Fechar
Publicidade

Domingo, 31 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

|

Como estará o Brasil após a pandemia?


Do Diário do Grande ABC

12/05/2020 | 23:59


A resposta é simples: não sabemos. Tentar prever o futuro quase sempre é passar vergonha: Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943 disse acreditar que no futuro talvez houvesse mercado para cinco computadores!

Mas é preciso correr esse risco: alguma coisa já podemos antever como consequência das necessidades de intervenções do Estado e dos efeitos da forte redução do comércio, da produção e do emprego. Acreditamos ser bom que governos, empresas e cidadãos se preparem para o pós-pandemia, se sobrevivermos.

A pandemia chegou em momento em que, além do governo federal, a maioria dos Estados e municípios já estava quebrada, sem margem para elevar seus gastos. O governo federal vinha operando com deficits primários e endividamento da ordem de 76% do PIB (Produto Interno Bruto); esforços, como a reforma da Previdência, foram feitos para a redução de gastos – o governo sonhava terminar este ano com deficit de 1% do PIB, algo como R$ 70 bilhões. Mas apenas os programas de ajuda aprovados até agora devem levar o deficit a R$ 500 bilhões, sendo óbvio que a tendência é de aumento ainda maior. A forte redução da atividade econômica fará a arrecadação da União, Estados e municípios desabar. Em resumo: mais despesas e menos receitas em todos os níveis de governo. Ao fim da pandemia com certeza nossos governos estarão ainda mais endividados e com deficits enormes, o que significa menos obras e empregos, salários congelados e queda na qualidade dos serviços públicos. A única alternativa a esse cenário seria aumento brutal de impostos, o que não é viável no momento.

Pode-se prever também que grande número de médias e pequenas empresas não vai sobreviver se a pandemia durar muito tempo, o que é a hipótese mais provável; algumas grandes também quebrarão. Os remédios à disposição podem alongar a agonia dessas empresas, mas são insuficientes para assegurar sua sobrevivência, pois sem faturar, sem caixa e sem acesso a crédito, não vão poder continuar operando e dando empregos por muito tempo. As empresas que sobreviverem precisarão submeter-se a ajustes, desde encolhimento até a adoção de novas tecnologias, formas de organização e trabalho, além da racionalização das cadeias de suprimento.

Serão tempos difíceis. Estávamos crescendo muito pouco, não conseguíamos eliminar bolsões de pobreza; essa situação deve perdurar por muito mais tempo. Poderia ser pouco menos ruim se fôssemos unidos e nossas lideranças estivessem à altura da situação, o que infelizmente está longe da verdade.

Vivaldo José Breternitz é doutor em ciências e professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

PALAVRA DO LEITOR

Diário – 62 anos – 1
Parabéns, Diário, pelos 62 anos de cobertura da nossa região e também do mundo.
João Pereira
Mauá

Diário – 62 anos – 2
Parabéns a este excelente Diário, que nos brinda diariamente com as mais relevantes informações. Igualmente parabéns aos jornalistas e demais funcionários, que fazem deste o maior jornal regional do Brasil. Continue assim, Diário, e para sempre terá minha admiração.
Nice do Carmo Veras
Mauá

Diário – 62 anos – 3
Meus cumprimentos a este Diário pelos 62 anos de bons serviços ao Grande ABC. Queira Deus que acabe logo esta pandemia, para que, entre outras coisas, tenhamos de volta nosso Diário inteiro, completo, com todos os cadernos que nós, leitores, gostamos de ler neste jornal.
Thiago dos Santos
São Caetano

Diário – 62 anos – 4
Parabéns a este Diário pelos 62 anos de informações à população brasileira, que agora não se restringe somente ao Grande ABC. Que muitos 60 venham pela frente e sempre procurando a imparcialidade nas manchetes e noticiários. Vida longa.
Sérgio Antônio Ambrósio
Mauá

Diário – 62 anos – 5
É façanha ver pujante, e por 62 anos, como completa este prestigiado Diário. Neste Brasil, dos altos e muito mais dos baixos – em que, infelizmente, se assiste a retrocesso econômico, social, em ainda ter passado parte deste período com dura ditadura militar como a de 1964 –, é sinal de muita determinação e competência esta longevidade. Porém, não devemos deixar de aplaudir a população desta rica região da Grande São Paulo, que, ao longo destes históricos 62 anos do jornal, não deixou de prestigiar o Diário. E que, por ter contado sempre com eficiente corpo de jornalistas, fez jus por merecer esse apoio e prestígio. Parabéns!
Paulo Panossian
São Carlos (SP)

Multa
Deixo aqui meu desconforto em relação à Secretaria de Mobilidade Urbana de Santo André, pois, no dia 8, às 10h13, meu veículo, Ford Ka, placa CLO-6317, foi multado na Rua Carlos de Campos, 37, por estar estacionado no local de carga e descarga. Só que meu carro estava com o trambulador quebrado, e fui procurar socorro, sendo que no painel estava meu Cartão de Idoso e com o triângulo no vidro traseiro, do lado de dentro. Se o funcionário que multou olhasse, veria que do lado direito da rua tinha umas seis vagas vazias, então, se eu conseguisse engatar o carro colocaria na vaga correta. Logo após consertar o carro, fui até a Rua Artur de Queirós, 387, para recorrer, mas estava fechado.
Cláudio A. S. De Moraes
Santo André

Cubanos
A estrutura da saúde no Brasil vem sendo desmantelada desde o governo Temer, com a diminuição das equipes do Programa Saúde da Família, e no atual governo, com o fim do Programa Mais Médicos e o consequente desligamento de quase 10 mil médicos cubanos que trabalhavam nas periferias das grandes cidades e nas mais longínquas do Brasil. Eram os mais procurados nos postos de saúde pela atenção e cuidado que dispensavam aos mais humildes, pois faziam consultas detalhadas e davam seguimento aos tratamentos. Com a pandemia, maiores vítimas serão aqueles que moram nas periferias e em cidades mais isoladas, que muitas vezes não dispõem de um único médico. Nesse contexto, os programas Mais Médicos e Saúde da Família poderiam auxiliar na identificação, isolamento e tratamento de casos menos graves, evitando, com isso, o agravamento e consequente internação em hospitais de referência de cidades médias e grandes. A quem devemos responsabilizar por mortes atuais e futuras decorrentes da pandemia? Pensem.
Paulo Leibruder
Santo André 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Como estará o Brasil após a pandemia?

Do Diário do Grande ABC

12/05/2020 | 23:59


A resposta é simples: não sabemos. Tentar prever o futuro quase sempre é passar vergonha: Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943 disse acreditar que no futuro talvez houvesse mercado para cinco computadores!

Mas é preciso correr esse risco: alguma coisa já podemos antever como consequência das necessidades de intervenções do Estado e dos efeitos da forte redução do comércio, da produção e do emprego. Acreditamos ser bom que governos, empresas e cidadãos se preparem para o pós-pandemia, se sobrevivermos.

A pandemia chegou em momento em que, além do governo federal, a maioria dos Estados e municípios já estava quebrada, sem margem para elevar seus gastos. O governo federal vinha operando com deficits primários e endividamento da ordem de 76% do PIB (Produto Interno Bruto); esforços, como a reforma da Previdência, foram feitos para a redução de gastos – o governo sonhava terminar este ano com deficit de 1% do PIB, algo como R$ 70 bilhões. Mas apenas os programas de ajuda aprovados até agora devem levar o deficit a R$ 500 bilhões, sendo óbvio que a tendência é de aumento ainda maior. A forte redução da atividade econômica fará a arrecadação da União, Estados e municípios desabar. Em resumo: mais despesas e menos receitas em todos os níveis de governo. Ao fim da pandemia com certeza nossos governos estarão ainda mais endividados e com deficits enormes, o que significa menos obras e empregos, salários congelados e queda na qualidade dos serviços públicos. A única alternativa a esse cenário seria aumento brutal de impostos, o que não é viável no momento.

Pode-se prever também que grande número de médias e pequenas empresas não vai sobreviver se a pandemia durar muito tempo, o que é a hipótese mais provável; algumas grandes também quebrarão. Os remédios à disposição podem alongar a agonia dessas empresas, mas são insuficientes para assegurar sua sobrevivência, pois sem faturar, sem caixa e sem acesso a crédito, não vão poder continuar operando e dando empregos por muito tempo. As empresas que sobreviverem precisarão submeter-se a ajustes, desde encolhimento até a adoção de novas tecnologias, formas de organização e trabalho, além da racionalização das cadeias de suprimento.

Serão tempos difíceis. Estávamos crescendo muito pouco, não conseguíamos eliminar bolsões de pobreza; essa situação deve perdurar por muito mais tempo. Poderia ser pouco menos ruim se fôssemos unidos e nossas lideranças estivessem à altura da situação, o que infelizmente está longe da verdade.

Vivaldo José Breternitz é doutor em ciências e professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

PALAVRA DO LEITOR

Diário – 62 anos – 1
Parabéns, Diário, pelos 62 anos de cobertura da nossa região e também do mundo.
João Pereira
Mauá

Diário – 62 anos – 2
Parabéns a este excelente Diário, que nos brinda diariamente com as mais relevantes informações. Igualmente parabéns aos jornalistas e demais funcionários, que fazem deste o maior jornal regional do Brasil. Continue assim, Diário, e para sempre terá minha admiração.
Nice do Carmo Veras
Mauá

Diário – 62 anos – 3
Meus cumprimentos a este Diário pelos 62 anos de bons serviços ao Grande ABC. Queira Deus que acabe logo esta pandemia, para que, entre outras coisas, tenhamos de volta nosso Diário inteiro, completo, com todos os cadernos que nós, leitores, gostamos de ler neste jornal.
Thiago dos Santos
São Caetano

Diário – 62 anos – 4
Parabéns a este Diário pelos 62 anos de informações à população brasileira, que agora não se restringe somente ao Grande ABC. Que muitos 60 venham pela frente e sempre procurando a imparcialidade nas manchetes e noticiários. Vida longa.
Sérgio Antônio Ambrósio
Mauá

Diário – 62 anos – 5
É façanha ver pujante, e por 62 anos, como completa este prestigiado Diário. Neste Brasil, dos altos e muito mais dos baixos – em que, infelizmente, se assiste a retrocesso econômico, social, em ainda ter passado parte deste período com dura ditadura militar como a de 1964 –, é sinal de muita determinação e competência esta longevidade. Porém, não devemos deixar de aplaudir a população desta rica região da Grande São Paulo, que, ao longo destes históricos 62 anos do jornal, não deixou de prestigiar o Diário. E que, por ter contado sempre com eficiente corpo de jornalistas, fez jus por merecer esse apoio e prestígio. Parabéns!
Paulo Panossian
São Carlos (SP)

Multa
Deixo aqui meu desconforto em relação à Secretaria de Mobilidade Urbana de Santo André, pois, no dia 8, às 10h13, meu veículo, Ford Ka, placa CLO-6317, foi multado na Rua Carlos de Campos, 37, por estar estacionado no local de carga e descarga. Só que meu carro estava com o trambulador quebrado, e fui procurar socorro, sendo que no painel estava meu Cartão de Idoso e com o triângulo no vidro traseiro, do lado de dentro. Se o funcionário que multou olhasse, veria que do lado direito da rua tinha umas seis vagas vazias, então, se eu conseguisse engatar o carro colocaria na vaga correta. Logo após consertar o carro, fui até a Rua Artur de Queirós, 387, para recorrer, mas estava fechado.
Cláudio A. S. De Moraes
Santo André

Cubanos
A estrutura da saúde no Brasil vem sendo desmantelada desde o governo Temer, com a diminuição das equipes do Programa Saúde da Família, e no atual governo, com o fim do Programa Mais Médicos e o consequente desligamento de quase 10 mil médicos cubanos que trabalhavam nas periferias das grandes cidades e nas mais longínquas do Brasil. Eram os mais procurados nos postos de saúde pela atenção e cuidado que dispensavam aos mais humildes, pois faziam consultas detalhadas e davam seguimento aos tratamentos. Com a pandemia, maiores vítimas serão aqueles que moram nas periferias e em cidades mais isoladas, que muitas vezes não dispõem de um único médico. Nesse contexto, os programas Mais Médicos e Saúde da Família poderiam auxiliar na identificação, isolamento e tratamento de casos menos graves, evitando, com isso, o agravamento e consequente internação em hospitais de referência de cidades médias e grandes. A quem devemos responsabilizar por mortes atuais e futuras decorrentes da pandemia? Pensem.
Paulo Leibruder
Santo André 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;