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Dólar deve impactar daqui três meses

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Principais sinais serão sentidos pelo consumidor em produtos de hortifrúti, ainda que reajuste seja menor; caixa de empresas também irá sofrer


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

28/04/2020 | 00:03


A alta do dólar observada no último mês deve impactar o consumidor final daqui a cerca de três meses. Isso porque o principal efeito para a população é no preço dos alimentos, uma vez que insumos para o cultivo de hortifrúti variam de acordo com a moeda norte-americana. Ontem, a cotação ficou em R$ 5,66, ante R$ 4,64 há um mês – aumento de 21,98%.

Exemplo de item que pode afetar o valor do setor alimentício é o adubo, que pode representar de 30% a 50% do custo de uma plantação. Porém, Reinaldo Messias, superintendente da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), assinala que os produtores já têm estoque de insumos, portando, a crescente da divisa deve ser sentida em três ou quatro meses.

Messias destacou que outros fatores impactam na precificação de produtos como hortaliças e legumes. “A mão de obra não é em dólar, o (preço do) combustível não está subindo, então, o impacto nos alimentos deve ser menor do que a variação do dólar. Se ele subir 10%, a mudança de preço não deve ultrapassar 4%”, exemplifica.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero avalia que, historicamente, um dos produtos mais sensíveis à variação da moeda norte-americana é o trigo e, consequentemente, seus derivados. “Em outro momento, poderia impactar outros setores (como valor de veículos novos), mas com a instabilidade econômica e o alto risco, as empresas estão tentando sobreviver e o mais importante é vender”, explica.

Na avaliação de Silvio Paixão, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), os consumidores ficaram mais atentos com a pandemia do novo coronavírus, prestando mais atenção no custo-benefício dos produtos. Assim, as empresas precisam ser mais cautelosas ao reajustar preços.

PANORAMA
Além disso, Balistiero aponta que outro impacto a curto prazo é no custo de empresas que dependem de matérias-primas cotadas de acordo com a divisa. Com isso, elas podem sofrer mais um baque durante a crise ocasionada pelo novo coronavírus. “Em tese, quando dólar sobe, elas começam a exportar, mas não é o caso neste momento”, pontua.

Segundo Paixão, empresas multinacionais que têm matrizes no País estão adotando medidas para manter as atividades. “Com a queda substancial do comércio interno (após crise da Covid-19), existe um movimento muito intenso para manter a liquidez nas matrizes e também, com o empobrecimento das nações, fica mais delicado importar e exportar.”

O dólar turismo fechou a R$ 5,71 ontem. Nas casas de câmbio, a moeda chega a ser vendida a R$ 6. Desde o inícios dos desdobramentos da pandemia mundial, a divisa está com viés de alta. O cenário foi agravado com as turbulências da política interna, a exemplo da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, no dia 16, e o pedido de demissão de Sergio Moro da pasta de Justiça e Segurança Pública na sexta-feira.

“O impacto da doença já passou, agora, a tensão é por causa da política e a incerteza sobre como o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vai trabalhar no combate ao coronavírus”, salienta Balistiero. “É como se uma pessoa tivesse com um cérebro (presidente) confuso e todos os outros órgãos (ministérios e governadores) estivessem fazendo o que avaliam que será o melhor”, completa. 



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Dólar deve impactar daqui três meses

Principais sinais serão sentidos pelo consumidor em produtos de hortifrúti, ainda que reajuste seja menor; caixa de empresas também irá sofrer

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

28/04/2020 | 00:03


A alta do dólar observada no último mês deve impactar o consumidor final daqui a cerca de três meses. Isso porque o principal efeito para a população é no preço dos alimentos, uma vez que insumos para o cultivo de hortifrúti variam de acordo com a moeda norte-americana. Ontem, a cotação ficou em R$ 5,66, ante R$ 4,64 há um mês – aumento de 21,98%.

Exemplo de item que pode afetar o valor do setor alimentício é o adubo, que pode representar de 30% a 50% do custo de uma plantação. Porém, Reinaldo Messias, superintendente da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), assinala que os produtores já têm estoque de insumos, portando, a crescente da divisa deve ser sentida em três ou quatro meses.

Messias destacou que outros fatores impactam na precificação de produtos como hortaliças e legumes. “A mão de obra não é em dólar, o (preço do) combustível não está subindo, então, o impacto nos alimentos deve ser menor do que a variação do dólar. Se ele subir 10%, a mudança de preço não deve ultrapassar 4%”, exemplifica.

Coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero avalia que, historicamente, um dos produtos mais sensíveis à variação da moeda norte-americana é o trigo e, consequentemente, seus derivados. “Em outro momento, poderia impactar outros setores (como valor de veículos novos), mas com a instabilidade econômica e o alto risco, as empresas estão tentando sobreviver e o mais importante é vender”, explica.

Na avaliação de Silvio Paixão, professor da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras), os consumidores ficaram mais atentos com a pandemia do novo coronavírus, prestando mais atenção no custo-benefício dos produtos. Assim, as empresas precisam ser mais cautelosas ao reajustar preços.

PANORAMA
Além disso, Balistiero aponta que outro impacto a curto prazo é no custo de empresas que dependem de matérias-primas cotadas de acordo com a divisa. Com isso, elas podem sofrer mais um baque durante a crise ocasionada pelo novo coronavírus. “Em tese, quando dólar sobe, elas começam a exportar, mas não é o caso neste momento”, pontua.

Segundo Paixão, empresas multinacionais que têm matrizes no País estão adotando medidas para manter as atividades. “Com a queda substancial do comércio interno (após crise da Covid-19), existe um movimento muito intenso para manter a liquidez nas matrizes e também, com o empobrecimento das nações, fica mais delicado importar e exportar.”

O dólar turismo fechou a R$ 5,71 ontem. Nas casas de câmbio, a moeda chega a ser vendida a R$ 6. Desde o inícios dos desdobramentos da pandemia mundial, a divisa está com viés de alta. O cenário foi agravado com as turbulências da política interna, a exemplo da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, no dia 16, e o pedido de demissão de Sergio Moro da pasta de Justiça e Segurança Pública na sexta-feira.

“O impacto da doença já passou, agora, a tensão é por causa da política e a incerteza sobre como o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vai trabalhar no combate ao coronavírus”, salienta Balistiero. “É como se uma pessoa tivesse com um cérebro (presidente) confuso e todos os outros órgãos (ministérios e governadores) estivessem fazendo o que avaliam que será o melhor”, completa. 

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