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Região desconhece perfil de infectados

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Apenas três das sete prefeituras divulgam dados sobre casos confirmados da Covid-19


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

23/04/2020 | 00:01


O Grande ABC demonstra desconhecimento sobre os pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus. Ou, no mínimo, vêm mantendo em sigilo tais informações sobre o perfil epidemiológico dos pacientes. Ao menos é o que indica resposta das sete prefeituras ao pedido de detalhamento dos dados feito pela equipe do Diário. Apenas São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires enviaram detalhamento dos casos da Covid-19 – totalizando 542 dos 1.050 casos divulgados até ontem –, enquanto as demais ou não atenderam ao prazo, não tinham os dados ou sequer responderam a solicitação. Tal situação dificulta ações de combate à proliferação da doença, medidas para entendimento do real cenário entre outras questões relacionadas.

Pelos dados obtidos, o novo coronavírus vem tendo maior incidência em mulheres, que são 275 destes 542 casos confirmados. Além disso, a infecção é mais comum nos pacientes entre 41 e 60 anos, com 195 pessoas. Os demais doentes se enquadram nas seguintes faixas etárias: 0 a 20 (17); 21 a 40 (187); 61 a 80 (111); e acima dos 80 (31) – um dos pacientes de Ribeirão Pires não teve a idade computada . São Bernardo registra o paciente mais jovem, com menos de 1 ano, que está internado no Hospital de Clínicas – conforme revelado na semana passada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB).

Este dado, apesar de não representar todo o Grande ABC, pode dar um panorama que acaba fugindo um pouco ao que vem sendo regra no Estado. Isso porque a faixa etária com maior número de confirmações entre os 15.914 pacientes que testaram positivo é entre 61 e 80 anos.

Segundo Fernando Luiz Affonso Fonseca vice-reitor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e coordenador do laboratório de análises clínicas do centro universitário, que vem realizando testes do novo coronavírus para cinco das sete cidades da região, ter o perfil epidemiológico é fundamental para os municípios poderem saber como agir. “(A partir dele) Consegue visualizar, mediante ao índice de positividade e ao perfil do paciente positivo e do suspeito, o quão efetivo está sendo o distanciamento, isolamento e confinamento”, explicou o profissional, que citou o possível “abrandamento ou afrouxamento do distanciamento” como medida possível apenas se o cenário for completamente conhecido pelos gestores públicos. “Precisa saber como está se comportando a doença na região. Não tem como não ser feito isso”, emendou ele, que ainda levantou outra situação. “É importante também se estudar os vulneráveis. Não sabemos como está o comportamento nos bairros mais afastados, na população que tem menos condição no dia a dia. Isso é muito importante de se traçar para o planejamento”, complementou.

De acordo com o infectologista Paulo Rezende, diretor do Hospital Santa Ana, de São Caetano, médicos e pesquisadores ainda estão descobrindo a Covid-19. “É tudo muito novo, completamente diferente. Mas já podemos notar que a doença vem poupando crianças e jovens. Não que estes não peguem, mas têm menos complicações. Por outro lado, os idosos, principalmente com alguma comorbidade, são mais afetados”, explicou ele, que enxerga deficit generalizado no Brasil no que diz respeito à identificação da Covid-19. “Não sabemos nem em que fase da doença está, se está em ascendência, se atingiu platô ou não. População fica sem saber como agir”, lamentou o especialista. 



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Região desconhece perfil de infectados

Apenas três das sete prefeituras divulgam dados sobre casos confirmados da Covid-19

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

23/04/2020 | 00:01


O Grande ABC demonstra desconhecimento sobre os pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus. Ou, no mínimo, vêm mantendo em sigilo tais informações sobre o perfil epidemiológico dos pacientes. Ao menos é o que indica resposta das sete prefeituras ao pedido de detalhamento dos dados feito pela equipe do Diário. Apenas São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires enviaram detalhamento dos casos da Covid-19 – totalizando 542 dos 1.050 casos divulgados até ontem –, enquanto as demais ou não atenderam ao prazo, não tinham os dados ou sequer responderam a solicitação. Tal situação dificulta ações de combate à proliferação da doença, medidas para entendimento do real cenário entre outras questões relacionadas.

Pelos dados obtidos, o novo coronavírus vem tendo maior incidência em mulheres, que são 275 destes 542 casos confirmados. Além disso, a infecção é mais comum nos pacientes entre 41 e 60 anos, com 195 pessoas. Os demais doentes se enquadram nas seguintes faixas etárias: 0 a 20 (17); 21 a 40 (187); 61 a 80 (111); e acima dos 80 (31) – um dos pacientes de Ribeirão Pires não teve a idade computada . São Bernardo registra o paciente mais jovem, com menos de 1 ano, que está internado no Hospital de Clínicas – conforme revelado na semana passada pelo prefeito Orlando Morando (PSDB).

Este dado, apesar de não representar todo o Grande ABC, pode dar um panorama que acaba fugindo um pouco ao que vem sendo regra no Estado. Isso porque a faixa etária com maior número de confirmações entre os 15.914 pacientes que testaram positivo é entre 61 e 80 anos.

Segundo Fernando Luiz Affonso Fonseca vice-reitor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e coordenador do laboratório de análises clínicas do centro universitário, que vem realizando testes do novo coronavírus para cinco das sete cidades da região, ter o perfil epidemiológico é fundamental para os municípios poderem saber como agir. “(A partir dele) Consegue visualizar, mediante ao índice de positividade e ao perfil do paciente positivo e do suspeito, o quão efetivo está sendo o distanciamento, isolamento e confinamento”, explicou o profissional, que citou o possível “abrandamento ou afrouxamento do distanciamento” como medida possível apenas se o cenário for completamente conhecido pelos gestores públicos. “Precisa saber como está se comportando a doença na região. Não tem como não ser feito isso”, emendou ele, que ainda levantou outra situação. “É importante também se estudar os vulneráveis. Não sabemos como está o comportamento nos bairros mais afastados, na população que tem menos condição no dia a dia. Isso é muito importante de se traçar para o planejamento”, complementou.

De acordo com o infectologista Paulo Rezende, diretor do Hospital Santa Ana, de São Caetano, médicos e pesquisadores ainda estão descobrindo a Covid-19. “É tudo muito novo, completamente diferente. Mas já podemos notar que a doença vem poupando crianças e jovens. Não que estes não peguem, mas têm menos complicações. Por outro lado, os idosos, principalmente com alguma comorbidade, são mais afetados”, explicou ele, que enxerga deficit generalizado no Brasil no que diz respeito à identificação da Covid-19. “Não sabemos nem em que fase da doença está, se está em ascendência, se atingiu platô ou não. População fica sem saber como agir”, lamentou o especialista. 

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