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Grande ABC tem um novo infectado a cada 12 minutos

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dados da primeira quinzena de maio indicam crescimento; maior testagem, agilidade nos resultados e menor isolamento


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

16/05/2020 | 22:40


Uma pessoa no Grande ABC recebe a confirmação de que está infectada com o novo coronavírus a cada 12 minutos. Ao menos é o que mostram os números entre 1º de maio e sexta-feira. Neste período, 1.699 moradores da região positivaram para Covid-19, o que representa 113 por dia e 4,7 por hora. Muitos podem ser os motivos para tal situação: aumento no número de testagem – prefeituras como as de Santo André e São Caetano iniciaram procedimentos para identificação em massa –; maior agilidade na obtenção de resultados desde que houve a descentralização do Instituto Adolfo Lutz e o credenciamento de outros laboratórios, como o da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC); e/ou o cada vez mais crescente desrespeito ao distanciamento físico – quanto mais pessoas na rua, maior possibilidade de aglomeração e transmissão da doença.

Nos dados agregados desta primeira quinzena do mês, São Bernardo aparece como o município com o maior número de pacientes identificados com o novo coronavírus, com 502, seguido por Santo André (494), São Caetano (292), Diadema (230), Mauá (108), Ribeirão Pires (56) e Rio Grande da Serra (17).

De acordo com o sistema de monitoramento inteligente do governo de São Paulo, que mede o índice de isolamento de seis das sete cidades da região (exceção feita a Rio Grande da Serra), o Grande ABC iniciou maio com 57% de média no distanciamento físico. Entretanto, na sexta-feira o número já estava em 50% (e chegou a registrar 47% no dia 8) – o recomendado pelas autoridades como ideal é 70%.

“É bastante preocupante. Indica que os casos estão em velocidade crescente ao invés de diminuir. Se mantiver nesse ritmo, poderá chegar em proporções muito maiores, como tem ocorrido em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Estamos em pandemia, vivendo algo que a nossa geração nunca viveu. Isto em si, já demostra o quanto estamos vivendo em um momento crítico”, comenta a gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade de São Caetano, Adriana de Brito. “Não há como afirmar exatamente a razão para o aumento dos números de casos. Contudo, quando realiza-se triagem populacional em larga escala é esperado que o número de casos positivos aumentem. Principalmente em virtude de ser uma doença que pode, algumas vezes, passar desapercebida, silenciosa e assintomática”, sugeriu ela, que também é mestre em microbiologia e doutora em biofotônica.

“A região está testando mais e o tempo de entrega do resultado também ajuda a mostrar a realidade. Então, combina a semana epidemiológica com o aumento de testagem”, explicou o vice-reitor do centro universitário e coordenador do laboratório de análises clínicas da FMABC, Fernando Luiz Affonso Fonseca. “E mesmo com a proximidade geográfica entre as cidades, laboratorialmente se percebe diferenças entre os tempos de dobradura dos casos. Tem cidade que dobra os casos a cada 11 dias e tem aquela que dobra a cada oito. Daí sim se percebe se a população está ou não fazendo a sua parte (quanto ao isolamento)”, continuou Fernando.

Desde que foi credenciado pelo Adolfo Lutz para realizar e validar os exames do Grande ABC e iniciou os trabalhos, em 29 de abril, o laboratório da FMABC já realizou aproximadamente 14 mil análises. E somente nesta última semana, em um dos dias, chegou a ter 60% de positividade nas amostras. “Na minha modéstia opinião e considerando a semana epidemiológica <CF51>(o período entre 11 e 15 de maio teve o maior registro de casos desde o começo da pandemia: 672 novos confirmados; leia mais ao lado)</CF> estamos no pico. O mês de maio está mostrando isso”, afirmou Fernando. “A cada resultado positivo, nós lamentamos no laboratório. E a cada negativo, comemoramos. Mesmo tendo somente as secreções para análises, nós nos envolvemos com cada amostra, porque sabemos que atrás de cada amostra há um paciente, há uma história, há uma vida”, concluiu o coordenador do centro de análises.

Epidemiologista indica próximos passos 

A semana entre 11 e 15 de maio, nona desde o primeiro registro de coronavírus no Grande ABC (em 15 de março) teve o maior registro no número de casos confirmados: 672 novas pessoas que testaram positivo para Covid-19. Em média, foram 134 registros a mais a cada dia, com picos de 150 em duas destas datas. De acordo com o epidemiologista e docente do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Davi Rumel, tais dados podem representar o pico da doença na região, dependendo dos números desta semana.

“Se não mudou metodologia, se não teve fato novo, o número de casos novos a mais no dia tem que ser igual ao do dia anterior para dizer que estamos em situação estável. Se de um dia para outro for maior, quer dizer que está subindo, fora de controle, epidemia vencendo a prevenção. Se for menor, estamos conseguindo controlar ou está passando do pico”, explicou. 

“O que a gente espera é que essa média por dia comece a baixar. Quanto mais baixa, mais tranquilo a gente fica de poder voltar ao trabalho. Lembrando que o vírus ainda está circulando, então (essa volta) tem de ser com distância física, lavando bem as mãos ou higienizando com álcool gel e usando máscara. E os lugares fechados, que não têm ventilação que chupa o ar para fora – onde os aerossóis que se formam saem e não ficam recirculando no ambiente. como restaurantes, cinemas, shoppings e outros locais em que o ar recircula lá dentro – precisam se preparar. Se a gente quer mudar, tem de adaptar sistema de circulação dos locais fechados. E não vejo que estão investindo nisso”, observou.



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Grande ABC tem um novo infectado a cada 12 minutos

Dados da primeira quinzena de maio indicam crescimento; maior testagem, agilidade nos resultados e menor isolamento

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

16/05/2020 | 22:40


Uma pessoa no Grande ABC recebe a confirmação de que está infectada com o novo coronavírus a cada 12 minutos. Ao menos é o que mostram os números entre 1º de maio e sexta-feira. Neste período, 1.699 moradores da região positivaram para Covid-19, o que representa 113 por dia e 4,7 por hora. Muitos podem ser os motivos para tal situação: aumento no número de testagem – prefeituras como as de Santo André e São Caetano iniciaram procedimentos para identificação em massa –; maior agilidade na obtenção de resultados desde que houve a descentralização do Instituto Adolfo Lutz e o credenciamento de outros laboratórios, como o da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC); e/ou o cada vez mais crescente desrespeito ao distanciamento físico – quanto mais pessoas na rua, maior possibilidade de aglomeração e transmissão da doença.

Nos dados agregados desta primeira quinzena do mês, São Bernardo aparece como o município com o maior número de pacientes identificados com o novo coronavírus, com 502, seguido por Santo André (494), São Caetano (292), Diadema (230), Mauá (108), Ribeirão Pires (56) e Rio Grande da Serra (17).

De acordo com o sistema de monitoramento inteligente do governo de São Paulo, que mede o índice de isolamento de seis das sete cidades da região (exceção feita a Rio Grande da Serra), o Grande ABC iniciou maio com 57% de média no distanciamento físico. Entretanto, na sexta-feira o número já estava em 50% (e chegou a registrar 47% no dia 8) – o recomendado pelas autoridades como ideal é 70%.

“É bastante preocupante. Indica que os casos estão em velocidade crescente ao invés de diminuir. Se mantiver nesse ritmo, poderá chegar em proporções muito maiores, como tem ocorrido em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Estamos em pandemia, vivendo algo que a nossa geração nunca viveu. Isto em si, já demostra o quanto estamos vivendo em um momento crítico”, comenta a gestora do curso de biomedicina da USCS (Universidade de São Caetano, Adriana de Brito. “Não há como afirmar exatamente a razão para o aumento dos números de casos. Contudo, quando realiza-se triagem populacional em larga escala é esperado que o número de casos positivos aumentem. Principalmente em virtude de ser uma doença que pode, algumas vezes, passar desapercebida, silenciosa e assintomática”, sugeriu ela, que também é mestre em microbiologia e doutora em biofotônica.

“A região está testando mais e o tempo de entrega do resultado também ajuda a mostrar a realidade. Então, combina a semana epidemiológica com o aumento de testagem”, explicou o vice-reitor do centro universitário e coordenador do laboratório de análises clínicas da FMABC, Fernando Luiz Affonso Fonseca. “E mesmo com a proximidade geográfica entre as cidades, laboratorialmente se percebe diferenças entre os tempos de dobradura dos casos. Tem cidade que dobra os casos a cada 11 dias e tem aquela que dobra a cada oito. Daí sim se percebe se a população está ou não fazendo a sua parte (quanto ao isolamento)”, continuou Fernando.

Desde que foi credenciado pelo Adolfo Lutz para realizar e validar os exames do Grande ABC e iniciou os trabalhos, em 29 de abril, o laboratório da FMABC já realizou aproximadamente 14 mil análises. E somente nesta última semana, em um dos dias, chegou a ter 60% de positividade nas amostras. “Na minha modéstia opinião e considerando a semana epidemiológica <CF51>(o período entre 11 e 15 de maio teve o maior registro de casos desde o começo da pandemia: 672 novos confirmados; leia mais ao lado)</CF> estamos no pico. O mês de maio está mostrando isso”, afirmou Fernando. “A cada resultado positivo, nós lamentamos no laboratório. E a cada negativo, comemoramos. Mesmo tendo somente as secreções para análises, nós nos envolvemos com cada amostra, porque sabemos que atrás de cada amostra há um paciente, há uma história, há uma vida”, concluiu o coordenador do centro de análises.

Epidemiologista indica próximos passos 

A semana entre 11 e 15 de maio, nona desde o primeiro registro de coronavírus no Grande ABC (em 15 de março) teve o maior registro no número de casos confirmados: 672 novas pessoas que testaram positivo para Covid-19. Em média, foram 134 registros a mais a cada dia, com picos de 150 em duas destas datas. De acordo com o epidemiologista e docente do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Davi Rumel, tais dados podem representar o pico da doença na região, dependendo dos números desta semana.

“Se não mudou metodologia, se não teve fato novo, o número de casos novos a mais no dia tem que ser igual ao do dia anterior para dizer que estamos em situação estável. Se de um dia para outro for maior, quer dizer que está subindo, fora de controle, epidemia vencendo a prevenção. Se for menor, estamos conseguindo controlar ou está passando do pico”, explicou. 

“O que a gente espera é que essa média por dia comece a baixar. Quanto mais baixa, mais tranquilo a gente fica de poder voltar ao trabalho. Lembrando que o vírus ainda está circulando, então (essa volta) tem de ser com distância física, lavando bem as mãos ou higienizando com álcool gel e usando máscara. E os lugares fechados, que não têm ventilação que chupa o ar para fora – onde os aerossóis que se formam saem e não ficam recirculando no ambiente. como restaurantes, cinemas, shoppings e outros locais em que o ar recircula lá dentro – precisam se preparar. Se a gente quer mudar, tem de adaptar sistema de circulação dos locais fechados. E não vejo que estão investindo nisso”, observou.

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