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Unicamp cortará gastos apesar de atuar contra covid-19

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


04/05/2020 | 07:32


A Unicamp anunciou nesta semana plano para reduzir gastos e minimizar impactos gerados pela covid-19. A pandemia fez aumentar despesas extras com atendimentos médicos no Hospital de Clínicas (HC) - a unidade, em Campinas (SP), é referência para tratamento de casos graves no interior paulista - e vai diminuir suas receitas orçamentárias. A estimativa é de queda de até R$ 220 milhões no repasse previsto do governo do Estado pela redução calculada de ICMS - o imposto é a principal fonte de recursos da universidade. Apesar da situação, os gastos da saúde estão mantidos.

"A gente não tem condições de bancar essa conta sozinho", afirmou o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel, após cálculo superficial, feito para a reportagem, dos gastos extras que o enfrentamento à pandemia da covid-19 trouxe. São gastos em leitos especiais no HC, isolamento de área, insumos adicionais para as unidades de saúde e de pesquisa, como máscaras e luvas, reagentes e equipamentos de testes, estudos e atendimento ao público, além de remédios, gastos com pessoal, entre outros.

A Unicamp é uma das três universidades públicas do Estado que desde o início da crise direcionou suas estruturas de atendimento médico e projetos de pesquisa e desenvolvimento de conhecimento científico para o enfrentamento à covid-19 - as outras são USP e Unesp.

Foi uma das primeiras autorizadas a fazer testes de detecção do coronavírus, pelo Instituto Butantã, e criou uma força-tarefa multidisciplinar de pesquisadores. Esse grupo trabalha em estudos sobre reagentes alternativos para identificar a doença, em terapias para o tratamento de pacientes, como o uso de plasma de doentes recuperados em pacientes graves e moderados, estuda a ação do vírus no cérebro, o impacto da pandemia na sociedade, entre outros.

Na área de saúde, o HC da Unicamp destinou 40 leitos de UTI apenas para pacientes com a doença. A ocupação está na faixa de 50%. "Tranquilo não é. Estamos sempre sobrecarregados, a situação no HC era crítica antes da covid-19 e agora ficou ainda mais grave", afirma. Diferente das duas outras universidades públicas de São Paulo, o HC e demais áreas de saúde integram o orçamento geral da Unicamp, já deficitário para 2020 - previa R$ 2,7 bilhões de despesas e R$ 2,5 bilhões de receitas. Isso faz com que os "gastos extras" com a covid-19 pesem ainda mais no caixa da universidade. A perspectiva de pico de atendimentos no interior paulista e o anúncio de envio de pacientes da capital agrava o quadro de alerta. "O sistema de saúde é único e nós somos parte do SUS. Vamos responder ao sistema dentro das nossas possibilidades", explica.

Segundo o reitor, o HC da Unicamp vai atender os pacientes que forem transferidos de outras regiões pelo sistema de regulação de vagas da Secretaria Estadual de Saúde. Mas avisa: "Naturalmente, dentro dos nossos limites e da nossa capacidade de atendimento, senão, seria, realmente, colocar em risco a vida das pessoas."

Cortes

O reitor também é o atual presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Ele afirma que a situação nas demais instituições também não é tranquila. "Entendemos que precisamos receber os recursos necessários para colaborar", alerta. "Com a diminuição geral do ICMS, certamente as universidades vão sofrer bastante. A gente não tem condições de bancar a conta sozinho."

Os números estimados de queda de receita foram divulgados junto com o anúncio de que a universidade "será obrigada a adotar medidas austeras para preservar sua capacidade de pagar os salários de seus docentes e funcionários em dia e de investir em infraestrutura". O plano de contingenciamento de despesas e cortes de gastos prevê economia de R$ 72 milhões e inclui, entre as medidas, corte de 80% nas contratações de professores e pesquisadores e congelamento da progressão na carreira dos já contratados.

O plano, que precisa de aprovação do Conselho Universitário (Consu), propõem ainda corte de 25% nas despesas de custeio das unidades, revisão de contratos, desde água e luz, a restaurantes, transporte, limpeza, jardinagem, cortes em programas institucionais, como de contratação de professores e pesquisadores, de programas de bolsa auxílio de intercâmbio, entre outros. Só a área de saúde fica fora dos cortes.

Doações

Sem receber recursos extras, nem do Estado nem da União, para o combate à covid-19 até agora, a Unicamp tem contado com repasses determinados pela Justiça, que destinou pelo menos R$ 10 milhões de valores disponíveis de processos, e de doações que a universidade de Campinas passou a buscar. " Tivemos muitas doações de pessoas físicas e empresas", explica o reitor. "Até agora não houve repasse extra", afirma o reitor. Segundo ele, os gastos estão elevados. As máscaras, por exemplo, que custavam R$ 0,10 estão sendo vendidas a R$ 4,40 - a universidade usa 6 mil por dia. "A situação chega ser desesperadora." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Unicamp cortará gastos apesar de atuar contra covid-19


04/05/2020 | 07:32


A Unicamp anunciou nesta semana plano para reduzir gastos e minimizar impactos gerados pela covid-19. A pandemia fez aumentar despesas extras com atendimentos médicos no Hospital de Clínicas (HC) - a unidade, em Campinas (SP), é referência para tratamento de casos graves no interior paulista - e vai diminuir suas receitas orçamentárias. A estimativa é de queda de até R$ 220 milhões no repasse previsto do governo do Estado pela redução calculada de ICMS - o imposto é a principal fonte de recursos da universidade. Apesar da situação, os gastos da saúde estão mantidos.

"A gente não tem condições de bancar essa conta sozinho", afirmou o reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel, após cálculo superficial, feito para a reportagem, dos gastos extras que o enfrentamento à pandemia da covid-19 trouxe. São gastos em leitos especiais no HC, isolamento de área, insumos adicionais para as unidades de saúde e de pesquisa, como máscaras e luvas, reagentes e equipamentos de testes, estudos e atendimento ao público, além de remédios, gastos com pessoal, entre outros.

A Unicamp é uma das três universidades públicas do Estado que desde o início da crise direcionou suas estruturas de atendimento médico e projetos de pesquisa e desenvolvimento de conhecimento científico para o enfrentamento à covid-19 - as outras são USP e Unesp.

Foi uma das primeiras autorizadas a fazer testes de detecção do coronavírus, pelo Instituto Butantã, e criou uma força-tarefa multidisciplinar de pesquisadores. Esse grupo trabalha em estudos sobre reagentes alternativos para identificar a doença, em terapias para o tratamento de pacientes, como o uso de plasma de doentes recuperados em pacientes graves e moderados, estuda a ação do vírus no cérebro, o impacto da pandemia na sociedade, entre outros.

Na área de saúde, o HC da Unicamp destinou 40 leitos de UTI apenas para pacientes com a doença. A ocupação está na faixa de 50%. "Tranquilo não é. Estamos sempre sobrecarregados, a situação no HC era crítica antes da covid-19 e agora ficou ainda mais grave", afirma. Diferente das duas outras universidades públicas de São Paulo, o HC e demais áreas de saúde integram o orçamento geral da Unicamp, já deficitário para 2020 - previa R$ 2,7 bilhões de despesas e R$ 2,5 bilhões de receitas. Isso faz com que os "gastos extras" com a covid-19 pesem ainda mais no caixa da universidade. A perspectiva de pico de atendimentos no interior paulista e o anúncio de envio de pacientes da capital agrava o quadro de alerta. "O sistema de saúde é único e nós somos parte do SUS. Vamos responder ao sistema dentro das nossas possibilidades", explica.

Segundo o reitor, o HC da Unicamp vai atender os pacientes que forem transferidos de outras regiões pelo sistema de regulação de vagas da Secretaria Estadual de Saúde. Mas avisa: "Naturalmente, dentro dos nossos limites e da nossa capacidade de atendimento, senão, seria, realmente, colocar em risco a vida das pessoas."

Cortes

O reitor também é o atual presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Ele afirma que a situação nas demais instituições também não é tranquila. "Entendemos que precisamos receber os recursos necessários para colaborar", alerta. "Com a diminuição geral do ICMS, certamente as universidades vão sofrer bastante. A gente não tem condições de bancar a conta sozinho."

Os números estimados de queda de receita foram divulgados junto com o anúncio de que a universidade "será obrigada a adotar medidas austeras para preservar sua capacidade de pagar os salários de seus docentes e funcionários em dia e de investir em infraestrutura". O plano de contingenciamento de despesas e cortes de gastos prevê economia de R$ 72 milhões e inclui, entre as medidas, corte de 80% nas contratações de professores e pesquisadores e congelamento da progressão na carreira dos já contratados.

O plano, que precisa de aprovação do Conselho Universitário (Consu), propõem ainda corte de 25% nas despesas de custeio das unidades, revisão de contratos, desde água e luz, a restaurantes, transporte, limpeza, jardinagem, cortes em programas institucionais, como de contratação de professores e pesquisadores, de programas de bolsa auxílio de intercâmbio, entre outros. Só a área de saúde fica fora dos cortes.

Doações

Sem receber recursos extras, nem do Estado nem da União, para o combate à covid-19 até agora, a Unicamp tem contado com repasses determinados pela Justiça, que destinou pelo menos R$ 10 milhões de valores disponíveis de processos, e de doações que a universidade de Campinas passou a buscar. " Tivemos muitas doações de pessoas físicas e empresas", explica o reitor. "Até agora não houve repasse extra", afirma o reitor. Segundo ele, os gastos estão elevados. As máscaras, por exemplo, que custavam R$ 0,10 estão sendo vendidas a R$ 4,40 - a universidade usa 6 mil por dia. "A situação chega ser desesperadora." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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