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O menino que não pode desfilar

Uma história que poderia ser pesada, mas contada com a sensibilidade do professor Aristides mais emociona que incomoda. Decerto, os tempos eram outros e ao relevar e compreender a atitude de seu mestre, o professor Aristides confirma uma máxima: ‘O homem deve ser medido com a régua de seu tempo’ Humberto Sergio Mariano, do Memofut


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

15/05/2020 | 00:10


De volta no bonde da Paulista

Texto: Aristides Almeida Rocha

No dia 6 de setembro de 1949, aos 13 anos de idade, após ter desfilado com o Colégio Alexandre de Gusmão, localizado na Rua Bom Pastor, no bairro do Ipiranga, marchando garbosamente até o Monumento da Independência, me preparava no dia seguinte ao ‘7 de setembro’ para participar da festa cívica no Estádio Municipal do Pacaembu.

Esse era o sonho de qualquer adolescente da época, caminhar pela pista do estádio, ao som da fanfarra, empunhando a Bandeira Nacional e recebendo os aplausos da multidão das arquibancadas, que nesse dia, esquecida de seus clubes de preferência, se unia sob a égide do pavilhão verde, amarelo, azul e branco nacional.

As delegações colegiais ficavam acantonadas na Praça Charles Miller e iam se movimentando lentamente até a entrada triunfal do estádio. Lembro da concentração com meus colegas, parado no jardim imediatamente ao lado de onde hoje está a entrada para o Auditório Armando Nogueira, local das reuniões do nosso Memofut.

Veio então a desagradável surpresa, pois no momento em que todos se perfilaram para adentrar ao estádio, repentinamente o professor de educação física se dirigiu silenciosamente a mim pedindo que saísse de formação, me retirasse do desfile e fosse sentar nas arquibancadas para assistir à passagem da nossa delegação.

Perplexo, sem saber o que estava acontecendo, pensei que tivesse perpetrado algum ato de indisciplina e, então cabisbaixo, esperei a passagem do colégio e, incontinenti, subi até a Avenida Paulista, recorri a um bonde e fui para casa.

Três dias depois, voltando às aulas no colégio, o professor me procurou explicando o porquê daquela atitude. Havia me impedido de desfilar com medo de que a assistência, percebendo minha marcha um pouco claudicante, devido à sequela da paralisia infantil, entendesse que ele me estava obrigando a participar do desfile.

Esse episódio custou um bom tempo para ser superado, e influiu diretamente no comportamento e rendimento escolar futuros. Todavia, hoje octogenário, até entendo os motivos do querido mestre e, afinal, os tempos eram outros. Apenas lamento ter que lembrar esse episódio nos meus 80 anos do Pacaembu. Mas a vida segue e agora estou muito mais feliz nesse mesmo Pacaembu, nas prazerosas reuniões com os amigos do Memofut.

Nota – Mais ontem do que hoje, o Pacaembu sempre abrigou grandes desfiles cívicos. Como estes, de 1947, quando dos I Jogos Operários do Sesi.
O nascente ABC esteve presente. A Rhodia foi campeã no futebol e segunda colocada na classificação final. Da região, no geral, a Pirelli ficou em quarto e a Laminação Nacional de Metais, em sexto lugar.

A linda crônica do professor Aristides nos permite rever aquelas imagens, imortalizadas em revista do Sesi (sem data de edição) e oferecida à Liga Santoandreense de Futebol em abril de 1948.

Diário há meio século
Sexta-feira, 15 de maio de 1970; ano 12; edição 1234
Manchete – Milhares de peixes estão morrendo na Billings
Via Anchieta – Pedágio será cobrado a partir de junho (de 1970).
Futebol – Corinthians de Santo André e Saad de São Caetano vão representar a região no Campeonato Paulista da Primeira Divisão.

Em 15 de maio de...
1860 – O presidente da Província de São Paulo, Policarpo Lopes Leão, vai a Santos e inaugura os trabalhos de construção da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.
1990 – Morre Armando Mazzo, ex-deputado estadual e ex-prefeito eleito de Santo André (1947). Seu corpo está sepultado no Cemitério de Vila Euclides, em São Bernardo, na alameda principal, em jazigo familiar.

Hoje
- Dia do Assistente Social
- Dia Internacional da Família

Santos do dia
- Dionísia
- Isidoro. Lavrador. Viveu em Madri no século XII. Conciliava o trabalho na terra com atos sublimes de caridade. Foi canonizado em 1622 e é o padroeiro da capital espanhola.

Município paulista
- Hoje é o aniversário de Monte Alto. Elevado a município em 1895, quando se separa de Jaboticabal.

Etianos (Lembranças dos que estudaram na Escola Técnica Industrial Lauro Gomes (ETILG), depois ETE e Etec, em São Bernardo)

CARLOS CESAR AVENIA DE FREITAS
Eletrônica – Turma de 1984
Meu pós-ETI se iniciou na TV Bandeirantes, em 1985, área técnica especializada em áudio. Em paralelo, desenvolvi a veia musical, muito conectada à minha profissão – sou baixista e cantor.
Toquei uma época junto com o etiano Julio Cesar Cassettari (Turma de 1985 – Eletrotécnica).
Na Lauro Gomes treinava atletismo com o professor Castello. Era especialista nos 400 m e 800 m rasos. Ganhei a Volta Pedestre da ETI em 1982 e 1984 (este evento era realizado na semana de aniversário da escola, consistia de duas voltas em torno da ETI, cerca de 2 quilômetros).
Continuei no atletismo até onde foi possível conciliar as atividades. A música e o amor ao esporte me mantiveram ativo. 



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O menino que não pode desfilar

Uma história que poderia ser pesada, mas contada com a sensibilidade do professor Aristides mais emociona que incomoda. Decerto, os tempos eram outros e ao relevar e compreender a atitude de seu mestre, o professor Aristides confirma uma máxima: ‘O homem deve ser medido com a régua de seu tempo’ Humberto Sergio Mariano, do Memofut

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

15/05/2020 | 00:10


De volta no bonde da Paulista

Texto: Aristides Almeida Rocha

No dia 6 de setembro de 1949, aos 13 anos de idade, após ter desfilado com o Colégio Alexandre de Gusmão, localizado na Rua Bom Pastor, no bairro do Ipiranga, marchando garbosamente até o Monumento da Independência, me preparava no dia seguinte ao ‘7 de setembro’ para participar da festa cívica no Estádio Municipal do Pacaembu.

Esse era o sonho de qualquer adolescente da época, caminhar pela pista do estádio, ao som da fanfarra, empunhando a Bandeira Nacional e recebendo os aplausos da multidão das arquibancadas, que nesse dia, esquecida de seus clubes de preferência, se unia sob a égide do pavilhão verde, amarelo, azul e branco nacional.

As delegações colegiais ficavam acantonadas na Praça Charles Miller e iam se movimentando lentamente até a entrada triunfal do estádio. Lembro da concentração com meus colegas, parado no jardim imediatamente ao lado de onde hoje está a entrada para o Auditório Armando Nogueira, local das reuniões do nosso Memofut.

Veio então a desagradável surpresa, pois no momento em que todos se perfilaram para adentrar ao estádio, repentinamente o professor de educação física se dirigiu silenciosamente a mim pedindo que saísse de formação, me retirasse do desfile e fosse sentar nas arquibancadas para assistir à passagem da nossa delegação.

Perplexo, sem saber o que estava acontecendo, pensei que tivesse perpetrado algum ato de indisciplina e, então cabisbaixo, esperei a passagem do colégio e, incontinenti, subi até a Avenida Paulista, recorri a um bonde e fui para casa.

Três dias depois, voltando às aulas no colégio, o professor me procurou explicando o porquê daquela atitude. Havia me impedido de desfilar com medo de que a assistência, percebendo minha marcha um pouco claudicante, devido à sequela da paralisia infantil, entendesse que ele me estava obrigando a participar do desfile.

Esse episódio custou um bom tempo para ser superado, e influiu diretamente no comportamento e rendimento escolar futuros. Todavia, hoje octogenário, até entendo os motivos do querido mestre e, afinal, os tempos eram outros. Apenas lamento ter que lembrar esse episódio nos meus 80 anos do Pacaembu. Mas a vida segue e agora estou muito mais feliz nesse mesmo Pacaembu, nas prazerosas reuniões com os amigos do Memofut.

Nota – Mais ontem do que hoje, o Pacaembu sempre abrigou grandes desfiles cívicos. Como estes, de 1947, quando dos I Jogos Operários do Sesi.
O nascente ABC esteve presente. A Rhodia foi campeã no futebol e segunda colocada na classificação final. Da região, no geral, a Pirelli ficou em quarto e a Laminação Nacional de Metais, em sexto lugar.

A linda crônica do professor Aristides nos permite rever aquelas imagens, imortalizadas em revista do Sesi (sem data de edição) e oferecida à Liga Santoandreense de Futebol em abril de 1948.

Diário há meio século
Sexta-feira, 15 de maio de 1970; ano 12; edição 1234
Manchete – Milhares de peixes estão morrendo na Billings
Via Anchieta – Pedágio será cobrado a partir de junho (de 1970).
Futebol – Corinthians de Santo André e Saad de São Caetano vão representar a região no Campeonato Paulista da Primeira Divisão.

Em 15 de maio de...
1860 – O presidente da Província de São Paulo, Policarpo Lopes Leão, vai a Santos e inaugura os trabalhos de construção da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.
1990 – Morre Armando Mazzo, ex-deputado estadual e ex-prefeito eleito de Santo André (1947). Seu corpo está sepultado no Cemitério de Vila Euclides, em São Bernardo, na alameda principal, em jazigo familiar.

Hoje
- Dia do Assistente Social
- Dia Internacional da Família

Santos do dia
- Dionísia
- Isidoro. Lavrador. Viveu em Madri no século XII. Conciliava o trabalho na terra com atos sublimes de caridade. Foi canonizado em 1622 e é o padroeiro da capital espanhola.

Município paulista
- Hoje é o aniversário de Monte Alto. Elevado a município em 1895, quando se separa de Jaboticabal.

Etianos (Lembranças dos que estudaram na Escola Técnica Industrial Lauro Gomes (ETILG), depois ETE e Etec, em São Bernardo)

CARLOS CESAR AVENIA DE FREITAS
Eletrônica – Turma de 1984
Meu pós-ETI se iniciou na TV Bandeirantes, em 1985, área técnica especializada em áudio. Em paralelo, desenvolvi a veia musical, muito conectada à minha profissão – sou baixista e cantor.
Toquei uma época junto com o etiano Julio Cesar Cassettari (Turma de 1985 – Eletrotécnica).
Na Lauro Gomes treinava atletismo com o professor Castello. Era especialista nos 400 m e 800 m rasos. Ganhei a Volta Pedestre da ETI em 1982 e 1984 (este evento era realizado na semana de aniversário da escola, consistia de duas voltas em torno da ETI, cerca de 2 quilômetros).
Continuei no atletismo até onde foi possível conciliar as atividades. A música e o amor ao esporte me mantiveram ativo. 

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