa uma queda de 13% em relação ao número do ano passado. A estimativa é que, deste total, pelo menos 10% não aguentem as restrições da pandemia, que impactam diretamente na redução do público. Já os trabalhadores diretos das padarias chegam a 25 mil na região e também um contingente de cerca de 10% deve perder os empregos. “Por isso é urgente esta retomada com critérios, para que as padarias operem”, disse Toninho. 



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Pão francês tem alta de até 10% na região

Com aumento do dólar, farinha de trigo subiu 30%, mas índice não foi repassado no total

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

20/05/2020 | 01:21


Com a alta do dólar e o impacto direto na farinha de trigo, o pãozinho francês também está pesando mais no bolso do consumidor. O item, que é indispensável no café da manhã da maioria das famílias do País, teve alta de 5% a 10% nos últimos dias nas padarias do Grande ABC.

De acordo com o presidente do Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), Antônio Carlos Henriques, o Toninho, a matéria-prima está até 30% mais caro, só que com a retração do setor por causa da pandemia, os comerciantes não têm feito o repasse total. Desde o início do decreto da quarentena e das medidas de isolamento físico, o faturamento do setor já caiu na média de 60%.

“Quanto mais aumentar o dólar, mais nós teremos dificuldades. Além da questão da oferta e procura, para piorar nós temos o problema do dólar ter disparado. Estamos em um aperto muito grande, e já estamos pagando entre 25% e 30% mais caro na farinha de trigo. E como nossos estoques foram consumidos, não temos muito o que fazer”, afirmou. Segundo ele, o preço de um saco de 25 quilos – quantidade suficiente para a produção de 500 pãezinhos – custa entre R$ 62 e R$ 68, .

Ou seja, o reajuste poderia ter sido pior, mas, segundo Toninho, é mais sutil por causa do atual momento. “O ajuste é para tentar que o preço não fique tão defasado, mas há um receio de ser repassado por causa do atual momento, em que as vendas não estão tão bem”, afirmou o sindicalista.

Com o reajuste de até 10%, a média do preço do quilo do pão francês na região fica em torno de R$ 13, de acordo com o Sipan da região. O valor percentual é praticamente 45 vezes maior do que o da atual inflação do Brasil, que chegou ao patamar de 0,22% em 2020, inclusive com deflação – queda de preços – em abril, de 0,31%. Nos últimos 12 meses, o índice é de 2,40%, ou seja, pelo menos quatro vezes menor que o reajuste. Caso o valor do aumento da farinha de trigo fosse aplicado integralmente, o quilo do pão custaria em torno de R$ 16,90.

A expectativa é que, com boa safra de trigo e também redução do preço do dólar, o setor consiga algum respiro. Mas, mesmo assim, o sindicalista fala que a retomada do comércio também deverá ajudar nas vendas das padarias, que atualmente recorreram à diversificação de produtos ou ao serviço de delivery para garantir a sobrevivência.

“Nós temos que ter uma safra de trigo boa, até porque o agronegócio continua a todo o vapor, e também que o dólar venha para um patamar razoável, entre R$ 4,20 e R$ 4,30”, disse Toninho. Segundo ele, o sindicato incentiva na diversificação de produtos, como os hortifrúti, para atrair mais receita. “As entregas também são uma alternativa interessante, já que as pessoas têm medo de sair de casa. Mas a concorrência é muito forte, já que praticamente todas as empresas estão trabalhando com delivery. E muitas das padarias não têm estrutura para isso”, destacou.

Atualmente são 950 padarias nas sete cidades, o que já representa uma queda de 13% em relação ao número do ano passado. A estimativa é que, deste total, pelo menos 10% não aguentem as restrições da pandemia, que impactam diretamente na redução do público. Já os trabalhadores diretos das padarias chegam a 25 mil na região e também um contingente de cerca de 10% deve perder os empregos. “Por isso é urgente esta retomada com critérios, para que as padarias operem”, disse Toninho. 

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