Fechar
Publicidade

Sábado, 19 de Setembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Política

politica@dgabc.com.br | 4435-8391

Bolsonaro desafia Poderes em ato pró-intervenção

Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

"Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil", disse o presidente



20/04/2020 | 07:28


O presidente Jair Bolsonaro elevou ontem, 19, o tom do confronto com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e, diante do Quartel-General do Exército, pregou o fim da "patifaria" em uma manifestação que pedia intervenção militar no País. Com microfone em punho, Bolsonaro subiu na caçamba de uma caminhonete e fez um discurso inflamado para seguidores que exibiam faixas com inscrições favoráveis a um novo AI-5, o mais duro ato da ditadura (1964 a 1985), e gritavam palavras de ordem contra o STF e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil", disse Bolsonaro, aplaudido por centenas de manifestantes. "Chega da velha política! (...) Acabou a época da patifaria. Agora é o povo no poder."

Dezenas de cartazes sugeriam fechamento do Congresso e do Supremo, além de pedidos para que as Forças Armadas ocupassem as ruas. O grito de "Fora Maia" era um dos mais ouvidos ali. Em nenhum momento, porém, o presidente contestou os apelos pela volta da repressão.

A reportagem apurou que militares do governo não gostaram da atitude de Bolsonaro. O protesto foi visto como preocupante por governadores, prefeitos e pelas cúpulas do Legislativo e do Judiciário, que enxergaram no gesto de Bolsonaro o sintoma de uma escalada autoritária no País, justamente no momento em que ele perde apoio e a pandemia do coronavírus se agrava.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo", escreveu Maia, no Twitter. Para ele, defender a ditadura é o mesmo que "flertar com o caos" e estimular o desemprego. Do outro lado da Praça dos Três Poderes, o ministro do STF Luís Roberto Barroso foi na mesma linha. "É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia", afirmou.

Embora Bolsonaro tenha tentado passar a ideia de que o ato ocorreu de improviso, na esteira de carreatas pela reabertura do comércio, seguidores bolsonaristas convocaram as manifestações pelas redes sociais. "Dia 19-04-2020. O Brasil vai parar. 14:00 h. Na frente dos quartéis", dizia uma das convocações, em verde e amarelo, ao pregar a "deposição" do Supremo e de governadores. Além disso, mensagens de WhatsApp traziam endereços de vários quartéis e batalhões pelo País. O texto era acompanhado das hasthags #abaixo STF e #abaixo Congresso Nacional.

Ao chegar no domingo ao QG do Exército, por volta de 13h30 - após almoçar na casa do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho -, o presidente foi ovacionado por apoiadores. Apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde para que sejam evitadas aglomerações, com o objetivo de diminuir o risco de contágio da covid-19, o apelo não foi respeitado. Muitos bolsonaristas chegaram ao local em carreatas, que pediam o fim do isolamento social e a reabertura do comércio.

Pelo segundo dia consecutivo, Bolsonaro não poupou ataques aos outros Poderes e se empolgou com o apoio recebido. Parecia mesmo estar em um palanque de campanha. "Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado em nós, que é a nossa liberdade. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro", discursou ele, que tossiu várias vezes durante o ato.

Na prática, a ofensiva de Bolsonaro contra o Congresso, o Supremo e governadores que defendem a quarentena tem aumentado de intensidade na mesma proporção de seu isolamento político. Na rampa do Planalto, no sábado, o presidente criticou o Supremo em transmissão ao vivo pela internet e chegou até mesmo a apontar para o prédio da Corte ao lembrar que os magistrados deram autonomia a Estados e municípios para decretarem medidas de distanciamento social. "Estão fazendo o que bem entendem", disse ele, que também atacou o Congresso. "Não vão me tirar daqui", afirmou.

Na noite deste domingo, Bolsonaro se reuniu com os ministros da Defesa, Fernando Azevedo; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, no Palácio da Alvorada. Questionado sobre o tema do encontro, Heleno foi lacônico: "Falamos sobre futebol".

Também no domingo, o comandante do Exército, general Edson Pujol, pregou união e classificou a pandemia como "uma das maiores crises vividas nos últimos tempos".

Outras manifestações

Estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro, manifestantes foram às ruas de São Paulo ontem pelo segundo dia consecutivo contra o isolamento social. Além de Brasília e São Paulo, houve atos no Rio, Salvador e Manaus. Na capital paulista, uma faixa de um quarteirão da Avenida Paulista foi fechada. Ontem, o número de mortes no Estado pela covid-19 passou de mil. Os manifestantes atacaram o governador João Doria (PSDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Bolsonaro desafia Poderes em ato pró-intervenção

"Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil", disse o presidente


20/04/2020 | 07:28


O presidente Jair Bolsonaro elevou ontem, 19, o tom do confronto com o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e, diante do Quartel-General do Exército, pregou o fim da "patifaria" em uma manifestação que pedia intervenção militar no País. Com microfone em punho, Bolsonaro subiu na caçamba de uma caminhonete e fez um discurso inflamado para seguidores que exibiam faixas com inscrições favoráveis a um novo AI-5, o mais duro ato da ditadura (1964 a 1985), e gritavam palavras de ordem contra o STF e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"Nós não queremos negociar nada. Queremos é ação pelo Brasil", disse Bolsonaro, aplaudido por centenas de manifestantes. "Chega da velha política! (...) Acabou a época da patifaria. Agora é o povo no poder."

Dezenas de cartazes sugeriam fechamento do Congresso e do Supremo, além de pedidos para que as Forças Armadas ocupassem as ruas. O grito de "Fora Maia" era um dos mais ouvidos ali. Em nenhum momento, porém, o presidente contestou os apelos pela volta da repressão.

A reportagem apurou que militares do governo não gostaram da atitude de Bolsonaro. O protesto foi visto como preocupante por governadores, prefeitos e pelas cúpulas do Legislativo e do Judiciário, que enxergaram no gesto de Bolsonaro o sintoma de uma escalada autoritária no País, justamente no momento em que ele perde apoio e a pandemia do coronavírus se agrava.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo", escreveu Maia, no Twitter. Para ele, defender a ditadura é o mesmo que "flertar com o caos" e estimular o desemprego. Do outro lado da Praça dos Três Poderes, o ministro do STF Luís Roberto Barroso foi na mesma linha. "É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia", afirmou.

Embora Bolsonaro tenha tentado passar a ideia de que o ato ocorreu de improviso, na esteira de carreatas pela reabertura do comércio, seguidores bolsonaristas convocaram as manifestações pelas redes sociais. "Dia 19-04-2020. O Brasil vai parar. 14:00 h. Na frente dos quartéis", dizia uma das convocações, em verde e amarelo, ao pregar a "deposição" do Supremo e de governadores. Além disso, mensagens de WhatsApp traziam endereços de vários quartéis e batalhões pelo País. O texto era acompanhado das hasthags #abaixo STF e #abaixo Congresso Nacional.

Ao chegar no domingo ao QG do Exército, por volta de 13h30 - após almoçar na casa do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho -, o presidente foi ovacionado por apoiadores. Apesar da recomendação da Organização Mundial da Saúde para que sejam evitadas aglomerações, com o objetivo de diminuir o risco de contágio da covid-19, o apelo não foi respeitado. Muitos bolsonaristas chegaram ao local em carreatas, que pediam o fim do isolamento social e a reabertura do comércio.

Pelo segundo dia consecutivo, Bolsonaro não poupou ataques aos outros Poderes e se empolgou com o apoio recebido. Parecia mesmo estar em um palanque de campanha. "Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado em nós, que é a nossa liberdade. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro", discursou ele, que tossiu várias vezes durante o ato.

Na prática, a ofensiva de Bolsonaro contra o Congresso, o Supremo e governadores que defendem a quarentena tem aumentado de intensidade na mesma proporção de seu isolamento político. Na rampa do Planalto, no sábado, o presidente criticou o Supremo em transmissão ao vivo pela internet e chegou até mesmo a apontar para o prédio da Corte ao lembrar que os magistrados deram autonomia a Estados e municípios para decretarem medidas de distanciamento social. "Estão fazendo o que bem entendem", disse ele, que também atacou o Congresso. "Não vão me tirar daqui", afirmou.

Na noite deste domingo, Bolsonaro se reuniu com os ministros da Defesa, Fernando Azevedo; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, no Palácio da Alvorada. Questionado sobre o tema do encontro, Heleno foi lacônico: "Falamos sobre futebol".

Também no domingo, o comandante do Exército, general Edson Pujol, pregou união e classificou a pandemia como "uma das maiores crises vividas nos últimos tempos".

Outras manifestações

Estimulados pelo presidente Jair Bolsonaro, manifestantes foram às ruas de São Paulo ontem pelo segundo dia consecutivo contra o isolamento social. Além de Brasília e São Paulo, houve atos no Rio, Salvador e Manaus. Na capital paulista, uma faixa de um quarteirão da Avenida Paulista foi fechada. Ontem, o número de mortes no Estado pela covid-19 passou de mil. Os manifestantes atacaram o governador João Doria (PSDB) e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;