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Okinawa. Promissão. Futebol

A série sobre os 80 anos do Estádio do Pacaembu tem rendido uma grande aproximação das pessoas nestes tempos do novo coronavírus. A origem está no Memofut – Grupo Literatura e Memória do Futebol – e na resposta dada pelos seus integrantes. Ressoam os depoimentos por todo o Grande ABC, como nesta resposta do professor Alexandre Takara à provocação de Memória


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

15/05/2020 | 23:55


Os dois Takara

Texto: Alexandre Takara, orientador de Memória

Apreciei a coluna de 12 de maio, quando Memória se refere a dois Takara. Ademir Takara, memorialista de futebol. O outro, eu, professor do Grande ABC, não ligado muito ao futebol. Minhas memórias, em futebol são antimemórias.

Lembro-me de, quando criança, do meu primeiro contato com a bola. Meu pai criava porcos no chiqueiro no fundo da propriedade no bairro Gonzaga, em Promissão, onde nasci. Ele, de uma bexiga, fez minha primeira bola. Deixou-a curtir e, após alguns dias, encheu e deu-me. Fui brincar no terreiro de café. Cai, bati a cabeça em toco de um arbusto, sangrou bastante, chorei e, ainda hoje, tenho uma cicatriz na testa.

A partir desse acidente, o desapego a uma bola e ao futebol. Daí, o termo antimemórias. Mudamos para a cidade. Meus amiguinhos gostavam de jogar. Eu não gostava, mas tinha que participar para não ser relegado à solidão.

Jogava mal. Só jogava quando eu era o dono da bola. Sempre na reserva. Ignorava as regras de jogo. Pior do que eu, ninguém.
Daí o meu desapego ao futebol. Lembro-me apenas das bicicletas de Leônidas na década de 1940, mesmo porque todos só falavam dele.
Ainda hoje apenas assisto aos jogos, sentado numa poltrona, mesmo assim nos jogos de finais de campeonato e Copa do Mundo.

Talvez a lembrança mais significativa de uma Copa do Mundo foi a de 1970. Eu e meus filhos adolescentes assistimos na casa dos meus cunhados Quico e Juraci. E nos campeonatos subsequentes, na minha casa, quando meus filhos adolescentes convidavam seus amiguinhos a assistir na minha casa. Iam tantos, meninos e meninas, que precisávamos montar uma arquibancada.

A mãe deles, minha esposa, Eliana, também participava, a servir pipoca, doces e refrigerantes. Lembro-me também da última Copa, realizada no Brasil, quando o nosso time perdeu por 7 x 1, da Alemanha. Mais uma vez, antimemórias.

E, ao final, Ademir, gostaria de conhecer o seu xará Takara. Devemos ter muitas memórias em comum a respeito da província de Okinawa, terra natal de nossos ancestrais.
Resposta – Será um grande prazer poder encontrar o professor Takara e o advogado Gérson Gomes da Silva (da Semana Santo André 2020), no pós-quarentena. Aliás, pode confirmar com o professor que minha família é de Okinawa, da antiga vila de Oroku, hoje um bairro da capital Naha.
Ademir Takara, bibliotecário do Museu do Futebol e integrante do Memofut – Grupo Literatura e Memória do Futebol.

"Delícia de crônica! Vejo que o velho amigo está em plena forma da escrita! A propósito, meu neto de 12 anos detesta futebol e, certa vez, chegou chorando da escola porque ‘as meninas só gostam de meninos que jogam futebol!’ Olha só o dilema! Obrigada pelo envio. Deixo meu melhor abraço. Cuide-se."
Dalila Teles Veras, poeta

"Dalila, verdade. Nosso estimadíssimo amigo Takara na mais perfeita forma. Falei para ele tentar viabilizar alguma maneira de divulgar seus brilhantes textos de modo a atingir um público mais amplo. Na atual época das trevas a produção intelectual de Takara é um alento e inspiração para todos e, acima de tudo, exemplo de jovialidade e de resistência intelectual. Um grande e saudoso abraço a todos."
Antonio de Andrade, professor

"Faço minhas as palavras dos estimados amigos, Takara. São registros feitos este e os que leio aqui e acolá que, no fundo, importam para a gente refletir sobre os desafios de nossa vida, especialmente neste duro momento duplo de apreensão que estamos vivendo). Aí a resiliência faz toda a diferença. Estimulante!"
Suzana Kleeb, historiadora

Cuidado, Moreira!
Texto: Milton Parron
Na situação de isolamento que a Covid-19 está nos impondo, o que impede a gravação de novos programas para evitar aglomerações no estúdio (no mínimo quatro pessoas), reprisaremos neste sábado mais um Memória.

O escolhido foi o programa que focalizou o sambista Antonio Moreira da Silva, também conhecido artisticamente como Kid Morengueira.

Carioca nascido em 1902, ele faleceu aos 98 anos de idade, em junho de 2000. Nasceu e viveu a vida toda no Rio de Janeiro e conheceu como poucos as figuras que frequentavam o ‘basfond’ da Lapa boêmia, assim como conviveu com os malandros dos morros, incorporando os tipos populares daqueles ambientes nos seus antológicos sambas de breque.

Soube explorar de maneira irretocável a linguagem e a malícia que formataram a figura do carioca.

Contemporâneo de Noel Rosa, ele acompanhou o início da interação do samba com a elite carioca.

Quando conheceu e se tornou amigo de Miguel Gustavo em 1958, começou a segunda fase de sucessos de Moreira. Juntos, criaram e deram vida ao personagem Kid Morengueira, uma mistura bem dosada de herói e malandro com que Moreira da Silva deixou seu nome, para sempre, inscrito na história da MPB. Revivam com ele no programa Memória, suas histórias e seus grandes sucessos.

EM PAUTA
Rádio Bandeirantes AM (840) e FM (90,9) – Moreira da Silva. Produção e apresentação: Milton Parron. Hoje, às 23h, amanhã, às 5h. Na internet: www.radiobandeirantes.com.br .

Diário há meio século
Sábado, 16 de maio de 1970; ano 12; edição 1235
Manchete – Nosso parque industrial ganha oleoduto
Santo André – Motoristas de táxi do Ponto Estação reivindicam ladrilhos para as calçadas da Praça 18 do Forte, Avenida Queiroz dos Santos e Rua Itambé.
Nota – Santo André estava inaugurando ladrilhos com desenho de Burle Marx, ainda hoje usuais.
São Bernardo – Vereador Indu Rovay pede reformulação no viaduto da Via Anchieta de acesso à Avenida João Firmino.
Cultura & LAZER – Asba (Associação São-Bernardense de Belas Artes) abre o quarto salão de apresentação.
Futebol – Corinthians, de virada, vence o Olympique de Marselha por 2 a 1, em Lille, França, gols de Tales e Ivair.

Hoje
- Dia do Gari.

Santos do dia
- João Nepomuceno
- Santa Margarida de Cortona
- Ubaldo (Alemanha, 1085 – Itália, 1160). Bispo de Gúbio, na Umbria, e padroeiro da cidade.



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Okinawa. Promissão. Futebol

A série sobre os 80 anos do Estádio do Pacaembu tem rendido uma grande aproximação das pessoas nestes tempos do novo coronavírus. A origem está no Memofut – Grupo Literatura e Memória do Futebol – e na resposta dada pelos seus integrantes. Ressoam os depoimentos por todo o Grande ABC, como nesta resposta do professor Alexandre Takara à provocação de Memória

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

15/05/2020 | 23:55


Os dois Takara

Texto: Alexandre Takara, orientador de Memória

Apreciei a coluna de 12 de maio, quando Memória se refere a dois Takara. Ademir Takara, memorialista de futebol. O outro, eu, professor do Grande ABC, não ligado muito ao futebol. Minhas memórias, em futebol são antimemórias.

Lembro-me de, quando criança, do meu primeiro contato com a bola. Meu pai criava porcos no chiqueiro no fundo da propriedade no bairro Gonzaga, em Promissão, onde nasci. Ele, de uma bexiga, fez minha primeira bola. Deixou-a curtir e, após alguns dias, encheu e deu-me. Fui brincar no terreiro de café. Cai, bati a cabeça em toco de um arbusto, sangrou bastante, chorei e, ainda hoje, tenho uma cicatriz na testa.

A partir desse acidente, o desapego a uma bola e ao futebol. Daí, o termo antimemórias. Mudamos para a cidade. Meus amiguinhos gostavam de jogar. Eu não gostava, mas tinha que participar para não ser relegado à solidão.

Jogava mal. Só jogava quando eu era o dono da bola. Sempre na reserva. Ignorava as regras de jogo. Pior do que eu, ninguém.
Daí o meu desapego ao futebol. Lembro-me apenas das bicicletas de Leônidas na década de 1940, mesmo porque todos só falavam dele.
Ainda hoje apenas assisto aos jogos, sentado numa poltrona, mesmo assim nos jogos de finais de campeonato e Copa do Mundo.

Talvez a lembrança mais significativa de uma Copa do Mundo foi a de 1970. Eu e meus filhos adolescentes assistimos na casa dos meus cunhados Quico e Juraci. E nos campeonatos subsequentes, na minha casa, quando meus filhos adolescentes convidavam seus amiguinhos a assistir na minha casa. Iam tantos, meninos e meninas, que precisávamos montar uma arquibancada.

A mãe deles, minha esposa, Eliana, também participava, a servir pipoca, doces e refrigerantes. Lembro-me também da última Copa, realizada no Brasil, quando o nosso time perdeu por 7 x 1, da Alemanha. Mais uma vez, antimemórias.

E, ao final, Ademir, gostaria de conhecer o seu xará Takara. Devemos ter muitas memórias em comum a respeito da província de Okinawa, terra natal de nossos ancestrais.
Resposta – Será um grande prazer poder encontrar o professor Takara e o advogado Gérson Gomes da Silva (da Semana Santo André 2020), no pós-quarentena. Aliás, pode confirmar com o professor que minha família é de Okinawa, da antiga vila de Oroku, hoje um bairro da capital Naha.
Ademir Takara, bibliotecário do Museu do Futebol e integrante do Memofut – Grupo Literatura e Memória do Futebol.

"Delícia de crônica! Vejo que o velho amigo está em plena forma da escrita! A propósito, meu neto de 12 anos detesta futebol e, certa vez, chegou chorando da escola porque ‘as meninas só gostam de meninos que jogam futebol!’ Olha só o dilema! Obrigada pelo envio. Deixo meu melhor abraço. Cuide-se."
Dalila Teles Veras, poeta

"Dalila, verdade. Nosso estimadíssimo amigo Takara na mais perfeita forma. Falei para ele tentar viabilizar alguma maneira de divulgar seus brilhantes textos de modo a atingir um público mais amplo. Na atual época das trevas a produção intelectual de Takara é um alento e inspiração para todos e, acima de tudo, exemplo de jovialidade e de resistência intelectual. Um grande e saudoso abraço a todos."
Antonio de Andrade, professor

"Faço minhas as palavras dos estimados amigos, Takara. São registros feitos este e os que leio aqui e acolá que, no fundo, importam para a gente refletir sobre os desafios de nossa vida, especialmente neste duro momento duplo de apreensão que estamos vivendo). Aí a resiliência faz toda a diferença. Estimulante!"
Suzana Kleeb, historiadora

Cuidado, Moreira!
Texto: Milton Parron
Na situação de isolamento que a Covid-19 está nos impondo, o que impede a gravação de novos programas para evitar aglomerações no estúdio (no mínimo quatro pessoas), reprisaremos neste sábado mais um Memória.

O escolhido foi o programa que focalizou o sambista Antonio Moreira da Silva, também conhecido artisticamente como Kid Morengueira.

Carioca nascido em 1902, ele faleceu aos 98 anos de idade, em junho de 2000. Nasceu e viveu a vida toda no Rio de Janeiro e conheceu como poucos as figuras que frequentavam o ‘basfond’ da Lapa boêmia, assim como conviveu com os malandros dos morros, incorporando os tipos populares daqueles ambientes nos seus antológicos sambas de breque.

Soube explorar de maneira irretocável a linguagem e a malícia que formataram a figura do carioca.

Contemporâneo de Noel Rosa, ele acompanhou o início da interação do samba com a elite carioca.

Quando conheceu e se tornou amigo de Miguel Gustavo em 1958, começou a segunda fase de sucessos de Moreira. Juntos, criaram e deram vida ao personagem Kid Morengueira, uma mistura bem dosada de herói e malandro com que Moreira da Silva deixou seu nome, para sempre, inscrito na história da MPB. Revivam com ele no programa Memória, suas histórias e seus grandes sucessos.

EM PAUTA
Rádio Bandeirantes AM (840) e FM (90,9) – Moreira da Silva. Produção e apresentação: Milton Parron. Hoje, às 23h, amanhã, às 5h. Na internet: www.radiobandeirantes.com.br .

Diário há meio século
Sábado, 16 de maio de 1970; ano 12; edição 1235
Manchete – Nosso parque industrial ganha oleoduto
Santo André – Motoristas de táxi do Ponto Estação reivindicam ladrilhos para as calçadas da Praça 18 do Forte, Avenida Queiroz dos Santos e Rua Itambé.
Nota – Santo André estava inaugurando ladrilhos com desenho de Burle Marx, ainda hoje usuais.
São Bernardo – Vereador Indu Rovay pede reformulação no viaduto da Via Anchieta de acesso à Avenida João Firmino.
Cultura & LAZER – Asba (Associação São-Bernardense de Belas Artes) abre o quarto salão de apresentação.
Futebol – Corinthians, de virada, vence o Olympique de Marselha por 2 a 1, em Lille, França, gols de Tales e Ivair.

Hoje
- Dia do Gari.

Santos do dia
- João Nepomuceno
- Santa Margarida de Cortona
- Ubaldo (Alemanha, 1085 – Itália, 1160). Bispo de Gúbio, na Umbria, e padroeiro da cidade.

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